GRÊMIO DESLANCHA NA COPA DO BRASIL 2008


Grêmio Media Center

Nem discuto que é fundamental ao GRÊMIO reforçar-se ainda mais quando os campeonatos estaduais estiverem chegando ao seu final, pois nosso plantel precisa receber mais atletas experientes, pois a média etária é muito baixa e isso poderá pesar mais adiante.

O jogo de ontem não pode ser avaliado nem como uma partida excelente, nem como uma partida de exceção. Ao mesmo tempo, parabéns ao modesto, leal e corajoso GRÊMIO JACIARA, que atravessou meio Brasil para ser goleado pelo TRICOLOR DOS PAMPAS sem dar uma porrada sequer. Os poucos cartões distribuídos durante o jogo para jogadores de ambos os times não foram por excesso de violência nem por desacato ao árbitro: foram por repetições de faltas anteriores ou para evitar que alguns atos desproporcionais se tornassem verdadeiramente violentos.

Os mato-grossenses tentaram, durante o tempo inteiro, atacar. Tiveram uma bola no travessão e um gol imperdível que acabou sendo perdido. Destaco dois jogadores que demonstraram um potencial promissor para atuarem pelo menos no interior de São Paulo, como os nºs 11 e 17, dois atacantes velozes e insinuantes. O técnico adversário também merece um crédito, pois, a despeito da fragilidade técnica e da falta de preparo físico de ponta apresentada ontem à noite em Porto Alegre, ele tentou explorar os dois principais defeitos do GRÊMIO: as costas dos laterais e o buraco entre os centromédios e os zagueiros.

Como o EXÉRCITO DE FERRO COM A ALMA CASTELHANA ainda precisa de vários ajustes, seguimos com o problema dos laterais levarem bolas nas costas e de os volantes abrirem espaço no meio ao invés de protegerem o miolo de zaga nos contra-ataques em velocidade. Celso Roth precisa corrigir o quanto antes essa deficiência, atenuada pelo desentrosamento do início de temporada e pela entrada recente de novos jogadores.

De modo geral, o GRÊMIO inteiro atuou com tranqüilidade. Celso Roth repetiu a mesma providência das duas partidas contra o Esportivo pelo Gauchão: duas substituições simultâneas já na volta do intervalo. E ele fica à beira do gramado berrando o tempo todo para ajustar o posicionamento do time, incentivando e cobrando.

São observações que não têm mais nenhuma relação com a intempestividade, com a impulsividade ou com o medo de que algo desse errado que o diretor de futebol Paulo Pelaipe demonstrou ao demitir o técnico anterior, Vagner Mancini. Afinal de contas, por enquanto, a única coisa possível de descrever são dois estilos pessoais diferentes de comandar os jogadores. Portanto, NUNCA iremos saber se Mancini não estaria crescendo junto com o time neste momento, nem tampouco se o crescimento do time se deve a Celso Roth.

A única suposição que ouso fazer é a de que Celso Roth sempre pareceu ser mais técnico do que Mano Menezes. Afinal de contas, Mano foi para um clube cujo auge da crise foi bem pior do que aquela que encontrou quando chegou ao Olímpico em abril de 2005, mas que conta com uma torcida muito maior e, agora, com muito mais dinheiro para investir. O Corinthians de Mano é uma cópia fiel do GRÊMIO de 2005, com alguns acréscimos e decréscimos, pois ele levou vários “bruxos” para o Parque São Jorge que não foram grande coisa por aqui. É um jogo feio, que não surpreende, porém está se tornando mais resistente atrás.

Por que essa comparação?! Simples: porque Celso Roth tinha fama de retranqueiro. Porém, as palavras dele assim que chegou há menos de duas semanas atrás foram mais ou menos as seguintes: “eu armo o time de acordo com as peças que tenho à minha disposição”.

Mano Menezes, por sua vez, é extremamente cauteloso dentro e fora de casa. Arrisca muito pouco mesmo quando possui ampla vantagem técnica à sua disposição. Até determinado ponto, o GRÊMIO de 2007 ainda possuía (mesmo sem Lucas e Carlos Eduardo) um time quase do nível do time que quase foi vice-campeão brasileiro em 2006. O GRÊMIO de Mano não era insinuante, não era insistente, não forçava o adversário a ficar acuado.

