CULTURA, CIDADANIA E TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO

O título desta entrada é o da linha de pesquisa a que pertenço como mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (PPGCC/UNISINOS). Talvez muitos leitores ainda não tenham entendido exatamente o que eu pesquiso e quais meus objetivos. Acho que os resumos da área de concentração, da linha de pesquisa a que pertenço, dos projetos de pesquisa chefiados pelos seus doutores e pós-doutores e também alguma informação embrionária sobre o grupo de pesquisa MÍDIAS DIGITAIS capitaneado pela minha orientadora explicam grande parte das dúvidas de vários blogueiros que podem fazer parte do meu longo trabalho, cuja data-limite é até 29/02/2009 para defesa da dissertação e que já terá um desafio fortíssimo pela frente no final de maio, quando terei que passar pela banca de qualificação.

ÁREA DE CONCENTRAÇÃO

PROCESSOS MIDIÁTICOS: a área enfoca o campo das mídias, abordando os sistemas eletro-eletrônicos de comunicação e as demais esferas implicadas nas interações sociais tecnologicamente mediadas. Pesquisa o conjunto de culturas, sistemas comunicacionais e suas práticas que operam mediante estruturas tecnológicas de mediação a distância, com lógicas e estratégias próprias, e configuram sistemas de significação singulares.

LINHA DE PESQUISA

CULTURA, CIDADANIA E TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO: pesquisa os processos midiáticos focalizados nas identidades culturais e sociabilidades, nas ações de cidadania dos movimentos sociais, nas dinâmicas das redes sociotécnicas e nas tecnologias da comunicação. As instâncias comunicacionais e midiáticas da produção, dos produtos e da recepção são estudadas através da experimentação de perspectivas multimetodológicas de caráter qualitativo e quantitativo.

Basicamente, me atrai muito toda e qualquer forma emergente de resistência, gerando relações sociais cujo objetivo vai muito além da empatia e do afeto: tudo começa a partir de um ponto comum que incentiva a reunião de pessoas voltadas para um determinado fim.

A despeito dos desejos estritamente pessoais de auto-satisfação através do reconhecimento e da sensação de pertença de e por algum grupo e da conseqüente construção da identidade do sujeito (de onde vim, quem eu sou, para onde quero ir, quem está comigo, quem não está comigo, quem eu gostaria de ser ou quem e quantos gostaria que fossem parecidos comigo e assim por diante), está um objetivo maior, que é o de fazer parte de algo, trocar informações, definir uma estratégia de busca da satisfação de demandas coletivas não-atendidas pelo Estado ou por algum órgão privado que não cumpre com a sua obrigação ou reivindicando, ou agindo da maneira que cada um achar mais adequada.

Não me canso de dizer que os blogs ditos de esquerda que apresentam reflexões responsáveis a respeito de questões que afligem o setor da sociedade interessado em melhorar o país para quem está pior do que nós como forma de melhorar também a nossa própria situação, embora sejam ainda pequenos em alcance, audiência e reconhecimento, possuem um capital social muito rico, gerado a partir da experiência pessoal de cada um dentro de grupos de interesse e instituições aos quais já faziam parte antes de começarem a escrever seus blogs.

Isso se deve à vontade de divulgar informações e sensações bastante diferenciadas e mais bem alicerçadas na teoria e na prática social de uma maneira mais reflexiva e menos generalista ou maniqueísta do que a proposta da esmagadora maioria das notícias e das opiniões da mídia corporativa.

2008 é ano de eleições para prefeitos e vereadores no Brasil inteiro. Há muitos blogueiros militantes de partidos, sindicatos, cooperativas, entidades de classe, comunidades e grupos de interesse étnicos, religiosos e sexuais que jamais são ouvidos, lidos, assistidos ou atendidos nem pela mídia corporativa, nem pelo poder estabelecido. Ao mesmo tempo, há outras pessoas que não fazem parte de nenhum desses grupos formalmente mas que possui diversos pontos em comum.

Nos EUA, um candidato a candidato a presidente pelos republicanos já foi derrubado por um escândalo pessoal que só foi divulgado através dos blogs.

A verdade a respeito da invasão estado-unidense no Iraque chegou ao mundo através de blogs dos próprios militares no front e também de jovens iraquianos relatando os horrores da guerra.

