Os Erros de Lula passam pela sua Midiatização

Querendo ou não, todos são obrigados a jogar o jogo da midiatização. Não é possível não jogar. Mas dá para escolher em que posição atuar e, de vez em quando, pegar a bola na mão para discutir as regras, nem que isso contrarie o dono da bola.

Na questão dos biocombustíveis, o presidente Lula ficou fascinado por tecnocratas de centro-direita da Petrobras. Embarcou rapidamente nesse verdadeiro Titanic, em função de ainda crer na dicotomia emprego e desemprego.

Sua intenção não é ruim: gerar emprego e renda no agreste e oferecer uma alternativa aos pequenos produtores; manter as pessoas no campo; ajudar a economia interna a crescer; reduzir o contingente de excluídos; elevar o volume de exportações com o câmbio baixo; valorizar a posição do Brasil como um país de vanguarda no setor de combustíveis, entre outros supostos benefícios.

Todavia, os problemas resultantes da monocultura do biocombustível são estratosfericamente mais significativos do que seus benefícios, conforme o excelente artigo de Sílvia Ribeiro, investigadora do Grupo ETC, replicado no site Resistir.info.

Aliás, o Resistir deveria ser leitura obrigatória de todo blogueiro. ;)

Embora de origem socialista, o caráter conciliador e de diálogo do presidente Lula fez com que ele passasse a conviver e a conhecer mais de perto um lado da direita que desestimula nosso chefe a enxergá-los como oponentes econômicos e sociais. Por pura influência da Grande Mídia, que responde aos anseios de seus patrocinadores.

Nesse ponto, ele também chupa bala em relação aos latifundiários nas questões dos transgênicos e na sua omissão quanto à criminalização dos movimentos sociais por parte da Grande Mídia, do discurso sectário do presidente do INCRA e de nunca ter movido uma palha sequer contra as empresas de defensivos agrícolas, de sementes geneticamente modificadas, contra a silvicultura do eucalipto, contra os usineiros, garimpeiros e “donos do pedaço” que depredam a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado, mandando prender e mandando soltar, além dessas regiões, também no Sul e no Nordeste.

O programa de educação é muito mais urgente e importante do que o PAC. Não que o PAC não seja importante, mas deve ser realizado em paralelo e em conjunto até onde for possível, mas com prioridade para a educação.

O Agente 65 acredita que, caso o programa educacional dê certo, o ministro da pasta, Fernando Haddad, possa vir a ser candidato à sucessão do presidente. Pessoal e infelizmente, creio que Lula não consiga eleger seu sucessor em função da Grande Mídia, salvo se os movimentos sociais tomarem conta (no bom sentido, dentro da lei) do meio técnico da TV Digital e aprenderem a  técnica sofisticada da edição de conteúdo e do discurso.

Todavia, com a CPI do setor aéreo pipocando por aí (apesar do secretário da Comunicação Social Franklin Martins ser um profissional e um ser humano muito melhor do que o ministro das Comunicações Hélio Costa), será muito difícil fazer o PAC e o PDE decolarem: afinal de contas, a direita depende do seu insucesso, conforme indicam os seguintes posts do Eduardo Guimarães:

Educação para Todos

O Super Franklin Martins

Manchetes do UOL

O Berço e o Sobrenome

A Vez das Minorias

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