Ontem, contra um adversário que não é pior do que a maioria dos times do interior com os quais nos defrontamos até agora pelo certame guasca, o TRICOLOR DOS PAMPAS jogou mais solto, as peças estão se encontrando mais dentro de campo e, a despeito de algo raro que é um jogador fazer quatro gols em uma só partida, os 6×0 poderiam ter sido mais.

Ainda é muito cedo para pensar se este GRÊMIO tem como encarar o tradicional adversário de igual para igual. Também não sei o que o GRÊMIO de HOJE, 28/02/2008, seria capaz de fazer no Brasileirão.

Pelo menos uma coisa agora se percebe: que Victor, Léo, Jean, Anderson, Eduardo Costa, Magrão, Roger, Perea e Soares formam uma base superior à base de 2007 depois da ida de Cadu e Lucas para a Europa. Temos Grohe, Pereira, Hidalgo, Adilson e Maylson formando um banco melhor do que os de 2006 e 2007 se compararmos titulares e reservas para as mesmas posições.

Lesionados, temos Teco, Bruno Teles e Rodrigo Mendes como reforços no mesmo nível para o banco. Felipe Mattione seria, para mim, titular absoluto da lateral-direita, pois o único e grande furo que o GRÊMIO tem comprovadamente até o momento é o lateral-direito Paulo Sérgio, que apóia melhor porém marca muito pior do que Patrício.

Também acho que Mano Menezes estraga e limita o potencial de vários jovens que são bons porém estão longe de serem craques, forçando-os a exercer uma função tática que impede com que eles tenham autonomia suficiente para liberarem a sua individualidade. Querem um exemplo? Dou vários, pelo que vi de janeiro até aqui:

- O que era Willam Magrão em 2007 e o que é em 2008 (chuta de fora da área, se adianta pra tabelar e não se restringe apenas ao miolo do gramado);

- O que era Léo em 2007 e o que é em 2008 (vai pra cima com consciência e com uma categoria que não apresentava no ano passado, pois só podia subir para cabecear nos escanteios – vejam só o fator surpresa que Mano nos impediu de contar);

- O que eram Maylson em 2007 e o que é em 2008 (de um zero à esquerda para um meia-atacante movediço; embora sem brilho, apresenta uma utilidade ocultada de todos no ano passado).

Talvez não ganhemos nenhum campeonato neste ano (espero estar redondamente enganado). Contudo, espero mais atuações de qualidade e, sobretudo, muito mais coragem fora de casa.

Com Mano Menezes, a despeito das lesões e das negociações de jogadores que desmanchavam a espinha dorsal da equipe, apesar de tudo isso, vocês não notavam que o TRICOLOR parecia que ia engrenar, que ia torna-se um time estável, mas que, pouco depois, alternava altos e baixos com uma freqüência fora do normal para quem deseja se manter no topo?

Mas temos pelo menos quatro diferenciais bem superiores: Roger, o meia de ligação que não passava pelo Olímpico desde Ronaldinho; Perea, um atacante driblador, veloz e ambicioso como há muito não se via; Victor, um goleiro DE VERDADE, seguro, ágil, frio e muito discreto; e Léo, um jogador em nível de seleção principal.

Estou curioso para ver o Julio dos Santos e o Adilson em melhores condições, em uma briga que parece ser boa. Acredito na evolução de Maylson e acho que tem mais gente boa pra subir depois que as seleções SUB-17 e SUB-19 terminarem seus torneios no final de maio.

Seja o que for, aconteça o que acontecer, repito: absolutamente nenhum argumento de quem quer que seja poderá endeusar Pelaipe e Odone quanto à troca inesperada e repentina de Vagner Mancini por Celso Roth, pois JAMAIS saberemos se o GRÊMIO seria pior, igual ou melhor do que o que irá apresentar daqui até dezembro.

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