O GOLPE CONTRA LULA ESTÁ EM CURSO

Mais um belo artigo do (esse, sim, merece ser chamado de) jornalista Laerte Braga, demonstrando como a mídia perdigueira bate e assopra não necessariamente nesta ordem, tergiversando em relação ao seu verdadeiro interesse, com o objetivo decisivo de confundir o receptor.



“CHEIRO DE GOLPE? NÃO. GOLPE EM CURSO


Laerte Braga

A revista VEJA se antecipa a tudo e todos e afirma na edição desta semana
que a culpa pelo acidente com o AIRBUS da TAM foi do piloto. Dá explicações
técnicas, decifra a caixa preta e afirma que o co-piloto é quem estava no
comando quando do pouso.

Desqualifica o co-piloto, segundo a revista foi demitido da GOL depois de
três meses e admitido na TAM em seguida. Diminui a importância do defeito no
reversor. Mas é possível observar, a própria revista ilustra com outros dois
acidentes semelhantes, nas Filipinas e em Taipe, as dificuldades comuns a
pousos com o reversor nas condições em que se achava o do avião da TAM.

Livra a cara da empresa, afirma que os danos seriam menores se a pista de
Congonhas fosse maior. Não explica que os pousos em Congonhas aumentaram de
forma assustadora com o espantoso crescimento do tráfego aéreo e a imposição
das empresas em continuar pousando ali por conveniência dos “negócios”.

O deputado José Bonifácio era primeiro secretário da Câmara nos idos de 64 e
resolve candidatar-se a presidente da Casa. Lança-se junto a companheiros
deputados, comunica sua candidatura ao ditador de plantão (é aceito) e vai
para a imprensa defendendo a “moralização da Casa”.

Dolores era dona de um dos mais famosos bordéis, ou casa de tolerância, do
Rio de Janeiro na década de 60. Ficava na rua Constante Ramos. Conhecia mais
segredos da República que qualquer um. Havia sido amante de um presidente da
República.

Ao ler a entrevista do deputado José Bonifácio chama-o e diz o seguinte,
profunda conhecedora dos fundos e meandros da política nacional: “Zezinho!
Pára com esse negócio de fazer discurso dizendo que vai moralizar a Câmara
que você perde a eleição. Que deputado vai votar em você com essa
plataforma?”.

Zezinho entendeu o recado e mudou a plataforma. Foi eleito.

Zezinho é aquele que um dia alguém chamou e lhe disse: “seja menos Zezinho e
mais Andrada”. Não conseguiu em tempo algum. Nem ele e nem seus sucessores
(estão por todos os lados, autênticos sanguessugas da República). Zezinho é
o pai do deputado federal Bonifácio José e tio do deputado estadual Lafaiete
Andrade. Pai de um conselheiro do Tribunal de Contas de Minas. Tio de um…
Primo de outro. Cunhado daquele. Vai por aí afora.

O ministro da Defesa Nelson Jobim cismou de ser candidato a presidente da
Câmara com o mesmo discurso “moralizador”. Uma tarde, no aeroporto Galeão,
depois de fazer o check in e estar pronto para o embarque na primeira
classe, foi chamado a um canto por um sobrevivente lúcido dos tempos de
Zezinho que lhe contou a história de Dolores. Não entendeu, não gostou e não
foi nem candidato a presidente da Câmara.

No fundo a questão era só de plataforma. O discurso que se faz para fora,
contrário ao que se faz para dentro. Mas…

Os Democratas (ex PFL), partido oriundo da ditadura militar, descendente
natural da ARENA, empresários paulistas, publicitários tucanos de São Paulo,
grande mídia nacional iniciam no dia 4 de agosto o movimento “Cansei”.
Segundo eles o cansaço é da corrupção. O velho discurso udenista de Zezinho
Bonifácio.

Querem sangrar Lula, encurralar o governo Lula e chegarem ao golpe. Na pior
das hipóteses, zerarem a influência de Lula nas eleições de 2010. O
governador Serra, erra, erra, como já falam os paulistas, apóia o movimento.
Ora por baixo dos panos, ora por cima dos panos.

