TORRAR O CÉREBRO É A FELICIDADE SUPREMA

Peço desculpas a todos os internautas pela não-atualização deste blog nas últimas semanas. ;)

Embora queira MUITO permanecer escrevendo constantemente para vocês, agora minha rotina passa por uma transformação radical. :)

O trabalho árduo e extremamente gratificante de realizar meu sonho de ser professor e pesquisador acadêmico para sempre e sem interrupções iniciou-se na última segunda-feira, com o primeiro dia de aula no mestrado em Ciências da Comunicação da UNISINOS. ;)

Quanto ao nível de exigência, não existe a menor comparação possível com qualquer curso de graduação, especialização ou MBA. A quantidade de leituras é enorme de um dia para o outro, além dos relatórios semanais e da constante melhora na metodologia e no problema de pesquisa propostos no meu pré-projeto de dissertação.

Ao contrário da pedagogia tradicional, no PPG da UNISINOS todas as disciplinas têm uma certa relação e o conteúdo das aulas (exposição dos professores mais contribuições dos mestrandos) associado às leituras extra-classe sempre oferece subsídios para a pesquisa, pois não existe aprendizagem supérflua ou hiperespecializada.

Quando me inscrevi para a seleção, já nutria enorme simpatia pela UNISINOS: quando ministrei uma workshop sobre criatividade demasiana no PontoCOM e também na aula experimental de Photoshop para os alunos da profª Lucilene Breier, fui muito bem recebido, muito bem tratado e não tive nenhum problema com infra-estrutura ou com informações necessárias para que o meu trabalho pudesse ser realizado com êxito.

Um dos meus melhores amigos, o prof. Gustavo Fischer, coordenador do curso de Comunicação Digital, está em vias de defender sua tese de doutorado e está supersatisfeito com o ambiente de trabalho, com a troca de experiência com todos os demais pesquisadores e com os alunos, além de receber um valor justo pelo que faz e de receber todo o apoio para enriquecer seu currículo Lattes publicando artigos nas mais importantes revistas científicas do continente, bem como participando de congressos pelo Brasil afora.

Na INTERCOM de 2004 na PUCRS, conheci a profª Suely Fragoso em um grupo de discussão sobre Comunicação e Novas Tecnologias. Passei a acompanhar o trabalho dela sobre socialidades em comunicação mediada por computador e ela foi muito gentil e solícita ao ler o esboço do meu pré-projeto de dissertação e ajudar-me a corrigi-lo com suas precisas objeções em duas etapas.

Durante os banderaços na Cidade Baixa pré-2º turno das eleições de 2006, reencontrei um jovem pós-doutor que também é professor da UNISINOS, meu veterano Alexandre Rocha da Silva, com quem conversei brevemente em dois encontros fortuitos na rua. Ele me deu dicas muito valiosas.

Na banca de seleção do meu pré-projeto, senti-me seguro e tranqüilo, apesar da enorme ansiedade, graças às dicas do meu brother Gustavo, nas caronas de volta da sinuca que a agenda dele não nos permitiu mais retomar (agora, nem a minha permite mais).

Já havia participado de cinco seleções no PPGCOM/UFRGS (2003 a 2007), e de uma na  própria UNISINOS, em 2004.

Desta vez, resolvi seguir o conselho do prof. Alex Primo da UFRGS e da profª Lucilene Breier da PUCRS e da UNISINOS, ou seja, não apostar todas as minhas fichas em um único PPG: participei das seleções da UFRGS, da PUCRS e da UNISINOS.

Na UFRGS, estranhamente, pela primeira vez, não passei na prova e não fui chamado para a entrevista. Na PUCRS, passei na prova e, na entrevista, tenho certeza de que o que pesou foi o fato de eu ter dito que precisava de bolsa de estudos, pois a PUCRS recebe muito menos bolsas do que outras universidades.

Na UNISINOS, cuja banca é a mais numerosa (cinco professores-doutores contra dois na UFRGS e na PUCRS), apesar das objeções quanto à minha indecisão quanto à(s) metodologia(s) que cogitei em utilizar e da falta de clareza quanto ao meu problema de pesquisa, felizmente fui aprovado! :D

Embora admire muito o trabalho de muitos pesquisadores que conheci quando fui aluno na graduação e também nos dois semestres em que tive o prazer e o privilégio de ter lecionado na FABICO/UFRGS (2002/2 e 2003/1), sem contar as conversas macintoshianas e ipodísticas com o prof. Eduardo Pellanda e com o meu antigo mestre Flávio Cauduro (ambos da PUCRS), pra minha felicidade, estou aprendendo com o melhor corpo docente em Comunicação deste país.

