Todos conhecem de cor e salteado a escalação da surpreendente seleção anfitriã, treinada pelo (não mais) contestado ex-goleador Jürgen Klinsmann: Lehmann; Friedrich, Mertesacker, Metzelder e Lahm; Schneider, Frings, Ballack e Schweinsteiger; Klose e Podolski.
A Argentina de José Pekerman, por sua vez, tem uma base, mas alterna algumas peças de acordo com a necessidade: Abbondanzieri; Coloccini, Ayala, Heinze e Sorín; Lucho González, Mascherano, Maxi Rodríguez e Riquelme; Tévez e Crespo.
O árbitro é o mesmo Lubos Michels que apitou Brasil x Gana. É um disciplinador discreto, porém seus bandeiras não são nada bons para marcar impedimentos.
Em Berlin, 20ºC, 71% de umidade relativa do ar e um dia nublado. Patriotismo, estádio lotado, clima de decisão. São 11 finais de Copa do Mundo e 5 títulos entre os dois bichos-papões, que já decidiram duas Copas consecutivas: a de Maradona, em 1986, no México; e a de Matthäus, em 1990, na Itália.
Alemanha e Argentina são as seleções que apresentaram o futebol mais bonito e objetivo do Mundial até aqui. É uma grande pena que um mate o outro ainda entre os 8, pois essa partida é digna de uma decisão.
Quem passar para a semifinal, provavelmente pegará uma tricampeã de 5 finais: a Itália.
O goleador argentino Hernán Crespo (Chelsea/ENG), 31 anos, finalmente pode jogar o que sabe sem a sombra de Gabriel Batistuta, já aposentado. Fabián Ayala (Valencia/SPN) é um dos melhores zagueiros do mundo. A opção do movediço, veloz e cheio de garra Carlitos Tévez vai atucanar aquela zaga alemã que levou dois gols de Paulo Wanchope, da Costa Rica, jogando em linha, cujos furos são Metzelder e Mertesacker.
Já a Alemanha precisa jogar pelo alto e explorar o goleador e garçon Miroslav Klose (Werder Bremen). Podolski (Bayern München) é um jovem centroavante que, se tem melhorado durante a Copa, por outro lado entra em impedimento freqüentemente. Phillip Lahm (reserva do Bayern München) é o homem que deve apoiar constantemente as jogadas aéreas.
Caso os volantes Schneider e Frings (Werder Bremen) não consigam fechar legal com os zagueiros, então a Alemanha poderá cair no jogo que os argentinos gostam, com muito espaço para Riquelme pensar o jogo e para tocar com o excelente Maxi Rodríguez (Atletico Madrid/SPN), que, assim como Crespo, também tem 3 gols na competição.
Sorín (Villareal/SPN) é o lateral-esquerdo que combina jogadas com Riquelme – justamente pelo lado mais fraco da Alemanha, pois o lateral-direito Friedrich apóia menos e com menos precisão do que Lahm.
Falando nisso, Pekerman surpreendeu relativamente ao escalar Fabricio Coloccini como lateral-direito, mesmo este sendo um zagueiro de área. Provavelmente, ele veja aí mais força para impedir os avanços de Lahm. Bem ou mal, a lesão do titular Burdisso (Internazionale/ITA) e o rendimento abaixo do esperado do lateral reserva Cufré também contribuíram para essa decisão do técnico.
Tática e tecnicamente, o melhor jogador da Alemanha é o volante Thorsten Frings. Frings é um marcador leal, preciso, vigoroso e de passe muito bom, cuja principal virtude é tentar surpreender com chutes de longa distância. Muitos falam de Michael Ballack, mas ele perde toda a sua “craqueza” comigo por ser tão mau caráter sem a bola quanto o famigerado Marcelinho Carioca. Ballack adora entrar com o cotovelo na car dos adversários e nunca nenhum árbitro o puniu severamente. Miroslav Klose vem surpreendendo como garçon, além de confirmar a sua habilidade de goleador nato.
A Alemanha ganhou convencendo em todas as partidas até o momento. Todavia, não enfrentou nenhuma seleção sequer de médio porte, salvo a estropiada Suécia, cujos principais jogadores vinham de lesão e não estavam em forma.
A Argentina goleou uma seleção galinha-morta, que era a da Sérvia e Montenegro, um país desunido e desmembrado, cheio de brigas internas em seu grupo. Fez uma partida burocrática contra a Holanda, já classificada. Sofreu contra o México, mas isso não é nenhum demérito, já que os mexicanos estão entre aqueles que têm a “manha” de complicar a vida tanto dos argentinos como também dos brasileiros. Mas pegou adversários mais fortes do que todos os que a Alemanha enfrentou. Foi testada com maior rigor.
Dois tabus: Klose tem 9 gols em Copas. Porém, só marcou gols na 1ª fase. E a Argentina não vence uma grande seleção há mais de um ano.
Um detalhe negativo a mais para cada lado: Ballack não tem jogado tudo o que pode há muito tempo, assim como Riquelme tem fama de “amarelar” nas decisões.
Finalmente, um fator positivo para cada um dos grandes oponentes: a Alemanha está num crescente, o astral é ótimo e tem uma nação de 61 milhões de pessoas inteira a seu favor. E a Argentina é mais técnica, tem mais garra e não sente jogar fora de casa.
Será que ambos irão atacar ou puxarão o freio de mão? Tomara que tenhamos uma partida formidável e inesquecível! ;)
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