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Não podemos perder o melhor e mais abrangente veículo alternativo que pratica o verdadeiro jornalismo profissional neste país. Aquele que é, de fato, 100% honesto.

Leiam este editorial de Flávio Aguiar.

Apesar de todas as gigantescas dificuldades do trabalho da mídia alternativa composta por pequenas agências de notícias, sindicatos e blogs conscientes e conscientizadores, precisamos espraiar a nossa voz do jeito que pudermos! [;)]

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Mídia de Contraponto: Perspectivas Sofríveis

Em linhas gerais, a Grande Mídia não é pura nem necessariamente “de direita”, apesar de não ser nada “de esquerda”. Também não dá mais pra pensar que a mídia influencia e manipula total e irrestritamente as pessoas ou porque são iletradas, ou porque são socialmente inconscientes: ela influencia e é influenciada por todos os atores sociais, até mesmo quando levanta suas bandeiras a favor do poder.

A Grande Mídia reflete um pensamento que é, sim, conservador, porque a esmagadora maioria da população, seja ela culta ou inculta, rica ou pobre é conservadora.

Sua agenda contraditória e predominantemente de direita não é necessariamente reacionária ou revanchista: primeiro, ela procura homogeneizar a informação mediada para que a maior quantidade possível de pessoas seja capaz de compreender e de interpretar a mensagem.

Segundo, o público não é exatamente manipulado nem persuadido a agir ou a pensar de determinada forma: não há imperativo. Há sugestões deixadas no ar para que a audiência reflita (porém sem nenhuma profundidade) sobre a pauta agendada.

Raríssimas pessoas procuram saber se existe ou aonde está o contraponto desse agendamento proposto. Quando o encontram, decepcionam-se e não voltam mais, pois o fluxo social e urbano pós-industrial é muito dinâmico. Com isso, programas longos, falas arrastadas e cheias de jargões classistas ou acadêmicos jamais prenderão a atenção das pessoas em geral.

E isso independe do peso do bolso, do grau de letramento ou da maior ou menor consciência social e preparo humanista do indivíduo: se o vocabulário não for atual; se a edição não for dinâmica; se a trilha sonora não estiver adequada; se o design dos cenários estiver “fora de moda” e se as vinhetas e legendas forem de baixa qualidade e de fluxo lento, por mais útil e profunda que seja a informação que temos a oferecer, até mesmo o nosso próprio público irá cansar e nos abandonará rapidamente.

A priori, o papel da mídia consiste em mediar e tornar pública a existência e a co-relação de forças entre todos os campos sociais. Para tanto, ela se apropria dos símbolos de cada campo (indústria, agricultura, política, saúde, educação, esportes, justiça, etc.) para transformá-los em uma linguagem inteligível para que o máximo possível de leigos possam compreender as demais forças.

Simultaneamente, a própria mídia vira uma força que é influenciada e pautada pelas demandas desses campos.

A agenda da mídia é contraditória, pois precisa contemplar a muito mais “gostos” além daqueles que a patrocinam. A visão que ela passa é, sim, editada e manipulada. Contudo, aborda muitas questões sociais além do discurso pró-banqueiros, pró-latifundiários, criminalizador dos movimentos sociais. Há, sim, demandas sociais apresentadas como serviços capazes de verdadeiramente ajudar a quem mais precisa.

Um grande exemplo da contradição: um monte de gente acha lindo o biodiesel, mas ele é apenas mais uma monocultura vendida por uns tostões, que irá custar muito caro aos bóias-frias e fará dos pequenos produtores escravos desse sistema assim como os fumicultores de Santa Cruz do Sul e de Venâncio Aires o são da Souza Cruz e da Philip Morris.

Da mesma forma, a mídia não é hipócrita nem mentirosa quando fala sobre o efeito estufa, sobre a poluição, etc. Todavia, não fala nada sobre o deserto verde nem sobre a seca dos mananciais em função dos arrozeiros da Metade Sul.

