Educação: tucanos dão medo

Tenho uma amiga psicopedagoga infantil que fala mil maravilhas sobre a qualidade
de ensino e sobre a infra-estrutura oferecida pela administração da
tucanalha, que fechou 12 anos e irá pelo menos aos 16 anos no poder do
estado mais rico e mais desigual da nação.

Ela diz que teve uma experiência sensacional com
o método de ensino Waldorf, que institui a arte e a música como
pontos-chave para a sensibilização e para o despertar da curiosidade
infantil. Bem… Embora seja jornalisticamente imperdoável “chutar”, se o RS tem cerca de 3000 escolas estaduais e o número de escolas municipais é, a exemplo da capital Porto Alegre, bem menor do que esse; se o RS tem cerca de 10 milhões de habitantes e SP tem mais de 40 milhões, suponho que haja cerca de 10000 escolas estaduais e não mais do que 5000 municipais no estado de São Paulo. São números muito grandes, principalmente se pusermos pelo menos três turmas para cada série por turno e pelo menos 25 alunos por classe (chutando baixo).

Pois bem: em sua monografia de conclusão do curso de Pedagogia na Universidade Veiga de Almeida (UVA) no Rio de Janeiro em 2002, a pedagoga Teresa Cristina de Oliveira Emanuel, habilitada em gestão escolar, afirma que

Atualmente existem quase
30
Escolas Waldorf funcionando no Brasil e a primeira da rede pública
de ensino, na cidade de Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro.

Ora: em 2002, o total NACIONAL de escolas com a pedagogia Waldorf não chegava a 30!!! :O

Atualmente, segundo o site da Federação das Escolas Waldorf no Brasil, há apenas 28 escolas Waldorf de ensino infantil; 16 de ensino infantil e fundamental e 8 de ensino infantil, fundamental e médio.

No Estado de São Paulo?! NÃO: NO BRASIL INTEIRO!!! Em São Paulo, são 15, 7 e 7, respectivamente.

Teresa Emanuel informa ainda que

Embora reconhecida como
entidade pública federal e estadual, as Escolas Waldorf não recebem
auxílio governamental
, possuindo uma entidade mantenedora que recebe
doações e mensalidades dos alunos para cobrir custos, mas isso não
impede que qualquer cidadão brasileiro que compactua com os princípios
Waldorf, funde sua escola com fins lucrativos.

Mesmo que todas as escolas Waldorf de SP fossem estaduais e recebessem verba do governo peessedebista, mesmo assim beneficiaria menos de 0,0000001% das crianças e jovens do Estado!

Não sou especialista em Pedagogia e nem sei se o método Waldorf está ou não em conformidade com as normas do MEC. Também reconheço, como acadêmico, que a monografia da formanda é muito fraca: o nível de exigência da UVA é muito baixo, pois ela foi uma mera entusiasta que, aparentemente, escreveu muito pouco e praticamente não apresentou nenhum resultado prático sob a forma de depoimentos nem estatísticas. A moça sequer procurou opiniões especializadas que criticassem o método.

De qualquer forma, o que quis dizer com esta pesquisa é que:

- Se a tucanalha se preocupa de verdade com a qualidade de ensino, não demonstrou nenhuma iniciativa sequer para testar métodos pedagógicos alternativos;

- Se o método Waldorf foi introduzido de maneira quase informal no país em 1954 e se o MEC autorizou, em 1979, as escolas a funcionarem em caráter experimental, falta tanto a essa associação de escolas Waldorf como aos governos vontade política de comprovar que essa pedagogia é mesmo eficiente e produz melhores resultados, apesar de dois empecilhos sérios. Primeiro, que não existem notas ou conceitos tradicionais nos critérios de avaliação; segundo, que, se não há reprovação, o que acontece com o aluno que não consegue acompanhar os demais? Mesmo assim, são pelo menos 28 anos de experiência formal – tempo suficiente para tentar regularizar tudo de uma vez por todas;

- Se a tucanalha se preocupa realmente em economizar dinheiro e em oferecer um ensino de qualidade ao mesmo tempo (o que é uma equação dificílima devido ao já pífio investimento em educação), as escolas Waldorf costumam aprovar a maioria de seus alunos no vestibular (Teresa só não fala que tipo de vestibular nem em qual tipo de universidade) e não há repetência. Portanto, só não adota porque não quer.

Por que esse artigo? Primeiro, porque eu tinha que tentar explicar, de alguma forma, que a tucanalha caga e anda para a educação. Segundo, porque o RS agora é tucano e a governadora Narizinho vai cortar 30% do orçamento para a educação.

Finalmente, porque, em SP, Serra está fechando as escolas que abriam nos fins de semana e liquida com o ensino de Sociologia e de Filosofia no Estado.

Se pensarmos nas escolas de lata e nas aulas do meio-dia às duas da tarde de Alckmin, a coisa vai longe.

- Será que o RS vai aderir a esse fabuloso método educacional?!

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