1.Robinson; 2.Gary Neville, 12.Campbell, 6.Terry e 3.Ashley Cole; 4.Gerrard, 11. Joe Cole, 8.Lampard e 7.Beckham; 10.Owen e 9.Rooney: sem dúvida, um time de muito respeito.
Fora o goleiraço reserva James, do Manchester City, que completará 36 anos de idade menos de um mês após o final da Copa, o zagueiro Sol Campbell, o lateral-direito Gary Neville e o meia-atacante David Beckham (todos com 31), o mais velho entre os demais 19 convocados pelo técnico sueco Sven-Goran Eriksson tem apenas 28 anos.
Paul Robinson é um excelente goleiro, que conseguiu romper com o tabu de que o reserva imediato do titular anterior tinha lugar cativo. No caso de David James (hoje reserva de Robinson), o veteraníssimo titular de várias Copas era o não menos excelente David Seaman, que encerrou sua carreira como “móveis e utensílios” do Arsenal e deu aquela adiantada no golaço de Ronaldinho na Copa de 2002 que nós, brasileiros, iremos agradecer-lhe para todo o sempre. Mas James também está lá.
Falando em goleiros, ontem, no amistoso dos reservas e dos jogadores em stand by, a Inglaterra B, contra a Bielorrússia, a derrota ocorreu num erro de cobrança de tiro de meta do então terceiro goleiro Robert Green, do Norwich City, que caiu com o pé esquerdo em falso na hora do chute de direita e, infelizmente, torceu feio o tornozelo. Seu substituto (provavelmente mais um turista de luxo, que também funciona como auxiliar do treinador de goleiros e fecha sete na linha nos treinos de meia linha ataque contra defesa, a exemplo do que temos visto nos treinos do Brasil em Veggis na Suíça). Eriksson já convocou o jovem Ben Foster, de 23 anos, reserva do Manchester United.
Foster foi comprado pelo Manchester do pequeno Stoke no final da temporada 2004/2005. Como não havia lugar para ele no plantel do clube mais rico da Inglaterra, foi emprestado ao Watford, clube de propriedade do cantor Elton John.
Pois Foster não apenas ajudou o Watford a obter a sua classificação para a Barclay’s Premier League (primeira divisão) como voltará ao Manchester United em agosto com uma Copa do Mundo no currículo. Nada mau…
Nesse time titular, não consigo gostar da maneira de atuar do experiente Neville: ele é um marcador apenas razoável e pouco avança à linha de fundo adversária para cruzar. Como lateral, chega a ser até mais contido do que os zagueiros (Campbell e Terry vivem subindo nos escanteios e não são poucos os gols que marcam) e não contribui com nenhuma surpresa para o time.
No Manchester United, Neville costuma sair jogando pela direita, toca para Beckham e, apenas eventualmente, desloca-se para a meia-direita e fica trocando bolas com os meias até que algum deles avance ou descubra algum dos atacantes melhor posicionado para receber. Como ele, é fácil encontrar dezenas aqui no Brasil.
A dupla de zaga é, talvez, a melhor do planeta. Não que Sol Campbell e John Terry sejam os mais rápidos, os mais fortes, os mais habilidosos e os mais bem posicionados que podemos encontrar. Mas é inegável que Terry é rápido e sabe jogar muito bem tanto por cima quanto por baixo. E Campbell é muito forte e tem como principal arma o cabeceio. E ambos sabem sair jogando, sendo que Terry desempenha esse papel um pouco melhor do que o companheiro.
Já o lateral-esquerdo Ashley Cole é muito mais regular e equilibrado entre a defesa e o ataque do que seu correspondente no comprimento direito do gramado. Contudo, ele perdeu quase toda a temporada 2005/2006 em função de uma grave lesão. Voltou já no final, quando o Arsenal perdeu para o rival Tottenham Hotspur (este, sim, o verdadeiro clássico londrino) a quarta vaga inglesa para a UEFA Champions League de 2006/2007. Ele é mais rápido e um pouco mais ofensivo do que Gary Neville, participando de jogadas combinadas com os volantes e com os meias.
Caso Ashley Cole não esteja em forma, o bom Wayne Bridge do Southampton (emprestado ao Fulham, onde fez uma bela campanha na Premier League 2005/2006) pode dar conta do recado quase no mesmo nível do titular.
