Atletico de Madrid corre por fora: depois de Seitaridis e Costinha, traz Maniche

A alta rotatividade dos jogadores das principais seleções européias já consagrados nos maiores clubes de seus respectivos países em seus primeiros anos de carreira está proporcionando agora uma tendência à paridade com as principais potências do G-14, gerando uma ótima expectativa tanto em nível nacional como continental.

Na Espanha, o poderosíssimo Real Madrid investiu pesado para equiparar-se ao seu arqui-rival Barcelona, que ganhou quase tudo em 2005/2006 e não dormiu no ponto, pois também reforçou-se. Embora em menor grau, o Betis e o Valencia também melhoraram seus plantéis.

A despeito da perda de qualidade de clubes que foram muito bem nas duas últimas temporadas, como o Osasuna, o Sevilla, o Villareal e o Deportivo, o Atletico promete complicar a vida de todos esses respeitáveis oponentes, trazendo a base do meio-campo titular da seleção de Portugal, 4ª colocada na Copa do Mundo e atual vice-campeã européia sob a batuta do técnico Felipão.

Costinha e Maniche são as apostas para que o Atletico consiga uma vaga para a UEFA Champions League 2007/2008.

Maniche começou no Benfica, demonstrou qualidade no pequeno Alverca, amadureceu e voltou, já como um dos principais jogadores da equipe lisboeta. Após a decisão estúpida de um dirigente com o qual havia entrado em rota de colisão, foi parar no arqui-rival Porto, onde ganhou tudo o que podia: duas Ligas, uma Copa de Portugal, uma Supercopa de Portugal, uma UEFA Cup, uma UEFA Champions League e uma Final Intercontinental.

Sem o arrogante “Luxemburgo d’Além-Mar”, José Mourinho e sem o seu principal articulador, o Porto parou de vencer. Ele foi ganhar um caminhão de dinheiro e passar frio no cada vez menos obscuro futebol russo, assinando ficha com o Dynamo Moskva/RUS, em 2004/2005. Em 2005/2006, o meia foi trazido pelo seu mentor técnico de então para o poderoso Chelsea, emprestado.

Nesses dois clubes, jogou muito poucas vezes, graças ao ambiente desfavorável lá encontrado. Pelo Dynamo, atuou apenas 13 vezes e marcou dois gols. Pelo Chelsea, jogou menos ainda: oito partidas, nas quais não assinalou nenhum gol.

Infelizmente, Maniche que, em princípio, tinha a confiança de Mourinho de que entraria paulatinamente para conquistar uma vaga de titular no meio-campo do Chelsea, rateou feio num clássico londrino contra o West Ham United pela English Premier League: o português falhou na marcação de James Collins, que marcou para o West Ham logo aos 14′. No contra-ataque seguinte, perdeu a oportunidade de empatar chutando uma bola fácil sobre o travessão e, três minutos depois, deu uma entrada dura no argentino Lionel Scaloni (não assisti ao jogo, mas talvez tenha merecido, pois é um tremendo caceteiro, com passagens por vários clubes médios da Espanha – provavelmente, os dois ainda se reencontrem) e foi expulso. O Chelsea, com um homem a menos, virou o marcador para 4×1 ao final, com gols de Drogba, Crespo, Terry e Gallas. Essa virada foi considerada emblemática na campanha, servindo de referência e de inspiração para a conquista do bicampeonato. Graças a esse episódio, a carreira inglesa de Maniche foi sumariamente abreviada.

Junto com o seu compatriota e com o grego, agora realiza o sonho de disputar La Liga. O Atletico foi muito inteligente ao ceder um atacante que não havia feito tantos gols quanto dele se esperava, o sérvio Mateja Kezman, agora vinculado ao Fenehrbaçe/TUR (treinado por Zico, cujo craque é Alex, e que tem ainda o zagueiro Fábio Luciano; recém assinou também com o uruguaio Lugano na zaga), para pegar uma das duplas mais afinadas e consagradas do planeta para organizar o time.

Maniche foi da seleção de 23 jogadores da Copa 2006 e foi eleito o melhor jogador da Final Interncontinental de 2004 contra o Once Caldas/COL.

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