No campo da Comunicação, há muitos pesquisadores conhecidos e competentes, sendo vários deles verdadeiramente geniais em grandes universidades como UFRGS, PUCRS, UFF, UFBA, UFMG, UFPE, UFRJ, PUCRJ, USP, PUCSP, UMESP, UNICAMP e UFSC. Por baixo, citaria pelo menos 25 brilhantes professores somados em todas essas universidades.

Porém, na UNISINOS, há pelo menos 10 entre os 40 melhores da área no país. Tudo porque a UNISINOS percebeu que a Comunicação é uma área de vital importância como vetora do desenvolvimento do país para o futuro, em função da imensa importância que os processos midiáticos estão imbricados com a sociedade como um todo. Então, criou um ambiente e possibilitou a criação de novos cursos e a modernização dos currículos dos tradicionais cursos de Jornalismo, Publcidade e Propaganda e Relações Públicas atraindo, assim, muitas das mentes mais valiosas que estavam em vias de aposentar-se em suas respectivas universidades federais nas quais construíram a sua reputação.

É uma enorme responsabilidade, um enorme compromisso e, acima de qualquer coisa, um imenso orgulho e um prazer inexplicável ter o privilégio de ser aprendiz de sumidades como os professores-doutores Efendy, José Luiz Braga, Fausto, Suzana Kilpp e Fabrício da Silveira – além dos já citados e de outros que virão, nesta jornada de dois anos! :D

Por tudo isso, tenho a obrigação de aproveitar uma oportunidade tão rara e única! ;)

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O Brasil está Matando o Brasil

Já escrevi em um post bem antigo, de novembro de 2006, sobre a palestra do prof. emérito da USP, o geógrafo Aziz Ab’Sáber, de 82 anos. Eu e a Lu (minha namorada Lúcia) assistimos ao sábio e lúcido velhinho falar sobre a sua participação em quase todas as caravanas que o Lula promoveu pelo interior do país antes mesmo da campanha oficial para 2002.

Ele disse que o estado de São Paulo, dentro de 30 anos no máximo, será rodeado de plantações de milhões de hectares nas mãos de pouquíssimos donos e com um número muito pequeno de funcionários. Além disso, a população urbana viverá basicamente em edifícios de 15 andares ou mais – isso no INTERIOR de SP!!!

Falou, também, sobre o absurdo do Governo ter dado o poder de gestão da preservação da Amazônia a diversas ONGs internacionais, sendo que elas estão liberadas para gerenciar o abate e o reflorestamento da forma que bem entenderem após 30 anos!!!

Isso significa que o Governo faz de conta que detém a soberania da floresta amazônica quando, na verdade, abre caminho para a devastação da selva que receberá milhões de hectares de mamoneiros sanguessugas.

A mamona suga tanta água e nutrientes do solo quando o eucalipto.

O prof. Sáber também disse que é preciso possuir conhecimento de causa tanto para atacar como para defender coisas que os jovens geógrafos não estão se dando conta.

Ele diz que o aquecimento global é, substancialmente, obra do excesso de transformação do meio ambiente pela mão do homem. Contudo, afirma que o substrato da natureza no qual o aquecimento se origina e deve ser combatido não é onde se pensa que ele ocorre. Agora, não lembro direito da explicação, mas o prof. disse que há o substrato do solo, das plantas rasteiras e dos animais que andam pelo chão; outro substrato que é composto pelos animais que vivem nas árvores, pela altura dos troncos, galhos, folhas e frutos; e um terceiro, composto pelo ar, nuvens e pássaros.

Se bem lembro, ele disse que os geógrafos jovens têm diagnosticado de maneira equivocada a origem do aquecimento e, conseqüentemente, o seu combate também ocorre de maneira equivocada.

Outra grande preocupação é com o Aqüífero Guarani, que é praticamente um oceano subterrâneo de água supostamente doce, que pertence ao Brasil, à Argentina e ao Paraguai. Aqui no país, ele toma conta de mais de 80% da Região Sul (RS, SC e PR), 95% de SP, 65% do MS e mais uma parte de GO.

No entanto, o prof. Sáber disse que, ao contrário do que a mídia desinformada tem dito, toda essa vastíssima massa d’água possui tantos componentes químicos que desceram do solo até lá durante milhões de anos que essa água não é garantidamente potável. Ainda não há provas de que seja saudável.

No entanto, é óbvio que trata-se de uma reserva monstruosa, que deve ter uso racional e racionado, única e exclusivamente para fins bem mais nobres do que meramente irrigar as monoculturas do agronegócio, do biocombustível e do eucalipto.

