Finalmente, a vontade de torcer pela Seleção Brasileira
Masculina Adulta de Futebol voltou. Mais uma vez, com um técnico farroupilha no comando.
Carlos Caetano Bledorn Verri, 43 anos. Mora em Porto Alegre desde sua aposentadoria como jogador, onde desenvolve um projeto de inclusão social em parceria com a Associação Cristã de Moços (ACM) e com o jogador Paulo César Tinga, do Tradicional Adversário.
Na Copa do Mundo, foi comentarista da Rede Bandeirantes de Televisão (Band) e do canal em pay per view Band Esportes, convidado pelo diretor e narrador Luciano do Valle.
Virou moda em diversos países tradicionais escolher um ex-jogador vitorioso e carismático porém ainda sem experiência como técnico. A Itália procede assim agora com Roberto Donadoni (um dos maiores meias que eu vi jogar) e a Alemanha assim o fez com Jürgen Klinsmann.
Normalmente, seu trabalho deve iniciar dando um nó epistemológico no grosso da mídia especializada que, de início, será esperançosa, ufanista e torcedora. Em pouco tempo, como não é normal iniciar vencendo facilmente, suas convicções serão imediatamente contestadas, até que ele consiga alguns resultados significativos.
É muito fácil fritar um treinador inexperiente sem manter as portas fechadas para ele. É muito fácil comprovar que o cara é inteligente, tem história e é muito gente boa mas ainda não tem experiência suficiente.
Há aqueles que consideram a gestão Dunga nada mais do que um mero mandat-tampão: em 2008, após a Euro da Austriça, termina o contrato de Luiz Felipe Scolari (Felipão) em Portugal e, então, o técnico de todos os gremistas e do penta assumiria o posto (hipótese kfouriana).
Outros são muito mais taxativos ao considerarem “uma loucura” a falta de conhecimento tático do novíssimo técnico gaúcho, argumentando que mais do que garr, orgulho, disposição e motivação é necessário conhecimento tático (hipótese guedesiana).
Politicamente, Paulo Andrade, Mauro Cezar Pereira e Silvio Lancelotti comentaram que Dunga foi uma escolha política de Ricardo Teixeira, para amansar a opinião pública e tapar a lembrança negativa da Copa de 2006, onde faltou vontade e voz de comando para os jogadores brasileiros.
Lancelotti acha fundamental Dunga contar com um técnico muito experiente como conselheiro, assim como Klinsmann o fez na Alemanha ao trabalhar com um profissional conceituado exclusivamente para a parte tática.
Com sorte, essa definição ocorrerá ainda hoje após reunião que irá definir pelo menos a maior parte de sua comissão técnica.
Dunga é sério e tem personalidade forte, mas é, ao mesmo tempo, um bom amigo dos jogadores. Ele tem o exemplo de diversos técnicos com os quais trabalhou quando jogador, de onde deve ter aprendido como porta-voz deles dentro de campo.
No Tradicional Adversário, começou com Cláudio Roberto Pires Duarte, o Claudião, aos 18 anos, em 1982. Ainda no mesmo clube, foi treinado por Dino Sani e Otacílio Gonçalves da Silva Júnior, o Chapinha.
Na Seleção, foi levado ao time principal pela primeira vez em 1987 por Carlos Alberto Silva, hoje diretor do Atlético-MG. Tanto no Vasco campeão carioca de 1987 com Romário como na Copa de 1990, foi treinado por Sebastião Lazaroni. Na Itália, em sua primeira temporada na Fiorentina, o técnico era nada mais nada menos do que o ex-técnico da Inglaterra nas Copas de 2002 e 2006, o sueco Sven-Goran Eriksson.
Dunga também participou da equipe de Jair Picerni na Seleção Olímpica medalha de prata em 1984 em Los Angeles e foi treinado pelo mesmo Picerni no Corinthians.
Há muitas especulações sobre quem trabalhará com Dunga. Um jornalista nordestino enviou um e-mail para o Bate-Bola 1ª Edição da ESPN Brasil nesta terça (um dia depois do anúncio oficial do novo técnico e no mesmo dia da reunião entre ele e o presidente Teixeira para definir os integrantes de sua comissão) afirmando que os ex-companheiros de Tetra Ricardo Rocha e Taffarel serão auxiliar técnico e treinador de goleiros, respectivamente.
Na linha de quem acha que Dunga precisa de algum tático experiente, Cláudio Duarte, Otacílio Gonçalves e Ivo Wortmann são nomes bastante cotados. E há ainda quem fale em Jorginho, Zetti e Ricardo Gomes.
O que importa é que precisamos esperar pra ver. Não adianta dizer que vai ou que não vai dar certo porque o trabalho ainda não começou.
Contudo, não vejo nem com severas ressalvas nem cheio de entusiasmo o nome de Dunga e a comissão técnica que pode surgir no horizonte.
Pra terminar, gosto de poder voltar a discutir por que fulano e não beltrano foi convocado e seguir imaginando outras opções para a mesma posição. Como observador e fã, gosto muito mais de um momento de renovação no plantel do que de uma previsibilidade que nem sempre é sinônimo de sucesso.