A Áustria tem uma seleção muito jovem, com apenas quatro remanescentes da fraca campanha na Japéia 2002. Esse grupo e todas as revelações a serem descobertas nas próximas duas temporadas serão a base da equipe que já está sendo preparada para não fazer fiasco na EURO 2008, quando o país alpino sediará a competição em parceria com a vizinha Suíça.
Por enquanto, trata-se de um plantel tecnicamente muito fraco, que praticamente não ofereceu resistência ao principal companheiro do Brasil no grupo E: nem o gol olímpico de empate ainda no 1º tempo, após um frangaço do goleiro reserva croata, serviu para que tivesse a impressão de que seria um jogo parelho.
Sem muito talento e evitando disputas de bola “a morrer”, a Croácia mostrou um futebol sem brilho, sim – mas muito objetivo e eficiente. Talvez o adversário não tenha servido para medir a real capacidade da seleção eslava, mas valeu para a observação do seu desenho tático e, sobretudo, do que cada um de seus mais famosos atletas será capaz de apresentar na Alemanha.
Os brilhantes comentaristas Paulo Calçade (o grande observador tático da Liga Espanhola) e Paulo Vinícius Coelho (sempre ele, o enciclopédico PVC, que manja muito de futebol inglês) já haviam observado que, contra seleções mais fortes, a Croácia costuma atuar no esquema 3-5-2.
Ambos concordaram na transmissão de ontem à tarde, pela ESPN Brasil, que o experiente volante Igor Tudor (ex-Juventus/ITA, atualmente no Siena/ITA) junta-se à primeira linha defensiva no papel de um quarto-zagueiro sempre que o 4-4-2 com duas linhas próximas que jogam adiantadas congestionando o meio-campo para roubar a bola e sair tocando em velocidade nos contra-ataques mostra-se mais eficaz.
Normalmente, a segunda variação de esquema funciona melhor contra adversários que não passam bem a bola, cujos meias e atacantes também prescindem de maior habilidade e velocidade. Segundo PVC, apesar da ousada declaração do maior ídolo do futebol da Croácia até o momento, o goleador da Copa da França Davor Suker (6 gols), que afirmou ontem em Zagreb/CRO que a Croácia pode terminar em primeiro no grupo mesmo à frente do Brasil, o 4-4-2 apresentado nesta terça em Viena no lendário estádio Ernst Happel provavelmente tenha sido testado já visando a estréia contra a Austrália – uma equipe pesada que perdeu o seu capitão e que ainda tem um de seus principais atacantes fora de sua melhor forma, Harry Kewell, reserva do Liverpool/ENG.
Normalmente, o técnico Zlatko Kranjcar – pai do meia de ligação Nico Kranjcar – deverá optar pelo único 3-5-2 entre as 32 seleções presentes ao mundial daqui a 16 dias.
Basicamente, a Croácia tem dois laterais-alas insinuantes, que são muito eficientes no apoio – Srna pela direita, Babic pela esquerda. Srna joga em combinação com Tudor, na maioria das vezes em que o volante/líbero avança para o ataque. Ou Tudor chuta forte de fora da área, ou a jogada vai para o ótimo Ivan Klasnic, atacante do Werder Brenen/GER.
Pela esquerda, o perigo é quando Babic consegue jogar com o perigoso Dado Prso, do Rangers/SCO.
Prso também serve a Klasnic e ambos recebem assistências do jovem Kranjcar (filho do técnico).
É um belo time.