NÃO ENTREM EM PÂNICO COM A ROSÁRIO

Pelo menos não antes do tempo. A seguinte citação de Charles Sanders Peirce, o pai da Semiótica, vai fazer com que um monte de blogueiros venham aqui pra sentar o pau na falta de sociologia, de filosofia, no simplismo e na objetividade tipicamente positivistas (embora eu não seja positivista). Enfim:

“MATERIALISMO SEM IDEALISMO É CEGO; IDEALISMO SEM MATERIALISMO É VAZIO.”

Portanto, melhor compreender a ótica dos meios que justificam os fins, embora ainda não saibamos quais serão e nem se concordaremos ou não com esses meios – mesmo que um desses meios tenha sido conversar com o PDT e oferecer-lhe a vice-prefeitura… ;)

Mas, cá pra nós: anos-luz com os maria-vão-com-as-outras do PDT do que com os sempre direitistas enrustidos do PTB e os assumidos do PP, do DEM e dos mais hipócritas de todos, os do PPS.

O AGENTE 65 conseguiu ser bem objetivo em seu post de hoje: entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Rosário foi competente em aglutinar as bases que, no atual contexto, não exprimem mais aquela relação de reverência às lideranças clássicas do PT gaúcho.

O que é muito precipitado da parte de vários filiados antigos ao partido que sempre foram fiéis ou à Democracia Socialista ou ao PT Amplo e Democrático é que isso não significa, de maneira alguma, rejeição desses próceres nem tampouco “o fim da história”, como um daqueles reprodutores de “almofadinhas de MBA” como costuma chamar LA VIEJA BRUJA escreveu há alguns anos atrás.

Da mesma forma, sugiro que reflitam e não tomem por agressivo, irônico e nem por pejorativo o fato de chamarem de “caciques” figuras como Olívio, Tarso, Raul, Koutzi e outros políticos tão queridos à causa da esquerda latino-americana nesta pampa pobre (Esqueçam: isso é nome de blog de direita e de música gaudéria regravada por um pseudo-filósofo contemporâneo da burguesia guasca) que mais parece uma ALDEIA GAULESA em ruínas. Afinal de contas, cacique é chefe, é líder, é detentor de sabedoria.

Da próxima vez, ironizem o discurso dos colonistas guascas dessa forma! E dêem um tempo ao tempo. Afinal de contas, não quero ver meus amigos se entupindo com cigarros, cachaça, Lexotan, Gardenal ou Zetron… ;)

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ROSÁRIO: + COMPETENTE NA INTERNET

Pessoalmente, se achasse que valeria a pena filiar-me a algum partido político, este seria o PT. Caso tivesse direito a voto, teria escolhido Rossetto. Não vejo defeitos graves de nenhum dos dois. A diferença está na origem das chamadas “tendências” (que deveriam ser chamadas de subdivisões, na verdade, pois, em bom português, tendência significa outra coisa e não divisões em subgrupos, como é o caso).

Até às 11:45h da manhã desta segunda-feira dia 17/03/2007, o AGENTE 65, o DIALÓGICO e o DIÁRIO GAUCHE haviam sido os únicos dentre os blogs de esquerda gaúchos mais conhecidos a repercutir brevemente o resultado da prévia que definiu ontem a deputada federal MARIA DO ROSÁRIO como candidata à Prefeitura Municipal de Porto Alegre pelo PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT).

Quando eu falo que o PT é muito desorganizado e despreparado para o combate contra as forças oligárquicas que utilizam o alcance e a discursividade da mídia corporativa hegemônica a seu favor principalmente através da web, infelizmente, mais uma vez, tenho razão: o site do Diretório Municipal da Bancada de Vereadores ainda não havia repercutido o resultado da prévia. Isso que estava cheio de gente lá por volta da meia-noite para comemorar a vitória da pré-candidata alçada ao posto de candidata do partido em outubro.