Nas Filipinas, o uso do sistema de mensagens curtas SMS (Short Message System) conhecido no Brasil como “Torpedo” ajudou a reunir em poucas horas uma multidão vestida de preto para protestar contra o então presidente há alguns anos atrás.

Em um ataque terrorista ao metrô de Londres em 2002, as testemunhas oculares pautaram a mídia corporativa, pois os usuários de celulares com câmera gravaram filmes do pânico entre os passageiros.

Cada vez mais, os blogs estão pautando a mídia corporativa: ou como fontes, ou como detentores de “furos”, ou como bibliotecas de curiosidades. Há programas de rádio em vários países cujo tema principal é comentar entradas em blogs.

Aqui no Brasil, temos vários blogs que anexam vídeos do You Tube, do Google Video e de outros serviços de publicação e compartilhamento de filmes digitalizados, além de fotos tiradas do próprio celular e de câmeras digitais compactas cada vez mais utilizadas no cotidiano que apresentam uma realidade social muito diferente da realidade apresentada pela mídia corporativa.

Esses são apenas alguns poucos exemplos de uma realidade que ocorreu em milhares de episódios diferentes com demandas diferentes em contextos diferentes através do mundo inteiro e que tem-se tornado cada vez mais freqüente.

Em função de tudo isso, tal realidade não pode ser ignorada dentro da sociedade midiatizada.

Então, pergunto:

O que move você a blogar?

Até onde você acha que isso vai chegar?

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A GANGORRA BARÇA-REAL MADRID

Globoesporte.com > Futebol Internacional – NOTÍCIAS – Eto´o e Messi brilham, e Barça goleia

Golear o lanterna jogando em casa não representa nada mais do que a obrigação. Afinal de contas, é muito fácil dar espetáculo com a torcida ao seu lado, diante do saco de pancadas da competição.

Porém, muitas vezes, salto alto, lesões ou uma atuação surpreendente do adversário transformam um jogo de três pontos garantidos “no papel” e a necessária ampliação do saldo de gols (a fim de evitar uma grande decepção em caso de campanhas parelhas na reta final do certame com os principais oponentes na briga pelo título) em um tropeço de grande repercussão na mídia e de pesadas conseqüências dentro do vestiário e na relação com a torcida.

Por que teorizei em cima de algo considerado como “chover no molhado”? Porque agora o BARCELONA até bem pouco tempo atrás estava distante do líder e atual campeão REAL MADRID, de várias atuações memoráveis de CASILLAS, SERGIO RAMOS, ROBINHO, JÚLIO BAPTISTA, MARCELO, GAGO, VAN NISTELROOY, RAÚL e GUTI.

Porque o BARÇA, mesmo tendo sido derrotado muito poucas vezes, acumulou uma série de empates e aplicou muito menos goleadas do que seu plantel representa no imaginário do torcedor, da imprensa, do dirigente e dos próprios jogadores. Perdeu-se muito tempo com fofocas, intrigas, suposições e com a hipervalorização de problemas comuns a todo e qualquer vestiário no mundo inteiro.

A capacidade física e técnica, o entrosamento e a tesão por resultados mexem com os brios de qualquer boleiro. Em um clube riquíssimo e visado pelo mundo inteiro, quando se passa uma temporada sem títulos, antes de fazer terra arrasada ou de achar que o acúmulo de desgastes pessoais entre os próprios profissionais do clube e emocionais (relacionados à família e àquilo que o próprio jogador ou técnico aspira, ambiciona e sente em relação ao seu passado, presente e futuro), é preciso dar uma chance para que todos busquem lá do fundo do seu corpo e da sua mente uma nova realização daquilo que todos conhecem a respeito do seu potencial que ficou latente durante tanto tempo.

O futebol não é uma ciência exata: além da forma física, técnica e emocional; da evolução tática e do entrosamento, o imponderável está sempre presente sob a forma de lesões e suspensões, além de contratações criteriosas de técnicos e jogadores que proporcionam resultados acima da média por parte de alguns adversários.