Enfim… Por conta de tantas contradições e em função de uns passarem a posse do meio técnico (emissoras e seu patrimônio físico) para os outros, quem não é visto, não é lembrado. E quem é mal apresentado, é desconhecido, ignorado e criminalizado.

A idéia do Jean de distribuir cotas a quem se dispusesse a investir em uma rádio não funciona, assim como o custo operacional de um jornal é altíssimo.

O discurso não pode ser à base do conflito de classes. Da mesma forma, o fluxo midiático (ritmo de interpretação, de associação cognitiva, de fixação da mensagem) não contempla atores reflexivos sem capacidade de síntese e de impacto através de um vocabulário laico.

Portanto, a maioria dos advogados, sociólogos, filósofos e outros entes importantes na esquerda precisariam, antes de tudo, serem TREINADOS para a linguagem midiática.

Prova disso é a baixíssima audiência da TVE.

Um conceito nunca percebido pela esquerda é o do poder simbólico da Grande Mídia, que é imensamente mais alto do que o seu poder financeiro: não adianta montar uma emissora pra sentar o pau nos âncoras e comentaristas da RBS se quase ninguém vai acreditar neles.

É mais ou menos assim: “se esse cara estivesse falando a verdade, estaria trabalhando na RBS”. “Se isso fosse verdade, por que só esse canal está falando isso?”

Quem não é exposto pela Grande Mídia não existe. Essa exclusão é tão grave quanto o analfabetismo, a fome e a exclusão digital, pois passa pela percepção do senso comum da inexistência, da ignorância, da criminalização e da marginalização dos campos sociais que não são sequer citados.

O poder simbólico da Pequena Mídia identificada com os partidos de esquerda e com o movimento sindical é irrisório. Primeiro, porque as maiores freqüências de rádio, as maiores antenas de TV, os satélites de maior alcance e os maiores parques gráficos JAMAIS serão vendidos para entidades ou pessoas de fora do clubinho da Grande Mídia; segundo, porque, mesmo sem combinar nada entre eles, todos articulam uma agenda parecida e não vão querer concorrer com o contraditório, que é o que decisivamente faz uma sociedade evoluir.

A ditadura Vargas fez o estrago liberando o país para o Assis Chateaubriand montar os Diários Associados e a ditadura militar espraiou a Globo do Oiapoque ao Chuí em troca da sua conivência.

Outro problema sério: o PT sabe que não pode desaparecer da mídia. Conseqüentemente, ou escancara as pernas para ela como fez o Tarso quando questionado pela Folha sobre a democratização dos meios de comunicação e sobre como ele via a visão da Grande Mídia sobre o governo, ou se deslumbra e desata a falar, falar, falar, como fazem a Maria do Rosário, o Paulo Paim e até cenas ridículas como a da Esther Grossi, quando deputada federal, cantando parabéns para a RBS com um bolo cheio de velas que ela mesma havia feito.

Embora veja na TV digital uma saída para as comunidades, todo mundo vai continuar assistindo o JN, as novelas e o Faustão, pois a qualidade técnica e o tipo de discurso laico irão permanecer por muito tempo.

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Juremir critica a mídia de esquerda…

…Mas jamais acusou formalmente com termos tão fortes e tão diretos como os dirigidos ao jornalista Mino Carta na coluna Nosso Colaborador do Correio do Povo ano 112 edição nº 179 de hoje, quarta-feira, 28/03/2007, na coluna à esquerda do editorial da página 4:

Mino Carta, por exemplo, é um perfeito idiota ítalo-brasileiro que já foi considerado um gênio do jornalismo nos ‘anos de chumbo’. Hoje, dirige uma revista cuja única qualidade é ser chapa-branca, o que permite aos petistas empedernidos considerá-la independente, isenta, objetiva e neutra. Carta Capital é a Veja da esquerda.

Opinião todos têm e é de direito que se manifestem. Todavia, ele acusa Mino Carta de “idiota” e chama sua revista de “chapa-branca”, ao mesmo tempo em que procura descaracterizá-la, desvalorizá-la e deslegitimá-la como veículo alternativo de informação com argumentos como “petistas empedernidos” (como se todo e qualquer leitor de Carta Capital fosse petista ou como se ser petista fosse um crime ou uma atitude ‘burra’).

