ANTI-TABAGISMO

Desejei um pronto restabelecimento ao PIRATA em seu blog. Qualquer doença é um cu, sei muito bem disso. Nesta entrada aqui, ele fala sobre tabagismo como um tabagista consciente de que o produto causa um mal severo à saúde. Porém, mesmo que essa não fosse sua intenção, pretendeu usar como atenuante o fato de que a ciência ainda não comprovou se as 4781 substâncias contidas em cada cigarro geram ou não a replicação de células cancerígenas. Porém, o ponto não é esse.

Como ele bem disse, o cigarro detona as defesas imunológicas e aumenta a pressão. Mesmo que a síndrome do pânico e o anti-inflamatório tenham sido os pivôs de duas crises momentâneas de hipertensão, isso é fato.

Um quase-irmão, o M.D. Manoel Ary Moraes Filho, é oncologista nos EUA desde 1982. Tenho um outro amigo, pneumologista dos bons, Dr. Carlos Alberto Pinto Peixoto Bastos Santos, que mora em Cuba. Sobre o tema, disseram o seguinte:

- Quem é ou foi fumante e apresenta/apresentou algum tumor maligno dos pulmões à boca, tem 40% de chances de ter outro tumor;

- Uma baforada não vai embora pela janela rumo à atmosfera, nem tampouco é consideravelmente eliminada por exaustores e dissipada por ventiladores em casas noturnas, bares, restaurantes, etc.: uma baforada soprada com muita força atinge no máximo 7m de altura e vai decantando lentamente, rumo ao solo.
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Portanto, seus metais pesados e demais substâncias “mata-rato” (e ‘mata-gente’) são literalmente fumadas por cada inspiração de TODOS os freqüentadores do lugar. Logo, todos, sem exceção, são fumantes ativos e passivos. Somemos algumas dezenas de baforadas por cigarro por algo entre 10 e 30 cigarros por fumante (no RS, representam mais de 25% da população – a maior do país) durante 4h a 8h de presença no local (a não ser em bares e restaurantes, onde a média baixa para 1h a 4h) e temos um problema gravíssimo de saúde pública.

O ar deveria ser puro. Ainda há muitas pessoas e economias que não conseguem se livrar do automóvel movido a combustíveis fósseis (e o Brasil vai colaborar horrores como o aquecimento global, com o encarecimento do preço de cereais e com a degradação dos ecossistemas, ao transformar-se em uma roça de cana – essa é a pior cagada do Governo Lula, sem sobra de dúvida). Porém, mesmo que seja um vício resultante de uma compulsão em função da necessidade de eliminar o nervosismo, há outras formas de compulsão que podem substituir o uso de drogas lícitas e ilícitas como, por exemplo, ler, caminhar, conversar bastante e coisas mais saudáveis.

Não proponho aqui uma solução simplista e respeito a dificuldade de muitos fumantes. Contudo, é preciso ter força de vontade, consciência de que está fazendo um grande mal à sua saúde mas, sobretudo, é preciso ser mais socialista, respeitando o ar que todos respiram.

O ar circula livremente na natureza e é condição sine qua non para a vida. Nesse ponto, concordo com a proibição do tabagismo em lugares públicos e não freqüento casas de tabagistas sem passar o tempo todo em uma janela distante dos pitos. Se, por um lado, os fumantes reclamam da sua liberdade de ir e vir e de discriminação, por outro lado eles são egoístas ao negarem o direito da maioria de não-fumantes a respirar um ar puro.

Assim como o Pirata disse, é verdade que os embutidos comprovadamente contribuem para a replicação das células cancerígenas, que seus fabricantes e a mídia têm total liberdade para veicular anúncios de famílias felizes comendo essas coisas. No You Tube, é só procurar pra encontrar o que os hormônios fazem com os animais que o homem come e como eles são tratados. O AGENTE 65 já postou sobre isso.

No entanto, o interesse do “phoder” é maior ainda em relação a cigarros e bebidas, pois o cigarro é taxado em 100% de ICMS e a bebida também possui uma taxação alta.

O senador Aluísio Mercadante (PT/RS) deu uma explicação racional e absolutamente justa para isso: como cigarro e bebida causam dependência, baixo rendimento do trabalhador, afastamento por licença para tratar a saúde, incapacidade e morte nos casos mais agudos, o SUS precisa arcar com o tratamento. Logo, quem tende a usar o SUS com mais freqüência precisa contribuir mais com impostos.