Por que os merengues melhoraram substancialmente em relação a si mesmos depois do bicampeonato espanhol de 2004/2005 e 2005/2006 e da UEFA CHAMPIONS LEAGUE 2005/2006 obtidas pelo tradicional adversário catalão? Mais do que os fatos (muitas estrelas para poucos operários) está a providência de gestão que TRANSFORMOU O MODELO DE FUTEBOL para contornar essa situação: optou-se por um novo perfil de técnico e de jogadores, mas sem fazer terra arrasada. A base veterana e prata da casa, com eficiência porém sem brilho, foi toda mantida, pois são eles aqueles que possuem o verdadeiro amor à camiseta e que irão transmitir a CULTURA CLUBÍSTICA para aqueles que chegam.

No momento em que emerge a reabilitação de um grande clube, a gangorra inverte e chega a vez do pólo oposto repensar as suas práticas. Afinal de contas, o show deve continuar. Falando nisso, a reflexão sobre perdas e danos não pode jamais ser dissociada da reflexão a respeito das razões que levaram o clube a atingir um longo momento de sucesso.

Quem não sabe por que ganha, também não sabe por que perde. Dessa forma, retomar os caminhos das vitórias torna-se um processo mais longo, repleto de tentativas frustradas e poucos acertos.

Estamos em uma fase de transição, na qual os madrilenhos parecem encaminhar-se para uma nova conquista na seqüência de um trabalho que começou no ano passado. Todavia, as novas peças ainda não são unanimidade. Dos contratados antes do início da temporada, a única certeza é DIARRA, ROBBEN só agora está livre de lesões, GAGO não é titular absoluto e DRENTHE é, a meu ver, menos aproveitado do que deveria, já que a escolha do técnico BERND SCHÜSTER é pelo brasileiro MARCELO.

O próprio Schüster é um técnico competente e que irá obter títulos importantes pelo Real. Só não se sabe se irá emplacar direto na sua primeira temporada. No Barça, FRANK RIJKAARD não ganhou em 2003/2004, mas plantou uma semente que rendeu frutos inesquecíveis.

Nesse ponto, os blaugrana estão agindo com maior agilidade, evitando que a peteca caia rumo a um abismo: veio o zagueiro GABI MILITO que, embora não seja fantástico, por ser jovem e menos lento do que seus companheiros, também tapa os furos deixados pelo capitão CARLES PUYOL e pelo mexicano RAFA MÁRQUEZ. Além disso, depois de muitos e muitos anos, finalmente o Barça volta a ter um senhor lateral-esquerdo, que é uma fortaleza na marcação e apóia de maneira sistemática e consistente: ÈRIC ABIDAL.

As constantes lesões e a veterania do brasileiro EDMILSON, a venda do sempre inconfiável TIAGO MOTTA para o ATLÉTICO DE MADRID e a baixa estatura dos bons XAVI e INIESTA obrigaram o investimento em um volante melhor do que os dois primeiros em todos os quesitos e melhor do que os dois últimos em alguns outros quesitos: YAYA TOURÉ.

A defesa acertou-se. Contudo, do meio para a frente, onde tudo parecia quase perfeito, criou-se um empasse de difícil solução.

A compra do genial atacante francês THIERRY HENRY, pra mim, foi um erro desde o começo: onde encaixá-lo nesse time, sabendo que é raro um jogador desse nível e com essa experiência ser contratado ainda no auge de sua forma para ser reserva?!

DECO, o luso-brasileiro de tantos títulos e de um entrosamento magnífico com RONALDINHO e ETO’O, agora perderia lugar para a nova estrela emergente do futebol mundial, o argentino LIONEL MESSI. Porém, Deco atua em uma faixa de campo entre os volantes e os atacantes pelo lado direito, podendo aproximar-se de Messi ao invés de concorrer com ele. Veio uma lesão e Deco perdeu seu posto para o prata da casa ANDRÉS INIESTA, que é extremamente regular, veloz e preciso no passe. Para essa posição (e também para a de Messi), o Barça tinha um excelente jogador, muito veloz e habilidoso, que também foi negociado com a ROMA: o francês LUDOVIC GIULY.

Vindo das categorias de base, duas promessas: o centroavante goleador BOJAN KRKIĆ e o meia-atacante mexicano GIOVANNI DOS SANTOS pelo lado de Ronaldinho.

Além de ter que entrosar e encontrar espaço para definir quem seriam os melhores e os nem tão melhores porque não havia espaço para todos no time, Rijkaard também sofreu com as lesões de retorno demorado de Deco, Ronaldinho e Eto’o.