Bem… Quem paga para ler Carta Capital dá credibilidade muito maior a esse veículo do que aos absolutistas integrantes do PUM (Pensamento Único da Mídia). Isto é sinal de que a midiatização dessa parcela (bem) menor da sociedade consista em DIFERENTES formas de influencia informativa, opinativa e, acima de tudo,  identitária realizada através de sua interação com meios de comunicação ALTERNATIVOS.

O prof. Juremir é, reconhecidamente, um intelectual e pesquisador de gabarito. Pelo pouco que conheço de seu trabalho, sua influência passa por Baudrillard e por outros grandes (sem nenhuma ironia) sociólogos e filósofos franceses cujas principais obras se deram a partir de 1968. Dado o tom pessimista da visão da sociedade pós-industrial (ou pós-moderna) desses autores, raramente vi o prof. Juremir (para não dizer jamais) elogiar no jornal coisas, pessoas, ou instituições brasileiras.

Da mesma forma, suas constantes críticas aos governos passados (que foram mais centralizadores e trabalharam menos para o povo do que este, embora, para meu gosto, seja muito pior do que poderia ser, mesmo que seja bem melhor do que seus sucessores) eram menos pesadas.

É uma questão de estilo. No entanto, é muito difícil acompanhar suas críticas loquazes sem um pingo de apontamento de solução. Claro que ele pode replicar que esse não seria o seu papel. Pessoalmente (o que não quer dizer absolutamente nada porque meu capital simbólico é muito pequeno), creio que toda crítica deve apontar alguma solução, salvo quando todas as possibilidades já foram esgotadas enquanto não houver ânimo ou criatividade para pensar-se em uma nova alternativa.

Confesso que sinto o mesmo em relação aos governos federal (porém em menor grau), do Estado do RS e à Prefeitura de Porto Alegre. Pelo menos admito isso como falha, devido à minha incapacidade de concordar em ser obrigado a aceitar as ordens estapafúrdias que mandam contra tudo aquilo em que EU acredito tratar-se de um caminho para que o Brasil torne-se um país justo e rico, enquanto preserva suas riquezas e não dilapida a esperança de parceiros comerciais, culturais e sociais em piores condições do que a nossa.

Mesmo assim, Juremir jamais criticou o pensamento único e hegemônico da Grande Mídia, da qual o recém-vendido veículo para onde escreve faz parte. Ele nunca falou e nunca irá falar sobre o deserto verde, sobre os latifúndios, sobre o tráfico de influências no Banco Central que beneficia aos financiadores do seu empregador.

Em termos de corrupção e de desmando, isso é anos-luz pior do que mensalão, apagão aéreo ou auto-aumento salarial do Congresso. Sua “neutralidade” ou “isenção” crítica não permite que ele escreva sobre isso sob essa ótica?!

Dessa forma, não estaria ele também sendo chapa-branca do Governo do Estado do RS e da Prefeitura Municipal de POA quando não os critica com toda a qualidade de sua argumentação sarcástica muit0 bem-articulada?!

Pois justamente em sentido diametralmente oposto ao qual critica, não estaria ele sendo chapa-branca do Governo do Estado do RS e dos latifundiários quando não fala sobre os benefícios sociais e econômicos da cultura fumicultora de Santa Cruz do Sul?!

Não estaria sendo chapa-branca ao jamais ter abordado a responsabilidade dos latifundiários parceiros do dono do jornal para o qual escreve na seca de dezenas de mananciais no sul do estado, que foram sugados até a última gota para irrigar as suas plantações?!

Finalmente, não estaria ele sendo chapa-branca quando não expõe a verdade sobre a TV digital, que é a democratização dos meios de comunicação?!