Outro jogador do qual não gosto, apesar de sua incontestável experiência tanto no English Team como no próprio Manchester United, é o zagueiro Rio Ferdinand.
Em 2002, ainda sem o amadurecimento de Terry, Ferdinand compôs a dupla de zaga com Campbell. Rio Ferdinand tem os mesmos defeitos do nosso Lúcio, mas não é tão bom quando aventura-se no ataque. No clube, seu entrosamento com Gary Neville pelo mesmo lado ajuda e é uma opção a mais para o técnico Eriksson. Mas ele não é muito mais do que o estabanado Cris, por exemplo.
O último zagueiro reserva bem que poderia ser titular: é o ótimo Jamie Carragher, do Liverpool. Particularmente, acho que a Inglaterra poderia jogar em um 3-5-2 para encaixá-lo na defesa no lugar de Neville. Reforçaria o setor e daria mais liberdade para Beckham, que não consegue mais jogar o que jogava no Manchester United, desde que foi para o Real Madrid. Nem mesmo no próprio English Team o muso das meninas e fenômeno de marketing no Extremo Oriente tem obtido mais o mesmo aproveitamento de outrora nas cobranças de falta, de escanteio, nos cruzamentos e nos chutes de fora da área.
Aproveitando o gancho da queda de rendimento de Beckham, sigamos com o meio-de-campo.
Assim na seleção como no mesmo Liverpool, é pelo companheiro de Carragher que começa a saída de jogo e a última barreira de contenção dos adversários antes de atingir a defesa inglesa: Steven Gerrard.
Acho Gerrard muito mais importante do que os jogadores do Chelsea Terry e Lampard e até mais do que o próprio Beckham: quando ele está em campo, parece que o English Team joga com mais garra e melhor posicionado. A briga pela braçadeira de capitão pode pender mais para o lado do zagueirão Terry, mas Gerrard tem muito mais resultados e respeitabilidade além das fronteiras do território da rainha Elizabeth. Afinal de contas, Terry já perdeu duas Champions Leagues consecutivas quando seu time era considerado favorito e o volante e capitão do Liverpool carregou seu time desacreditado e quase derrotado após um 0×3 no primeiro tempo, para o empate no tempo normal e, posteriormente, para uma inesquecível e quase improvável vitória nos pênaltis contra o poderoso Milan.
Gerrard é um líder, que chuta magistralmente de fora da área. Embora o Liverpool tenha chegado apenas em terceiro lugar na última Premier League a léguas de distância do folgado bicampeão Chelsea, ele sozinho possui mais personalidade do que os três titulares da seleção oriundos do clube azulão de Londres. Pela mesma razão na comparação com Campbell, eu preferia Carragher como titular.
Joe Cole é o meia-esquerda. Ele cruza com menos precisão do que Beckham em seus melhores dias, mas também não deixa de ser eficiente. Uma característica desse baixinho habilidoso é que ele nunca desiste. E essa é uma característica que pode levar a Inglaterra muito longe na Copa, pois apenas o Brasil, a Argentina, a Itália, Portugal e, quem sabe no último ato de uma geração, a França, a possuem.
Lampard, pela direita, foi eleito o segundo melhor jogador do ano pela FIFA em 2005, perdendo justamente para o bi eleito Ronaldinho.
Frank Lampard chuta muito bem de fora da área, não guarda posição no campo de ataque (apesar de preferir o lado direito) e é o principal jogador do Chelsea em assistências. Na hora do aperto, é normal que ele assuma a responsabilidade do jogo. Porém, sua estrela não é tão grande quanto a de Gerrard, embora suas posições sejam diferentes. Aqui, falamos sobre liderança.
No ataque, uma dupla formada pelo ágil e preciso Michael Owen que, aos 26 anos, já vai para a sua terceira Copa, tendo enfrentado gigantes como Argentina e Brasil sem o mínimo temor. Owen venceu os argentinos duas vezes, em 1998 e em 2002. Lá mesmo na Japéia, para chegarmos ao penta, tivemos que virar um marcador favorável aos ingleses – gol anotado exatammente por ele, pelo ex-menino prodígio de Liverpool, que não deu certo no Real Madrid e, hoje, ainda não voltou a ser o mesmo no Newcastle.
