A REVOLUÇÃO SÓ TERÁ SUCESSO SE FOR EFETUADA EM REDE

Estou extremamente emocionado e muito, muito triste pelos acontecimentos ocorridos ontem, citados pelo Marco Weissheimer no RS URGENTE e pelo Cristóvão Feil no DIÁRIO GAUCHE sobre o assassinato, os baleados e os agredidos da Via Campesina. Leões de chácara, muito provavelmente contratados pela Syngenta e pelos latifundiários, foram brutais.

A mídia corporativa gaúcha, disparado a pior do Brasil, certamente irá utilizar argumentos baseados na “Tradição, Família e Propriedade” para justificar a ação e convencer a maior parte da sua audiência de que a intenção da multinacional e dos reacionários concentradores de riqueza era a melhor possível.

Já tentei falar com jeito diversas vezes. Agora, serei mais duro: invadir é burrice. Peitar jagunços é suicídio. Movimentos sociais precisam obedecer a lei e ser regulamentados. Atuar na clandestinidade é dar a cara a tapa gratuitamente.

Sim, sabemos que trata-se de grupos cujas demandas sociais dificilmente costumam ser atendidas pelos políticos. Sim, sabemos todos que existe carência de recursos, baixa escolaridade e um profundo desespero em função da horrorosa distribuição de renda brasileira. E estamos carecas de saber que é fundamental haver organização e procurar pressionar a sociedade.

Todavia, não há chance de sucesso se houver interrupção dos fluxos de pessoas e de veículos e desrespeito à propriedade privada. São terras improdutivas? Não geram emprego nem renda? Seu dono é estrangeiro ou é um “laranja”? Claro, todos esses são problemas que legitimariam invasões e assentamentos. Que incentivam a destruição de mudas de eucaliptos e pinus. Que provocam a necessária destruição de sementes transgênicas.

Mas não dá mais pra fazer assim. Mesmo que não haja intenção belicista ou revanchista por parte dos movimentos sociais, infelizmente, a razão precisa ser jurídica e legal, não apenas social ou moral. Afinal de contas, as leis não defendem nem atacam o que seria o justo. Legal e justo são coisas completamente diferentes.

A todos aqueles que dispõem de conhecimento técnico, conclamo que ensinem os componentes dos movimentos sociais como funcionam as leis no Brasil. Como se formou, sociológica e historicamente, a concentração de renda nas mãos de poucos no Brasil. Como trabalha a mídia corporativa no Brasil.

E, acima de tudo, que as manifestações precisam deixar carros, pessoas e trabalhadores movimentarem-se livremente; que a legitimidade da luta cresce à medida que ela se desvincula de partidos políticos e que não brada palavras de ordem ofendendo pessoas e instituições; que seu discurso não pode ser baseado no conflito entre classes mas, ao contrário, que não são contra ninguém, mas a favor deles mesmos, que pretendem agir de maneira solidária mas, infelizmente, são prejudicados por outros e precisam de uma solução para esse impasse. E que o que é bom para eles é bom para a maioria, ao contrário do procedimento de seus detratores.

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