MIDIATIZAÇÃO, MOVIMENTOS SOCIAIS, PÓS-MODERNIDADE E DEMOCRATIZAÇÃO: O PAPEL DA NOVA ESQUERDA

A mídia como um todo não manda nada. A mídia como um todo não tem um poder maquavélico, alquímico, lobotomizante ou hipnotizante de dominar, manipular, e nem tampouco de persuadir a todos do jeito que quiser.

Parece contraditório? Parece uma defesa da mídia? Não! De forma alguma: apenas sabe-se hoje com toda a certeza de que o receptor, por menos escolaridade que possua e por mais distante da vida urbana que esteja, ESTÁ LONGE DE SER UM ATOR PASSIVO. Afinal de contas, cada indivíduo, independentemente dos grupos sociais aos quais pertença e que necessariamente moldam e são moldados pela sua personalidade e são determinantes e determinados pela sua visão de mundo, age e pensa de acordo com seus próprios interesses.

Mesmo quando se manifesta a fim de ver suas demandas coletivas supridas, pensa, antes de tudo, individualmente. Afinal de contas, é preciso ter orgulho, satisfação e receber alguma vantagem para motivar-se a atuar socialmente. A vantagem, diga-se de passagem, não precisa ser financeira nem de atribuição de poder: basta que seja capaz de elevar a sua auto-estima ou de dar-lhe o prazer de sentir-se útil e reconhecido por causa disso.

O que a mídia corporativa tem é a autonomia de exercer de modo vicário sua principal função: ir até o centro de cada um dos demais campos sociais (jurídico, médico, religioso, político, científico) para traduzir a linguagem meramente compreensível apenas entre os pares dentro de cada um desses campos para traduzi-la em uma linguagem simples, coloquial, utilizando-se de uma gramática audiovisual peculiar, com o objetivo de tornar a produção, a atividade, os  objetivos e as demandas dos demais campos sociais conhecida para toda a sociedade laica.

A mídia corporativa está longe de ser o tal “quarto poder” que muitos atribuíam a ela: afinal de contas, possui brechas, furos e lacunas bastante significativas dentro do seu próprio ambiente interno de produção, perceptíveis até de maneira gritante quando se observa com atenção não as palavras ditas ou escritas, as caras e bocas feitas, a entonação da locução, o ritmo da edição de imagens ou o ângulo que é mostrado pelas câmerasa diferença entre o que diz a manchete e o conteúdo da matéria mas, sim, quando se observa O QUE NÃO FOI DITO.

Toda a informação por detrás das câmeras, dos microfones e dos teclados possui significados muito importantes: o que está PARCIALMENTE escondido; o que aparece de maneira opaca e desfocada possui, mesmo que adormecido ou latente dentro de si,   o poder de desmistificar e de alterar toda a lógica de produção midiática, oferecendo uma fagulha capaz de alterar a sua estrutura de funcionamento mas, principalmente, o direcionamento da sua agenda discursiva.

Portanto, a mídia corporativa é um ator industrial repleto de contradições que podem ser exploradas, tornando explícitas as suas inúmeras fragilidades.

A estrutura macroeconômica que sustenta a mídia corporativa é formada pelos mantenedores do sistema capitalista industrial taylorista-fordista atravessado pela lógica neoliberal e, mais recentemente, pelas formas de trocas de informações e de bens simbólicos e não físicos. São três formas de capitalismo concorrencial, individualista e competitivo que se misturam e correm em paralelo.

A mídia corporativa não sobrevive sem audiência. A baixa qualidade intelectual e o fraco papel social da maior parte da programação da TV aberta tende a ser assim mesmo enquanto as notícias forem confundidas com o espetáculo e o espetáculo for misturado com a notícia (v. Guy Debord, A Sociedade do Espetáculo). Segundo essa forma de viabilidade financeira, o que importa e o que vale não é a programação em si mas, sobretudo, os intervalos comerciais e o merchandising divulgado dentro do espaço do próprio programa. Logo, a maioria dos programas da TV aberta não passa de uma mera justificativa para atrair anunciantes. O poder da técnica serve tão-somente para despertar atenção, desejo, interesse e gerar ação por parte dos consumidores – a tradicional técnica publicitária conhecida como “fórmula AIDA” é, desde que notícia deixou de ser informação e desde que o espetáculo deixou de ser um mero espetáculo, uma reles mercadoria. Dessa forma, o jornalismo corporativo é puramente comercial.

Logo, ao invés de uma informação capaz de gerar o novo, de questionar, de ajudar a fazer a diferença na sociedade, é quase inexistente na TV aberta, nas rádios AM e nos jornais dos grandes conglomerados midiáticos. Afinal de contas, nem os seus patrocinadores (bancos, agronegócio, multinacionais, grandes empresas da nova economia de fluxo digital) e, menos ainda, seu próprio discurso, pode ser contradito ou questionado. Do contrário, os patrocinadores vão-se embora e a sua credibilidade escorre ralo abaixo.

A mídia corporativa é, mais do que qualquer outra coisa, uma indústria que depende severamente de seus financiadores. Há uma classe empresarial oligárquica e hegemônica disposta a tudo para não largar o osso. No momento em que suas práticas forem denunciadas em um amplo espectro, suas idiossincrasias irão alcançar a todos os rincões do país e a máscara finalmente irá cair. Repito: não é preciso ser branco, alto, poliglota nem ter pós-graduação para perceber que há algo de podre no Reino da Dinamarca… Desde que se saiba aonde fica esse reino, quem é o seu rei, quem são os seus ministros e a história do reino.

O problema maior está em quem ainda não se deu conta disso e se considera tanto súdito quanto herdeiro ao trono e faz parte de uma massa ou de oportunistas pouco espertos, ou de inocentes úteis.

A microestrutura financeira, comercial, produtiva, negocial e social que compõe a mídia corporativa nada mais é do que um componente da macroestrutura de manutenção do status quo. Os verdadeiros donos do poder são aqueles que conseguem fazer a mídia divulgar a sua agenda de valores morais, com o objetivo (nem sempre cumprido, pois, como já dissemos, a mídia de massa é extremamente falível) de ver suas demandas serem aceitas pela maioria.

Logo, a luta fundamental da pós-modernidade não implica mais em correr o risco de perder a vida e nem tampouco de torrar uma gigantesca quantidade de energia na direção errada, isto é, rumo a não apenas ver as demandas sociais deixarem de ser cumpridas como de vê-las serem sepultadas.