Finalizando o time titular, o jovem furacão Wayne Rooney, um matador nato, que esbanja força e frieza, ainda não sabe se estará em forma para toda a campanha da Copa da Alemanha, pois sua fratura no pé foi uma lesão muito complicada.
Caso Rooney fique alguns jogos de fora, seu substituto é um magrela de dois metros de altura chamado Peter Crouch – outro a serviço do Liverpool FC. Crouch é muito irregular: se, por um lado, tem estatura suficiente para vencer pelo alto qualquer zagueiro adversário no mundial e faz a parede com competência – dentro ou fora da área – para quem chega de trás, o gigante também comete erros bisonhos.
Os demais jogadores talvez joguem muito poucos minutos e somente em alguns jogos. Mesmo assim, alguns deles são substituições regulares do sr. Eriksson que merecem atenção.
O meia Owen Hargreaves, um anglo-canadense que jogou a carreira toda na Alemanha, é o único atleta da seleção que atua fora da Inglaterra. Ele é um bom jogador, mas que não apresenta nada de mais. Entra quase sempre no lugar de Joe Cole ou, eventualmente, até no lugar de Steven Gerrard.
Agora, um bom jogador que poderia muito bem ser titular: o jovem Aaron Lennon, de 19 anos. Lennon já era profissional aos 16 anos, quando foi o único que se salvou no ano em que o tradicionalíssimo Leeds United foi rebaixado. Agora, no Tottenham (que está recuperando o seu status de grande clube inglês), tem apresentado muita velocidade e precisão nos cruzamentos. É o substituto natural de Beckham, que poderia até ser utilizado em conjunto com o seu colega mais famoso caso Eriksson fosse menos conservador em seu ortodoxo 4-4-2 e topasse mandar Gary Neville para o banco de reservas.
Gostei também de outro bom meia do Tottenham – Jermaine Jenas, de 23 anos. Jenas é habilidoso e um exímio cobrador de faltas. Ele e Lennon complementam-se, embora Jenas jogue mais adiantado. Os dois juntos alterariam um pouco o esquema de jogo, que tornaria o 4-4-2 de uma linha de quatro zagueiros e uma linha próxima de quatro meias para um losango, onde Jenas seria o seu vértice.
Stewart Downing do Middlesbrough é outro meia-esquerda interessante. Ele é o reserva imediato de Joe Cole e, assim como Lennon, caracteriza-se também pela velocidade e pela qualidade nos cruzamentos. O garoto tem história na seleção sub-21.
Mas a grande surpresa da lista de convocados para a Copa foi a inclusão do adolescente Theo Walcott, que sequer entrou em campo pelos profissionais do Arsenal, clube que o adquiriu por uma verdadeira fortuna junto ao Southampton, clube pelo qual ele havia disputado 21 partidas e marcado apenas quatro gols. Para um atacante, uma média bastante baixa.
Walcott é convocado regularmente para a sub-19 e – dizem – suas características são muito parecidas com as de Thierry Henry. Caso isso se confirme quando ele adquirir maturidade e força física suficientes, já que o francês renovou com o Arsenal por mais quatro anos quando menos se esperava, provavelmente seu último papel no Arsenal será o de tutor do jovem craque quando o auge de sua forma se for.
Voltando ao esquema de jogo do técnico sueco, o 4-4-2 já citado é ortodoxo, em duas formações de quatro homens bem semelhante à do Grêmio (quando o Tricolor dos Pampas não joga com medo do adversário, no 4-5-1): todos os quatro defensores jogam em linha, adiantados, mais próximos da linha de quatro meias. Os dois zagueiros centrais e os dois volantes (no caso, a Inglaterra tem apenas um – Gerrard) costumam guardar mais posição e os laterais avançam muito pouco, cabendo aos dois meias extremos um papel mais ofensivo. Quando o time está com a posse de bola, todos os meias juntam-se aos atacantes. Quando o time perde a bola, a marcação adiantada tanto congestiona o meio de campo obrigado o adversário a encurtar o passe e, conseqüentemente, induzi-lo ao erro, de maneira que um passe errado resulte em um contra-ataque fulminante. Por outro lado, uma zaga que atua adiantada tanto oferece a bola nas costas pelas pontas como também os mortais lançamentos pelo meio, pegando os atacantes em velocidade de cara para o gol.