Isso é golpe de estado. Lula foi eleito e reeleito presidente pela vontade
popular. Sobreviveu a armação da REDE GLOBO no caso do dossiê. O único
dossiê envolve, como mostra a Polícia Federal, o senador tucano Eduardo
Azeredo, especialista em caixa dois e mais nada.

O que temem os Democratas? O que temem os empresários paulistas? O que teme
a grande mídia?

Por detrás de tudo isso o interesse do capital estrangeiro num momento que a
economia norte-americana/texana entra em crise nos desvarios do presidente
terrorista George Bush, com reflexos, lógico, negativos em todo o mundo
globalizado segundo a ótica e os interesses do Texas.

A soma dos medos que o Brasil venha a caminhar por suas próprias pernas,
malgrados os erros do governo Lula, as vacilações e as besteiras de
ministros como Marta Suplicy.

O atual presidente, independente de qualquer análise de mérito de seu
governo no todo, já que há avanços significativos do ponto de vista do
modelo (a bolsa escola alimenta famintos, por si só é um ganho e os caras
não se conformam com isso, querem a grana para eles), herdou um País
quebrado, falido e privatizado nos oito anos de corrupção tucana. FHC.

O acidente com o avião da TAM expõe uma das armações do governo FHC. As
agências controladoras. Um integrante da ANAC (Agência Nacional de Aviação
Civil) pode passear de graça em aviões da TAM que não acontece nada e o
presidente da República, no pulo do gato de FHC, não pode demitir o cara. O
ex-genro de FHC foi o último presidente da VARIG, o que negociou o “negócio”
com a GOL.

O Estado brasileiro está privatizado. Os controladores não estão nos
aeroportos. Estão nos bancos, na FIESP (Federação das Indústrias de São
Paulo), nas agências de publicidade que veiculam as “verdades” dos donos e
na grande mídia que entra na cada de um como se fosse um deus no qual está
toda a salvação sem outra alternativa.

Quando o jornalista Paulo Francis morreu a GLOBO se viu em palpos de aranha.
É que Francis, independente de posições políticas, era um homem de rara
inteligência, culto, refinado e acreditado pelo grande público desde que
apareceu no JORNAL NACIONAL.

Inventaram Arnaldo Jabor no pressuposto que poderia ser o mesmo. Não tem
como. Inteligência? Onde? Cultura? Onde? Refinamento? Onde?

Numa das edições jornalísticas da GLOBO o dito cujo mandou que o presidente
da República enfiasse o pepino naquele lugar. Tudo sob o riso cínico de
William Waack. Foi em seis de julho de 2007, no JORNAL DA GLOBO.

E aí? Que espécie de jornalismo é esse?

Em 4 de agosto começam a mostrar-se “cansados”. Cansados estão os
brasileiros que reelegeram Lula e querem seu voto respeitado e nem querem
ouvir falar em ditadura, onde esses mesmos senhores, ou seus pais, caso dos
Andradas, eram cúmplices da tortura, dos assassinatos de adversários
políticos, da censura à imprensa e corruptos tanto quanto qualquer corrupto
hoje. Ou alguém acha que naquela época a turma era “santa”?

Como encaçapavam bolas. E que bolas. Quantos escândalos a própria GLOBO,
quando ficou contra (sempre por interesse) mostrou muitos.

O que há não é cheiro de golpe. É um golpe em curso.

É preciso sair às ruas para defender o voto popular, antes que comecem a
decidir pela gente sem procuração, sem voto e de forma indireta, como
faziam. Ou com biônicos, como os caras da ANAC. Podem pegar propinas (as
viagens a passeio nos aviões da TAM são uma forma de propina), mas não podem
ser demitidos pelo presidente.

Coisas que o governo dos tucanos e dos democratas montaram com FHC com a
batuta de maestro de uma orquestra entreguista, corrupta e deixou o Brasil e
os brasileiros às moscas.

Não se trata só de Lula. Passível de muitas críticas. Trata-se de rejeitar a
ditadura dos senhores barões da indústria, do mercado financeiro e do
latifúndio. A ditadura que é imposta pela mídia e representa esses
interesses. Que faz do ser humano mera mercadoria.

Golpe não. É hora de luta e resistência, ou essa gente enche as prisões de
brasileiros e tira dos porões as câmaras de tortura.”

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