Digam o que disserem, apesar de eu também ter muito mais confiança e simpatia nas “correntes” (às quais prefiro chamar de subgrupos, por razão semelhante a eu repudiar também a palavra ‘tendências’ para denominar os diversos grupos temáticos, programáticos, ideológicos e de interesse por afinidade e por objetivo que seguem o programa do partido), o SITE NACIONAL DO PT pelo menos possui assessores de imprensa verdadeiramente profissionais e atualização freqüente. Confiram uma pequena matéria verdadeiramente jornalística aqui. Independentemente do fato de os caciques nacionais do PT serem de São Paulo ou de lá haver maior militância e, conseqüentemente, mais verbas para investimento em comunicação, isso não é luxo mas, sim, OBRIGAÇÃO e NECESSIDADE.

Conforme já citei em uma entrada anterior, poucos meses depois da exaustiva porém extremamente frustrante campanha para o Governo do Estado em 2006, descobri que o Diretório Municipal da capital-símbolo da gestão petista que serviu de referência para vários pontos do planeta AINDA NÃO TINHA ACESSO BANDA LARGA À INTERNET. Hoje, não sei mais como está. Só pretendo comparecer à sede do partido perto da campanha ou em caso de palestra ou debate relevante.

Já o Diretório Estadual do RS repercutiu através de uma foto mixuruca da candidata e de uma chamada em corpo pequeno bastante lacônica para o meu gosto e para a importância da mobilização e do pleito em sua capa. Já o que esperar-se-ia ser uma matéria jornalística correspondente ao fato resume-se a um mero boletim com os resultados das urnas. Sem entrevistas, sem fotos, sem depoimentos nem dos pré-candidatos ROSÁRIO e ROSSETTO.

Falando nele (que teria sido meu candidato caso eu fosse filiado ao PT), o BLOG DO ROSSETTO, que pensei tratar-se de uma boa novidade, de uma revolução em termos de estratégia de comunicação, de assessoria de imprensa, de contato mais próximo com as bases conectadas à Rede, sequer repercutiu a prévia na qual estavam, dentre seus maiores interessados, o próprio ex-vice-governador do RS e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e suas bases, que aglutinaram quase 50% da militância que exerceu o seu direito de voto em seu favor.

Durante a campanha, recebi uma enxurrada de e-mails das assessorias de ambos os candidatos. ROSSETTO realmente pintava como favorito em função de reunir em torno de seu nome não apenas uma experiência executiva muito mais relevante do que a de ROSÁRIO, mas sobretudo porque tinha a esmagadora maioria da nata dos ex-governantes petistas no RS e em POA ao seu lado, além de todas as subdivisões mais à esquerda.

Todavia, ROSÁRIO sempre esteve mais diretamente envolvida com as questões das comunidades carentes de uma importante região de PORTO ALEGRE (veremos isso mais adiante). ROSSETTO foi um consagrado líder sindical no VALE DOS SINOS. Isso mostra que sua base é rural e industrial, menos relacionada às questões urbanas do que ROSÁRIO.

Um ponto extremamente favorável à candidata vencedora é o fato de ela possuir um SITE OFICIAL há muito tempo, no qual ela deixa bem claras as suas bandeiras – todas urbanas e que demandam um contato direto com o eleitor das comunidades carentes e de grupos discriminados pelo mundo neoliberal que são estratégicos como formadores de opinião da classe média: DIREITOS HUMANOS, EDUCAÇÃO, CRIANÇA E ADOLESCENTE, MULHERES, JUVENTUDE, GLBT, PESSOAS COM DEFICIÊNCIA e CULTURA.

Não é à toa que ROSÁRIO normalmente trabalha em “dobradinha” com o vereador ALDACIR OLIBONI: ele também é um excelente exemplo de estar 100% ligado à importância do papel da COMUNICAÇÃO DIGITAL na política, pois é uma forma de CONVERSAÇÃO, DEBATE, INTERATIVIDADE, TROCA DE INFORMAÇÕES e ACOMPANHAMENTO DO TRABALHO DO PARLAMENTAR que não existe igual em nenhuma outra mídia. Afirma-se aí a existência concreta de um contato mais direto com a sua base – este, sim, capaz de minar o enunciado negativo da esquerda a partir da mídia corporativa.

