O novo presidente da UEFA, Michel Platini, terá um osso muito mais duro de roer do que a oposição de Franz Beckenbauer.
Com base no artigo de 23/01 do comentarista Phil Holland da ESPN Soccernet, tudo indica que o francês pretende impedir – até onde seus poderes possam permitir – os clubes europeus de negarem-se a ceder jogadores para seleções nacionais do mundo inteiro. Além disso, suas declarações me levam a pensar que é contra a obrigatoriedade de toda e qualquer federação nacional ter de pagar os salários aos jogadores enquanto estiverem servindo às suas respectivas seleções.
Platini também pretende propor, na assembléia da UEFA marcada para abril, a redução do máximo de quatro para três clubes participantes da UEFA Champions League nos países melhor ranqueados. Sabe-se que Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha e França opor-se-ão diametralmente à essa medida.
Embora ainda não tenha descoberto na web nenhuma declaração isolada de nenhum delegado representante, creio que a pequena diferença de votos a favor de Platini (27×23 e dois votos nulos) tenha sido decidida pelos representantes das maiores federações, ao passo que os votos para o veteraníssimo Lennart Johansson muito provavelmente tenham vindo majoritariamente dos países grandes e médios da Europa.
Explica-se o provável apoio da maioria dos países europeus de maior tradição no futebol a partir das realizações da gestão Johansson, que beneficou a todos os pesos-pesados.
O ex-presidente sueco foi o grande responsável pela transformação da Copa dos Campeões, um torneio antigo sempre no “mata-mata” cujos participantes eram exclusivamente os campeões nacionais, na grandiosa, rica e glamourosa UEFA Champions League, a partir de 1992.
Essa foi a grande realização dos 17 anos em que o sueco esteve à frente da confederação européia. A Champions tornou-se global a partir de um pesado investimento em marketing, de uma nova fórmula e, sobretudo, da garantia de que os principais campeões, vices e terceiros lugares entram direto na fase de grupos, que traz aos clubes um retorno financeiro muito alto.
A antiga Copa Européia de Nações transformou-se em Euro. A duração da competição aumentou, o número de participantes na fase final também: de 8 para 16. Mas isso foi decidido na gestão anterior. Daqui para a frente, tanto ele como Platini são favoráveis à expansão de 16 para 24 participantes a partir de 2012. Apesar do caráter eleitoreiro, a desculpa é o grande aumento de países-membros após a dissolução de URSS, Iugoslávia e Tchecoslováquia em 21 países.
Por último, a UEFA Cup agora possibilita a clubes do segundo escalão dos países tradicionais e aos maiores de países médios disputar o dobro de partidas que costumavam jogar na antiga fórmula exclusivamente “mata-mata”, onde quem perdia a melhor de duas estava fora da peleia.
Desconfio que, entre os 23 votos recebidos, a esmagadora maioria dos seguintes países deve ter dado seu aval para mais uma reeleição de Johansson: Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França, Portugal, Holanda, Grécia, Rússia, Ucrânia, Escócia, Bélgica, Dinamarca, Suíça, Áustria e República Tcheca.
É quase certo que Platini tenha sido eleito majoritariamente pelos pequenos: sua declaração de que pretende equilibrar as forças no continente europeu através de medidas mais populares (ou populistas?! Só o tempo dirá), agradam ao presidente da FIFA Joseph Blatter, que acabou atuando informalmente como um privilegiado cabo eleitoral.
Ora, se o novo presidente deseja excluir a quarta vaga dos três maiores ranqueados da UEFA e pretende obrigar todos os clubes do Velho Mundo a liberar seus convocados para as seleções de origem sempre que solicitados sem que as federações nacionais paguem os salários dos boleiros, está declarada a guerra contra o poderosíssimo G-14, uma espécie de Clube dos 13 dos ricos.
Isso vai dar o que falar. Só quero ver se o discurso vai condizer com a prática ou não.
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