O RIO DE JANEIRO É MELHOR DO QUE POA I

Abro esta série de posts aqui da Cidade Maravilhosa, onde cheguei no início da tarde da última sexta e permanecerei até o final da tarde da quarta-feira dia 02/04.

Aqui fala um cara que está vindo de férias pra cá pela sétima vez. Nunca dependi de carona ou de táxi pra fazer ou deixar de fazer as coisas aqui. E também nunca fiz pacote turístico, já fuii a baile funk em favela e conheço um montão de gente querida que mora nos subúrbios da zona norte.

Também já morei aqui durante quase um ano a trabalho.

Enfim… Não sou historiador nem sociólogo, mas acho que há uma porrada de coisas que o pobre povo gaúcho (estou generalizando movido pela raiva que me dá olhar para nós com uma visão de fora) deveria aprender.

Vou começar com pequenas coisas…

COMÉRCIO POPULAR: ao contrário da falta de treinamento e do desânimo de grande parte do comércio porto-alegrense (seja nos caros shoppings, seja no Centro ou na Assis Brasil), ao invés de parecer que estão fazendo um favor ou de atender com sorriso e com um bom papo apenas aos clientes antigos, de maneira geral, os comerciantes e comerciários cariocas tendem a ser bem mais simpáticos, ágeis e prestativos do que os de Porto Alegre.

A Feira Hippie de Ipanema é 4x maior do que o Brique da Redenção, com artistas bem mais talentosos e com produtos esteticamente mais agradáveis e mais variados. Isso eu não credito ao fato do Rio ser uma cidade cuja área é 3x maior e cuja população é 4x maior do que a de POA.

LIÇÃO 1: quem faz força pra sorrir mesmo diante da adversidade é mais otimista e, como diz o sociólogo italiano Domenico De Masi, “o otimismo é a forma mais generosa de inteligência”.

A Saara é uma parte do Centro histórico repleta de lojas de comércio popular que vendem os MESMOS produtos que encontramos na Voluntários da Pátria. Possui as mesmas virtudes e defeitos, com o agravante de três defeitos do comércio popular da capital guasca: a) Embora o RJ seja mais sujo do que POA, as ruas da Saara são menos podres do que a Voluntários; b) Na Saara não passa carro; na Volunta, passa uma porrada de ônibus e as calçadas são mais podres; c) Os vendedores, mesmo com menos escolaridade, esforçam-se para apresentar um vocabulário mais diversificado, atenuando, assim, os erros de concordância.

Nos caros shoppings da zona sul, a maioria das vendedoras das lojas femininas são bonitas e falam melhor. Em Ipanema, idem.

Ipanema é o lugar que eu mais gosto no Rio: claro que eu prefiro lugares bonitos, praia e uma sensação tanto de segurança quanto de liberdade. A despeito dos novos ricos da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes (equivalentes aos modorrentos Bela Vista, Boa Vista, Três Figueiras e Chácar das Pedras), o Moinhos de Vento carioca (Ipanema, Leblon, Gávea, Jardim Botânico) é um ambiente mais polido e muito mais light do que seu equivalente gaúcho.

Não se assustem: feliz ou infelizmente, eu volto logo. E, por mais paradoxal que seja, ainda verifico algumas virtudes além do meu Grêmio na nossa pampa pobre.

Hoje, meu cunhado trouxe ZH pra agradar a minha mãe. Me apavorei com a cara de pau da capa condenando o anúncio de obras do PAC no RS, pois quase todo o dinheiro que foi investido no RS durante os governos de direita que ora tomam conta como ervas daninhas veio do PAC. Agora, querem dizer que toda a iniciativa é eleitoreira…

Será que não é melhor viver sendo sempre governado por uma direita light ao invés de uma esquerda que não sabe se manter no poder porque perde tempo demais tão-somente pondo a culpa na mídia (não que não seja um fator considerável, mas… seria mesmo o principal ou o único) e de uma direita sarnenta, sanguinolenta, prostituta e imunda?!

Aguardem novas impressões pseudo-etnográficas…