…Mas jamais acusou formalmente com termos tão fortes e tão diretos como os dirigidos ao jornalista Mino Carta na coluna Nosso Colaborador do Correio do Povo ano 112 edição nº 179 de hoje, quarta-feira, 28/03/2007, na coluna à esquerda do editorial da página 4:
“Mino Carta, por exemplo, é um perfeito idiota ítalo-brasileiro que já foi considerado um gênio do jornalismo nos ‘anos de chumbo’. Hoje, dirige uma revista cuja única qualidade é ser chapa-branca, o que permite aos petistas empedernidos considerá-la independente, isenta, objetiva e neutra. Carta Capital é a Veja da esquerda.“
Opinião todos têm e é de direito que se manifestem. Todavia, ele acusa Mino Carta de “idiota” e chama sua revista de “chapa-branca”, ao mesmo tempo em que procura descaracterizá-la, desvalorizá-la e deslegitimá-la como veículo alternativo de informação com argumentos como “petistas empedernidos” (como se todo e qualquer leitor de Carta Capital fosse petista ou como se ser petista fosse um crime ou uma atitude ‘burra’).
Bem… Quem paga para ler Carta Capital dá credibilidade muito maior a esse veículo do que aos absolutistas integrantes do PUM (Pensamento Único da Mídia). Isto é sinal de que a midiatização dessa parcela (bem) menor da sociedade consista em DIFERENTES formas de influencia informativa, opinativa e, acima de tudo, identitária realizada através de sua interação com meios de comunicação ALTERNATIVOS.
O prof. Juremir é, reconhecidamente, um intelectual e pesquisador de gabarito. Pelo pouco que conheço de seu trabalho, sua influência passa por Baudrillard e por outros grandes (sem nenhuma ironia) sociólogos e filósofos franceses cujas principais obras se deram a partir de 1968. Dado o tom pessimista da visão da sociedade pós-industrial (ou pós-moderna) desses autores, raramente vi o prof. Juremir (para não dizer jamais) elogiar no jornal coisas, pessoas, ou instituições brasileiras.
Da mesma forma, suas constantes críticas aos governos passados (que foram mais centralizadores e trabalharam menos para o povo do que este, embora, para meu gosto, seja muito pior do que poderia ser, mesmo que seja bem melhor do que seus sucessores) eram menos pesadas.
É uma questão de estilo. No entanto, é muito difícil acompanhar suas críticas loquazes sem um pingo de apontamento de solução. Claro que ele pode replicar que esse não seria o seu papel. Pessoalmente (o que não quer dizer absolutamente nada porque meu capital simbólico é muito pequeno), creio que toda crítica deve apontar alguma solução, salvo quando todas as possibilidades já foram esgotadas enquanto não houver ânimo ou criatividade para pensar-se em uma nova alternativa.
Confesso que sinto o mesmo em relação aos governos federal (porém em menor grau), do Estado do RS e à Prefeitura de Porto Alegre. Pelo menos admito isso como falha, devido à minha incapacidade de concordar em ser obrigado a aceitar as ordens estapafúrdias que mandam contra tudo aquilo em que EU acredito tratar-se de um caminho para que o Brasil torne-se um país justo e rico, enquanto preserva suas riquezas e não dilapida a esperança de parceiros comerciais, culturais e sociais em piores condições do que a nossa.
Mesmo assim, Juremir jamais criticou o pensamento único e hegemônico da Grande Mídia, da qual o recém-vendido veículo para onde escreve faz parte. Ele nunca falou e nunca irá falar sobre o deserto verde, sobre os latifúndios, sobre o tráfico de influências no Banco Central que beneficia aos financiadores do seu empregador.
Em termos de corrupção e de desmando, isso é anos-luz pior do que mensalão, apagão aéreo ou auto-aumento salarial do Congresso. Sua “neutralidade” ou “isenção” crítica não permite que ele escreva sobre isso sob essa ótica?!
Dessa forma, não estaria ele também sendo chapa-branca do Governo do Estado do RS e da Prefeitura Municipal de POA quando não os critica com toda a qualidade de sua argumentação sarcástica muit0 bem-articulada?!
Pois justamente em sentido diametralmente oposto ao qual critica, não estaria ele sendo chapa-branca do Governo do Estado do RS e dos latifundiários quando não fala sobre os benefícios sociais e econômicos da cultura fumicultora de Santa Cruz do Sul?!
Não estaria sendo chapa-branca ao jamais ter abordado a responsabilidade dos latifundiários parceiros do dono do jornal para o qual escreve na seca de dezenas de mananciais no sul do estado, que foram sugados até a última gota para irrigar as suas plantações?!
Finalmente, não estaria ele sendo chapa-branca quando não expõe a verdade sobre a TV digital, que é a democratização dos meios de comunicação?!
Como professor de Comunicação de uma instituição tão boa, tão respeitada e tão
tradicional quanto a PUCRS, caso procurasse mesmo ser crítico de tudo e de todos e interessasse a ele seguir acreditando ser neutro, deveria, da mesma forma, falar publicamente dos Civita, dos Marinho, do Edir Macedo, do Sílvio Santos e, sobretudo dos Sirotsky.
Voltando à sua coluna de hoje, por um lado, também descaracterizou a respeitabilidade da Veja ao falar que “Carta Capital é a Veja de esquerda”. Mas, por outro lado, jamais em suas colunas citou ou demonstrou o conservadorismo reacionário e o senso comum pobre de espírito publicado no panfleto da elite paulista e jamais chamou qualquer um de seus editores ou colunistas de “idiotas”.
Ora, ora: logo ele, que tantos cursos e palestras dá na França. Que estudou
lá. Que aprendeu com os maiores pensadores sociais contemporâneos, na sua tentativa de neutralidade e de metralhadora giratória, acaba parando de disparar justamente para o lado direito.
Mino Carta pode ter vários defeitos mas, pelo menos, é honesto ao deixar clara a
sua posição. Além disso, em termos de investigação e de procurar dizer tudo doa a quem doer, pratica um jornalismo muito mais profissional e criterioso do ponto-de-vista ético e prático, pois não planta e não forja fatos nem fontes.
Por outro lado, RBS, Globo, Record, SBT, Abril, Estado, Folha e todos os seus afiliados são enrustidos.
Portanto, sua suposta neutralidade é dissipada no ar, pois a objetividade jornalística não existe: no momento em que a fonte é a referência da notícia e a maneira de divulgar o fato é editada por alguém que serve a determinado
interesses, a informação mediada e mediatizada passa a ter total influência do sujeito.
Na França, há publicações declaradamente de esquerda e outras de direita, com públicos distintos e conscientes de suas escolhas.
Por que diabos lá se pode ter uma mídia alternativa e aqui, não?!
Minha crítica não é profissional, de caráter e tampouco de qualidade acadêmica: é uma crítica contra o PUM (Pensamento Único da Mídia) e, sobretudo, das escolhas e do viés dos temas tratados pelo jornalista.
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