Só que entra o lado perverso da equação: o “phoder” está pouco se lixando para a verdadeira escravização de fumicultores, que recebem financiamento das multinacionais de cigarro literalmente vendendo a alma ao diabo: sem condições de produzir frutas e hortaliças a um preço digno para sobreviverem e continuarem investindo na produção de alimentos saudáveis, acabam aceitando a proposta. Ganhavam, até poucos anos atrás, segundo o excelente site da ONG estado-unidense BIG TOBACCO SUCKS, a miséria de $1.25 (hoje cerca de R$2,00) por Kg de folha seca de tabaco.

Ora, a folha de tabaco é muito leve e perde ainda mais peso durante a secagem, que toma bastante tempo e espaço. É preciso então juntar cerca de 70 folhas e esperar que elas sequem para juntar 1 Kg.

Como esse processo é muito dispendioso, os pais precisam dos filhos trabalhando nessa lavoura perversa. Dessa forma, os municípios com grande número de fumicultores mudaram os horários das aulas em suas escolas para atender à essa indústria podre.

Some-se a isso o fato de os fumicultores nem sempre terem dinheiro para comprarem o caro equipamento de proteção contra os gases tóxicos dos venenos para matar os insetos que se alimentam das folhas de tabaco e uma série de doenças que causam aposentadoria precoce e até a morte.

Essas Souza Cruz e Phillip Morris da vida fazem testes com macacos, cães e diversos outros tipos de animais. Isso é completamente inadmissível!!!

As conseqüências do tabagismo são devastadoras para a sociedade: degradação do meio ambiente, contribuição para a ruína do patrimônio de famílias humildes, exploração do trabalho infantil, invalidez, morte precoce, facilitam o desenvolvimento de diversos tipos de câncer e deixam a pessoa fedorenta, detona dentes, cabelos e pele, origina o pigarro e dependência química.

Uma ex-amante e amiga hoje distante que é psicóloga e fumante inveterada me dizia que cada um tem o direito de fazer o que quiser com o seu próprio corpo, com a sua própria vida e com a sua própria saúde, desde que não traga ninguém consigo. Seguindo essa lógica, todo fumante é egoísta e inconseqüente.

Minha irmã mais velha escapou por pouco de perder o toco de uma perna e seus dentes estão totalmente detonados (sorte que meu sobrinho é dentista, mas ela tem medo). Parou de fumar e, apesar de ter ficado obesa, sua pele está mais bonita, ela não tosse e nem fede mais. Ficou mais ativa, mais ágil.

Meu pai, que bebia café e chimarrão pelando de quentes e fumava, morreu aos 72 anos de câncer no esôfago. Foram três fatores de risco juntos, que ocasionaram uma morte terrível, na qual a pessoa vai definhando, vira um morto-vivo que quase não diz coisa com coisa, não consegue dormir e não consegue nem levantar da cama nos últimos meses de vida. Ele era super ativo, presidente de associação, tinha muitos amigos e conhecidos, pensava muito, lia muito, nunca foi obeso, tinha uma alimentação super saudável, repleta de verduras. Quase toda a família dele é longeva: a maioria vai aos 84 anos ou mais.

Portanto, não são apenas os usuários de drogas ilegais de efeito psicotrópico que causam um grande mal à família e que sustentam uma indústria perversa.

Pensem nisso ao darem o próximo pito.

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GOTHEGOL

Essa dica também é para o meu amigo RODRIGO CARDIA, do CÃO UIVADOR, que disputa torneios de botão com seus amigos há vários anos e para o meu grande brother prof. GUSTAVO FISCHER, da UNISINOS – mais um botonista amador com décadas de torneios em família. Acabo de descobrir mais um excelente blogt sobre futebol, o GOTHEGOL, cujo tema principal é o futebol de mesa – o popular jogo de botões. ;)

RICARDO GOTHE finalizou 2007 em 2º lugar no ranking de cavados e é o atual líder do ranking de entradas de cavados no GRÊMIO. Ele posta fotos com amigos e tem uma coluna chamada MERCADO FUTMESA, com ofertas de compra e venda de times de botão, também com intermédio do parceiro BAZAR MIMO, tradicional reduto dos botonistas gaúchos no Centro de Porto Alegre, onde se compra mesas e times personalizados.

