
Eis o grande derrotado de ontem, cujo trabalho parece estar na descendente: o técnico holandês Frank Rijkaard.
Rijkaard tem demonstrado que não consegue remobilizar o multilaureado plantel do Barça desde o início da temporada.
Primeiro, não teve ou coragem ou vontade de peitar a direção do clube para evitar aquela excursão caça-níqueis à América do Norte, que estragou a pré-temporada. A conseqüência nefasta daquela corrida aos dólares fáceis foi a impossibilidade de uma boa recuperação física dos jogadores após as férias. Ronaldinho, por exemplo, tem brilhado pouco e de maneira irregular desde a já distante a semifinal da Champions da temporada passada.
Por que o Barça contratou o fantástico zagueiro francês Lilian Thuram se o titular é o claudicante mexicano Rafa Márquez, hein?! Tempo, dinheiro e disposição postos fora e muita energia desperdiçada com um jogador com o qual não vale a pena contar no onze titular. E o craque fica lá, esquentando o banco…
As falhas de Rijkaard já começam na Supertaça da Europa, em agosto de 2006. O Barcelona levou sonoros 3×0 do Sevilla, que é co-líder do campeonato espanhol. O Sevilla, sim: quando vence, convence. E, no papel, é um grupo menos qualificado do que o catalão.
No Mundial de Clubes, ficou claro que ele não tem capacidade de motivar o grupo. Não tenho conhecimento de suas atitudes dentro do vestiário. Todavia, ele parece muito apático e extremamente frio junto a seus comandados na beira do gramado. Um time que ganhou quase tudo nas duas últimas temporadas só pode dar um gás a mais caso seja constantemente instigado.
Ainda no Mundial, ele insistiu no caceteiro Thiago Motta, que comprometeu a marcação no meio-de-campo quando seus companheiros foram induzidos a afrouxarem a marcação, pois somente ele tinha porte físico para exercer a função. Como foi substituído para não ser expulso, o pequenino Iniesta não podia dar o combate em Luiz Adriano, que ganhou o bate-rebate de cabeça e lançou Iarley, que “entortou” Puyol e deu de bandeja o gol do título colorado para Adriano Gabiru.
Gudjohnsen não é um jogador ruim, mas sem posicionamento mais estático como homem de referência na ausência de Samuel Eto’o foi facilmente anulado pela defesa colorada. Pelo lado direito do ataque, a lesão de Lionel Messi deu a titularidade ao arisco francês Ludovic Giuly. Embora goste muito do pequenino atacante, definitivamente o selecionador gaulês Raymond Domenech estava com a razão quando não o levou para a Copa da Alemanha.
Na Europa, onde quase todos os técnicos trabalham com o esquema 442 e onde quase nenhum jogador desobedece o posicionamento para o qual foi incumbido, um time tecnicamente privilegiado tem mais facilidade para jogar por música. No entanto, contra um adversário sul-americano, carece de uma reação rápida ante o improviso. Rijkaard não sabe improvisar.
Segundo o técnico do Internacional, Abel Braga, no último Bola da Vez da ESPN Brasil, o Barcelona é o time mais técnico do mundo na atualidade. Porém, eles tocam demais a bola, com o objetivo de cansar o time adversário e de fazer seus jogadores saírem de suas posições para, com paciência, dar o bote. No entanto, quando o oponente marca adiantado e erra pouco, pega toda a defesa do Barcelona adiantada demais e o meio-de-campo catalão fora do lugar. Portanto, o que o Sevilla e o Internacional conseguiram foi suficiente para tornar o Barcelona relativamente manjado, facilitando a vida do Chelsea na 1ª fase da Champions, assim como possibilitou ao Liverpool surpreender o time espanhol.
Finalmente, a péssima briga com o incontestável “matador” camaronês Samuel Eto’o: Ronaldinho não tem nenhum companheiro tão genial quanto ele para municiar na frente quando o 9 não está escalado. Foram meses de vitórias magras e não-convincentes com a lesão de Eto’o. Pois justo quando ele está disponível, surge um entrevero entre Rijkaard e o jogador, onde Ronaldinho, que não tinha nada a ver com o pato, meteu bedelho quando deveria ter ficado quieto.
Pra terminar: Rijkaard parece ser bom para estruturar um trabalho, mas não para manter o time no topo.