RECEITA PARA (RE)MONTAR UM TIME

1) TRABALHE COM 25 JOGADORES: menos do que isso vai estourar física e mentalmente os titulares por falta de revezamento; mais do que isso vai gerar ciumeira, trairagem e corpo-mole;

2) QUEM INVENTA É INVENTOR: quem tem pé direito joga pelo lado direito e quem tem pé esquerdo joga pelo lado esquerdo. Quem é baixinho não pode jogar no miolo de zaga nem ser centroavante de área (estilo pivô). Lateral tem que ser rápido e saber cruzar. Volante tem que saber desarmar e lançar. Meia tem que saber driblar e ter visão de jogo, sem lentidão. Atacante tem que saber chutar , cabecear e ajeitar pra quem vem de trás. Deve haver pelo menos quatro jogadores em um plantel de 25 capazes de chutar de fora da área e pelo menos dois batedores de falta.

A maioria desses fundamentos se treina no dia-a-dia, inclusive no profissional. Quem não sabe fazer nada disso não pode ser jogador em alto nível profissional;

3) Se há jogadores do Sub-17 e do Sub-20 sendo convocados para a Seleção com certa regularidade, é sinal de que eles já devem ter o lado emocional preparado para o profissionalismo. Devem ser promovidos e aproveitados;

4) Não se contrata jogadores com mais de 31 anos que já tenham operado joelho e/ou tornozelo ou que tenham lesões crônicas em tendões e músculos (púbis, panturrilha, posterior da coxa);

5) Prefira sempre jogadores capazes de dominar e passar, dominar e passar: não precisam ser craques nem custar caro – se não sabem driblar, pelo menos sabem cadenciar o jogo e dificilmente entregarão a rapadura no meio-de-campo;

6) Jogadores que vêm das categorias de base e só se profissionalizam no clube porque estouraram o limite de idade costumam ser ruins. Caso contrário, já estariam no time de cima aos 18 ou 19, não aos 20 ou 21 anos.

Com ou sem dinheiro disponível para contratações, se os ítens acima forem seguidos à risca inclusive nas peneiras das categorias de base, oos erros de avaliação serão cada vez menores.

Nesse sentido, o futebol argentino, tão detonado internamente quanto o brasileiro, é bem mais evoluído, pois a paridade lá é nivelada, sim. Porém, não tão por baixo quanto deste lado do Rio Uruguai.

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GRÊMIO: QUEM DEVE IR? QUEM DEVE FICAR?

Neste momento de juntar os cacos (nada a ver com reunir meu amigo Caco Vaccaro, o Caco “Graxa” amigo do 25, o Caco da FABICO e o meu irmão Ricardo), O Felipe da comunidade do GRÊMIO no Orkut postou uma enquete sobre quem deve ser “mandado embora” do Olímpico.

A enquete, de múltipla resposta, conta com apenas seis jogadores do plantel TRICOLOR.

Votei em Patrício, Schiavi, Amoroso e Tuta. Considero Bruno Telles um jogador de futuro e Sandro Goiano ainda é muito útil.

Busquei no site oficial um plantel profissional repleto de jogadores que não têm as menores condições de vestirem a camiseta do GRÊMIO nem mesmo no banco e diversos erros de avaliação em relação a uma gurizada que poderia estar sendo melhor aproveitada. Por mim, dispensaria muito mais do que a lista do Felipe. E também daria oportunidade para quem está esquecido.

GOLEIROS: Cássio titular, Galatto reserva imediato e Marcelo Grohe 3º goleiro.

SAJA DISPENSADO: bom pegador de pênalti, tem nome, mas não sabe sair do gol e temos um goleiro de Seleção no grupo.

ALAS E LATERAIS: pela esquerda, Lúcio e Bruno Telles ficam.

PATRÍCIO E JUCEMAR DISPENSADOS: fraquíssimos técnica, tática e fisicamente.

PROMOÇÃO DE FELIPE E ANDERSON PICO: Felipe pra titular (muito bom) e Anderson Pico joga nas duas.

ZAGUEIROS: William e Teco titulares, Pereira reserva.

TECO LESIONADO: precisamos contratar um zagueiro com o pé esquerdo URGENTEMENTE.

SCHIAVI E THIEGO DISPENSADOS: Schiavi é lento e só sabe jogar pelo lado direito. Quando isso ocorre, William é deslocado para a esquerda e, apesar de ser bom, só joga bem pela direita. Na esquerda, leva muitas bolas no contra-pé e compromete todo o sistema defensivo. O menino Thiego já teve diversas oportunidades e mostrou-se instável demais.

