Suruba na Academia da Brigada Militar


Quando a bagunça é grande, nem mesmo a Grande Mídia distorce os fatos ou os deixa passar em branco. O próprio órgão oficial de assessoria de imprensa, publicidade institucional e relações públicas dos governos de direita (cujo expoente máximo no RS é a RBS) publicou, em sua edição desta quinta-feira, 22/02/2007, matéria sobre a festa de Carnaval do Sofazão, cuja sede foi excepcionalmente o restaurante 21 Eventos, espaço cedido para economato pela Academia de Polícia Militar do RS.

Seria extremamente prematuro e irresponsável de minha parte acusar A ou B em função da imperdoável permissão para o evento carnal ter ocorrido em um espaço público, sujeito à legislação militar. Pior: dentro da academia, encontra-se também o melhor colégio de 2º grau do sul do país, a Escola Tiradentes.

Não há nenhum indício de que algum integrante do alto escalão da hierarquia militar ou da Secretaria de Segurança tenham tido ciência da cessão do restaurante para o Sr. Roque, idealizador da casa noturna de troca de casais.

De qualquer forma, faço a mesma pergunta que o amigo Agente 65 também o fez em seu post sobre o tema:

- Caso tivesse ocorrido alguma insubordinação com 20% do peso deste fato durante o Governo Olívio entrr 1998 e 2002 sob a administração do secretário de segurança José Paulo Bisol, o que a mídia chapa branca teria feito, hein?!

O trabalho do repórter José Luís Costa do jornal Zero Hora é louvável: embora não tenha sido nenhuma matéria especial e não saibamos se o seu editor irá permitir o desdobramento do assunto (provavelmente não), felizmente ainda há jornalistas capazes de produzir uma denúncia honesta e sem rodeios na mídia “chapa branca”.

Fico curioso para ver qual será a providência que o atual secretário, o adepto da política do “prendo e arrebento” Ênio Bacci, irá tomar.

Mais: qual o tamanho, o destaque e a duração dessa pauta na mídia?

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[UCL] FC BARCELONA/SPN 1×2 LIVERPOOL FC/ENG (II)


Eis o grande derrotado de ontem, cujo trabalho parece estar na descendente: o técnico holandês Frank Rijkaard.

Rijkaard tem demonstrado que não consegue remobilizar o multilaureado plantel do Barça desde o início da temporada.

Primeiro, não teve ou coragem ou vontade de peitar a direção do clube para evitar aquela excursão caça-níqueis à América do Norte, que estragou a pré-temporada. A conseqüência nefasta daquela corrida aos dólares fáceis foi a impossibilidade de uma boa recuperação física dos jogadores após as férias. Ronaldinho, por exemplo, tem brilhado pouco e de maneira irregular desde a já distante a semifinal da Champions da temporada passada.

Por que o Barça contratou o fantástico zagueiro francês Lilian Thuram se o titular é o claudicante mexicano Rafa Márquez, hein?! Tempo, dinheiro e disposição postos fora e muita energia desperdiçada com um jogador com o qual não vale a pena contar no onze titular. E o craque fica lá, esquentando o banco…

As falhas de Rijkaard já começam na Supertaça da Europa, em agosto de 2006. O Barcelona levou sonoros 3×0 do Sevilla, que é co-líder do campeonato espanhol. O Sevilla, sim: quando vence, convence. E, no papel, é um grupo menos qualificado do que o catalão.

No Mundial de Clubes, ficou claro que ele não tem capacidade de motivar o grupo. Não tenho conhecimento de suas atitudes dentro do vestiário. Todavia, ele parece muito apático e extremamente frio junto a seus comandados na beira do gramado. Um time que ganhou quase tudo nas duas últimas temporadas só pode dar um gás a mais caso seja constantemente instigado.

Ainda no Mundial, ele insistiu no caceteiro Thiago Motta, que comprometeu a marcação no meio-de-campo quando seus companheiros foram induzidos a afrouxarem a marcação, pois somente ele tinha porte físico para exercer a função. Como foi substituído para não ser expulso, o pequenino Iniesta não podia dar o combate em Luiz Adriano, que ganhou o bate-rebate de cabeça e lançou Iarley, que “entortou” Puyol e deu de bandeja o gol do título colorado para Adriano Gabiru.

