O título desta entrada é o da linha de pesquisa a que pertenço como mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (PPGCC/UNISINOS). Talvez muitos leitores ainda não tenham entendido exatamente o que eu pesquiso e quais meus objetivos. Acho que os resumos da área de concentração, da linha de pesquisa a que pertenço, dos projetos de pesquisa chefiados pelos seus doutores e pós-doutores e também alguma informação embrionária sobre o grupo de pesquisa MÍDIAS DIGITAIS capitaneado pela minha orientadora explicam grande parte das dúvidas de vários blogueiros que podem fazer parte do meu longo trabalho, cuja data-limite é até 29/02/2009 para defesa da dissertação e que já terá um desafio fortíssimo pela frente no final de maio, quando terei que passar pela banca de qualificação.
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO
PROCESSOS MIDIÁTICOS: a área enfoca o campo das mídias, abordando os sistemas eletro-eletrônicos de comunicação e as demais esferas implicadas nas interações sociais tecnologicamente mediadas. Pesquisa o conjunto de culturas, sistemas comunicacionais e suas práticas que operam mediante estruturas tecnológicas de mediação a distância, com lógicas e estratégias próprias, e configuram sistemas de significação singulares.
LINHA DE PESQUISA
CULTURA, CIDADANIA E TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO: pesquisa os processos midiáticos focalizados nas identidades culturais e sociabilidades, nas ações de cidadania dos movimentos sociais, nas dinâmicas das redes sociotécnicas e nas tecnologias da comunicação. As instâncias comunicacionais e midiáticas da produção, dos produtos e da recepção são estudadas através da experimentação de perspectivas multimetodológicas de caráter qualitativo e quantitativo.
Basicamente, me atrai muito toda e qualquer forma emergente de resistência, gerando relações sociais cujo objetivo vai muito além da empatia e do afeto: tudo começa a partir de um ponto comum que incentiva a reunião de pessoas voltadas para um determinado fim.
A despeito dos desejos estritamente pessoais de auto-satisfação através do reconhecimento e da sensação de pertença de e por algum grupo e da conseqüente construção da identidade do sujeito (de onde vim, quem eu sou, para onde quero ir, quem está comigo, quem não está comigo, quem eu gostaria de ser ou quem e quantos gostaria que fossem parecidos comigo e assim por diante), está um objetivo maior, que é o de fazer parte de algo, trocar informações, definir uma estratégia de busca da satisfação de demandas coletivas não-atendidas pelo Estado ou por algum órgão privado que não cumpre com a sua obrigação ou reivindicando, ou agindo da maneira que cada um achar mais adequada.
Não me canso de dizer que os blogs ditos de esquerda que apresentam reflexões responsáveis a respeito de questões que afligem o setor da sociedade interessado em melhorar o país para quem está pior do que nós como forma de melhorar também a nossa própria situação, embora sejam ainda pequenos em alcance, audiência e reconhecimento, possuem um capital social muito rico, gerado a partir da experiência pessoal de cada um dentro de grupos de interesse e instituições aos quais já faziam parte antes de começarem a escrever seus blogs.
Isso se deve à vontade de divulgar informações e sensações bastante diferenciadas e mais bem alicerçadas na teoria e na prática social de uma maneira mais reflexiva e menos generalista ou maniqueísta do que a proposta da esmagadora maioria das notícias e das opiniões da mídia corporativa.
2008 é ano de eleições para prefeitos e vereadores no Brasil inteiro. Há muitos blogueiros militantes de partidos, sindicatos, cooperativas, entidades de classe, comunidades e grupos de interesse étnicos, religiosos e sexuais que jamais são ouvidos, lidos, assistidos ou atendidos nem pela mídia corporativa, nem pelo poder estabelecido. Ao mesmo tempo, há outras pessoas que não fazem parte de nenhum desses grupos formalmente mas que possui diversos pontos em comum.
Nos EUA, um candidato a candidato a presidente pelos republicanos já foi derrubado por um escândalo pessoal que só foi divulgado através dos blogs.
A verdade a respeito da invasão estado-unidense no Iraque chegou ao mundo através de blogs dos próprios militares no front e também de jovens iraquianos relatando os horrores da guerra.
Nas Filipinas, o uso do sistema de mensagens curtas SMS (Short Message System) conhecido no Brasil como “Torpedo” ajudou a reunir em poucas horas uma multidão vestida de preto para protestar contra o então presidente há alguns anos atrás.
Em um ataque terrorista ao metrô de Londres em 2002, as testemunhas oculares pautaram a mídia corporativa, pois os usuários de celulares com câmera gravaram filmes do pânico entre os passageiros.
Cada vez mais, os blogs estão pautando a mídia corporativa: ou como fontes, ou como detentores de “furos”, ou como bibliotecas de curiosidades. Há programas de rádio em vários países cujo tema principal é comentar entradas em blogs.
Aqui no Brasil, temos vários blogs que anexam vídeos do You Tube, do Google Video e de outros serviços de publicação e compartilhamento de filmes digitalizados, além de fotos tiradas do próprio celular e de câmeras digitais compactas cada vez mais utilizadas no cotidiano que apresentam uma realidade social muito diferente da realidade apresentada pela mídia corporativa.
Esses são apenas alguns poucos exemplos de uma realidade que ocorreu em milhares de episódios diferentes com demandas diferentes em contextos diferentes através do mundo inteiro e que tem-se tornado cada vez mais freqüente.
Em função de tudo isso, tal realidade não pode ser ignorada dentro da sociedade midiatizada.
Então, pergunto:
O que move você a blogar?
Até onde você acha que isso vai chegar?
Tags: blog, blogs, blogger, bloggers, blogueiro, blogueiros, blogosfera, unisinos, comunicação, informação, novas tecnologias, NTIC, sociabilidade, resistência, pós-modernidade, post modernism, pesquisa, research