Alguém já parou para perceber por que a classe média odeia manifestações com faixas, cartazes e megafones?! Por que o MST não consegue o que quer? Porque os professores não conseguem o que precisam? Por que os operários também não conseguem? Da mesma forma, ninguém entendeu por que nos raros espaços da mídia onde já houve programação operária ou classista criada pelas minorias para os seus próprios pares nunca funcionou?!

Em primeiro lugar, vivemos em uma sociedade de fluxos, onde a informação possui mais valor de mercado do que um bem industrializado: é a era dos bens simbólicos, que transformou a mídia nascida no século XX e transformada no século XXI através da internet em um eco global, de alcance ubíqüo e onipresente.

O dinheiro é eletrônico e é imediatamente transferido de Porto Alegre a Tóquio com o simples digitar da tecla enter; a informação na internet está em um lugar e está em todos os lugares ao mesmo tempo; a ruua deixou de ser um lugar de convívio, de troca, de afeto e de debate político para ser um mero espaço do fluxo e de rápida contemplação, pois a paisagem urbana privilegia o tráfego de automóveis, que não pode parar nunca, em detrimento das pessoas. O fetiche da máquina (o automóvel) faz com que muitos a percebam como uma prótese, como uma extensão de seu próprio corpo. A violência urbana faz do veículo motorizado um casulo, uma carapaça, de onde seus felizes proprietários sentem-se protegidos e isolados da miséria e da violência.

As festas da adolescência refletem o momento atual através das relações meramente teatrais de sedução instantânea e efêmeras, raramente voltadas a algum desdobramento emocional ou social contínuo. Vive-se o aqui e o agora do presenteísmo: como pensar no futuro se, devido à incerteza em relação à profissão que o jovem deverá seguir, à dificuldade de sonhar e ao baque que leva ao perceber a abissal dificuldade em ter 5% desses sonhos realizados, está cercado por todos, comunica-se com todos, sabe de tudo um pouco (mas não domina quase nada) ao passo que, na verdade, vive um profundo vazio na mais absoluta solidão?

O fluxo do trânsito, a competitividade, o stress, o desemprego, a violência, a fome, a doença, a saturação de notícias e a enorme dificuldade de conviver mais vezes e com mais tempo com as pessoas que se gosta contribuiu para a MIDIATIZAÇÃO da sociedade.

Isso significa que toda a sociedade atual é atravessada pela mídia. Seja ela corporativa ou alternativa; gere ela diferença ou não; seja no meio urbano ou rural, não importa: nós fazemos e somos feitos pela mídia. Nós criamos e somos criados pela mídia. Nós determinamos e somos determinados pela mídia.

Ora, como o espaço político da rua e da praça não é mais o espaço político, como o homem é um ser político e a política jamais irá deixar de existir em nenhuma instância da vida, nossas demandas, nossas agendas e nossas pautas também são as pautas da mídia. E nossas discussões não mais travadas com complexidade nem com conhecimento de causa suficiente no ambiente público presencial são agora travadas com maior profundidade através da internet e em diversos relances editados com o intuito de manter o status quo de seus patrocinadores na tela da TV.

A TV está nos quartos, nos bares, nos carros. Sofremos milhares de impactos publicitários e lemos, mesmo sem perceber, centenas de manchetes por dia. Todos, sem exceção, temos uma opinião formada (e deformada) através da superficialidade e da parcialidade excessiva com a qual a mercadoria chamada notícia nos é ofertada.

No mundo inteiro, em qualquer idioma e em qualquer classe social, a média da população lê cada vez menos livros, brinca cada vez menos na rua e sente-se capaz de dissertar professoral e doutamente sobre qualquer assunto, sem o necessário embate entre visões antagônicas. Ao contrário do que se imaginava, a mídia corporativa não possui o poder de alienar ou de persuadir. A verdadeira questão é a seguinte:

- COMO CAPTAR, MULTIPLICAR E MANTER RECURSOS CAPAZES DE MANTER NO AR UMA ESTRUTURA MIDIÁTICA ALTERNATIVA, SEJA ELA MASSIVA OU SEGMENTADA PARA CENTENAS DE PEQUENOS GRUPOS SOCIAIS DE NATUREZA DIFERENTE?

A discussão sobre a validade das concessões do espectro eletromagnético é muito menor do que a discussão sobre como fazer funcionar e manter viva e crescente uma estrutura paralela. Se tentarem frear a mídia corporativa já estabelecida, ela receberá cada vez mais recursos de seus mantenedores e mudará de discurso para algo mais contundente e messiânico do que aquilo que temos hoje disponível.

Não é fechando a Globo, a RBS, os grupos Folha e Estado, a Band, o SBT, a Record e todos os seus milhares e milhares de afiliados que irá se resolver, através da censura ou do freio de mão puxado, o problema da desinformação e da visão hegemônica não-voltada para o social.

A discussão do FNDC é contraproducente na medida em que, ao invés de agir diretamente sobre o que fazer com o espectro eletromagnético quando ele ficar livre da mídia corporativa assim que o período de transição da TV analógica para a TV digital estiver terminado. Com a tecnologia disponível para a TV digital, pode-se tudo, sem restrições. Não existe tecnologia nem investimento errado feitos pelo Governo Federal. Não é a escolha do padrão de codificação, decodificação, compressão ou de transporte do sinal que define se é mais caro ou mais barato, nem tampouco se a informação vai ser mais ou menos plural: a questão da democratização é tão-somente JURÍDICA e não técnica. O debate deve ser, portanto, político e politizado exclusivamente no que tange às restrições impostas pela lei. Deve-se lutar para alterar a lei, de forma que a população e a chamada mídia pequena possam pproduzir e emitir conteúdo com liberdade, sem nenhum empecilho imposto pela demanda dos atores que controlam a mídia hegemônica.

A parte técnica não tem nada a ver com “abrir as pernas” para o Japão ou para a Globo, nem tampouco com o poder ou a influência do ministro Hélio Costa, ex-funcionário da Globo. O FNDC, levando a discussão para essa direção apenas por puro preconceito ignora que está dificultando a captação de verbas por parte das universidades, a fim de que os laboratórios de computação e de engenharia possam criar, inovar e agilizar a implantação da TV digital no país através de hardware e software 100% nacional.