Gudjohnsen não é um jogador ruim, mas sem posicionamento mais estático como homem de referência na ausência de Samuel Eto’o foi facilmente anulado pela defesa colorada. Pelo lado direito do ataque, a lesão de Lionel Messi deu a titularidade ao arisco francês Ludovic Giuly. Embora goste muito do pequenino atacante, definitivamente o selecionador gaulês Raymond Domenech estava com a razão quando não o levou para a Copa da Alemanha.

Na Europa, onde quase todos os técnicos trabalham com o esquema 442 e onde quase nenhum jogador desobedece o posicionamento para o qual foi incumbido, um time tecnicamente privilegiado tem mais facilidade para jogar por música. No entanto, contra um adversário sul-americano, carece de uma reação rápida ante o improviso. Rijkaard não sabe improvisar.

Segundo o técnico do Internacional, Abel Braga, no último Bola da Vez da ESPN Brasil, o Barcelona é o time mais técnico do mundo na atualidade. Porém, eles tocam demais a bola, com o objetivo de cansar o time adversário e de fazer seus jogadores saírem de suas posições para, com paciência, dar o bote. No entanto, quando o oponente marca adiantado e erra pouco, pega toda a defesa do Barcelona adiantada demais e o meio-de-campo catalão fora do lugar. Portanto, o que o Sevilla e o Internacional conseguiram foi suficiente para tornar o Barcelona relativamente manjado, facilitando a vida do Chelsea na 1ª fase da Champions, assim como possibilitou ao Liverpool surpreender o time espanhol.

Finalmente, a péssima briga com o incontestável “matador” camaronês Samuel Eto’o: Ronaldinho não tem nenhum companheiro tão genial quanto ele para municiar na frente quando o 9 não está escalado. Foram meses de vitórias magras e não-convincentes com a lesão de Eto’o. Pois justo quando ele está disponível, surge um entrevero entre Rijkaard e o jogador, onde Ronaldinho, que não tinha nada a ver com o pato, meteu  bedelho quando deveria ter ficado quieto.

Pra terminar: Rijkaard parece ser bom para estruturar um trabalho, mas não para manter o time no topo.

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[UCL] FC BARCELONA/SPN 1×2 LIVERPOOL FC/ENG (I)


Ao contrário de muitos palpiteiros oportunistas ou irresponsáveis, jamais me sinto melindrado caso minhas previsões não dêem certo.

É com enorme satisfação que dou o braço a torcer: admito que quebrei a cara em relação ao técnico madrilenho Rafael Benítez, que fez fama na Espanha quando trabalhou no Valencia e, depois de alguns insucessos contra clubes importantes e em competições importantes, parece que finalmente, depois de um ano e sete meses em Anfield Road, conseguiu dar um belíssimo padrão de jogo para os Red Devils de Liverpool.

Há poucas semanas atrás, diante das duas derrotas acachapantes diante do Arsenal pela FA Cup e pela Copa da Liga Inglesa, pedi a cabeça do treinador. Passional e indignado, lembrei não desse 2×6 com time misto mas, sim, da enorme dificuldade em acompanhar o Manchester United e o Chelsea pau a pau e da perda do título mundial de 2005 contra o São Paulo, que não sai da minha cabeça.

Pois ontem, Benítez surpreendeu o todo-poderoso Barcelona em pleno Campo Nou, onde declarou ao diário catalão Mundo Deportivo que não esperava encaixar um gol, pois pensava em jogar somente no contra-ataque.

Bastava observar ligeiramente a escalação: ao invés de fazer como sempre faz na Premier League, não iniciou a partida com o gigante Peter Crouch. Preferiu, em lugar da referência fixamente posicionada na área e das jogadas aéreas pelas laterais, a velocidade por baixo do galês Craig Bellamy e a imposição física do atualmente “imexível” tanque holandês Dirk Kuyt.