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ESQUERDA, MÍDIA DEMOCRÁTICA E SOLIDARIEDADE EM COMA

Estou ficando cansado: como sempre, tudo vai acabar em pizza. Ainda por cima, tudo o que o Governo Federal tem investido no RS vira crédito da governadora e do prefeito da capital.

Até o FSM e o OP ficaram no crédito do secretário Busatto… Enfim, as notícias de fonte confiável não são nada boas.

Vou continuar lutando. Mas o sentimento que eu tenho vai me consumir um bom tempo de depressão e de impotência através das vias comuns de busca por uma mídia mais aberta.

Escrevi em um comentário para o Agente 65 o que a maioria da esquerda e dos movimentos que lutam pela democratização nos meios de comunicação não acreditam: que a mídia manipula a informação e não a mente das pessoas. Que as pessoas têm livre arbítrio para escolher sobre o que ler, o que ouvir, o que assistir, sobre o que comentar, com quem discutir. Influência não é dominação, subjugação nem tampouco a mera crença per se.

De acordo com o que o Agente escreveu, concordo que as pessoas em geral são movidas por incentivos e por vantagens. Ninguém mais acredita ou espera almoço grátis. Todo trabalho que envolve solidariedade, conselhos e mutirões não possui o menor valor no meio urbano, exceto para quem vive em situação de exclusão absoluta da cidadania.

O problema mais grave é que quem se enterra e enterra a natureza enterra a gente junto.

Então, deixa eu ser egoísta e “cansado” um pouco pra dizer o seguinte: por que diabos eu preciso ajudar quem não quer se ajudar, ser ajudado, me ajudar, te ajudar, nos ajudar, ajudar a todos?!

Quantas vidas foram perdidas durante a ditadura militar em vão?! Quantas pessoas foram presas, demitidas, discriminadas, perseguidas em vão?! De que adianta lutar pela democratização nos meios de comunicação se a maioria dos interessados diretos, que são os próprios jornalistas, é extremamente covarde porque crê no conceito de liberdade bom para seus patrões e não para a sociedade?!

O sociólogo italiano Domenico De Masi diz que o otimismo é a forma mais generosa de inteligência. Só que, depois de levar tanta paulada, a gente cansa, porra!!!

Como é que eu vou ser otimista em relação às pessoas “de bem” – que são, na verdade, as que reúnem, ao mesmo tempo, os melhores e os piores valores da sociedade contemporânea através de atitudes enlouquecedoramente contraditórias e ilógicas?!

Meu pai dizia que não se deve querer mudar o mundo, pois ninguém consegue sozinho. Ele também dizia que o mundo sempre melhora, sim. Porém, que demora séculos para que o povo possa usufruir dos benefícios. Que nada é imediato, que quase nada se resolve em uma ou duas gerações. E que a gente deve lançar nossos filhos no mundo em melhores condições do que aquela que fomos lançados por ele e pela mãe.

Só que eu quero ser capaz de provocar alguma mudança pra melhor, por mínima que seja. E adoraria não apenas deixar isso para as gerações futuras, mas que pudesse eu usufruir um pouco disso. Queria muito que a sociedade como um todo fosse mais solidária, mais saudável, mais crítica, mais observadora.

Mas eu não vou estar vivo pra ver isso.

Sei que vai aparecer um novo Olívio e que vai aparecer um partido de esquerda decente. Mas somente enquanto for pequeno. No momento em que crescer, a coisa vai degringolar. Thomas Locke já dizia que o homem é mau por natureza. Senão, por que precisaríamos de cadeados em nossas portas?

Os direitistas, os maniqueístas, os mais simplistas e aqueles que não me conhecem diriam que eu estou me entregando para a direita, desistindo de lutar ou que os cadeados são para aqueles que não querem ser salvos e tampouco salvar ninguém mais a não ser a sua própria pele. Os cadeados não são contra os miseráveis e nem contra a violência urbana mas, sim, contra os donos do poder, que dispersam os seus valores de cima para baixo.

Esta entrada não é nada acadêmica e não incentiva ninguém a deixar de ser de esquerda. Tampouco é uma declaração de omissão ou de entrega dos pontos. Mas reflete um momento no qual não se vê nenhuma luz no horizonte.

