O Emburrecimento pelos Jornalistas Burros

A esmagadora maioria dos editores e repórteres criados na Grande Mídia estão impregnados por uma crença com a qual não tenho como compactuar.

Por menos que vários deles sejam comprometidos com o modus operandi de suas ex-pagadoras na atualidade, eles ainda acreditam que a Grande Mídia mostra noticiário espreme-sangue porque “é isso o que o ouvinte/telespectador/leitor ‘quer ver’”.

Eles acham que os estilos que mais tocam nas rádios FM (axé, pagode, sertanejo, funk carioca) estão na moda porque “é o que o público quer ouvir”.

Acham, ainda, que programas de auditório e programas humorísticos existem porque “o povo gosta”.

Eles estão acomodados!!!

Eles concordam com seus chefes e com o poder de apaziguar ânimos estupidificando o povo, sem perceber que, assim, estão compactuando com a manutenção do status quo.

Pior: como já foi estudado por vários teóricos da Comunicação (já falamos em Agenda Setting neste blog), o público influencia e é influenciado pela Grande Mídia, assim como esta influencia e é influenciada pelo seu público. Logo, o jornalista que emburrece a sua audiência também está sendo emburrecido, em um terrível círculo vicioso.

O público escreve mal, lê mal e interpreta as mensagens pessimamente mal.

O homem mal letrado – com bolso de qualquer tamaho – só consegue compreender aquele conteudozinho simplificado e simplista e se contenta com a (des)informação mastigada, pasteurizada e idêntica com roupagens levemente diferentes.

Por que?

Ora, porque a nossa “amada” ditadura militar (toc, toc, toc!) eliminou o pensamento crítico do ensino, ao deletar disciplinas fundamentais como Filosofia e Sociologia do currículo de 1º e 2º graus.

Porque inclusive matérias antigamente muito bem dadas apesar dos baixíssimos salários dos professores estaduais como História, Geografia e Português agora são dadas a toque de caixa.

Porque, ao invés de dividir o ano e as avaliações por quatro bimestres, agora os alunos são atrolhados de matéria em três pesados trimestres.

Porque, no RS, até a 4ª série, não há reprovação. Conseqüentemente, quem foi mal alfabetizado e não compreendeu o básico de História e Geografia até esse momento, irá rodar ano sim, ano não, tornando-se analfabeto funcional.

É por isso que o vestibular da UFRGS, apesar de ter pelo menos 10 mil candidatos a menos do que no meu tempo (1991) e oferecer mais vagas, parece ter ficado muito mais difícil.

Não é o vestibular que virou carrasco: são as escolas que pioraram muito.

Outro dia, li uma informação cuja veracidade e cuja fonte não tenho exatamente como encontrar assim, de supetão – desculpem – a respeito das profissões cujo mercado de trabalho está pior.

Segundo essa matéria (que não tinha fonte alguma), 31% dos formados nos cursos de Comunicação Social estão desempregados.

Apesar disso, apesar da internet, apesar da convergência tecnológica, apesar de estarmos diante de uma nova mídia teoricamente muito mais barata de se produzir e publicar conteúdo…

…A maioria desses incautos jornalistas sonha em trabalhar nos veículos da Grande Mídia.

Eles se deslumbram com o circo armado.

Eles estão impregnados pela ideologia reinante, sem perceber que são egoístas e desejam fama e fortuna.

Esquecem do seu papel social.

Escrevem mal, interpretam mal, divulgam mal.

Não criticam, não respondem, não entendem, não se modificam.

Triste. Muito triste…

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Blog Neoliberal

Como é que se cria?!

As referências e a visão de mundo dele são absurdas…

Só cheguei a esse link porque, na página inicial do WordPress, este blog estava listado na lista de hoje dos blogs que crescem mais rapidamente.

O nome do blog é uma armadilha, pois pode levar um público progressista de esquerda a navegar naquelas paragens pensando tratar-se de uma crítica ao sistema imperialista, mas não: é pura exaltação.

Pior é que já existe a Grande Mídia, toda a indústria nacional, o agronegócio, os bancos, as multinacionais e uma porrada de jornacríticos independentes com muito mais visibilidade do que nós.

Blog de direita é blog burro.

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[CTL] Inter e Grêmio: desafios táticos

Se o Internacional quiser defender seu título e se o Grêmio quiser chegar à sua terceira coquista continental, ambos precisam corrigir sérias falhas apresentadas na competição até o momento.

No lado colorado, quando índio joga tudo o que sabe, faz todo o sistema defensivo melhorar porque o Rafael Santos cresce bastante. No entanto, é um atleta que precisa estar 100% fisicamente para render o que dele se espera. No momento, parece que a velha regularidade tende a se restabelecer.