Devo admitir que, além da estratégia do técnico, um jogador em especial me surpreendeu positivamente: o meia Sissoko, que bagunçou a marcação do meio-de-campo blaugrana.

Finalmente, para minha satisfação pessoal, uma confirmação: o lateral esquerdo norueguês John Arne Riise, para mim um dos grandes ausentes de quase toda a decisão do Mundial de Clubes de 2005 contra o SPFC em Yokohama por uma péssima escolha do próprio Rafa Benítez, ontem foi decisivo no apoio qualificado e pelo gol da vitória. Pelo seu lado do campo, o arisco Lionel Messi e o iluminado Belletti pouco fizeram durante toda a partida.

Há muito mais o que falar sobre esta partida. Neste post, só queria pedir desculpas sinceras ao ótimo técnico Rafa Benítez.

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[CTL] Flamengo/BRA 3×1 Maracaibo/VEN


O Clube de Regatas Flamengo segue firme na busca pela sua segunda Libertadores. Ontem à noite, no remodelado estádio Maracanã (que já foi o maior do planeta), derrotou ao fraco Maracaibo da Venezuela por 3×1.

Independentemente da fragilidade do adversário e de ter feito um segundo tempo desinteressado porque o resultado já estava praticamente garantido desde os 45′ iniciais, depois de muitos anos, parece que o rubro-negro carioca finalmente montou um bom time de futebol.

Apesar da terrível crise financeira, o presidente Márcio Braga, um veterano colecionador de títulos, trabalhou bastante para dar estabilidade e estrutura para o bom técnico Ney Franco, que veio do Ipatinga/MG como uma grande incógnita.

Depois de ter colocado o Flamengo em uma excelente posição no Brasileirão 2006 como prova de recuperação de um plantel que, se não era muito bom, também não era ruim, Ney Franco mostrou que sabe dar um padrão de jogo estável em todos os setores do campo. Sua manutenção no cargo foi decisiva para que o atual campeão da Copa do Brasil pudesse esperar por reforços que dessem ao clube condições reais de lutar pelo título máximo do continente.

O Fla tem um excelente lateral direito chamado Leonardo Moura: veloz, driblador, excelente cruzador, finalizador de respeito de longa distância e muito aplicado taticamente. É uma boa opção para o técnico da Seleção, Dunga, que tem preferido levar Maicon, da Internazionale/ITA.

O bom Renato, um exímio cobrador de faltas de longa distância e grande finalizador de fora da área, faz a ligação com competência, embora não seja craque nem esteja em nível de seleção. Caso mantenha em 2007 o bom nível técnico de 2006, dificilmente permanecerá no futebol sul-americano no ano que vem. Se bobear, só dura o 1º semestre na Gávea.

Também não me perguntem como, mas o Flamengo conseguiu dinheiro para contratar dois excelentes jogadores: o centroavante Souza, goleador do Brasileirão 2006 pelo Goiás, revelado pelo arqui-rival Vasco da Gama com uma passagem pelo Internacional, onde foi pouco e mal aproveitado; e o capitão e volante Claiton, cria colorada que já rodou bastante e veio do rival Botafogo, onde também fez um ótimo Brasileirão no ano passado.

Para fechar o primeiro turno deste grupo 5, o Flamengo viajará até Curitiba, onde enfrentará o bom Paraná Clube, líder do grupo com duas vitórias.

Será um duelo sensacional entre os dois clubes brasileiros. Mas esse post eu deixo para a semana que vem. Por hora, saliento que o Flamengo é um adversário de muito respeito e é um dos candidatos ao título da Libertadores.

Embora seja gremista e queira – mais do que nunca – libertar a América, há que se respeitar MUITO o Flamengo.

Infelizmente, a Conmebol não permite, no regulamento deste ano, o enfrentamento de dois clubes do mesmo país na final, temendo pela repetição dos dois últimos anos, com domínio total e irrestrito do Brasil. De qualquer forma, Grêmio x Flamengo numa semifinal seria o ouro.

Afinal de contas, o maior clássico brasileiro merece demais ser disputado valendo o galardão máximo possível dentro do nosso continente, extrapolando as fronteiras do nosso país.

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