Nas reuniões do FNDC, falou-se até que os laboratórios da PUCRJ e até de outras universidades estivessem recebendo dinheiro da Globo, o que não é verdade. Boatos tornados públicos em fóruns nacionais fazem com que o Governo acredite neles e corte verbas, até prova em contrário.

Isso posto, a medida do Governo Lula de criar a TV Pública através dos ex-funcionários da Globo Franklin Martins e Tereza Cruvinel é legítima e interessante, pois o Governo entra como um ator com uma capacidade de investimento muito grande e poderá produzir com muita qualidade técnica e discursiva informações totalmente diferentes do PUM – Pensamento Único da Mídia (corporativa).

Esse é o primeiro passo para que associações de bairro, entidades de classe, sindicatos, empresas e centenas de produtores independentes sintam-se encorajados a produzir conteúdo para a TV digital em canais próprios, já que, de início, todos esses atores estariam alijados do processo em função da sua reduzida capacidade de investimento.

No fundo, o Governo Lula não é tão vendido, influenciável ou neoliberal como se pensava que fosse. O que diferencia-o do resto da esquerda latino-americana é que falta pulso e contundência e há excesso de concessões e de diplomacia. Mas talvez porque o Brasil é o maior país, o mais desigual e aquele que contém a pior oligarquia do continente e porque pretende-se, pela primeira vez na história e ao menos em alguns setores da economia, plantar algo a ser colhido a longo prazo, independentemente de quem estiver no poder daquia 10 ou 20 anos.

Dito isto sobre movimentos sociais, midiatização e democratização dos meios de comunicação no Brasil, ao contrário do que o Miguel Graziotin entendeu no post anterior, aquilo que Negri e Hardt falam sobre resistência pós-moderna não tem nada a ver com observar passivamente ou ser 100% polido e diplomático.

O mundo é bem diferente do que era nos tempos de Paulo Freire, Piaget e Marx. O que mudou na forma de resistência é o discurso, isto é, a favor de nossa demanda, mas não somos contra ninguém. E isso se faz de forma descentralizada, em rede, através da internet: comunidades no Orkut, torpedos via celular, listas de e-mail, fóruns de discussão, BLOGS principalmente.

Se não houver internet disponível, a alternativa é agir como em Chiapas, no México: panfletos e diálogo com as pessoas.

Mas não aquele diálogo com cara de sofrimento, com jeito de coitado, muito menos com expressão de inconformismo ou de raiva: afinal de contas, é a luta por um DIREITO e para SUPRIR UMA DEMANDA, não é a luta contra alguém ou contra alguma instituição em si.

Todas essas ferramentas baseadas no AFETO, na EMPATIA e em um discurso NÃO-INTRUSIVO (isto é, mostra-se que existe, mas não se obriga a ser ator quem não quiser ser), além de oficinas, cursos, palestras, mesas de debates (o MST parece estar fazendo isso por onde quer que a sua marcha passe; porém, não deveria prejudicar o fluxo nas estradas e tampouco invadir sem se constituir em uma associação ou em uma ONG legalizada, com estatuto e com advogados).

Além disso, o MST tem um site, que deve ser muito mais divulgado. É impossível conversar com quem olha com ódio oou faz ameaças. Mas aqueles que desconfiam da intenção dos movimentos sociais apenas porque ouvem falar através de boatos e também da mídia corporativa podem, sim, através de um trabalho que poderia englobar visitas de famílias de classe média aos assentamentos com direito a churrasco e a umas 2h de vídeos das atrocidades que os latifundiários e que a polícia fazem com os manifestantes, além de uma mesa de debates.

Feito isso, a própria classe média deverá se encarregar de escrever em blogs e de duvidar da mídia corporativa: “O QUE EU VI LÁ NÃO FOI O QUE ELES MOSTRARAM NA TV. PÔ, A TV MENTE!!!”

Esta última frase resume toda a seqüência de movimentos da economia, da técnica, da política e da sociedade rumo a algo que ainda não temos certeza de como irá ser, mas que certamente transformará o Brasil em um lugar melhor para se viver.

A esquerda ortodoxa é muito pessimista e só pensa no confronto cru, onde sempre perdeu porque acostumou-se a atirar no próprio pé dentro da casa do adversário sem sequer perceber. Criou preconceitos e atitudes mecânicas, segue recitando mantras e suas atitudes não encontram eco na sociedade. Com isso, desconhece as sutilezas não do oponente mas, sim, em si mesma que poderiam ser utilizadas a seu próprio favor. Como tudo o que enxerga através de seus arreios é burguês ou neoliberal, não percebe que é preciso trabalhar as idiossincrasias do modelo hegemônico pescando-as não no discurso mas, sim, no que ficou opaco. Por isso, seu discurso se perdeu no tempo, assim como o discurso da direita que, por sua vez, oferece todas essas opacidades.

Para finalizar, a direita pescou na esquerda a opacidade por debaixo do seu discurso e antecipou-se a ele décadas atrás, determinando o tipo de subjetividade que prevalece na classe média nacional.

As referências da nova esquerda não devem mais ser os filósofos e os sociólogos de 200 anos atrás. Estes são importantes como alicerces teóricos, mas não como referenciais práticos ou da experiência atual.

Hoje, a direita é que parece estar mais engessada na condução de suas práticas e no seu modus operandi técnico. Se a atuação de resistência da esquerda deixar de reagir à imagem e semelhança da atitude da direita, então teremos um mundo mais interessante para viver.

Do contrário, mesmo que a educação e o empreendedorismo cresçam no Brasil, a única coisa que irá mudar de fato será o poder de compra e a auto-satisfação individual das pessoas. A mentalidade continuará sendo a mesma.

Blogged with Flock

Tags: , , , , ,

PONTOS CORRIDOS: A FÓRMULA DA GERAÇÃO INTERNET

O colunista Hiltor Mombach do jornal Correio do Povo de Porto Alegre/RS é um defensor veemente da fórmula de um campeonato brasileiro no qual haja uma fase preliminar classificatória, que levará oito clubes a decidi-lo no formato de pareamento conhecido como “mata-mata” ao invés da disputa por pontos corridos, todos contra todos, em ida e volta.

Ele justifica como necessária tal fórmula porque sua visão acredita que o capital financeiro decorrente da megaindustrialização e da explosão populacional da megalópole que vai de São Paulo até o Rio de Janeiro sempre será muito mais abundante do que aquele que patrocina o sul, tido por muitos como uma região periférica, de menor apelo mercadológico. Sendo assim, argumenta que não haverá mais paridade. Dessa forma, crê na raridade de títulos nacionais para clubes de fora do eixo RJ-SP, em particular a dupla Grenal.