Muitos dos resultados negativos inesperados ocorreram por falta de entrosamento e de experiência. Agora, todos estão disponíveis novamente e chegando perto de um nível físico ideal. Volta-se a jogar bonito novamente.

Quanto ao Real Madrid, sua queda acentuada nas últimas rodadas deve-se às lesões de Robinho e Marcelo. O primeiro é a expressão máxima da qualidade técnica, que tornou-se um homem maduro e de referência até mesmo na concorrência eterna dentro da SELEÇÃO BRASILEIRA. Sem eles, a média de gols do matador Van Nistelrooy caiu muito.

Isso prova mais uma verdade verdadeira ou mais uma chuva no molhado, como queiram: a de que quanto mais se joga, melhor se joga. Quando falta uma peça, o desentrosamento perde a continuidade e o rendimento cai. Portanto, o equilíbrio de uma diferença de apenas dois pontos como a atual é muito mais lógico entre dois clubes bilionários do que os oito pontos de duas rodadas atrás.

E que não se espere que o Barça vá virar e abrir com facilidade.

Mesmo sendo um campeonato de dois (eventualmente, de três ou quatro) postulantes, o campeonato espanhol tem muita graça sim, senhor! ;)

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MAIS DOIS BLOGS GREMISTAS

Mais dois bons blogs de escrita e opiniões interessantes devidamente adicionados à nossa coluna de links dedicados ao GRÊMIO:

EL ZAGUERO, do Thiago Tramontini

COLUNA DO GREMISTA, do blogueiro que atende pela alcunha de Torcedor Gremista

São mais duas opções de debate e conversação sobre o TRICOLOR DOS PAMPAS dentro da blogosfera. ;)

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BLOGUEIROS DE ANGOLA: AJUDEM, POR FAVOR!

Em primeiríssimo lugar, agradeço de coração à todos os leitores deste blog que vêm de outros países lusófonos, sobretudo da África, continente tão importante nas raízes da cultura étnica, culinária, religiosa e de moda em dezenas de comunidades brasileiras espalhadas por todo o nosso imenso país.

Como diz o Eduardo Guimarães na sua viagem profissional àquele país, sabemos muito pouco sobre Angola, sobre a política, sobre a educação, sobre a economia, sobre o meio ambiente e sobre as várias nuances culturais, étnicas e religiosas de um dos 10 maiores países africanos em área, porém com uma população razoavelmente pequena, que passou por uma devastadora guerra.

Sou publicitário, mas passei a maior parte da carreira no chamado “mercado” (eu não considero pessoas como mercadorias) atuando junto a jornalistas. Quando passei no vestibular, foi para Jornalismo, curso que freqüentei durante três semestres. Depois, pedi trasnferência interna dentro da UFRGS para Propaganda e Publicidade.

À exceção do momento semi-escravo quando atuei como arte-finalista em agências de publicidade e em estúdios de design, trabalhei bastante tempo em portais de notícias (ZAZ, Terra e Globo.com) como designer interativo. Nunca fui muito ligado em literatura de ficção, poesia e romance quando era adolescente. Me encantava escrever crônicas sobre o cotidiano e também praticar e ler sobre informática, esportes, política e artes.

Minha vocação acadêmica tardiamente descoberta, apesar da minha ignorância, sempre tinha um braço me puxando, mas teimei, durante mais de uma década, em me soltar dele. Quando tinha 16 anos e estava na 2ª série do ensino médio (2º ano do 2º grau, como se dizia antigamente), fui protagonista de uma peça de teatro na escola, na qual era um professor secundarista em greve. Aliás, a cena da passeata foi muito criativa, pois, em 1989, poucas montagens teatrais ousavam abandonar o palco e misturar-se à platéia.

Na faculdade, eu gostava muito mais das disciplinas de Ciências Humanas como Lingüística, Semiótica, Filosofia, Sociologia, Psicologia e Teoria Política do que de todas as outras disciplinas. Mas, ingênuo, sonhador e ambicioso que era, neguei essas características pessoais em detrimento da vontade e da necessidade de ganhar dinheiro e tentar ser famoso naquele falso glamour do mundo publicitário.