Na ocasião, ele não falou nada sobre a plantação de eucaliptos. Não sei se não sabia ou se não quis falar, mas ninguém chegou a perguntar sobre o assunto (nem eu, reconheço). Também não lembro se ele chegou a criticar a monocultura do biodiesel. Se não me engano, falou brevemente sobre isso.

Outro dado estarrecedor que ele apresentou foi que o sul do Pará é completamente dominado por senhores de terra inescrupulosos e por seus jagunços e grilheiros, amedrontando uma vasta população miserável que não tem a mínima condição de combatê-los.

E o Governo Federal sabe, mas não faz NADA!!! Por que? Porque o PMDB é forte no PA e é aliado!!!

Por fim, a tecla na qual ele mais bateu foi: o Brasil tem mais de 80 quadrantes (áreas) nos quais o bioma, a economia, o relevo, o microclima e a cultura da população local é único. Para desenvolver todos esses lugares da melhor maneira possível tanto para tirar a população da miséria e para preservar o meio ambiente, é fundamental que o Governo faça um trabalho sério com vários ministérios trabalhando em conjunto para ajudar a resolver o problema de cada região.

Então, a cantilena do “desenvolvimento” do Governo Lula é baseada no mesmo princípio neoliberal.

Considero os avanços sociais muito tênues, os avanços econômicos chegam através do altíssimo custo do neocolonialismo, onde, mais uma vez, estamos dilapidando o nosso patrimônio natural e vendendo mão-de-obra barata e matéria-prima.

País que não vende tecnologia é país burro, fadado ao subdesenvolvimento sempre.

E, mesmo que o Brasil cresça a partir do Governo Lula e este seja lembrado por isso como o melhor presidente que o Brasil já teve, ele é apenas nota 4, enquanto todos os de direita que o sucederam (e muitos outros que virão depois) não passarão de nota 2.

Ou se muda os valores pelos quais se deseja fazer a economia crescer e a renda se distribuir de maneira mais parelha, ou, então, o Brasil vai desaparecer do mapa: serão algumas décadas de prosperidade, até as nossas riquezas e a nossa saúde acabarem.

O Chile, que é um dos maiores pelegos dos EUA, vai acabar quando o cobre deles acabar. E já está perto do fim.

Se baba o ovo do Chile, mas o que eles produzem de tecnologia para o mundo? O que entra de royalties gordos em função da venda de tecnologia? QUASE NADA.

México, Argentina, etc.: a América Latina é o continente mais espoliado e mais dominado pelos EUA que existe no planeta.

Atualmente, em termos de justiça social e distribuição de renda, os países nórdicos são o melhor exemplo que o Brasil poderia seguir. E em termos de uma educação de qualidade, o exemplo da Coréia do Sul é bárbaro.

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Filosofando Sobre Posicionamento Político II

Na prática e na teoria, o grau de coerência no posicionamento de um indivíduo está diretamente relacionada ao volume de conhecimento técnico e humano que possui em relação a um determinado tema.

Quando o conhecimento é apenas teórico, a avaliação das vantagens e desvantagens empíricas desse método de fazer tornam-se extremamente capengas.

Invertamos agora a puxada do mesmo cobertor curto: quando o conhecimento é meramente experienciado ou experimentado (experiência e experimento são duas coisas bem diferentes) sem que o indivíduo que tenha passado – ou esteja passando – por uma determinada situação seja capaz de ganhar sabendo por que ganhou ou de perder sabendo por que perdeu, ficou faltando o quem, aonde, como, quando, por que, com que efeito.

Sem a teoria, a prática torna-se ou uma atividade mecânica cuja repetição não leva à reflexão sobre a verdadeira necessidade de não mudar.

Sem o registro de como diversas culturas diferentes souberam fazer, torna-se extremamente complicado evoluir tomando como exemplo o melhor de seus respectivos legados.

Inevitavelmente, tudo está interligado. Tudo exerce influência sobre tudo. Somos culpados de tudo e não somos responsáveis por nada ao mesmo tempo. Mas fazemos parte de um sistema permanentemente instável, que, dentro do seu infinito caos, ainda assim é capaz de apresentar um equilíbrio muito sutil, dramaticamente tênue, em raras e efêmeras instâncias.

Contudo, assim como o caos não é permanente nem busca a autofagia, o equilíbrio constante é uma das poucas coisas que pode-se considerar impossível de existir.

Então, quem tem um posicionamento político maduro, culto e amplo com honestidade e com solidariedade, é coerente com os seus valores.

O que não se pode negar é que todas as vítimas do Pensamento Único da Mídia mentalmente saudáveis têm valores semelhantes aos de todos os que batalham pela utopia de um novo mundo possível.

O modus operandi e a capacidade de refletir sobre a vida na Terra procurando uma nova referência a partir de um ambiente informacional à parte da mídia hegemònica é que são totalmente diferentes.