A única possibilidade que vejo é a da internet se dispersar e tomar conta do país. Quando 85% do país estiver coberto de acesso à rede; quando 99% das crianças estiverem freqüentando as escolas; quando menos de 5% da população estiver desempregada (e, dentre os empregados, 80% estiverem trabalhando de carteira assinada ou forem autônomos regulamentados), aí, sim, o país vai deslanchar em termos de opinião plural, de democratização dos meios de comunicação, etc.

Do contrário, todas as mudanças serão lentas e graduais. Mas lentas demais a ponto de eu não estar mais aqui para vê-las.

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GRÊMIO DESLANCHA NA COPA DO BRASIL 2008


Grêmio Media Center

Nem discuto que é fundamental ao GRÊMIO reforçar-se ainda mais quando os campeonatos estaduais estiverem chegando ao seu final, pois nosso plantel precisa receber mais atletas experientes, pois a média etária é muito baixa e isso poderá pesar mais adiante.

O jogo de ontem não pode ser avaliado nem como uma partida excelente, nem como uma partida de exceção. Ao mesmo tempo, parabéns ao modesto, leal e corajoso GRÊMIO JACIARA, que atravessou meio Brasil para ser goleado pelo TRICOLOR DOS PAMPAS sem dar uma porrada sequer. Os poucos cartões distribuídos durante o jogo para jogadores de ambos os times não foram por excesso de violência nem por desacato ao árbitro: foram por repetições de faltas anteriores ou para evitar que alguns atos desproporcionais se tornassem verdadeiramente violentos.

Os mato-grossenses tentaram, durante o tempo inteiro, atacar. Tiveram uma bola no travessão e um gol imperdível que acabou sendo perdido. Destaco dois jogadores que demonstraram um potencial promissor para atuarem pelo menos no interior de São Paulo, como os nºs 11 e 17, dois atacantes velozes e insinuantes. O técnico adversário também merece um crédito, pois, a despeito da fragilidade técnica e da falta de preparo físico de ponta apresentada ontem à noite em Porto Alegre, ele tentou explorar os dois principais defeitos do GRÊMIO: as costas dos laterais e o buraco entre os centromédios e os zagueiros.

Como o EXÉRCITO DE FERRO COM A ALMA CASTELHANA ainda precisa de vários ajustes, seguimos com o problema dos laterais levarem bolas nas costas e de os volantes abrirem espaço no meio ao invés de protegerem o miolo de zaga nos contra-ataques em velocidade. Celso Roth precisa corrigir o quanto antes essa deficiência, atenuada pelo desentrosamento do início de temporada e pela entrada recente de novos jogadores.

De modo geral, o GRÊMIO inteiro atuou com tranqüilidade. Celso Roth repetiu a mesma providência das duas partidas contra o Esportivo pelo Gauchão: duas substituições simultâneas já na volta do intervalo. E ele fica à beira do gramado berrando o tempo todo para ajustar o posicionamento do time, incentivando e cobrando.

São observações que não têm mais nenhuma relação com a intempestividade, com a impulsividade ou com o medo de que algo desse errado que o diretor de futebol Paulo Pelaipe demonstrou ao demitir o técnico anterior, Vagner Mancini. Afinal de contas, por enquanto, a única coisa possível de descrever são dois estilos pessoais diferentes de comandar os jogadores. Portanto, NUNCA iremos saber se Mancini não estaria crescendo junto com o time neste momento, nem tampouco se o crescimento do time se deve a Celso Roth.

A única suposição que ouso fazer é a de que Celso Roth sempre pareceu ser mais técnico do que Mano Menezes. Afinal de contas, Mano foi para um clube cujo auge da crise foi bem pior do que aquela que encontrou quando chegou ao Olímpico em abril de 2005, mas que conta com uma torcida muito maior e, agora, com muito mais dinheiro para investir. O Corinthians de Mano é uma cópia fiel do GRÊMIO de 2005, com alguns acréscimos e decréscimos, pois ele levou vários “bruxos” para o Parque São Jorge que não foram grande coisa por aqui. É um jogo feio, que não surpreende, porém está se tornando mais resistente atrás.

Por que essa comparação?! Simples: porque Celso Roth tinha fama de retranqueiro. Porém, as palavras dele assim que chegou há menos de duas semanas atrás foram mais ou menos as seguintes: “eu armo o time de acordo com as peças que tenho à minha disposição”.

