POR QUE EU AMO TANTO O BARÇA

A final da UEFA Champions League, independentemente de quem dela participe ou se o jogo foi bom ou ruim, sempre me faz chorar várias vezes antes, durante e depois da partida.

Salvo o meu GRÊMIO FBPA, TRICOLOR DOS PAMPAS, O EXÉRCITO DE FERRO COM A ALMA CASTELHANA e o país que eu adotei pra torcer pelo que há de mais divertido no futebol, que é a molecagem africana – CAMARÕES, o time mais prazeroso de se torcer é o igualmente amado FC BARCELONA.

Poucos sabem que a coisa que eu mais amo depois de mim mesmo e da minha família [incluindo namorada e, caso venha a ter a felicidade de um dia tê-lo(s), filho(s)] é o futebol. Eu adoro crianças e adoro ver a bola rolando. Mesmo não sendo habilidoso, ágil nem forte o suficiente, me sinto um cara muito feliz por ter a capacidade de poder chutar uma bola e enxergá-la viajando – seja até os pés de algum amigo, seja para o fundo das redes.

Quando passei no vestibular, foi para Jornalismo, na UFRGS. Aos poucos, fui descobrindo que havia muita gente bem mais perspicaz, com mais malandragem e mais capacidade de ser política do que eu – o que fez com que eu me sentisse menos competente e menos hábil para ser comentarista ou repórter. Ao mesmo tempo, aprendi a apreciar computação gráfica, design gráfico, ilustração, fotografia, vídeo, cinema e design de interfaces. Naquela época, o caminho me levou à publicidade.

Minha idéia inicial – de acompanhar o futebol pelo mundo – ainda não morreu. E, depois de tantos dissabores e desprazeres que me tiraram a tesão de tentar ser um diretor de arte, designer gráfico ou interativo, volto mais maduro, mais atento, mais observador e muito mais confiante brincando aqui neste blog. Brincando em termos, pois o levo muito a sério.

Assim que aprendi a dedilhar uma máquina de escrever, passei a criar minhas próprias "matérias" sobre os jogos do Grêmio, de tanto ouvir as rádios Gaúcha e Guaíba e de tanto ler o velho e saudoso Correião do Povo (nos últimos anos do formato standard). Português, História, Geografia, Biologia, Inglês e Espanhol sempre foram minhas melhores matérias na minha agradável e fácil vida escolar – embora jamais tenha sido um aluno brilhante na faculdade, apenas no colégio.

Depois de acreditar no Luciano do Valle e no ufanismo da Vênus Platinada, meu maior trauma como torcedor foi a derrota do Brasil para a Itália por 3×2 em 1982, na tragédia do Sarriá, na Copa da Espanha. Ainda naquele mundial, me apaixonei perdidamente por Camarões – foi amor à primeira vista! ;)

Desde então, nunca mais nutri aquele entusiasmo ou aquele patriotismo pelo futebol profissional masculino brasileiro. Sou hiperbrasileiro na olimpíada, nos esportes amadores, no futebol feminino, nas categorias de base, na política, nas ciências, na natureza e nas artes. Mas não na Seleção.

Bem… Impossibilitado de ser jogador (fiz um teste no Tricolor aos 15 anos como lateral-direito, mas sempre deixei muito a desejar) e desgostoso com o Jornalismo, aprendi na faculdade a usar o venerável Adobe Photoshop 2.5 em um Macintosh IIci no LEAD (Laboratório Eletrônico de Arte e Design), então dirigido pelos professores Flávio Cauduro e Marília Levacov.

Devo minha primeira arte usando o carimbo do Photoshop a ela: em 1994, escaneei a clássica foto do atacante camaronês François Omam-Biyik vibrando ainda mais alucinado do que o Eto’o no post anterior ao bater o goleiro Nery Pumpido e a então toda-poderosa
 bicampeã mundial Argentina na abertura da Copa de 1990 na Itália por 1×0: como os Camarões são conhecidos pelo apelido de "Os Leões Indomáveis", carimbei a cabeça de um leão rugindo na proporção e no local exato para substituir a cabeça do vibrante Omam-Biyik! :)

Sou mais porto-alegrense do que gaúcho e mais gaúcho do que brasileiro. Embora não tenha nada a ver com as tradições campeiras e odeie a aristocracia agropecuária do RS, me orgulho muito desta terra.