Em agosto de 2002, pouco mais de um mês antes da morte do meu pai por câncer no esôfago (é um final de vida terrivelmente doloroso e definhante que não desejo a ninguém – é por isso que tenho nojo de tabaco), depois de vários anos em que ele me dizia que eu poderia ser um bom professor e deveria entrar no mestrado, surgiu a oportunidade de eu lecionar como professor substituto aonde havia me graduado como bacharel em Comunicação Social com habilitação em Propaganda e Publicidade: na Faculdade de Arquivologia, Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FABICO/UFRGS).

Foram apenas dois semestres. E só consegui entrar no mestrado do Programa de Pós-GRaduação em Ciências da Comunicação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (PPGCC/UNISINOS) – um dos únicos cinco cursos do país com conceito 5 na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior do Ministério da Educação da República Federativa do Brasil (CAPES), órgão vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) do Ministério da Educação (MEC) após cinco desgastantes tentativas.

Meu papel social é o de não parar de aprender, de absorver informação e de transformá-la em conhecimento teórico a partir da reflexão sobre as práticas sociais decorrentes das transformações no cotidiano urbano a partir do uso que os indivíduos fazem das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTICs), ajudando vários estudantes não apenas a obter o documento e a passar pelo rito e pela burocracia da graduação, pois minha função é a de ser muito mais do que um “facilitador” da entrada de pessoas no “mercado de trabalho” mas, sim, colaborar para que sejam cidadãos conscientes, bem informados, curiosos, atuantes e politizados, a fim de utilizar o seu livre arbítrio para determinarem seus próprios destinos e serem ágeis para mudarem de rumo sem dependerem dos humores do mercado financeiro, de chefes, de clientes, de funcionários, de partidos políticos, governos ou religiões para fazerem suas vidas andarem para a frente.

Meu objeto de pesquisa é a sociabilidade estabelecida tendo como ponto central os blogs, através da escrita e da leitura freqüente; da indicação de links para sites e blogs de interesse do blogueiro para seus leitores; da importância de estabelecer laços de historicidade e de busca da verdade fornecendo sempre referências para aquilo que escreve através de links para a informação que originou o texto publicado (entrada ou post); da conversação e dos debates estabelecidos a partir dos comentários dos leitores em cada uma dessas entradas, das citações da entrada de um blog em outro blog ou até mesmo na crescente importância que os blogs vêm alcançando ao pautarem a mídia corporativa tradicional. A partir daí, é importante descobrir a origem dos blogueiros e dos leitores mais atuantes dentro da comunidade de blogs escolhida como tema (cultural, étnica, religiosa, comunitária, política, esportiva, profissional, etc.), a fim de buscar a dimensão dessa rede social.

Ainda não obtive treinamento suficiente para fazer uma análise do discurso. Então, não é o teor político, ideológico ou classista dentro de cada entrada ou de cada comentário que irei verificar com profundidade e, sim, o que esse tipo de identidade faz para mover a comunidade virtual de blogueiros que conversam entre si.

Enfim… Gostaria muito que os blogueiros angolanos identificados com a ideologia de esquerda (não necessariamente social-democrata, socialista ou comunista, mas que preze pela solidariedade, pela utopia da igualdade da distribuição de renda e pelo progresso financeiro, emocional, social e profissional moldado por valores diversos dos valores impostos pelos grandes conglomerados que financiam a mídia corporativa) entrassem em contato comigo, a fim de eu poder conhecê-los melhor: quais as suas motivações em blogar? A quem desejas atingir com tuas mensagens? És vinculado a algum sindicato ou partido? Quais as experiências sociais progressistas que pretendes divulgar a partir da blogosfera? Como procedes ao receberes comentários contrários à tua ideologia ou no teu próprio blog, ou através de uma conversação ou debate desenvolvidos dentro de outro blog? O que costumas falar a respeito de Angola que não é veiculado nos jornais, revistas, programas de televisão, filmes e rádio tanto dentro de Angola como no exterior? Como fazes, tanto no teu blog como na tua vida social, para apresentar uma imagem diferente daquela que a mídia corporativa, as classes mais ricas e os estrangeiros fazem de Angola?

Isso é apenas o começo. São perguntas muito genéricas e muito básicas em relação a tudo o que preciso verificar lendo os blogs de todos.