Há muitas pessoas que pensam como ele, assim como há um grupo significativo que é contrário, apoiando o atual formato de disputa baseado em pontos corridos.

Minha observação pessoal como mestrando em Ciências da Comunicação na UNISINOS (onde tomo contato com um amplo referencial de Sociologia, Antropologia, Ciência Política, Filosofia e Teoria da Comunicação), minha formação anterior como publicitário pela UFRGS e o conhecimento acumulado em três semestres do MBA em Marketing na ESPM já me fornecem argumentos suficientes para um bom debate.

O mundo pós-moderno não segue mais a lógica da produção em série, da repetição exaustiva de tarefas e da valorização de bens materiais que permeou a modernidade taylorista e fordista de grande parte do século XX. Atualmente, os bens simbólicos possuem muito mais valor do que os bens materiais e não há mais dependência econômica territorial, isto é, a proximidade do consumidor com o fornecedor de produtos e serviços não significa consumo massivo nem imediato. A economia do fluxo é ubíqüa, ou seja, tanto o serviço como o capital estão em um lugar e em todos os lugares ao mesmo tempo.

Uma partida de futebol tem um público territorial mais próximo que apresenta uma ligação de empatia e de afetividade com algum clube de futebol, mais notadamente em sua própria cidade ou região. Este é o consumidor do transporte coletivo (ou do combustível e do estacionamento), dos produtos licenciados pelo clube (ou não) e das opções gastronômicas do entorno do estádio (desde restaurantes sofisticados até o cachorro-quente da van da esquina).

No caso do GRÊMIO, embora a capacidade oficial do Estádio Olímpico Monumental seja de pouco mais de 51000 lugares, por medida de segurança, o máximo que costuma-se oferecer de ingressos à venda é 45000. Durante a Libertadores 2007, a média de público foi superior a 40000 espectadores. No Brasileirão 2006, a média foi superior a 25000 e, em 2007, houve uma queda de cerca de 20%, girando na casa das 20000 pessoas.

Credito tal queda a cinco fatores principais: 1) à majoração do valor do ingresso mais barato, que é o da arquibancada inferior (popularmente conhecida como ‘geral’), que era sempre de R$20,00 em 2006 e, em 2007, às vezes chega a custar R$30,00; 2) ao excesso de jogos em casa no péssimo horário do fim da tarde de sábado às 18:10h; 3) à prioridade de uma vasta gama de torcedores gremistas à Libertadores, estourando o seu orçamento em 14 partidas onde o valor médio dos ingressos superou de longe os do Brasileirão deste ano; 4) os torcedores com maior poder aquisitivo, locatários de cadeiras ou os proprietários de cadeiras perpétuas, têm mais opções de lazer e, à exceção da Liberatadores, comparecem em menor número aos jogos do Brasileirão; 5) apesar do rejuvenescimento de boa parte dos freqüentadores do estádio, do aumento da participação feminina nos jogos e do aumento do número de associados em dia com suas mensalidades, muitos estudantes ainda não podem ser considerados integrantes da população economicamente ativa. E há muitos sócios-torcedores que, mesmo com 50% de desconto no valor do ingresso, pertencem à classe C e dependem de mesada.

A Puma está satisfeitíssima com o patrocínio ao GRÊMIO: a loja Gremiomania recentemente foi transferida para um prédio na entrada do Largo Patrono Fernando Kroeff (antigo Largo dos Campeões – nome genérico e muito mais simpático), com 400 m2 e uma nova administração. O vice-presidente de planejamento Eduardo Antonini afirmou em um podcast no qual foi entrevistado pelo conselheiro recém eleito pela chapa 3 Ducker que há uma enorme fila de espera para a locação de camarotes por parte de empresas e de torcedores mais ricos.

Devido a um fator econômico que os gaúchos não admitem porque a mídia corporativa não os informa corretamente, o desemprego diminuiu um pouco e os salários médios aumentaram um pouco com o Governo Lula. Mesmo assim, é preciso dizer que o Brasil e, em particular, a maioria do povo gaúcho e porto-alegrense, permanece com dificuldades financeiras.

O contrato com a televisão é o que sustenta os clubes. A receita do quadro social e da venda de ingressos representa uma parcela cada ano menor no orçamento do futebol. Nesse sentido, meu único ponto de concordância total e irrestrita no discurso habitual do comentarista é que é preciso renegociar os contratos de direitos de radiodifusão (o espectro de ondas eletromagnéticas compreendem áudio, vídeo e áudio + vídeo) através de uma redistribuição das cotas em função de uma nova base de cálculo.

Mombach sustenta que, em situação normal, os três grandes clubes paulistanos, o Santos (e, eventualmente, os quatro grandes cariocas (que possuem maior poder político e mais dinheiro do que os gaúchos mas que ora vivem uma crise de gestão pior até do que a do próprio GRÊMIO) tendem a erguer mais títulos e a participar mais freqüentemente da Libertadores do que os dois grandes do RS, de MG, da BA e os três grandes do PR e de PE, os maiores (e, provavelmente, os únicos minimamente estáveis) do país.

No entanto, como a economia segue fluxos digitais e não depende de atores locais, essa hipótese perde força.

Ele diz também que a competitividade aumenta e que se ganha em emoção com jogos decisivos. Para a mídia corporativa enunciar durante uma semana inteira ou até mais a mobilização total de duas torcidas para dois embates tensos, realmente é mais negócio. Afinal de contas, hoje em dia, o jornalismo trata muito mais a notícia como produto de consumo do que como informação capaz de produzir a diferença em uma sociedade. Já que há uma confusa mistura que resulta na espetacularização da notícia ou na noticialização do espetáculo, quem pratica essa forma de comunicar realmente sai perdendo.

Todavia, a média de público dos últimos dois anos tem sido bem mais alta do que em todos os anos da última década. O único campeonato nacional com uma média de público parecida ou superior à verificada em 2006 e 2007 foi a Copa União de 1987 que, apesar de contar com um único turno de classificação, apenas 16 clubes e de ter tido semifinais e final, foi uma fórmula relativamente simples de disputa, no início do Plano Cruzado, quando havia alto índice de empregabilidade, média salarial um pouco maior para a classe média e inflação tão reduzida quanto a atual.