Como professor de Comunicação de uma instituição tão boa, tão respeitada e tão
tradicional quanto a PUCRS, caso procurasse mesmo ser crítico de tudo e de todos e interessasse a ele seguir acreditando ser neutro, deveria, da mesma forma, falar publicamente dos Civita, dos Marinho, do Edir Macedo, do Sílvio Santos e, sobretudo dos Sirotsky.

Voltando à sua coluna de hoje, por um lado, também descaracterizou a respeitabilidade da Veja ao falar que “Carta Capital é a Veja de esquerda”. Mas, por outro lado, jamais em suas colunas citou ou demonstrou o conservadorismo reacionário e o senso comum pobre de espírito publicado no panfleto da elite paulista e jamais chamou qualquer um de seus editores ou colunistas de “idiotas”.

Ora, ora: logo ele, que tantos cursos e palestras dá na França. Que estudou
lá. Que aprendeu com os maiores pensadores sociais contemporâneos, na sua tentativa de neutralidade e de metralhadora giratória, acaba parando de disparar justamente para o lado direito.

Mino Carta pode ter vários defeitos mas, pelo menos, é honesto ao deixar clara a
sua posição. Além disso, em termos de investigação e de procurar dizer tudo doa a quem doer, pratica um jornalismo muito mais profissional e criterioso do ponto-de-vista ético e prático, pois não planta e não forja fatos nem fontes.

Por outro lado, RBS, Globo, Record, SBT, Abril, Estado, Folha e todos os seus afiliados são enrustidos.

Portanto, sua suposta neutralidade é dissipada no ar, pois a objetividade jornalística não existe: no momento em que a fonte é a referência da notícia e a maneira de divulgar o fato é editada por alguém que serve a determinado
interesses, a informação mediada e mediatizada passa a ter total influência do sujeito.

Na França, há publicações declaradamente de esquerda e outras de direita, com públicos distintos e conscientes de suas escolhas.

Por que diabos lá se pode ter uma mídia alternativa e aqui, não?!

Minha crítica não é profissional, de caráter e tampouco de qualidade acadêmica: é uma crítica contra o PUM (Pensamento Único da Mídia) e, sobretudo, das escolhas e do viés dos temas tratados pelo jornalista.

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NÃO HÁ CAOS AÉREO NENHUM!!!

Links para os “midiotas” compreenderem, de uma vez por todas, de que se trata mais essa falácia, cujo único objetivo é parar o Congresso, a fim de atrasar todas as votações necessárias à aceleração do PAC (que a oposição sabe que, se der certo, Lula põe quem quiser no Planalto em 2010):

Cinco matérias na Agência Carta Maior:

Criação de agência de aviação permite privatização dos aeroportos

Crise? Que crise?

Por trás do caos aéreo, os rumos da política de defesa nacional

Intervenções pontuais ficam restritas à superfície do problema

Um jeito estranho de voar

Ainda na Carta Maior, um artigo de Flávio Aguiar – o único a atingir o verdadeiro cerne da questão:

As torres invisíveis

Esta é da Carta Capital:

SENHORES DO CAOS AÉREO

O blog do Eduardo Guimarães também possui muitas conclusões e insights extremamente lúcidos, bem-informados e, acima de tudo, honestos sobre a questão.

Seus posts mais recentes sobre o tema são os seguintes:

“20/03/2007 – Coincidência uma ova”

“14/03/2007 – Zagueiros tucanos-pefelês”

“04/11/2006 – Bacana não espera”

Pra terminar, este é um post antigo meu.
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Para ler, aprender, refletir e mudar de ponto-de-vista, primeiro é preciso se despojar de suas imagens-referência repletas de crenças e preconceitos.

Espero ansiosamente pelos seus comentários. ;)

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Nadando Contra a Corrente, por Lula Miranda

Embora meu tempo tenha ficado deveras escasso com o mestrado e eu não desista nunca de meus ideais, considero justo e pertinente o cansaço e o desalento momentâneo de um dos mais antigos colaboradores da Agência Carta Maior e da revista Carta Capital, o poeta Lula Miranda, neste artigo.

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