O que e AGENDA-SETTING?

O verbete da Wikipedia (em inglês) começa com a seguinte citação dos autores Shaw & McCombs, de 1977:

“Pode estar aqui o efeito mai importante da comunicação de massa: sua habilidade de ordenar e organizar o ‘nosso mundo’ para nós. Em suma, a mídia de massa pode até não obter sucesso em nos contar o que pensar, mas ela é incrivelmente bem-sucedida em nos contar SOBRE O QUE PENSAR.”

Os meios de comunicação de massa seguem uma agenda de temas que eles e seus mantenedores consideram interessantes. A maneira de contar importa muito, pois o que e como será mostrado e sobretudo o que será omitido sobre um determinado tema são determinantes na maneira do consumidor-interagente dessa informação pensar.

Poderíamos dizer que o MST serve talvez o melhor churrasco do mundo e de graça para os visitantes dos assentamentos. Que há escolas que ensinam o trabalho agrícola, que reforçam a história e que eles trabalham sempre cooperativados. Os lucros são irmamente repartidos entre todos sem exceção. E eles têm uma noção de lucro, despesa e investimento absurda, mesmo quem não tem 2º grau. Ninguém pode ficar sem comida nunca.

Mas duvido que 90% dos leitores deste blog de esquerda sequer imaginem que o movimento seja tão organizado assim.

Por que? Ora, porque a agenda da mídia é a favor do latifúndio. Não admite concorrência dos pequenos no agornegócio!

Lembrem-se do porquê da pergunta sobre corrupção no último debate da Globo ter sido feito por um gaúcho de Porto Alegre: pra associar a imagem dos ainda supostos e não-comprovados crimes envolvendo pessoas ligadas ao PT em Brasília com uma raivosa criminalização do PT como um todo no RS, onde a candidatura da tucana estava seriamente ameaçada…

E Agora, Rio Grande?

Infelizmente, 53,6% da população gaúcha aceitou virar laboratório de práticas neoliberais dando uma guinada à direita provavelmente ainda mais forte do que a de 1994.

Não sou sociólogo para encontrar uma explicação exata para o fato, mas não há motivo racional nem cultural plausível para que eu acredite na hipótese de que o gaúcho é sempre contra o poder central, nem tampouco que deliberadamente evita repetir a mesma pessoa novamente ou o mesmo partido por dois mandatos consecutivos.

Aposto mais no ataque sistemático, irresponsável e anti-jornalístico da Grande Mídia através de uma agenda que ressaltou o preconceito anti-esquerdista dos municípios mais afastados das maiores cidades do Estado, influenciados também pelo lado nazi-fascista e não pelo lado empreendedor e cooperativista das nossas origens européias.

Nossa população do estamento A obviamente plantou o ódio e o terror, mas se absteve de dar as caras, usando a velha tática de apelar para o conservadorismo ao velho estilo Tradição, Família e Propriedade (TFP) ou, no mundo urbano, “Deus, Pátria e Família”. De folhetos apócrifos emitidos pela pelega Força Sindical contra Olívio Dutra até o terrorismo do novo vice-governador eleito que fez questão de falar mais alto e de não completar com “do Brasil” ao referir-se à candidata a vice de Olívio, Jussara Cony, do PC do B.

Yeda Crusius é conhecida no meio acadêmico como autoritária. Ser autoritária é exercer o poder de maneira centralizadora e anti-democrática, concedendo a palavra apenas para os financiadores que a alimentam e que receberão dela verbas públicas como moeda de troca. Isso é muito diferente da tola justificativa de auto-defesa que utilizou no Correio do Povo desta segunda-feira, quando diz que quem a considera “mandona” o faz por preconceito, já que ela é mulher.

Gostaria MUITO de saber o que impede as forças do campo democrático e popular de trabalharem forte a fim de garantir pelo menos um diretório do PT em cada um dos 444 municípios do Estado. O Partido dos Trabalhadores sequer tem um diretório a cada dois municípios. Isso reduz significativamente a possibilidade de crescer, de aparecer, de formar novas lideranças e, sobretudo, de ter a chance de desmistificar os preconceitos contra o socialismo, contra a cidadania, contra a inclusão social, contra o negro, contra os GLTBs e – mesmo tendo eleito uma mulher paulista pela 1ª vez – obviamente também contra a mulher, embora em menor grau.

Sem nenhuma maldade e sem rogar mau-agouro, apesar de todos os governos de qualquer tendência realmente investirem alguma coisa no social, a direita sempre investe uma insignificante migalha do orçamento. Com ajuda da Grande Mídia, um beneficio direitista que atinja efetivamente apenas 10 mil pessoas parece ter atingido 10 milhões.

Por ora, não nutro a menor esperança de que, só por ser mulher, só por ser economista, só por ser professora, só por nunca ter exercido nenhum cargo executivo, só porque seu partido nunca foi o mandatário-mor do Estado, só porque tem o apoio dos ricos, a situação vai melhorar.