O problema mais grave é a cobertura da zaga, pois, quando o Wellington Monteiro se emociona e vai pra cima sem avisar, o contra-ataque fica perigosíssimo. Basta lembrar dos primeiros 20 min. do Emelec e de como foi todo o 2º tempo contra o Nacional.

Uma outra dificuldade ainda sem uma solução que garanta regularidade e um ataque mais incisivo consiste no recuo de Fernandão para a armação ao invés da centroavância.

O capitão é, sem sombra de dúvida, o jogador mais técnico e mais inteligente do colorado. Ele se entrega para o time, sacrificando-se até mesmo na zaga e como volante quando o Inter perde a bola. Apesar da modificação tática ter como nobre justificativa a genialidade do Pato e a qualidade do Iarley, acho que esse quebra-cabeça nunca terá solução.

A média de gols colorada com o Fernandão de centroavante junto com o Sobis era muito mais alta do que com Iarley e Pato. Os dois atacantes atuais são ótimos e resolvem, mas o Inter só consegue fazer 2 ou 3 gols contra um oponente mais forte apenas quando algum cruzamento pelo alto encontrar a cabeça de índio (que não pode subir toda hora).

Antigamente, quando o jogo estava complicado e Fernandão jogava na área inimiga, as jogadas aéreas resolviam. Hoje, apesar do poder de marcação e do posicionamento tático sem falhas, creio que Ceará cruza menos do que Élder Granja – que saiu do onze titular porque não é regular na marcação. E, pela esquerda, Alex não vive um bom momento como meia e, sem estar 100% fisicamente, não pode ser recuado para a lateral. Por enquanto, o peruano Martín Hidalgo é o jogador do ofício, mas seu rendimento está abaixo da média.

Mudando de direção, no Olímpico, os problemas são ainda piores. O Tricolor dos Pampas é um time sem lateral-direito, pois Patrício não é veloz e não sabe cruzar. Jucemar não se encaixou no espírito do grupo e nem no esquema de Mano Menezes e não correspondeu. Pelo lado esquerdo, Lúcio sabe cruzar, mas tem pouca estamina e, no 2º tempo, demora a voltar, levando assustadoras bolas nas costas.

No miolo defensivo, embora nossa dupla de zaga para 2007 (William e Schiavi) seja muito boa e, desta vez, haja pelo menos um reserva quase no mesmo nível (Teco), todos se vêem cara a cara com os atacantes ou com os armadores adversários, ou seja, não existe cobertura na intermediária do campo de defesa do Grêmio. Lucas e Diego Souza – atualmente escalados como volantes, são jovens, técnicos e fisicamente privilegiados, mas nenhum deles é centromédio de marcação.

Um ponto em comum nos dois rivais porto-alegrenses é: ambos os técnicos insistem em querer simplificar o posicionamento e o entendimento tático dos jogadores que têm em mãos utilizando o esquema 442.

Ano retrasado, o técnico do Inter era Muricy Ramalho. Muricy levou o Colorado ao vice-campeonato brasileiro sem um craque como Pato, mas com Fernandão e Sobis na frente e Tinga no meio. Hoje, Edinho tem lugar nesta equipe porque foi Muricy quem corrigiu as suas antigas falhas no passe e no posicionamento.

Muricy, agora campeão brasileiro e vice da América do Sul pelo São Paulo, traz consistência defensiva e contra-ataque em velocidade às suas equipes através do 352, com três zagueiros de área (um líbero, com possibilidade de avançar), ao invés de laterais ele tem alas (mais ofensivos e que não gastam tanta energia porque marcam adiantados, no meio-de-campo), um volante de ofício e dois armadores para municiar os atacantes e para combinar jogadas abertas com os alas.

O Grêmio de 2007 parece ter um bom banco de reservas, apesar de ter tido perdas importantes como o protetor da zaga Jeovânio e o veloz e destemido Hugo pela esquerda de ataque. Embora contestado, o chileno Escalona era um ótimo marcador na lateral esquerda (o setor mais frágil da equipe).

Ano passado, o Grêmio apoiou-se num 361, onde os meias ganhavam a bola congestionando o meio e contra-atacando em bloco, com um pivô (Rômulo) que, se por um lado, não fazia tantos gols quanto um centroavante deveria fazer, atraía sempre mais de um zagueiro para si e abria espaço para todos os meias virem de trás.

Então, a dupla Grenal carece de um poder de marcação mais sólido na intermediária de ataque, para manter a posse da bola e pensar se estilinga ou se costura nos contra-ataques. Ao mesmo tempo, tal limitação também impede a neutralização do toque de bola adversário no meio do campo.

Vamos ver como o Abel e o Mano corrigem esses detalhes.

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