A França foi protagonista política e econômica durante vários séculos. Atualmente, é mais reconhecida como uma potência cultural.
Os franceses dão um valor extremo à criatividade e à reflexão. De todos os povos cuja origem lingüística, étnica e religiosa provêm do latim, talvez sejam os mais intimistas e introspectivos, embora prezem o convívio social.
Por isso, a contribuição acima da média de milhares de ilustres cidadãos franceses para as artes plásticas, para a sociologia e para a filosofia representam, na cultura contemporânea, o mesmo que a cultura helênica representaram para a formação da civilização ocidental: se, no início dos Estados modernos, os gregos forneceram os pilares básicos para as sociedades então emergentes, não é nenhum exagero afirmar que, à exceção do consumismo, da desterritorialização e da dissociação espaço-temporal do capitalismo neoliberal globalizante e da moral judaico-cristã, a França possui uma influência muito forte em vários pólos urbanos mais desenvolvidos na América Latina.
Durante mais de quatro séculos e meio, a França foi uma potência imperialista da pior qualidade: totalitária, espoliante, predatória, escravocrata e exploratória. Por conta disso, a relação entre o governo francês e suas ex-colônias na África (negra e árabe), no Caribe e na Polinésia ainda apresenta traços marcantes de dominação. Por outro lado, há uma preocupação humanista e humanitária muito maior entre os franceses do que entre estado-unidenses e ingleses, sem sombra de dúvida.
Em função dessa significativa diferença de abordagem política, econômica e social (afinal de contas, os gauleses não têm intenções belicistas nem dilapidantes como as potências anglo-saxônicas), o governo francês e a visão social do país para o mundo é pouco conhecida: o presidente Jacques Chirac apareceu muito pouco no ocidente e no oriente porque a mídia hegemônica planetária é representada pela CNN (EUA) e pela BBC (Reino Unido).
A fim de corrigir esse terrível lapso informacional, as emissoras TF1 (privada) e France Télévisions (do governo) uniram forças e iniciaram as transmissões da FRANCE 24, o primeiro canal francês de notícias que opera 24h/dia e sete dias/semana com alcance mundial.
Segundo informações do site da própria emissora, o canal de TV começou a operar em francês e inglês, com 170 jornalistas. O site tem ainda uma versão em árabe. Por enquanto, a France 24 é captada apenas na América do Norte, na Europa e na África. Felizmente, nos próximos três anos, a joint venture pretende alcançar a América Latina e o Extremo Oriente. Dentre os necessários ajustes e upgrades buscando atingir o máximo possível de massa crítica, o áudio da France 24 também deverá ser transmitido em árabe e em espanhol.