Há uma questão gravíssima, que é uma nova doação paquidérmica de dinheiro público para uma grande empresa que trabalha como gafanhoto: limpa a lavoura e vai embora, que é a Aracruz Celulose.

No dia 09/10/2006, às 12:30h, assistirei a um documentário sobre o chamado “deserto verde”: as plantações de eucalipto para a fabricação de papel sugam toda a água e uma porção de nutrientes do solo. Gozado: a implantação da fábrica será na metade sul do RS, justamente a região mais pobre do Estado, que já sofre com um princípio de desertificação em alguns pontos perto da fronteira com o Uruguai.

Quero só ver o tamanho do incentivo fiscal e o tempo que vai durar a praga de gafanhotos…

Globo: nada e por acaso…

O formato de debate da Globo foi absurdo: 40s para a pergunta, 1min20s para a resposta, 1min para a réplica e 1min para a tréplica. Embora concorde que foi possível discutir uma quantidade maior de temas, não dava tempo de engrenar uma resposta mais completa sobre nada.

O Presidente Lula destruiu todo e qualquer argumento de Alckmin. Porém, houve um momento que caracterizou o agenda-setting de modo claro e arranjado, sem deixar dúvida alguma sobre a intenção da Grande Mídia.

Quando o apresentador WIlliam Bonner sorteou o tema “corrupção”, eu tinha CERTEZA ABSOLUTA de duas coisas:

1) De que o “sorteado” seria daqui de Porto Alegre;

2) De que Alckmin teria a “sorte” de responder a essa questão, ficando com a última palavra.

Tudo para salvar Yeda.

MAS EU VOU PRA MILITÂNCIA AGORA, CONTRA ESSE MOVIMENTO BURGUÊS RIDíCULO CHAMADO “ACORDA BRASIL”

Vão dormir, seus porcos chauvinistas da moral de cuecas!!!

COM A FRENTE POPULAR E PRA VENCER!!!

De todos os bandeiraços, carreatas, bocas de urna, panfleteadas e discussões políticas de que participei através dos tempos, absolutamente nada se compara à passeata de ontem, 27/10/2006, das 17:30h às 19:30h no Centro da capital de todos os gaúchos e gaúchas, junto da minha amada Lu (Lúcia) e de tanta gente querida, ordeira, pacífica, criativa, divertida, simpaticíssima, honesta, simples, lutadora e, acima de tudo, muito consciente e orgulhosa daquilo que defende, acredita e procura irradiar.

Simplesmente porque se quem está pior do que eu melhorar, melhora para todos, sem exceção! ;)

O debate da RBS

A prova maior de que a assessoria da Frente Popular não mentiu, não aumentou e sequer diminuiu quaisquer dados e que as fontes das acusações divulgadas nos programas eleitorais da candidatura Olívio Dutra e Jussara Cony foi o total destempero da candidata Yeda Crusius durante todo o debate, onde preferiu passar quase o tempo inteiro se defendendo a partir do contra-ataque, torrando a paciência do eleitor com a cantilena do “novo jeito de governar”.

Ela votou a favor da ida da Ford para a Bahia de Toninho Malvadeza SIM!

Ela votou contra a Licença Maternidade e contra a manutenção do 13º salário SIM!

O governo Olívio de 1998 a 2002 NÃO mandou a Ford embora do RS!

O governo Olívio INVESTIU muito mais na saúde do que em publicidade SIM!

Yeda tergiversou muito mais do que Olívio, sem sombra de dúvida. Ela suou muito e foi muito mais agressiva do que de costume. Contudo, não foi desrespeitada em sua moral nem em sua integridade nenhuma vez. É preciso reconhecer que ela também não fez o mesmo com Olívio (ainda bem). Todavia, pousou de vítima o tempo inteiro, dizendo que ele estava faltando com o respeito e a atacando com mentiras.

Olívio foi muito bem ao afirmar que ela tergiversava e foi bom repetir diversas vezes durante o programa que “uma meia-verdade é uma mentira maior do que uma mentira inteira”. No entanto, ele não foi muito esperto em alguns pontos:

1) Apesar da nítida franqueza, da simpatia no olhar e de manter o equilíbrio com muito mais freqüência do que a adversária, Olívio costuma falar lenta e pausadamente;

2) Ele usa um vocabulário difícil (embora, por outro lado, o dela também o seja);

3) A assessoria do PT é péssima em termos de “malandragem” e de atuação no palco. Não que Olívio tivesse que deixar de ser ele mesmo – muito menos que tivesse que representar um papel. Mas ele se complicou ao não perceber – e ao sequer ter sido alertado – que, quando perguntava acusando, Yeda, que fala mais palavras do que ele em menos tempo, teria dois minutos para responder, defender-se e contra-atacar e que seu tempo de defesa, de reforço de acusação ou de reforço de suas propostas seria curto. Pior: com direito à palavra final mais contundente dela na tréplica;

4) Olívio sempre teve argumentos técnicos e factuais comprovadamente verdadeiros para comprovar que não fez mau uso do então caixa único de suposto R$1,7 bilhão herdado do governo Britto. Também teve argumentos fortes para provar que investiu muito mais no pequeno agricultor e na saúde do que Yeda havia falado. E que ele também tinha provas de que tanto ela ajudou a Ford ir para a Bahia como ele não havia mandado a empresa embora.