AGRADEÇO ENORMEMENTE ÀQUELES QUE PUDEREM COLABORAR! ;)

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MEDIAÇÃO, EDIÇÃO, VERDADE E FORÇA

O blogueiro descompromissado e o leitor eventual precisam saber que o jornalismo possui técnicas e práticas que determinam o caráter de uma notícia ou opinião a partir de uma linguagem compreensível para a maioria das pessoas que, normalmente, são leigas em relação ao assunto tratado por qualquer matéria. Por exemplo: quando se fala sobre alguma demanda política, descoberta científica ou quando se demonstra um determinado procedimento da medicina, a função da Comunicação Social (Jornalismo, Propaganda e Publicidade, Relações Públicas, Radialismo e Televisão, Cinema, Produção Editorial e Comunicação Digital) é a de traduzir a linguagem técnica (jargões, gírias, etc.) dos médicos para que a população leitora e consumidora de notícias compreenda a informação publicada sob forma de texto escrito sobre um determinado suporte (jornal, revista, panfleto, internet, livro, anúncio, outdoor, etc.), narrada (rádio, internet ou evento) e/ou imagética (imagens estáticas e em movimento com ou sem som – televisão, cinema, internet, livros, revistas, anúncios, etc.).Nenhuma informação divulgada é neutra. Primeiro, porque o emissor da mensagem possui a sua própria visão de mundo, moldada a partir da sua rede social (família, vizinhos de todos os lugares onde morou, colegas de todos os lugares onde estudou e trabalhou, eventuais contatos presenciais ou virtuais que fizeram alguma diferença e fizeram com que acumulasse algum conhecimento relevante). Segundo, porque independentemente das suas crenças (ideologia, religião, paixões, ódios, concordâncias, discordâncias e ponderações), normalmente precisa defender os interesses de quem sustenta o seu emprego. Dessa forma, seja por vontade própria, por indução, por ameaça ou simplesmente em função do hábito adquirido de proceder sempre da mesma forma na hora de fazer da técnica um produto concreto, o jornalista emite juízos de valor que constroem e moldam a opinião de quem compra aquilo que disseram, fotografaram, gravaram/filmaram e/ou escreveram.Como há uma informação bruta que, em função do tempo ou do espaço disponível pode ser publicada (entrevista, consulta a livros ou a jornais e a gravações de filmes, programas, novelas, noticiários, documentários, etc.), há um processo de corte e de arranjo de informações que, na nova escrita, recebe o nome de EDIÇÃO: a edição é uma mediação, isto é, a transformação do material de referência (fonte da informação) a ser processado em uma ação feita por um mediador (o editor e/ou o repórter), que define tudo o que entra e tudo o que não entra na notícia. O processo de edição é subjetivo: ele permite a mudança da ordem de falas e imagens, descontextualizando-as de sua origem e alterando o seu sentido, de tal forma que a descontextualização da natureza bruta transforma-se em um novo contexto, onde aquilo que tinha uma determinada simbologia, isto é, que remetia a lembrança de quem assistiu ou vivenciou a situação não-editada a n significados, depois da edição passa a apresentar novos significados, agora construídos por um terceiro.Todos nós editamos a informação que queremos transmitir. Afinal de contas, pretendemos ser compreendidos e queremos levar o leitor a pensar a respeito daquilo que escrevemos em nossos blogs. Todo e qualquer diálogo, todo e qualquer debate, toda e qualquer conversação seriam absolutamente impossíveis de ocorrer de maneira inteligível caso não houvesse edição.Assim como as corporações de mídia tão criticadas, contestadas, corrigidas e naturalmente desacreditadas em muitos aspectos da sua agenda em função do pensamento único e de defenderem, na política e na economia, os interesses de seus anunciantes acima de tudo, nós também temos uma ideologia, uma visão de mundo, um posicionamento. Acreditamos e desacreditamos; valorizamos e desvalorizamos; incentivamos a relevância e excluímos a irrelevância em relação às nossas crenças e valores individuais e coletivos; denunciamos ou assinamos embaixo quando concordamos.Portanto, a verdade em si não existe, pois ela é a construção que fazemos em nossas mentes a partir das informações que vamos acumulando através de nossos cinco sentidos, daquilo que vivenciamos e daquilo que dizem a nós. Todas as pessoas possuem livre arbítrio, experiência e conhecimento em níveis variados a respeito de qualquer