Mano Menezes, por sua vez, é extremamente cauteloso dentro e fora de casa. Arrisca muito pouco mesmo quando possui ampla vantagem técnica à sua disposição. Até determinado ponto, o GRÊMIO de 2007 ainda possuía (mesmo sem Lucas e Carlos Eduardo) um time quase do nível do time que quase foi vice-campeão brasileiro em 2006. O GRÊMIO de Mano não era insinuante, não era insistente, não forçava o adversário a ficar acuado.

Ontem, contra um adversário que não é pior do que a maioria dos times do interior com os quais nos defrontamos até agora pelo certame guasca, o TRICOLOR DOS PAMPAS jogou mais solto, as peças estão se encontrando mais dentro de campo e, a despeito de algo raro que é um jogador fazer quatro gols em uma só partida, os 6×0 poderiam ter sido mais.

Ainda é muito cedo para pensar se este GRÊMIO tem como encarar o tradicional adversário de igual para igual. Também não sei o que o GRÊMIO de HOJE, 28/02/2008, seria capaz de fazer no Brasileirão.

Pelo menos uma coisa agora se percebe: que Victor, Léo, Jean, Anderson, Eduardo Costa, Magrão, Roger, Perea e Soares formam uma base superior à base de 2007 depois da ida de Cadu e Lucas para a Europa. Temos Grohe, Pereira, Hidalgo, Adilson e Maylson formando um banco melhor do que os de 2006 e 2007 se compararmos titulares e reservas para as mesmas posições.

Lesionados, temos Teco, Bruno Teles e Rodrigo Mendes como reforços no mesmo nível para o banco. Felipe Mattione seria, para mim, titular absoluto da lateral-direita, pois o único e grande furo que o GRÊMIO tem comprovadamente até o momento é o lateral-direito Paulo Sérgio, que apóia melhor porém marca muito pior do que Patrício.

Também acho que Mano Menezes estraga e limita o potencial de vários jovens que são bons porém estão longe de serem craques, forçando-os a exercer uma função tática que impede com que eles tenham autonomia suficiente para liberarem a sua individualidade. Querem um exemplo? Dou vários, pelo que vi de janeiro até aqui:

- O que era Willam Magrão em 2007 e o que é em 2008 (chuta de fora da área, se adianta pra tabelar e não se restringe apenas ao miolo do gramado);

- O que era Léo em 2007 e o que é em 2008 (vai pra cima com consciência e com uma categoria que não apresentava no ano passado, pois só podia subir para cabecear nos escanteios – vejam só o fator surpresa que Mano nos impediu de contar);

- O que eram Maylson em 2007 e o que é em 2008 (de um zero à esquerda para um meia-atacante movediço; embora sem brilho, apresenta uma utilidade ocultada de todos no ano passado).

Talvez não ganhemos nenhum campeonato neste ano (espero estar redondamente enganado). Contudo, espero mais atuações de qualidade e, sobretudo, muito mais coragem fora de casa.

Com Mano Menezes, a despeito das lesões e das negociações de jogadores que desmanchavam a espinha dorsal da equipe, apesar de tudo isso, vocês não notavam que o TRICOLOR parecia que ia engrenar, que ia torna-se um time estável, mas que, pouco depois, alternava altos e baixos com uma freqüência fora do normal para quem deseja se manter no topo?

Mas temos pelo menos quatro diferenciais bem superiores: Roger, o meia de ligação que não passava pelo Olímpico desde Ronaldinho; Perea, um atacante driblador, veloz e ambicioso como há muito não se via; Victor, um goleiro DE VERDADE, seguro, ágil, frio e muito discreto; e Léo, um jogador em nível de seleção principal.

Estou curioso para ver o Julio dos Santos e o Adilson em melhores condições, em uma briga que parece ser boa. Acredito na evolução de Maylson e acho que tem mais gente boa pra subir depois que as seleções SUB-17 e SUB-19 terminarem seus torneios no final de maio.

Seja o que for, aconteça o que acontecer, repito: absolutamente nenhum argumento de quem quer que seja poderá endeusar Pelaipe e Odone quanto à troca inesperada e repentina de Vagner Mancini por Celso Roth, pois JAMAIS saberemos se o GRÊMIO seria pior, igual ou melhor do que o que irá apresentar daqui até dezembro.