Quando eu disse em outro post que acredito que o Brasil precise passar por uma experiência socialista radical, não falo em ditadura nem tampouco em cassação das liberdades individuais. No entanto, toda sociedade organizada só consegue manter-se organizada através de um sistema de coerção.

Coerção contra os excessos de qualquer natureza. Menos o excesso de humanismo, de solidariedade, de respeito, de carinho, de responsabilidade, de alegria e de progresso individual e social.

O mundo nunca viu uma extrema direita nem uma centro-direita que funcionasse para todos. Nunca viu uma extrema-esquerda que funcionasse para todos.

Para inverter os valores do material para o humanístico, nem tampouco o utópico “equilíbrio constante”, a solução mediada ou, simplesmente o “centro”, seria capaz de resolver tantos problemas sociais. Afinal de contas, não existe sociedade igualitária para que possamos tomar o “centro” como referência.

Portanto, o que nos resta é a centro-esquerda, mais próxima da esquerda do que do centro.

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Filosofando Sobre Posicionamento Político I

Na minha humilde opinião, creio que a maturidade na análise da realidade conjuntural contemporânea deve necessariamente passar pela crítica honesta a partir de informações confiáveis e do reconhecimento das virtudes (tanto nossas como de nossos adversários) sem exacerbações.

Para mim, as profissões-chave para proporcionar a verdadeira base do desenvolvimento pessoal e social são: professor, filósofo, historiador, geógrafo, biólogo, assistente social, psicólogo, artista e atleta. Essas profissões formam a base do pensamento, da solidariedade, da responsabilidade, do discernimento, da sensibilidade e do livre arbitrio.

Todas as profissões ligadas à Medicina proporcionam saúde, bem-estar e qualidade de vida a todos os indivíduos, na luta contra dois de seus inimigos atávicos (a doença e a morte).

As demais profissões, por sua vez, não deixam de ser socialmente ou economicamente importantes, mas seu principal objetivo é o crescimento econômico, não intelectual ou humanístico.

Elas nascem e morrem a partir da inteligência e, sobretudo, da criatividade do homem na eterna luta contra seus outros três inimigos atávicos: a miséria, a feiúra e a ignorância.

Sem querer diminuir a sua importância, elas visam o desenvolvimento material acima de qualquer outra coisa. Economia, finanças, dinheiro, troca, acúmulo e investimento são partes inerentes da sociedade sedentária gerada pela civilização. Todavia, só poderão ser exercidas com honestidade, discernimento, ponderação, maturidade e responsabilidade social se tiverem uma boa base no aprendizado a partir das técnicas e teorias advindas das profissões-chave.

Quando uma sociedade move-se tendo como prioridade o excesso de acúmulo com ânsia de poder ou com medo de ficar sem nada, é sinal de que a sua matriz de pensamento não visa a harmonia social.

Da mesma forma, quando uma sociedade ignora as trocas, o intercâmbio e a necessidade de acumular com qualidade e quantidade suficientes para distribuir irmamente entre todos os seus membros de modo que todos possam usufruir da sua capacidade de crescimento ao invés de meramente subsistir, também não existe harmonia social.

A sociedade neoliberal tem alguns milhões de excelentes jogadores de War, mas pouquíssimas rodas de violão onde todos cantam e todos tocam, se é que vocês me entendem.

Pessoalmente, considero esta uma inversão de valores autofágica.

Eis por que escrevo este blog.

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Panis et Circences

É sempre bom lembrar a maravilhosa composição do ministro da cultura Gilberto Gil, sublimemente interpretada por Os Mutantes:

Panis et Circences

Gilberto Gil

Composição: Indisponível

G C/E G C/E

Eu quis cantar, minha canção iluminada de sol

G C/E

Soltei os panos sobre os mastros no ar

G C/E

Soltei os tigres e os leões nos quintais

G C/E

Mas as pessoas na sala de jantar

D#4 D/F# G

São ocupadas em nascer e morrer

G C/E G C/E

Mandei fazer de puro aço luminoso punhal

G C/E

Para matar o meu amor e matei

G C/E

As 5 horas na Avenida Central

G C/E

Mas as pessoas na sala de jantar

D#4 D/F# G

São ocupadas em nascer e morrer

G C/G G C/G

Mandei plantar, folhas de sonho no jardim de solar

G C/G

As folhas sabem procurar pelo sol

G C/G

E as raizes procurar, procurar

G C/E

Mas as pessoas na sala de jantar

G C/E

Essas pessoas na sala de jantar

G C/E

São as pessoas na sala de jantar

G C/E

Mas as pessoas na sala de jantar

D#4 D/F# G

São ocupadas em nascer e morrer

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