Pois bem: apesar do êxodo das principais revelações do SUB-17 e do SUB-20 ano após ano e do amadurecimento do jogador brasileiro em nível de Seleção que vive cada vez mais tempo no exterior (só os velhos ou os medíocres retornam cedo), mesmo com um campeonato mais fraco e com a violência urbana, o que faz com que o público nos estádios esteja aumentando?

Eu aposto no rejuvenescimento do freqüentador dos estádios. Há muito mais mulheres e famílias indo aos estádios. Apesar de alguns torcedores praticarem furtos, brigas e de irem para os jogos bêbados e drogados e de quebrarem ônibus, essa minoria tão destacada negativamente pela mídia corporativa NÃO É REPRESENTATIVA DE SEQUER 10% DA QUANTIDADE DE JOVENS QUE GRITAM, QUE PULAM, QUE CANTAM, QUE PINTAM A CARA, QUE VESTEM BONÉ, CAMISETA, CACHECOL, AGASALHO E QUE LEVAM N FAIXAS E CARTAZES DE INCENTIVO AO SEU CLUBE NO ESTÁDIO!

Caso a mídia estivesse certa em relação ao alarmismo e à suposta quantidade de pessoas violentas, imaturas ou de má-índole presentes nos estádios, não veríamos tantas meninas e tantas mães e avós no Olímpico. Creio que a mídia não encontra eco em quem vivencia o futebol ativamente. A sociabilidade via internet apresenta centenas de comunidades virtuais e informação alternativa através de blogs, através dos quais o novo público dos estádios busca a maior parte da informação que consome. Eles vão por que acreditam naquilo que seus olhos vêem, suas mãos tocam e seus ouvidos escutam. A EXPERIÊNCIA DO CONVÍVIO NO ESTÁDIO É DESEJADA E NÃO MEDIADA. A experiência mediada é de quem prefere ficar em casa.

O machismo do homem nos estádios diminuiu tanto que eles não ficam mais dizendo palavrões gratuitamente para as misses dos festivais de turismo do interior que desfilam pelo gramado antes e no intervalo dos jogos. Eles não ofendem mais as torcedoras que freqüentam a mesma arquibancada do que eles. As mulheres estão mais corajosas, mais seguras e dizem muito palavrão. Elas jogam, assistem, acompanham futebol na mesma mídia que generaliza e exagera no peso da violência verificada nas torcidas.

E mais: ESTÁDIO DE FUTEBOL VIROU LUGAR DE PAQUERA. Daí o respeito maior com as meninas. Afinal de contas, os meninos se interessam por elas e vice-versa. Mesmo que seja diferente de ir a uma balada, onde as relações se dão mais através de um jogo de aparências no qual tanto homens quanto mulheres vistam-se e vistam uma máscara que esconde as suas fragilidades a fim de seduzir e de levar alguém para a cama naquela relação efêmera, os torcedores e as torcedoras vão para o estádio para torcerem pelo seu time antes de tudo. Vários grupinhos têm um lugar cativo no estádio e, assim como o torcedor mais antigo costumava ir ao estádio e bater papo com um desconhecido que senta quase sempre ao seu lado como se fossem amigos íntimos, o torcedor mais jovem interessado em paquerar tende a apresentar uma particularidade: ao invés de beijar na boca e tentar levar a menina para o motel (ou vice-versa, no caso das meninas mais extrovertidas e de personalidade forte) depois do jogo, pequenas turmas se misturam e se conhecem tanto a partir das comunidades do Orkut como dos leitores de blogs e a idéia é desenvolver a relação em um grau menos efêmero do que quando se conhece alguém nas noitadas.

O rejuvenescimento do público (hipótese minha) também deve levar em conta que a maioria dos novos associados (não apenas no Grêmio, mas também no tradicional adversário e em muitos clubes pelo país afora) pertence à classe C. Não possuem casa na praia, não têm muito dinheiro disponível sobrando e o seu maior momento de diversão é o jogo do seu time do coração, que custa menos do que a balada.

A fórmula de pontos corridos proporciona o tão desejado equilíbrio técnico: joga-se tão-somente duas vezes contra o mesmo adversário, uma como mandante, outra como visitante. Todos pertencem a um grupo único e basta acompanhar a simplicidade da tabela de jogos que, ao invés de diminuir a rivalidade local dos desnecessários campeonatos estaduais (verdadeiras caravanas da miséria) ou de exacerbar rivalidades estaduais em torneios de mata-mata, faz com que TODOS OS JOGOS SEJAM IGUALMENTE IMPORTANTES. O torcedor está acostumando-se a torcer pelo seu time e a “secar” não apenas seus rivais tradicionais mas, sim, todo e qualquer adversário que esteja ao seu redor na tabela de classificação.

O comportamento da geração de usuários nata da Era da Internet presume o uso simultâneo da navegação em mais de um site ao mesmo tempo, da conversa paralela com vários interlocutores em um mensageiro instantâneo e de baixar músicas e assistir a vídeos no You Tube ao mesmo tempo, além de “espionar” perfis alheios e discutir seriamente os assuntos de seu interesse nas comunidades do Orkut.

Minha segunda hipótese: todos esses atravessamentos facilitam a compreensão da relação EM REDE de vários jogos simultaneamente. Para não dizer que apenas a internet ajuda a determinar a ampla aceitação da fórmula de pontos corridos dos 10 aos 25 anos de idade (e, daqui para a frente, de maneira cada vez mais precoce), o hábito de acompanhar vários jogos ao mesmo tempo também decorre do zapping, isto é, de trocar de canal para ver dois ou três jogos do Brasileirão ao mesmo tempo.

Essa nova geração também segue a estética, a interatividade e a velocidade dos games (jogos de computador). Os jogos de futebol como FIFA e Winning Eleven, que permitem a compra, a venda, a escalação e a mudança de posicionamento dos jogadores e simula jogos de futebol verdadeiros inclusive com diversas posições de câmera e opções de replay disponíveis permitem um contato maior e um conhecimento total sobre clubes e campeonatos europeus por onde atuam todos os jogadores que o gamer-torcedor acompanha na TV, desde seus ídolos brasileiros que atuam no exterior como também os novos ícones globais de sucesso no futebol.

Logo, a vivência da fórmula por pontos corridos atravessa fronteiras e não tem hora pra acontecer. É uma preferência de quem DESEJA PASSAR PELA EXPERIÊNCIA DE VIVENCIAR O ACONTECIMENTO em uma sociedade na qual parte da sociedade ou passa tempo demais em casa na TV ou no computador (talvez por valorizar mais o conforto e a segurança do casulo), ou passa tempo demais na rua “borboleteando” quando o casulo não for suficientemente seguro.