CENTROMÉDIOS: Gavillán titularíssimo, Sandro Goiano como um bom reserva.

ITAQUI, EDMILSON E NUNES DISPENSADOS: péssimos jogadores – tecnicamente falando.

MEIO-CAMPISTAS: Diego Souza e Carlos Eduardo titularíssimos; Adilson, muito promissor, fica no mínimo como opção freqüente no banco.

KELLY, TCHECO, RAMON E WILLIAM ANTUNES DISPENSADOS: nada de ex-jogador em atividade, de esforçado sem técnica e de ex-jogadores “bichados” ainda em atividade.

ATACANTES: Everton titular, Aloísio e Douglas no banco.

AMOROSO E TUTA DISPENSADOS: ex-jogadores em atividade.

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ASSALTO NA NILO C/REGENTE

Agora, são 19:54h. Há menos de uma hora e meia atrás, estava descendo do T11 no viaduto da Carlos Gomes sobre a Nilo, para caminhar pouco mais de duas quadras até o prédio onde moro, na Nilo Peçanha.Um guri de menos de 20 anos (creio) grande e gordo, de boné, branco, com uma conversa meio abobada, surgiu do nada e ficou insistindo no papo.Quando chegamos ao prédio ao lado do meu, apareceu um baixinho branco, também de bermuda, camiseta e boné, dizendo que era um assalto e que ele estava armado e ia me queimar se eu não obedecesse.Ele não parecia estar armado, parecia ser apenas a pequena mão dele dentro das calças. Não apontou nada para mim e nenhum deles fez, em nenhum instante, cara feia. Não demonstraram nem a frieza de um profissional, nem o medo de um principiante. Pelo sim, pelo não, não reagi.Eles estavam indecisos: o baixinho me pediu o celular, mas eu disse que não tinha, que estava vindo da aula. O grande pediu a carteira e o pequeno queria o relógio. Eu disse que meu relógio não valia nem 10 pilas e o grande tirou meu dinheiro (felizmente, era pouco – mais ou menos R$22,00) e devolveu a carteira.O nanico ainda ficou insistindo no relógio. Mas o grande falou: “deixa assim, ele é chinelão”. Os dois saíram correndo e entraram na Rua Regente, a dois prédios do meu.Não me amedrontei em nenhum momento. No entanto, me senti o mais otário dos otários. Se nenhum deles ameaçou me bater em nenhum momento; não me olharam feio; não estavam muito assustados; não demostraram frieza absoluta; estavam limpos e bem arrumados e não me apontaram arma nenhuma… Logo, não estavam armados.Mesmo que tivesse roubado as roupas de algum guri de colégio particular, como as roupas deles não eram de grife, acho que não era o caso.Suspeito de que já fizeram isso outrar vezes, mas que não andam armados e não são tão pobres assim. Também não têm o menor jeito de drogados ou de atravessadores de objetos (tênis, camisetas, relógios, celulares).Eles sequer tocaram em mim. Estranhei muito não terem forçado pra eu entregar o celular. Não quiseram nem mexer na minha bolsa com os cadernos do mestrado. Pelo sim, pelo não, melhor não arriscar.Com essa, nos meus 34 anos de idade, foi o segundo assalto que sofri, além de uma tentativa.Cronologia:- Feriado de Navegantes de 1989: três negrinhos verdadeiramente pobres roubaram o dinheiro da minha carteira em uma galeria na 24 de Outubro perto da igreja Auxiliadora. Não me bateram, apesar da ameaça ter sido mais veemente do que a de hoje e de eu ter ficado assustado;- Março ou abril de 1991: estava saindo da casa da tia de um amigo meu na rua Auxiliadora para ir a uma festa na Crocodillu’s. Um piá apavorado, sujo e armado em uma rua escura me pediu a carteira. Estava no bolso de trás, com um botão. Quando fui abri-lo, ele se assustou e morri de medo que ele achasse que eu ia pegar uma arma e me apagasse ali mesmo. Dei a carteira, só que ele se assustou mais ainda com a família que estava saindo de uma casa ali perto. Ele saiu sem nos roubar, mas deu uma coronhada no meu amigo e um soco na minha cara antes de sair correndo.
Repito: desta vez, me senti um otário. Mas antes um otário inteiro, saudável e vivo do que um “esperto” ou um “destemido” morto.Embora eu não tenha sido alerta o suficiente para perceber a intenção do “elemento” e de eu não ter observado o ambiente antes, a Nilo Peçanha é um breu de tão escura e não há policiamento.Prefeitura e CEEE são os culpados pela iluminação pública e o Governo do Estado é o culpado pela falta de patrulha da Brigada Militar.Além disso, o PT também não se preocupou com isso.Tudo porque, independentemente da ideologia vigente, a sociedade de consumo trata o carro como uma noiva mecânica, como um casulo, como um símbolo de status individualista.Atravessar a rua nesta avenida é um parto, pois é raro algum motorista parar para o pedestre atravessar na faixa ou em uma esquina.O fluxo é todo para os carros. O pedestre é uma coisa – um excluído.Na Nilo Peçanha, os condomínios são gradeados e os carros são estacionados no subsolo. Tudo muito individualista, impessoal, egoísta, medroso, escondido, asséptico, sem intimidade nem camaradagem.As únicas preocupações que umas pessoas têm com as outras ou com seu próprio bairro são boçais ou pequeno-burguesas.As cidades foram todas modificadas em função dos carros. O carro ainda é o principal objeto de desejo e de consumo urbano. E ele gera toda uma gama de produtos, movimentando todos os setores da economia.Mas, ao contrário do que a visão desenvolvimentista e progressista do capitalismo de consumo costuma pregar, isso é atraso. 

