Dentre todos os 8 clubes dos grupos A e B das quartas-de-final da edição 2005/2006 da CAF Champions League, o tunisiani Club Sportif Sfaxien, da bela cidade mediterrânea de Sfax, é o único que ainda não levantou a mais importante taça continental da África.
O Grupo A tem Sfaxien, Al Ahly/EGY (campeão em 1982, 1987, 2001 e 2005), Asante Kotoko/GHA (campeão em 1970 e em 1983) e JS Kabylie/ALG (campeão de 1990).
Até agora, o líder Sfaxien venceu em casa o poderoso Al Ahly/EGY por 1×0, acabando com a incrível invencibilidade egípcia de 47 jogos dentro do continente africano. Depois, sofreu sua única derrota nesta fase, por 4×2 em Obuasi contra o Asante Kotoko/GHA. Depois, venceu os dois confrontos contra o lanterna Kabylie/ALG: 1×0 em Argel e 2×0 em Sfax.
Os atuais campeões, depois da estréia com derrota na Tunísia, derrotaram o Kabylie por 2×0 no Cairo, empataram em 0×0 com o Asante Kotoko em Obuasi e golearam os mesmos ganeses no jogo de volta na capital da terra das pirâmides por sonoros 4×0.
O Asante Kotoko estreou vacilando por 1×0 em Argel, dando os únicos três pontos e a sobrevida na qual o lanterna ainda se agarra para tentar classificar-se. Depois, cumpriu o dever de casa contra o Sfaxien, vacilou em seus próprios domínios contra o fortíssimo clube do Nilo e foi surrado feito um escravo do faraó nos domínios da esfinge.
Na penúltima rodada, no sábado dia 09/09, o vice-líder pelo saldo de gols Ahly recebe o esperançoso e surpreendente líder Sfaxien, enquanto o 3º lugar pelo saldo Asante Kotoko tem a – supostamente – fácil tarefa de revidar a inesperada derrota do 1º turno contra o lanterna Kabylie.
O grupo encerra-se uma semana depois, no dia 16/09, quando o (independentemente de vitória na rodada anterior) ainda lanterna Kabylie receberá o Ahly em Argel. Também independemente de derrota, o Sfaxien decidirá a sua própria sorte com o calor de sua torcida ante os ganeses do Asante Kotoko.
São confrontos muito difíceis. Como nos 8 jogos das 4 primeiras rodadas houve apenas um empate, todos os jogos são pedreira pura. Pelo menos o escrete tunisiano não deu mole pra mané e venceu o mais fraco dos adversários em duas oportunidades.
O Al Ahly tem o melhor saldo de gols e o único gol sofrido nesta fase foi justamente o do jogo de ida em Sfax. E o empate do Ahly contra o Kotoko foi fora de casa, em Obuasi.
Tanto o Ahly como o Kotoko são times que não costumam vacilar dentro de casa. E é aí que mora o perigo para o Sfaxien, que joga em casa um confronto de tudo ou nada contra o experiente time de Gana.
À espera de um milagre, ou seja, de vencer o Kotoko em Obuasi e, depois, de procurar dar o seu melhor em Argel contra o Ahly e ainda torcer para seu algoz Sfaxien não perder nenhum confronto, o Kabylie ainda tem chances matemáticas de classificação. A tabela oferece essa possibilidade justamente porque Ahly e Kotoko não se enfrentam mais.
Até o momento, apenas Sfaxien e Ahly cumpriram à risca o dever de casa. E ambos costumam vencer sem sofrer gols. Por isso, acredito que sejam os dois classificados, até por que o fraco Kabylie só foi goleado uma única vez. O Asanté Kotoko jogará muito pressionado em ambas as rodadas, enquanto o Sfaxien sabe que decide tudo em casa e o Ahly é muito forte.
Independentemente da África ser um continente exportador de uma matéria-prima que não é tão boa quanto a da América do Sul, seus campeonatos continentais são organizados por uma confederação forte, organizada e profissional. Esse formato de disputa da CAN é maravilhosamente atraente, pois essa fase de grupos antes das semifinais dá uma quebrada de ritmo nos dois “mata-mata” que se sucedem (32 avos-de-final, 16 avos de final), dando seis rodadas de chance para os 8 melhores mostrarem do que são capazes.
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