Segundo vários autores que lidam com a questão da pós-modernidade, o individualismo busca desamarrar-se do “ensimesmismo” através do ritual da torcida, da vivência na tribo e de preferir viver o presente, já que as pressões sociais por status, dinheiro e poder se tornaram tão pesadas que é preciso se agarrar a uma válvula de escape. Céticos e pouco ligados em política partidária ou em movimentos estudantis, também não fogem para a religião, embora o estádio seja uma igreja e os jogadores sejam os sacerdotes.

A missão comum dentro do estádio nesse culto é empurrar o time cada vez mais para vitória: é cantando, pulando, xingando O TEMPO INTEIRO. A midiatização nos trouxe um contato maior com os sites de notícias e com o televisionamento de partidas de clubes argentinos e italianos. Particularmente no Rio Grande do Sul, onde há uma concentração de renda um pouco menor do que no resto do Brasil, o acesso a esse futebol globalizado propiciou a assimilação da estética estrangeira também através de vídeos legendados ou não e das letras e dos MP3 dos cânticos das torcidas dos principais clubes da América do Sul e da Europa. Depois, as torcidas do Sudeste seguiram a onda provavelmente iniciada por GRÊMIO e INTERNACIONAL, recriando (ou realimentando) rivalidades regionais sob a desculpa de que “cariocas e paulistas estão nos imitando”.

De volta à globalização: muitos argentinos também aumentaram o sentimento de rivalidade sobretudo com o GRÊMIO porque a torcida conhecida como GERAL DO GRÊMIO apenas canta em portunhol músicas conhecidas das torcidas de Boca Juniors e River Plate da Argentina.

Essa missão quase messiânica de cantar “vou torcer pro Grêmio benendo vinho/O Mundial é o meu caminho” (ou sua variante vascaína ‘Vou torcer pro Vasco ser campeão’) contagia o estádio inteiro, fazendo com que antigos torcedores que detestavam ter que sentar e levantar a cada lance de gol agora aceitem mais facilmente o fato de que, seja sob a sombra de uma marquise ou sob o conforto de uma cadeira, eles também fazem parte desse desejo épico de ser ator da vitória ou o maior incentivador da “volta por cima” em caso de derrota.

Com isso, a fórmula de pontos corridos, invenção secular européia, sofre uma leitura diferenciada aqui nos trópicos: além dos argumentos da pós-modernidade e do comportamento social predominante na “geração Internet”, aconteça o que acontecer com o time dentro de campo, quase sempre todos saem vitoriosos, pois estão sempre CONCORRENDO, COMPETINDO, DISPUTANDO ALGUMA COISA: afinal de contas, mais do que no Velho Mundo, aqui há muito menos equipes que acabam o campeonato sem terem chegado a lugar algum do que em Portugal, na Inglaterra, na Itália, na França, na Alemanha ou na Itália, pois são quatro ou cinco vagas na Copa Libertadores, sete ou oito na Copa Sul-Americana e quatro clubes lutam para não serem rebaixados para a Série B. Portanto, de 20 clubes, apenas quatro ou cinco saem de mãos vazias.

Fora as razões sociais e emocionais do torcedor pós-moderno, há ainda as razões de ordem econômica sobre as quais o especialista em marketing esportivo João Henrique Areias, que trabalhou no nascedouro do Clube dos 13 em 1987 e também foi diretor de marketing do Flamengo discorre em entrevista ao programa Juca Entrevista veiculado pela primeira vez no sábado 20/10/2007 às 22h na ESPN International (canal 60 da NET).

A infra-estrutura dos clubes é caríssima e precisa ser mantida. Todos recebem 12 meses de salário. Porém, apesar de um ano ter 52 semanas, em apenas 46 é permitido por lei jogar. Há quatro semanas de férias coletivas dos jogadores e da comissão técnica e pelo menos duas semanas de pré-temporada. Os deficitários campeonatos estaduais consomem 14 semanas, sobrando então apenas 32 semanas para a realização de 38 rodadas do Brasileirão de 20 clubes na Série A e mais 20 clubes na Série B. Isso garante que as 40 estruturas mais caras e normalmente mais tradicionais do esporte no país mantenham-se na ativa durante todo o ano.

A fórmula anterior eliminava 60% dos participantes do campeonato oito semanas antes do final da temporada. Em termos financeiros, isso é um desastre. Prova disso é o fato de que os primeiros rebaixados das primeiras temporadas disputadas por pontos corridos e os últimos rebaixados das últimas três temporadas com fase classificatória curta e “mata-mata” foram justamente os times que mais vezes haviam sido desclassificados antes dos “mata-mata”.

Como a globalização implica em concentração, se a TV contribui para que torcedores do interior prefiram os clubes da capital ou até mesmo de outros estados ao invés do clube da sua cidade aumentando, assim, a rede de consumidores da macroestrutura em detrimento da microestrutura do esporte, também não se deve estranhar o fato de que há crianças brasileiras torcendo pelo Barcelona, pelo Real Madrid, pelo Milan, pela Roma, pelo Arsenal, pelo Manchester United ou pelo Bayern de Munique, assim como há jovens no Japão, em Hong Kong ou em Portugal torcendo pelo Grêmio, pelo São Paulo ou pelo Flamengo.

Embora esteja me estendendo demais, até mesmo a construção de um estádio e da estrutura viária e de serviços deve ser planejada mais para esse público do que para uma faixa mais abastada, de profissionais liberais com automóvel. A divisão do valor dos ingressos pela quantidade de torcedores com um perfil mais jovem que possui menos dinheiro deve ser prioridade. Os poucos lugares premium (camarotes, tribunas, cadeiras cobertas, aquecidas, com pouco vento, serviço de garçon, etc.) possuem demanda suficiente para financiar o espetáculo da geração Internet nos estádios de futebol.

Com ou sem drogas; adolescentes ou jovens adultos; trabalhadores, estudantes ou desempregados; ricos ou pobres… Não importa a origem, todos os atravessamentos de emissão, recepção e interação multimídia fazem da nova geração de associados dos clubes de futebol brasileiros uma parcela considerável da população que aglutina várias tribos distintas em uma rede social que não dissocia o presencial do virtual em torno de um elemento comum: o clube de futebol.