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[CTL] VALEU, GRÊMIO!!!

20/06/07 21:27:21, originally uploaded by HÉLIO.

A tarefa era das mais difíceis. Eu, quando estava 2×0 para o Boca na Bombonera, já estava quase jogando a toalha, pois sabia muito bem que reverter uma derrota de 1×0 para os xeneizes seria muito pior do que virar contra Caxias, São Paulo, Defensor e Santos.

Por que?

- Porque o Caxias é um clube de terceira divisão: a qualidade técnica do plantel que disputou o Gauchão era baixíssima e até fisicamente não tinha condições de bater o TRICOLOR DOS PAMPAS quando jogamos sério;

- Porque o São Paulo tem um técnico (Muricy) que escala mal, substitui mal, recua quando tem que mandar o time pra cima e ataca com tudo quando mais precisa se defender;

- Porque o Defensor era um time que não tem nenhuma qualidade técnica: dependeu única e exclusivamente de sua força física (o único atributo que possuíam a mais do que o GRÊMIO);

- Porque o Santos era um time de um jogador só (Zé Roberto), bem mais marcável do que o Riquelme. O resto do grupo (à exceção do lateral-esquerdo Cleber e do goleiro Fábio Costa) é composto por uma gurizada muito “verde”, sem força mental suficiente para lidar com decisões no formato “mata-mata”. Pra completar, o técnico Vanderley Luxemburgo é arrogante demais.

Para a final, cometi o deslize de acreditar que o Cucuta seria um adversário mais temível, pois empataram conosco aqui no Olímpico e nos ganharam da forma mais humilhante possível na Colômbia, por um 3×1 que deveria ter sido no mínimo 5.

O Cucuta tinha tudo o que o Grêmio mais temia: muita velocidade, força, excelentes lançadores, bons cruzadores, um exímio cobrador de faltas, um goleador nato e um monte de jogadores com coragem de chutar de fora da área.

Até a semifinal entre Boca x Cucuta, eu apenas achava que o Boca era um bom time. Ignorei completamente a possibilidade de Riquelme acordar e chamar toda a responsabilidade para si.

E assim o foi, desde o jogo de volta contra o Libertad, pelas quartas-de-final: na Bombonera, no 1º jogo, os paraguaios arrancaram um empate em 1×1.

O Libertad havia me impressionado bastante no ano anterior, em 2006, quando chegaram até a mesma fase, porém tinham um time um pouco melhor.

Ao saber que o Libertad é o clube do presidente da CONMEBOL (Nicolas Leoz) e que seu forrnecedor é a Nike, logo vi que seria um clube com boas possibilidades de ser favorecido politicamente (leia-se arbitragem arranjada) caso ficasse entre os quatro primeiros.

Em 2006, eles caíram diante do futuro campeão, que foi nosso tradicional adversário, em um jogo de volta na beira do lago Guaíba cujo resultado não mereceu contestações.

Desta vez, os xeneizes amedrontaram os “libertinos”, pois havia cerca de 20 mil torcedores argentinos em pleno Defensores del Chaco, em Asunción, Paraguai.

Riquelme saiu a dribles, passou por três e deu um chute sem a menor chance para o goleiro paraguaio.

Depois, o Cucuta, que havia vencido o Boca por 3×1 na Colômbia, parecia que iria parar o Boca, de campanha tão irregular quanto a do TRICOLOR DOS PAMPAS.

