A prova maior de que a assessoria da Frente Popular não mentiu, não aumentou e sequer diminuiu quaisquer dados e que as fontes das acusações divulgadas nos programas eleitorais da candidatura Olívio Dutra e Jussara Cony foi o total destempero da candidata Yeda Crusius durante todo o debate, onde preferiu passar quase o tempo inteiro se defendendo a partir do contra-ataque, torrando a paciência do eleitor com a cantilena do “novo jeito de governar”.
Ela votou a favor da ida da Ford para a Bahia de Toninho Malvadeza SIM!
Ela votou contra a Licença Maternidade e contra a manutenção do 13º salário SIM!
O governo Olívio de 1998 a 2002 NÃO mandou a Ford embora do RS!
O governo Olívio INVESTIU muito mais na saúde do que em publicidade SIM!
Yeda tergiversou muito mais do que Olívio, sem sombra de dúvida. Ela suou muito e foi muito mais agressiva do que de costume. Contudo, não foi desrespeitada em sua moral nem em sua integridade nenhuma vez. É preciso reconhecer que ela também não fez o mesmo com Olívio (ainda bem). Todavia, pousou de vítima o tempo inteiro, dizendo que ele estava faltando com o respeito e a atacando com mentiras.
Olívio foi muito bem ao afirmar que ela tergiversava e foi bom repetir diversas vezes durante o programa que “uma meia-verdade é uma mentira maior do que uma mentira inteira”. No entanto, ele não foi muito esperto em alguns pontos:
1) Apesar da nítida franqueza, da simpatia no olhar e de manter o equilíbrio com muito mais freqüência do que a adversária, Olívio costuma falar lenta e pausadamente;
2) Ele usa um vocabulário difícil (embora, por outro lado, o dela também o seja);
3) A assessoria do PT é péssima em termos de “malandragem” e de atuação no palco. Não que Olívio tivesse que deixar de ser ele mesmo – muito menos que tivesse que representar um papel. Mas ele se complicou ao não perceber – e ao sequer ter sido alertado – que, quando perguntava acusando, Yeda, que fala mais palavras do que ele em menos tempo, teria dois minutos para responder, defender-se e contra-atacar e que seu tempo de defesa, de reforço de acusação ou de reforço de suas propostas seria curto. Pior: com direito à palavra final mais contundente dela na tréplica;
4) Olívio sempre teve argumentos técnicos e factuais comprovadamente verdadeiros para comprovar que não fez mau uso do então caixa único de suposto R$1,7 bilhão herdado do governo Britto. Também teve argumentos fortes para provar que investiu muito mais no pequeno agricultor e na saúde do que Yeda havia falado. E que ele também tinha provas de que tanto ela ajudou a Ford ir para a Bahia como ele não havia mandado a empresa embora.
Porém, mais uma vez em função de sua fala lenta, pausada e de uma péssima assessoria, talvez tenha parecido pouco convincente porque não usou argumentos mais contundentes.
Ele deveria ter salientado os resultados obtidos pelos pequenos agricultores em seu governo, comparando-os com o anterior e com o atual. O partido poderia ter colhido índices de produtividade e de lucratividade das cooperativas e depoimentos curtos de seus principais dirigentes, por exemplo.
Poderia ter feito como Lula faz em seu programa e em todos os debates, destruindo a conversa mole de Alckmin apresentando índices simples de serem assimilados pelo eleitor em geral, nas perguntas sobre o caixa único, sobre saúde e educação.
Aliás, falando em educação, ele deveria ter levado uma cópia do certificado de qualidade recebido pela UNESCO.
Quanto à Ford, deveria ter sido incisivo afirmando que economistas sérios e responsáveis, porém discordantes do modelo privatista e FALSAMENTE desenvolvimentista (o ‘falsamente’ é muito importante), colegas tão competentes de Yeda Crusius, garantem que a Ford não geraria mais do que apenas 24 mil empregos diretos e indiretos ao invés dos 100 mil que a candidata teima em inventar. Poderia, ainda, salientar que, apesar de todo investimento no estado ser muito bem-vindo, é fundamental fazer um estudo técnico resonsável de impacto ambiental e, sobretudo, se com o mesmo dinheiro necessário para o incentivo fiscal à uma única empresa em apenas um só município não seria mais produtivo espraiar muito mais empregos em projetos voltados à vocação de cada região do Rio Grande. Poderia fechar com relatos obtidos por sociólogos e engenheiros ligados à UFBA que estudaram o fenômeno da Ford na Bahia. Poderia terminar dizendo “se a Ford fosse mesmo tão boa para a Bahia, por que as receitas alfandegárias do seu porto de escoamento ficam nas mãos dos amigos de ACM?! Se a Ford fosse mesmo um bom negócio; se o modelo que a senhora e que os gpvernos de seus antecessores – dos quais a senhora participou ativamente e acabou TRAINDO NO FINAL – o companheiro Jaques Wagner não teria derrotado no 1º turno ao seu amigo lá da Boa Terra! O povo gaúcho também está farto disso, como o povo baiano deu o seu grito de liberdade lá, faremos mais e melhor aqui! Contando com o teu apoio, eleitor, nós vamos virar a eleição!”
Minha última recomendação para Olívio seria rechaçar o argumento yediano de que a proposta de redução do ICMS para determinados setores a fim de aumentar 125 mil empregos em 6 meses é “irresponsável” da seguinte forma:
- Candidata Yeda, nosso plano de governo é totalmente viável, lúcido e muito bem fundamentado, sim! Não somos novatos no governo! Tanto é que três de seus colegas – também professores de Economia na UFRGS e que a respeitam muito – aprovaram com louvores a inovação da nossa proposta! No dia 1º de janeiro de 2007, nós vamos, sim, reduzir 20% do ICMS para o setor coureiro-calçadista, 15% para os setores vitivinícola, de plásticos, borrachas e metal-mecânico SIM! A exemplo do nosso 1º mandato (com o qual aprendemos MUITO), vamos fazer a diferença na vida de quem mais precisa. Este é o nosso compromisso, ao passo que o seu campo partidário prefere baixar as orelhas para as exigências de quem já tem muito, deixando apenas desculpas e esmolas para os pequenos. COM A FRENTE POPULAR, DAREMOS UM BASTA a essa política que, de nova, só tem mesmo a sua vontade de se candidatar.
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Abaixo, uma prova da arrogância dos poderosos. Profundamente lamentável. Demonstra impaciência, falta de consideração, cansaço e uma irritação contida dahttp://www.blogger.com/img/gl.link.gif nossa adversária:
27/10/2006 00:07
Candidatos se cumprimentam friamente após debate
Ao contrário do que ocorreu no início do debate, no encerramento foi Olívio Dutra quem procurou Yeda para se despedir. “Tchau Olívio. Por hoje chega”, foi a resposta da tucana, enquanto apertava sua mão e dava as costas para atender aos jornalistas.
O relato acima é do blog dos bastidores do debate publicado na .