Blogged with Flock

Tags: , , , , , ,

A REVOLUÇÃO SÓ TERÁ SUCESSO SE FOR EFETUADA EM REDE

Estou extremamente emocionado e muito, muito triste pelos acontecimentos ocorridos ontem, citados pelo Marco Weissheimer no RS URGENTE e pelo Cristóvão Feil no DIÁRIO GAUCHE sobre o assassinato, os baleados e os agredidos da Via Campesina. Leões de chácara, muito provavelmente contratados pela Syngenta e pelos latifundiários, foram brutais.

A mídia corporativa gaúcha, disparado a pior do Brasil, certamente irá utilizar argumentos baseados na “Tradição, Família e Propriedade” para justificar a ação e convencer a maior parte da sua audiência de que a intenção da multinacional e dos reacionários concentradores de riqueza era a melhor possível.

Já tentei falar com jeito diversas vezes. Agora, serei mais duro: invadir é burrice. Peitar jagunços é suicídio. Movimentos sociais precisam obedecer a lei e ser regulamentados. Atuar na clandestinidade é dar a cara a tapa gratuitamente.

Sim, sabemos que trata-se de grupos cujas demandas sociais dificilmente costumam ser atendidas pelos políticos. Sim, sabemos todos que existe carência de recursos, baixa escolaridade e um profundo desespero em função da horrorosa distribuição de renda brasileira. E estamos carecas de saber que é fundamental haver organização e procurar pressionar a sociedade.

Todavia, não há chance de sucesso se houver interrupção dos fluxos de pessoas e de veículos e desrespeito à propriedade privada. São terras improdutivas? Não geram emprego nem renda? Seu dono é estrangeiro ou é um “laranja”? Claro, todos esses são problemas que legitimariam invasões e assentamentos. Que incentivam a destruição de mudas de eucaliptos e pinus. Que provocam a necessária destruição de sementes transgênicas.

Mas não dá mais pra fazer assim. Mesmo que não haja intenção belicista ou revanchista por parte dos movimentos sociais, infelizmente, a razão precisa ser jurídica e legal, não apenas social ou moral. Afinal de contas, as leis não defendem nem atacam o que seria o justo. Legal e justo são coisas completamente diferentes.

A todos aqueles que dispõem de conhecimento técnico, conclamo que ensinem os componentes dos movimentos sociais como funcionam as leis no Brasil. Como se formou, sociológica e historicamente, a concentração de renda nas mãos de poucos no Brasil. Como trabalha a mídia corporativa no Brasil.

E, acima de tudo, que as manifestações precisam deixar carros, pessoas e trabalhadores movimentarem-se livremente; que a legitimidade da luta cresce à medida que ela se desvincula de partidos políticos e que não brada palavras de ordem ofendendo pessoas e instituições; que seu discurso não pode ser baseado no conflito entre classes mas, ao contrário, que não são contra ninguém, mas a favor deles mesmos, que pretendem agir de maneira solidária mas, infelizmente, são prejudicados por outros e precisam de uma solução para esse impasse. E que o que é bom para eles é bom para a maioria, ao contrário do procedimento de seus detratores.

Blogged with Flock

Tags: , , , , , , , , ,

ESTALEIRO TRICOLOR

O leitor Gremista Vigilante corrige minhas perguntas do post anterior sobre alguns jogadores lesionados, através do meme da matéria de ZH publicada neste domingo. Adilson fez a segunda cirurgia no pé em 2007 – e eu nem sabia da primeira. Logo, de dois jogadores promissores no meio-campo, um está recuperando-se e só volta aos gramados no ano que vem; o outro, Danilo Rios, ainda está muito “verde” para assumir a posição.

Ramon passou por uma cirurgia nos meniscos do joelho direito e voltou a correr em menos de 30 dias. Ele é outra opção de ataque que – pasmem – tem feito muita falta, diante da quase obrigatoriedade de escalar dois homens de área juntos (Tuta e Marcel) cujos resultados são comprovadamente ineficientes, desde que Carlos Eduardo foi vendido para o Hoffenheim da segunda divisão alemã (a 2.Bundesliga) e quando Jonas não conseguir vencer a marcação, estiver lesionado ou suspenso.

Tcheco tem atuado como volante, cobrindo o lateral direito, seja ele Patrício ou Bustos. Como nunca mais cobrou faltas como em 2006, seus escanteios não são bons e ele arrisca muito pouco de fora da área, sinto que ou sua lesão no púbis não foi 100% curada. Além disso, ele joga com o freio de mão puxado. Basta ver a diferença de velocidade e do controle de suas passadas entre a primeira e a segunda temporada do capitão no Olímpico para perceber a diferença. Ele é útil. Porém, pouco eficiente na ligação com o ataque.

Rodrigo Mendes mal chegou, sequer reestreou e já teve que operar os ligamentos de seu joelho esquerdo. Kelly foi equivocadamente contratado após ter passado por uma limpeza no joelho direito no início do ano e, depois de várias chances e um único gol, também está parado por outra limpeza – desta vez, no joelho esquerdo.

O lado esquerdo da defesa tricolor ficou também muito mais fraco no apoio e consideravelmente mais vulnerável na marcação e no bote depois da ida de Lúcio para o Hertha Berlin e das cirurgias do zagueiro Teco e do lateral esquerdo Bruno Teles – ambos nos ligamentos do joelho esquerdo. O lateral esquerdo peruano Hidalgo, por sua vez, também sofreu cirurgia nos meniscos do joelho esquerdo.

A cirurgia de emergência para a remoção do apêndice do centroavante Marcel e a dos ligamentos do tornozelo direito do péssimo atacante Everton não comprometeram a eficiência e as opções do plantel. Da mesma forma, parece que não há opções confiáveis no SUB-20 prontas para assumir uma posição no grupo profissional.

Logo, 2007 parece um ano fadado à lembrança de feitos importantes: primeiro, o Ruralito, por obrigação e para satisfação do ego do torcedor-flautista, apesar da competição não possuir nenhuma expressão; depois, o quase improvável vice-campeonato da Libertadores, com um plantel tecnicamente limitado, porém dotado de muita garra, “dopado” pela sua torcida e fisicamente privilegiado.