Porém, mais uma vez em função de sua fala lenta, pausada e de uma péssima assessoria, talvez tenha parecido pouco convincente porque não usou argumentos mais contundentes.

Ele deveria ter salientado os resultados obtidos pelos pequenos agricultores em seu governo, comparando-os com o anterior e com o atual. O partido poderia ter colhido índices de produtividade e de lucratividade das cooperativas e depoimentos curtos de seus principais dirigentes, por exemplo.

Poderia ter feito como Lula faz em seu programa e em todos os debates, destruindo a conversa mole de Alckmin apresentando índices simples de serem assimilados pelo eleitor em geral, nas perguntas sobre o caixa único, sobre saúde e educação.

Aliás, falando em educação, ele deveria ter levado uma cópia do certificado de qualidade recebido pela UNESCO.

Quanto à Ford, deveria ter sido incisivo afirmando que economistas sérios e responsáveis, porém discordantes do modelo privatista e FALSAMENTE desenvolvimentista (o ‘falsamente’ é muito importante), colegas tão competentes de Yeda Crusius, garantem que a Ford não geraria mais do que apenas 24 mil empregos diretos e indiretos ao invés dos 100 mil que a candidata teima em inventar. Poderia, ainda, salientar que, apesar de todo investimento no estado ser muito bem-vindo, é fundamental fazer um estudo técnico resonsável de impacto ambiental e, sobretudo, se com o mesmo dinheiro necessário para o incentivo fiscal à uma única empresa em apenas um só município não seria mais produtivo espraiar muito mais empregos em projetos voltados à vocação de cada região do Rio Grande. Poderia fechar com relatos obtidos por sociólogos e engenheiros ligados à UFBA que estudaram o fenômeno da Ford na Bahia. Poderia terminar dizendo “se a Ford fosse mesmo tão boa para a Bahia, por que as receitas alfandegárias do seu porto de escoamento ficam nas mãos dos amigos de ACM?! Se a Ford fosse mesmo um bom negócio; se o modelo que a senhora e que os gpvernos de seus antecessores – dos quais a senhora participou ativamente e acabou TRAINDO NO FINAL – o companheiro Jaques Wagner não teria derrotado no 1º turno ao seu amigo lá da Boa Terra! O povo gaúcho também está farto disso, como o povo baiano deu o seu grito de liberdade lá, faremos mais e melhor aqui! Contando com o teu apoio, eleitor, nós vamos virar a eleição!”

Minha última recomendação para Olívio seria rechaçar o argumento yediano de que a proposta de redução do ICMS para determinados setores a fim de aumentar 125 mil empregos em 6 meses é “irresponsável” da seguinte forma:

- Candidata Yeda, nosso plano de governo é totalmente viável, lúcido e muito bem fundamentado, sim! Não somos novatos no governo! Tanto é que três de seus colegas – também professores de Economia na UFRGS e que a respeitam muito – aprovaram com louvores a inovação da nossa proposta! No dia 1º de janeiro de 2007, nós vamos, sim, reduzir 20% do ICMS para o setor coureiro-calçadista, 15% para os setores vitivinícola, de plásticos, borrachas e metal-mecânico SIM! A exemplo do nosso 1º mandato (com o qual aprendemos MUITO), vamos fazer a diferença na vida de quem mais precisa. Este é o nosso compromisso, ao passo que o seu campo partidário prefere baixar as orelhas para as exigências de quem já tem muito, deixando apenas desculpas e esmolas para os pequenos. COM A FRENTE POPULAR, DAREMOS UM BASTA a essa política que, de nova, só tem mesmo a sua vontade de se candidatar.
__________

Abaixo, uma prova da arrogância dos poderosos. Profundamente lamentável. Demonstra impaciência, falta de consideração, cansaço e uma irritação contida dahttp://www.blogger.com/img/gl.link.gif nossa adversária:

27/10/2006 00:07
Candidatos se cumprimentam friamente após debate

Ao contrário do que ocorreu no início do debate, no encerramento foi Olívio Dutra quem procurou Yeda para se despedir. “Tchau Olívio. Por hoje chega”, foi a resposta da tucana, enquanto apertava sua mão e dava as costas para atender aos jornalistas.

O relato acima é do blog dos bastidores do debate publicado na .