Pois o Barça reúne, em uma única camisa, as cores azul e vermelho dos grandes arqui-rivais do futebol gaúcho: Grêmio e o nosso tradicional adversário (que não merece link nem tampouco a citação de seu nome aqui). O Barça representa o diferente, o criativo, o forte e o lutador, em uma clara – e feliz – analogia entre as diferenças entre o Rio Grande do Sul e o resto do Brasil; entre as nossas lutas contra a subjugação da província pelo poder central e a sempre sonhada independência da Catalunya em relação à Espanha.

E qual a minha alegria ao ver que os dois maiores jogadores do planeta na atualidade não apenas atuam no Barça: como se não bastasse, Ronaldinho se criou no Grêmio e Eto’o é o maior orgulho da República Unida de Camarões!!! :D

Ranking da FIFA: última atualização antes de 12/07

O raramente lido e, justamente em função de tamanha omissão e desinteresse, controvertido e polêmico ranking da FIFA, surgiu em 1993, com patrocínio da Coca-Cola.

A FIFA criou o ranking para determinar a correlação de forças entre mais de 200 afiliados em um determinado período de tempo. O cálculo requer atenção aos detalhes. Porém, não é tão complexo quanto se imagina. O atual sistema de determinação de coeficientes está em vigor desde 1999 e valoriza a performance de cada seleção A masculina (entenda-se A por profissional e por time principal) nos últimos oito anos. A próxima atualização seguirá o novo modelo, a ser divulgado também no próximo dia 12/07/2006. Portanto, três dias após a final da Copa do Mundo.

Diante de tantas subjetividades envolvidas nas esferas intangíveis emocional, física, financeira, técnica e tática, considero o ranking idôneo e justo. A única das alterações já divulgada pelas autoridades é que, a partir de 12/07, a pontuação será sensivelmente alterada para todas as seleções, já que passará a ser considerada a performance dos últimos quatro anos – não mais dos últimos oito anos.

Por enquanto, o que valeu até a atualização de hoje, 17/05/2006, foi o seguinte:

1) Leva-se em consideração resultados das seleções A nos últimos oito anos nas seguintes formas de disputa (na seguinte ordem):

a) Jogos das Copas do Mundo;

b) Jogos das eliminatórias de Copas do Mundo;

c) Jogos das Copas das Confederações;

d) Jogos dos campeonatos continentais;

e) Jogos das eliminatórias dos campeonatos continentais;

f) Amistosos.

2) O ranking é produzido por um software que determina os pontos de cada time para cada partida, a patir de critérios rigorosamente claros. Os fatores são os seguintes:


a) Vitória, empate e derrota;

b) Número de gols;

c) Jogo em casa ou fora;

d) Importância da partida (fator de multiplicação), conforme ordem do item 1;

e) Força regional (outro fator de multiplicação): peso dos resultados das seleções de e em cada continente nas competições ordenadas pelo item 1.

3) Apenas os sete principais jogos por ano em ordem de importância (item 1) entram no cálculo. Para garantir que a performance atual é sempre a mais importante, a cada ano que passa (do atual até o oitavo ano de avaliação), os resultados do ano passado terão um peso menor do que os deste ano; os do ano retrasado valerão ainda menos do que no ano passado e assim sucessivamente, até o descarte dos resultados abaixo do oitavo ano;

 

4) Ao final de cada ano, dois prêmios são dados:

a) Para o time que tiver obtido a pontuação mais alta em seus sete jogos avaliados (Team of the Year);

b) Para o time que tiver subido mais posições nos últimos 12 meses (Best Mover of the Year).

 

5) Uma seleção de força bem maior do que sua oponente perde muito mais pontos se perder e ganha muito menos pontos se vencer. Da mesma forma, a pior ranqueada ganha mais pontos se vencer e perde menos se sair derrotada do embate. O mesmo vale para os gols;

6) Peso por continente:

a) UEFA (Europa): 1

b) CONMEBOL (América do Sul): 0,99

c) CAF (África): 0,96

d) CONCACAF (Américas do Norte e Central e Caribe): 0,94

e) AFC (Ásia): 0,93

f) OFC (Oceania): 0,93

 

 

6) O total de pontos creditados a uma seleção seguirão os seguintes critérios, nesta ordem:

 

a) Pontos por vitória, empate ou derrota;

b) Mais os pontos pelos gols feitos no jogo;

c) Menos os pontos pelos gols concedidos no jogo;

d) Mais um bônus para o visitante;

e) Multiplicado pelo fator de importância do jogo;

f) Multiplicado pelo fator de força do continente ao qual o país pertence.