A competitividade sempre no limite, a falta de qualidade técnica, a idade avançada de alguns jogadores, a falta de opções táticas e o plantel reduzido dizimaram o GRÊMIO neste segundo semestre. Até certo ponto, pode-se considerar que, classificando-se ou não para a próxima Libertadores, só o fato de chegarmos muito bem posicionados no Brasileirão 2007 (aquele que talvez seja o campeonato nacional de primeira divisão em um país de ponta do futebol mundial mais parelho nas pontas de cima e de baixo da tabela) talvez possa ser considerado uma vitória.

Todavia, não apenas a necessidade financeira da dívida impagável e da venda de peças importantíssimas como Lucas, Lúcio e Carlos Eduardo como também a incessante gana por conquistas de um clube ENORME como o GRÊMIO forçam-me a querer sempre mais e a não ser condescendente com falhas individuais recorrentes dos mesmos jogadores e nem tampouco com escolhas equivocadas do técnico Mano Menezes.

Pode parecer exagero de cobrança em relação a um time que estava no inferno da Série B há menos de dois anos. Pode parecer excesso de preciosismo em relação a um plantel que sofreu tantas baixas significativas em menos de quatro meses.

Contudo, mais caro e mais doloroso é se contentar com pouco e perder tempo e dinheiro – dois quesitos cruciais para pensar no futuro do time a curto prazo. Afinal de contas, 2008 está logo ali, dobrando a esquina.

Blogged with Flock

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

[B'07 32] FLAMENGO 2×0 GRÊMIO

GloboEsporte.com > Futebol 2007 > Brasileirão – NOTÍCIAS – Com Maraca lotado, Fla vence e sonha alto

Mais do que merecido: recorde de público pagante do Brasileirão (63189) e quase 11 mil não-pagantes, com um público total de mais de 73800 pessoas no lendário e lindo Maracanã. Uma campanha de recuperação que começou com a contratação do bom Ibson e da volta do técnico-psicólogo-paizão-botequeiro-carioca da gema Joel Santana ao comando técnico. Único clube a não perder nenhuma partida para o virtual bicampeão São Paulo. Muita raça e, mesmo sem craques, apresenta disposição, lealdade e iniciativa jogando no Rio de Janeiro.

Este é o Clube de Regatas do Flamengo. Amado pela maioria, odiado por poucos e respeitado por todos. O clube do povo, o mais querido do Brasil, mais do que qualquer outro clube, neste momento, merece classificar-se para a Libertadores 2008.

Sua tarefa foi facilitada pela lentidão com que o TRICOLOR DOS PAMPAS conduz a bola em um meio de campo carente de habilidade e de inteligência. Do ponto-de-vista físico, falta reflexo, velocidade de movimentação e estatura no setor que tanto serve para dar o primeiro combate evitando o ataque adversário como também é responsável pelos principais contra-ataques e pelo controle da posse de bola. Este é um fator importantíssimo para quem pretende classificar-se novamente para a Libertadores com chances REAIS de conquistá-la: a escolha de atletas pelo biotipo e pela índole, desde Osvaldo Rolla na década de 1960 não pode mais ser posta em segundo plano quando se planeja montar um grupo de trabalho.

Falta dinheiro? Falta. O adversário, quando é mandante, costuma tomar a iniciativa de atacar? Claro que sim. Apesar dos pesares, o GRÊMIO ainda está bem colocado e com chances de classificação à Libertadores 2008? Disso ninguém duvida. E tudo o que foi conquistado apesar de tantas limitações desde novembro de 2005 não conta? Conta.

Porém, o valor da ascensão gremista desde o título brasileiro da Série B, do bicampeonato rural 2006-2007 e do vice-campeonato sul-americano em 2007 contam somente para a história. O que era suficiente em um nível de exigência menor, agora é passado, pois o parâmetro é bem mais alto. Seja por falta de opção ou por confiança no que eles ajudaram o GRÊMIO a realizar há um ou dois anos atrás, há vários jogadores que não nos servem mais como titulares. E há reservas que não merecem vestir o nosso manto sagrado.

A luz amarela acendeu-se a partir do horroroso empate em pleno Olímpico Monumental contra o modestíssimo Atlético-MG, ainda correndo perigo de rebaixamento. Ao invés de trabalhar com mais afinco para garantir um respiro que teria nos dado uma segurança maior até mesmo para agüentarmos uma derrota para o Palmeiras ou, como hoje, para o Flamengo, ali faltou poder mental para o time se impor.

Não dá mais para confiar no grito da Geral nem no aproveitamento amplamente positivo dentro do Olímpico: insisto em dizer que o cerco está fechando, que não há mais adversário fraco e que não podemos mais errar.

O Náutico ainda não está livre, mas quase. Em 2005, não conseguimos vencê-los nenhuma vez em nossa casa (2×2 em maio e 1×1 em novembro pela Série B). Embora a realidade seja totalmente diferente, os dirigentes e alguns poucos remanescentes da Batalha dos Aflitos irão utilizar esses fatores como motivação do Timbu no próximo domingo. E eles têm um jogador que nós precisávamos muito ter, porém não temos em nosso plantel: um centroavante DE VERDADE, efetivo e eficiente como Beto Acosta, e um dos melhores laterais direitos do país na atualidade, Sidny. Eu vi esses dois jogadores e também o outro lateral, Júlio César encararem o até então vice líder Cruzeiro dentro do Mineirão, garantindo um belo empate em 2×2.

O Flamengo, que passou a ser também um candidato à última vaga para a Libertadores 2008, agora corre por fora como mais um time que o GRÊMIO precisa secar, já que a diferença diminuiu para apenas dois pontos.

O Flamengo é um seriíssimo oponente, pois venceu recentemente os clássicos contra o Fluminense (já classificado para a Libertadores como campeão da Copa do Brasil), Vasco e encarou São Paulo e Grêmio de igual para igual. Ao mesmo tempo, vejo uma queda difícil de ser contida do Cruzeiro nesta reta final e a ascensão do Palmeiras. GRÊMIO e Santos continuam ganhando em casa e perdendo fora. Se os dois ratearem, o Flamengo ultrapassa pela curva externa e deixa os dois no vácuo.

A estréia do menino Danilo Rios foi pífia. E, dadas as limitações de todas as combinações de atacantes tentadas nos últimos jogos, apesar de suas limitações, por acaso Ramon está lesionado?

E o jovem voluntarioso e de bom passe com boa estatura chamado Adilson? Está lesionado ou tem sido preterido por uma falha de critério de Mano Menezes?

O GRÊMIO PRECISA FAZER UMA AUTO-REFLEXÃO URGENTEMENTE.

Blogged with Flock

Tags: , , , , , , , , ,