
20/06/07 21:27:21, originally uploaded by HÉLIO.
Por que?
- Porque o Caxias é um clube de terceira divisão: a qualidade técnica do plantel que disputou o Gauchão era baixíssima e até fisicamente não tinha condições de bater o TRICOLOR DOS PAMPAS quando jogamos sério;
- Porque o São Paulo tem um técnico (Muricy) que escala mal, substitui mal, recua quando tem que mandar o time pra cima e ataca com tudo quando mais precisa se defender;
- Porque o Defensor era um time que não tem nenhuma qualidade técnica: dependeu única e exclusivamente de sua força física (o único atributo que possuíam a mais do que o GRÊMIO);
- Porque o Santos era um time de um jogador só (Zé Roberto), bem mais marcável do que o Riquelme. O resto do grupo (à exceção do lateral-esquerdo Cleber e do goleiro Fábio Costa) é composto por uma gurizada muito “verde”, sem força mental suficiente para lidar com decisões no formato “mata-mata”. Pra completar, o técnico Vanderley Luxemburgo é arrogante demais.
Para a final, cometi o deslize de acreditar que o Cucuta seria um adversário mais temível, pois empataram conosco aqui no Olímpico e nos ganharam da forma mais humilhante possível na Colômbia, por um 3×1 que deveria ter sido no mínimo 5.
O Cucuta tinha tudo o que o Grêmio mais temia: muita velocidade, força, excelentes lançadores, bons cruzadores, um exímio cobrador de faltas, um goleador nato e um monte de jogadores com coragem de chutar de fora da área.
Até a semifinal entre Boca x Cucuta, eu apenas achava que o Boca era um bom time. Ignorei completamente a possibilidade de Riquelme acordar e chamar toda a responsabilidade para si.
E assim o foi, desde o jogo de volta contra o Libertad, pelas quartas-de-final: na Bombonera, no 1º jogo, os paraguaios arrancaram um empate em 1×1.
O Libertad havia me impressionado bastante no ano anterior, em 2006, quando chegaram até a mesma fase, porém tinham um time um pouco melhor.
Ao saber que o Libertad é o clube do presidente da CONMEBOL (Nicolas Leoz) e que seu forrnecedor é a Nike, logo vi que seria um clube com boas possibilidades de ser favorecido politicamente (leia-se arbitragem arranjada) caso ficasse entre os quatro primeiros.
Em 2006, eles caíram diante do futuro campeão, que foi nosso tradicional adversário, em um jogo de volta na beira do lago Guaíba cujo resultado não mereceu contestações.
Desta vez, os xeneizes amedrontaram os “libertinos”, pois havia cerca de 20 mil torcedores argentinos em pleno Defensores del Chaco, em Asunción, Paraguai.
Riquelme saiu a dribles, passou por três e deu um chute sem a menor chance para o goleiro paraguaio.
Depois, o Cucuta, que havia vencido o Boca por 3×1 na Colômbia, parecia que iria parar o Boca, de campanha tão irregular quanto a do TRICOLOR DOS PAMPAS.
Mais um engano: os colombianos amarelaram para o efeito Bombonera e, por pura falta de experiência, não retiraram o time de campo e não solicitaram ao árbitro recomeçar a partida 24h depois em função da falta de visibilidade gerada pelo nevoeiro.
O Cucuta foi encurralado, Riquelme comeu a bola e Morel Rodriguez bateu até na sombra da mãe dele, impunemente.
De maneira quase selvagem, o Boca conseguira virar o 1×3 para 3×0. Mas precisava de apenas 2×0, pois o gol fora de casa valeu como desempate até as semifinais.
O Boca só classificou-se em segundo no grupo e jogou mal todas as partidas fora de casa na 1ª fase porque o técnico Miguel Russo preferiu enfrentar a altitude de Cuzco (Cienciano/PER), cidade do México (Necaxa/MEX) e La Paz (Bolívar/BOL) com time misto, poupando Riquelme, a jóia da coroa, e o veterano grandalhão Palermo.
Quando quis jogar, o auri-celúreo portenho escalou seus titulares, a Bombonera rugiu abarrotada de bosteros e eles golearam sem fazer força.
O Grêmio, por sua vez, demonstrou muita fraqueza emocional, técnica e tática (sim, Mano Menezes, apesar de ainda ser o único bom técnico viável para o GRÊMIO, errou bastante e errou feio, sim, senhor) em todas as partidas fora de casa.
Um time não ganha somente movido pela emoção. Um time não tem como demonstrar força e capacidade com regularidade quando parece demonstrar mais disposição apenas quando joga diante da sua torcida, na sua casa. É preciso saber impor-se.
Não se perde para um time ruim como o Defensor, nem mesmo fora de casa. Faltou observar como eles jogaram contra o Flamengo. Este, sim, amarelou bonito e não tinha a menor possibilidade de seguir adiante, pois é um time muito pior do que o GRÊMIO. No Brasileirão, o Flamengo só não será rebaixado porque há muitas outras nabas, entre elas três dos quatro times que vieram da Série B: Sport, Náutico e América-RN.
Contra o São Paulo, jogamos bem até sofrermos o gol. E não houve nenhuma marcação especial sobre Dagoberto, o jogador que entrou para desequilibrar a partida. Para a nossa sorte, nem Dagoberto e nem o perigosíssimo Jorge Vagner saíram jogando. Obrigado, Muricy…
O Santos, incrivelmente, respeitou demais o GRÊMIO no Olímpico. Claro, foi nossa melhor partida na competição, sem sobram de dúvida. Muitos méritos para o Mano e para os jogadores, inclusive Tcheco, Patrício e Ramon, que não servem nem para o banco de 80% dos 20 clubes da Série A do Brasileirão 2007.
Na final, não dá pra reclamar da arbitragem em nenhum dos dois jogos, nem querer justificar as derrotas pela expulsão de Sandro Goiano ou pela falta de ritmo de Lucas: Tcheco, Tuta, Schiavi (que, apesar do paparico booquense, demonstrou profissionalismo, seriedade, respeito e interesse pelo clube que ora o contrata e pela nossa torcida), Patrício e Kelly (que não jogou, mas está incluído neste raciocínio) são todos ex-jogadores em atividade.
Quando uma espinha dorsal é baseada em jogadores com mais de 32 anos, que não vieram de grandes clubes, que não estão mais em alta em suas respectivas carreiras e que tiveram sucessivas lesões graves, em sua maioria corrigidas com cirurgias de joelho, estamos diante de uma estrutura hiperfrágil, capaz de desabar a qualquer momento.
Respeito muito os bons serviços prestados por todos esses jogadores (exceto Kelly, que ainda não disse a que veio) enquanto tiveram força física e enquanto ainda conseguiram manter-se concentrados para a violenta carga emocional de uma competição de alto nível.
Todavia, eles devem ser substituídos por jogadores que não precisam ter tanta experiência e não precisam sequer ser craques: basta que tenham vigor físico, muita garra e que possuam fundamentos técnicos básicos: bom passe, bom cruzamento, chute de fora da área e pelo menos um batedor de faltas capaz.
Enfim, nossa demonstração de fé, de fidelidade, de amor, de alegria e de descontração entraram para a história como a maior corrente positiva que este Estado já viu diante do único adversário verdadeiramente bom que poderíamos ter enfrentado neste continente.
Como eu estava cantando emocionado na foto:
“SIRVAM NOSSAS FAÇANHAS DE MODELO A TODA TERRA!” :D
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