Mais um engano: os colombianos amarelaram para o efeito Bombonera e, por pura falta de experiência, não retiraram o time de campo e não solicitaram ao árbitro recomeçar a partida 24h depois em função da falta de visibilidade gerada pelo nevoeiro.

O Cucuta foi encurralado, Riquelme comeu a bola e Morel Rodriguez bateu até na sombra da mãe dele, impunemente.

De maneira quase selvagem, o Boca conseguira virar o 1×3 para 3×0. Mas precisava de apenas 2×0, pois o gol fora de casa valeu como desempate até as semifinais.

O Boca só classificou-se em segundo no grupo e jogou mal todas as partidas fora de casa na 1ª fase porque o técnico Miguel Russo preferiu enfrentar a altitude de Cuzco (Cienciano/PER), cidade do México (Necaxa/MEX) e La Paz (Bolívar/BOL) com time misto, poupando Riquelme, a jóia da coroa, e o veterano grandalhão Palermo.

Quando quis jogar, o auri-celúreo portenho escalou seus titulares, a Bombonera rugiu abarrotada de bosteros e eles golearam sem fazer força.

O Grêmio, por sua vez, demonstrou muita fraqueza emocional, técnica e tática (sim, Mano Menezes, apesar de ainda ser o único bom técnico viável para o GRÊMIO, errou bastante e errou feio, sim, senhor) em todas as partidas fora de casa.

Um time não ganha somente movido pela emoção. Um time não tem como demonstrar força e capacidade com regularidade quando parece demonstrar mais disposição apenas quando joga diante da sua torcida, na sua casa. É preciso saber impor-se.

Não se perde para um time ruim como o Defensor, nem mesmo fora de casa. Faltou observar como eles jogaram contra o Flamengo. Este, sim, amarelou bonito e não tinha a menor possibilidade de seguir adiante, pois é um time muito pior do que o GRÊMIO. No Brasileirão, o Flamengo só não será rebaixado porque há muitas outras nabas, entre elas três dos quatro times que vieram da Série B: Sport, Náutico e América-RN.

Contra o São Paulo, jogamos bem até sofrermos o gol. E não houve nenhuma marcação especial sobre Dagoberto, o jogador que entrou para desequilibrar a partida. Para a nossa sorte, nem Dagoberto e nem o perigosíssimo Jorge Vagner saíram jogando. Obrigado, Muricy…

O Santos, incrivelmente, respeitou demais o GRÊMIO no Olímpico. Claro, foi nossa melhor partida na competição, sem sobram de dúvida. Muitos méritos para o Mano e para os jogadores, inclusive Tcheco, Patrício e Ramon, que não servem nem para o banco de 80% dos 20 clubes da Série A do Brasileirão 2007.

Na final, não dá pra reclamar da arbitragem em nenhum dos dois jogos, nem querer justificar as derrotas pela expulsão de Sandro Goiano ou pela falta de ritmo de Lucas: Tcheco, Tuta, Schiavi (que, apesar do paparico booquense, demonstrou profissionalismo, seriedade, respeito e interesse pelo clube que ora o contrata e pela nossa torcida), Patrício e Kelly (que não jogou, mas está incluído neste raciocínio) são todos ex-jogadores em atividade.

Quando uma espinha dorsal é baseada em jogadores com mais de 32 anos, que não vieram de grandes clubes, que não estão mais em alta em suas respectivas carreiras e que tiveram sucessivas lesões graves, em sua maioria corrigidas com cirurgias de joelho, estamos diante de uma estrutura hiperfrágil, capaz de desabar a qualquer momento.

Respeito muito os bons serviços prestados por todos esses jogadores (exceto Kelly, que ainda não disse a que veio) enquanto tiveram força física e enquanto ainda conseguiram manter-se concentrados para a violenta carga emocional de uma competição de alto nível.

Todavia, eles devem ser substituídos por jogadores que não precisam ter tanta experiência e não precisam sequer ser craques: basta que tenham vigor físico, muita garra e que possuam fundamentos técnicos básicos: bom passe, bom cruzamento, chute de fora da área e pelo menos um batedor de faltas capaz.

Enfim, nossa demonstração de fé, de fidelidade, de amor, de alegria e de descontração entraram para a história como a maior corrente positiva que este Estado já viu diante do único adversário verdadeiramente bom que poderíamos ter enfrentado neste continente.

Como eu estava cantando emocionado na foto:

“SIRVAM NOSSAS FAÇANHAS DE MODELO A TODA TERRA!” :D

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