 

Continuo mais adiante: preciso falar sobre o título do Barça na UEFA Champions League!!! ;) 

Os 23 de Felipão: até onde chegará Portugal?

Felipão resgatou a auto-estima da seleção portuguesa: antes de Felipão, Portugal
costumava valorizar muito mais os três principais clubes do país (Benfica Futebol Clube, FC do Porto e Sporting Club Lisboa) do que a própria representação lusitana no mundo.

Para tanto, o vice-campeonato, a maravilhosa organização da EURO 2004 e a classificação ao Mundial 2006 com sete pontos à frente da Eslováquia foram preponderantes. Os recordes portugueses na última eliminatória são  insofismáveis: 35 gols a favor e apenas cinco contra; uma sumanta avassaladora na decadente (mas sempre respeitável Rússia) por um retumbante 7×0 e o goleador absoluto das eliminatórias européias – Pauleta, do PSG/FRA, com 11 golos.

Muitos dizem que o campeonato português é muito parecido com o Gauchão. O clima de Portugal e a população (11 milhões de habitantes) em muito lembram também o nosso Rio Grande do Sul. Mas, apesar de ser um mercado menos rico do que os de Espanha, França, Inglaterra, Itália, Alemanha, Holanda e Turquia, é, sem dúvida, um dos mais charmosos, apesar de contar geralmente com os mesmos três times nas cabeças.

Felipão foi muito inteligente: saiu da pressão da CBF consagrado como pentacampeão do mundo e foi para um país onde pudesse sentir-se em casa e – o mais importante – não precisasse aprender a falar outra língua. Talvez por isso tenha rejeitado a oferta da federação inglesa para substituir o sueco Sven-Goran Eriksson.

A grande choradeira no site oficial da Copa não encontra coro tão forte na imprensa portuguesa: a ausência do meia-atacante Hélder Postiga entre os 23 não foi nenhuma surpresa, pois ele sequer foi capaz de anotar um mísero tento nas eliminatórias.

Como a mística da "Família Scolari" depende muito mais do "um por todos e todos por um" dumasesco do que do talento individual (que ele nunca negou e, assim como forjou Carlos Miguel e Paulo Nunes no Grêmio, lá ele conta com o ótimo Cristiano Ronaldo do Manchester United/ENG) e com os veteraníssimos e, por enquanto, insubstituíveis Rui Costa (Milan/ITA) e Luís Figo (Internazionale/ITA).

Com a ida do campeão da Copa da UEFA de 2003 e da UEFA Champions League de 2004 José Mourinho (talvez o técnico mais arrogante e marrento da atualidade, pondo Vanderlei Luxemburgo e o desaparecido Louis Van Gal no chinelo) para o todo-poderoso Chelsea/ENG, o "bruxismo" lusitano tomou conta dos Blues de Londres. Ele levou consigo o lateral-direito Ricardo Carvalho, o zagueiro Paulo Ferreira e, mais recentemente, o meia operário-padrão Maniche.

De qualquer forma, Postiga ainda é muito jovem e recém foi convocado para defender a seleção Sub-21 de Portugal para as eliminatórias da Euro 2008 Sub-21.

Felipão gosta muito de jogadores eficientes e simples como o volante Costinha, o goleiro Ricardo (uma de tantas apostas scolarianas que costumam dar certo, tal como Paulo Nunes, Jardel, Arilson, Marcos, Roque Jr., Gilberto Silva e Edmilson) e Deco.

Portugal apresenta uma zaga consistente e um ataque insinuante, apesar do meio-de-campo não ser exatamente criativo. A eficiência portuguesa reside na disciplina tática, na velocidade do contra-ataque e no preparo físico.

Felipão só obtém sucesso dessa forma. Se for diferente, procurem outro técnico.

Creio que Portugal, dependendo do estado anímico, pode ir muito longe nesta Copa. Um terceiro lugar não está fora de cogitação.