Rádio Popular: Empecilhos e Soluções

O Jean Scharlau tem mais um novo post a respeito do assunto. Achei ótima a estimativa dele de juntar um número X de filiados à CUT, ou aos partidos de esquerda, a alguns sindicatos ou cooperativas que, com um investimento ínfimo pessoal, poderiam comprar uma rádio e resgatar o investimento capitalizado mais adiante.

Não quero ser pessimista e participaria com todo o prazer de uma iniciativa com esse objetivo. Todavia, não é nada fácil chegar lá e comprar. Não basta ter o dinheiro, pois eles só vendem para seus próprios pares, isto é, para outros praticantes do Pensamento Único da Mídia.

Sim, eles agem como a Ferrari, que só vende seus veículos exclusivos para quem não tiver antecedentes criminais.

Caso eles estejam realmente desesperados para fazer caixa, até vendem para algum interessado em fazer bom jornalismo. Todavia, se a Caldas Júnior vendeu a Guaíba por R$100 milhões para a Igreja Universal, venderia por pelo menos R$150 milhões para algum de nós.

Outro problema: o espectro das ondas eletromagnéticas dividido em várias freqüências diferentes já foi loteado entre a Grande Mídia, graças a seus contatos e ao lobby de seus patrocinadores no Congresso. Há várias freqüências livres no dial que pertencem aos mesmos concessionários que possuem as principais emissoras.

Elas foram adquiridas para que ninguém mais as utilize ou, então, como fonte de renda, caso alguém tenha a ousadia de querer abrir uma nova emissora em um mercado tão concorrido.

Sobram freqüências? Sim, sobram. Todavia, o pouco que não está nas mãos deles tem um alcance muito limitado, reduzindo, assim, o tamanho da audiência esperada em uma determinada região.

Sabe-se que, quanto maior, mais caro e mais moderno for o equipamento de transmissão e quanto maior for a antena, maior a abrangência do sinal e menor será a interferência. Contudo, quem são os fabricantes dos equipamentos de radiodifusão?! os “amigos” da Grande Mídia.

Qual a solução? Comprar freqüências reduzidas e baratas e equipamento barato. Como o alcance será muito curto, é mais fácil procurar estabelecer uma rede de emissoras comunitárias cuja programação restringe-se principalmente a temas do interesse daquele bairro ou daquele agrupamento classista ao invés de tentar abraçar o mundo.

Mesmo assim, caso não haja boa vontade dos “donos” de uma freqüência em sublocá-la (sim, esta é a palavra), o leque de opções em radiodifusão tradicional reduz-se às freqüências mais ínfimas ainda disponíveis para concessão.

Sabemos muito bem nas mãos de quem está a Comissão de Comunicação (ou seja lá que nome tenha) do Congresso. A liberação pode demorar anos.

Uma alternativa ainda mais barata – mas que só atinge a quem tem internet banda larga e torna-se mais fácil para quem puder comprar um tocador de MP3 – é o podcast.

O podcast é como um site ou um blog onde o ouvinte pode assinar os programas via RSS, baixá-los para a sua máquina e ouvi-los na rua, se preferir, caso tenha um MP3.

Seria então necessário criar uma campanha para mostrar o que é um podcast nos telecentros, nas entidades de classe, nas cooperativas, nas associações de bairro e nos partidos de esquerda.

O lado bom é que o grosso da classe C já está comprando MP3 baratos.

O lado ruim é que, enquanto não rolar uma tecnologia que leve a internet banda larga aos grotões rurais e mais remotos do Brasil, tanto as donas do provimento de acesso a cabo como ADSL já estão atingindo o limite de alcance nas regiões que consideram lucrativas no Brasil.

Quando entrar o WiMax ou a tecnologia genuinamente brasileira de internet via rede elétrica, então o podcast será um instrumento altamente poderoso para desintoxicar uma outra parcela da população do PUM das rádios.

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