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PROFISSÕES, VIZINHANÇA, ENSINO E INFLUÊNCIAS

Em relação à entrada de hoje do Guga Türck no ALMA DA GERAL sobre o capitalismo, pensei rapidamente com meus botões em relação ao modus operandi pós-fordismo-taylorismo neoliberal em rede:

Só rindo pra não chorar: convido a todos os leitores a assistirem ao filme A CORPORAÇÃO que o Rodrigo Cardia postou no CÃO UIVADOR e também a UMA VERDADE INCONVENIENTE, com o ex-vice presidente democrata (gestão Clinton) Al Gore (trechos aqui e aqui).

Tenho um colega de mestrado que se considera de “centro”, professor do MBA em Marketing da ESPM que diz que o problema da corrupção, da impunidade, do desperdício, da ineficiência na saúde e na educação é tudo questão de gestão. Então, ele propõe que só se utilize técnicos competentes, formados, pós-graduados, poliglotas em todas as áreas, cujo objetivo seja sempre o de gastar cada vez menos lucrando cada vez mais e reinvestindo esse lucro em infra-estrutura e treinamento. Sem CCs, sem gente de partido, sem contratar mais funcionários do que o necessário para executar a tarefa bem feita e sem pagar um salário de fome, mas também sem um pagamento nababesco, pagando bônus por produtividade, premiando por inovação, etc.

Só que ele se esquece do seguinte: como é que várias instâncias públicas irão andar sem pessoas de confiança dos eleitos para o executivo? Como exigir zilhões de técnicos hiperqualificados se há centenas de municípios onde GERAÇÕES de prefeitos e vereadores não possuem sequer o ensino médio?!

Eu disse a ele que marketing e administração são estratégias de controle econômico, financeiro, laboral e mercadológico de direita.

Aí, ele retrucou dizendo que não existe técnica de esquerda ou de direita: quem define se o direcionamento será mais à esquerda ou mais à direita são os executivos e a pressão que for mais forte (empresários ou povo). Se – e somente se – partir única e exclusivamente para o lado da técnica, aí, sim, hei de concordar com ele.

Porém, mesmo sem envolver política partidária nem sem conhecer teorias sociológicas, a esmagadora maioria dos professores universitários nas áreas de Administração, Economia, Direito e afins são conservadores e vieram das camadas mais ricas da sociedade.

Se ser professor é uma atividade política (mesmo que não seja partidária nem ideológica – e é importante que não seja pois, do contrário, mesmo mantendo minhas convicções sem jamais me omitir ou me amedrontar, é extremamente complicado ser contratado por uma universidade que aceite numa boa a militância), ao estimular e obedecer a lógica da empregabilidade através de uma cartilha imposta por um “mercado” cujo ideal é sempre o de impor normas rígidas de comportamento e de procedimento ao mesmo tempo em que mente (ou acredita piamente) sobre liberdade, autonomia e democracia, então o pensamento único que eles contam aos alunos é uma forma de criar não indivíduos autônomos na sua forma de pensar e agir em relação ao trabalho mas, sim, em pré-determinar as suas escolhas.

Nesse ponto, volto à questão de que a classe média emergente torna-se conservadora rapidinho: conheço uma moça extremamente querida, doce, carinhosa, altamente solidária que lidera trabalhos de doação e brincadeiras com a comunidade mais miserável de Porto Alegre, a da Ilha dos Marinheiros. Ela estuda Turismo na FARGS. Pois mesmo vindo de onde veio e fazendo o trabalho social que faz, votou Yeda.

Então, como é que eu vou ser otimista em relação às possibilidades de Rossetto ser eleito prefeito e de alguém da esquerda ser eleito governador em 2010?!

Essa construção de identidade e do tipo de escolha política que se faz, como se vê, possui muito mais focos de influência (situação financeira, higiene, infra estrutura e beleza física dos vizinhos, dos coleguinhas de escola, faculdade, profissão) do que meramente dizer que o que prevalece é a verborragia do pensamento único da mídia corporativa.

O pensamento único é o que a maioria das pessoas prefere porque é mais fácil viver sem ter que pensar.

O desafio é, portanto, desconstruir o não-pensar, o não-refletir e a via única.

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