assunto e acreditam ou deixam de acreditar, agem ou deixam os outros agirem por si em função do caldo de referências que acumulam desde o seu nascimento até a sua morte.A verdade é, a meu ver, uma forma de advogar em causa própria: afinal de contas, todo ser humano mentalmente saudável, sem exceção, só consegue dar sentido à sua própria vida mediando vivências, historicidades e sociabilidades. A construção da realidade é tarefa exclusivamente pessoal e intransferível. Quem não defende seus próprios interesses não possui motivação para viver. Todo mundo omite o que não interessa e supervaloriza aquilo que interessa.No caso do jornalismo, não necessariamente aquilo que interessa ao dono, ao chefe ou a quem banca o dono dos meios de produção interessa ou faz parte das crenças do redator ou do editor, mas ele executa profissionalmente aquela tarefa técnica para a qual se preparou. Normalmente, onde a rede social é mais concentrada, também existe mais dinheiro, melhores salários, maior infra-estrutura e maiores possibilidades de promoção e de aspirações pessoais (conhecer pessoas influentes, viajar, obter mais rápida e facilmente subsídios para suas histórias, melhorar a sua escrita, evoluir intelectualmente, aprender novas técnicas e por aí afora). A marca da empresa de mídia torna-se referência profissional, fazendo com que jovens encontrem nessas corporações a sua melhor, maior ou até mesmo única forma de obter sucesso profissional.Seja de maneira ética e honesta ou de maneira anti-ética e desonesta, grande parte dos jornalistas que escolhem o caminho da mídia corporativa admiram e temem o poder da rede social engendrada por elas, ao redor delas e também da qual fazem parte. Sentem que é fundamental fazerem parte desse círculo de poder político, financeiro e simbólico, pois isso lhes dá acesso a uma instância de poder a qual almejam ambiciosa e/ou ganaciosamente ou, por outro lado, que precisam conhecer para não saírem prejudicados e também para aprenderem a fazer diferente em uma instância alheia.A força do jornalismo corporativo está no gigantismo, na grandiosidade, na grandiloqüência, no alcance do seu discurso e na qualidade do seu enunciado. Mesmo que saibamos quem, como, aonde, até que ponto e por que ela representa ou deixa de representar, não podemos ignorá-la nem tampouco calá-la: o que podemos fazer é denunciarmos, através do lado da moeda no qual acreditamos, de maneira descentralizada, justa, honesta, ética e bem-informada a verdade que fica opaca naquilo que a edição das corporações descartou, escondeu, desvalorizou, omitiu, perdeu.A agilidade dos blogs alternativos está na descentralização (cada blog define sua própria pauta), na independência financeira, de chefias e de lideranças e, acima de tudo, na possibilidade de sermos lidos e produzirmos diferença social através de nossas informações.Nem todo mundo acredita ou duvida cega ou conscientemente tanto dos blogs, das rádios comunitárias, dos jornais e podcasts alternativos, assim como nem todo mundo duvida ou acredita piamente nas notícias e opiniões quase uníssonas da mídia corporativa: o repertório individual de informações acumuladas é incessante e todos podem mudar de opinião à medida que fatos novos façam com que se acredite ou se deixe de acreditar em algo. Afinal de contas, nada é para sempre.Que isso sirva de estímulo e de conscientização. Reflita. Pondere. Não acredite piamente em tudo o que você lê, ouve, assiste, vê ou escreve. Confira. Cheque. Informe-se através de fontes diferentes. Confronte. Debata. Notícia não é informação. A verdade do seu pai, do seu
chefe, do seu vizinho, da sua igreja, da sua faculdade, não precisa ser a sua verdade. Pese. Meça. Avalie. Multiplique o conhecimento. Gere conhecimento. Compartilhe conhecimento. Informação gera diferença. Através da diferença, constrói-se uma sociedade diferente a partir do crescimento de posições e opiniões. Não tenha medo. Participe mais. Aja. Reaja. Sempre sem violência, sem covardia, sem mentir. Mas faça com que a razão prevaleça sobre a emoção.A maior transformação que você pode fazer na sociedade começa pela transformação de si mesmo. Portanto, não ignore nada nem ninguém. Não menospreze nada nem ninguém. Expanda a sua capacidade de surpreender e de ser surpreendido evitando a previsibilidade e o conforto das ações conhecidas e repetitivas. Insira elementos diferentes na sua rotina.

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