O vereador, famoso pela sua participação como JESUS CRISTO na VIA CRUCIS encenada no MORRO DA CRUZ, possui também um perfil no ORKUT, cujo álbum de fotos apresenta-o diretamente envolvido junto às demandas da sua base eleitoral. Tal forma de apresentar-se na Rede possui n paralelos com a pós-moderna MANUELA D’ÁVILA na capital gaúcha (já analisei sua estratégia de comunicação digital aqui e também expus uma série de críticas em relação à sua exposição na mídia corporativa) e com a experiente SONINHA FRANCINE em São Paulo, que estão no caminho certo.

No final das contas, aquilo que o DIÁRIO GAUCHE havia apontado como personalismo de ROSÁRIO e como solidariedade do lado de ROSSETTO, acabou tendo uma conotação exatamente oposta: o MARKETING POLÍTICO-ELEITORAL E A ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO DE ROSÁRIO ATRAVÉS DA INTERNET É UM DOS MELHORES DO BRASIL.

A conotação da auto-representação de cada um através das fotos de fundo dos respectivos gabinetes de ambos os candidatos acabou, por fim, traduzindo exatamente o oposto da relação entre significante e significado prevista pelo contexto no qual o grande CRISTÓVÃO FEIL atua. Embora confie na ressalva do amigo blogueiro, sociólogo e militante antigo do PT (que poderá se confirmar ou não de acordo com as atitudes da candidata – e, quem sabe, futura prefeita – mais adiante), a imagem que mais pesou não foi a do congelamento de um instante dentro do ambiente privado de cada um dos pré-candidatos mas, sim, a imagem não-fotografada mas detalhadamente descrita pelo jornal CORREIO DO POVO de hoje: a foto de campanha de ROSÁRIO a mostrava sorridente de braços abertos, pronta para abraçar o povo e a cidade, enquanto a foto de ROSSETTO mostrava-o junto com os “caciques” do PT no estado.

Os dois foram à RBS. Ela foi severamente criticada (inclusive por mim) por ter marcado presença no arrendamento da USINA DO GASÔMETRO para o PRBS. ROSSETTO, por sua vez, também não passou incólume junto aos setores mais intolerantes e pouco conhecedores do processo de MIDIATIZAÇÃO da sociedade contemporânea ao bater ponto para a Rosane de Oliveira, a fim de divulgar o PED no RS.

Em função dessa repercussão negativa junto a todas as bases do partido independentemente das subdivisões A ou B e de seus respectivos apoios a X ou Y, o partido decidiu com inteligência: em uma das raras vezes em que deu ouvidos a algum estrategista de Comunicação compentente, foi melhor dar uma de CRISTINA KIRSCHNER do que atender ao apelo dos pseudo-comunicadores guascas.

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ESQUERDA MIDIATIZADA: ERRO OU ACERTO?

Travo aqui um diálogo com dois experientes militantes e blogueiros

Embora o AGENTE 65 tenha considerado “uma prévia bonita de ver pela forte mobilização da militância que votou em grande número”, pra mim, 4.379 filiados de um universo de pouco mais de 11.400 é um número baixo, que representa, a meu ver, uma capacidade de mobilização muito baixa. Afinal de contas, menos de 40% dos filiados ao PT em PORTO ALEGRE votaram na prévia. Normalmente, quando o voto é voluntário e a decisão envolve questões cruciais para um universo em vias de politização, conta-se com um contingente entre 55% e 65% dos eleitores. Portanto, a mobilização dentro do partido não é tão intensa quanto se imagina e isso precisa ser trabalhado o quanto antes.

Em seu muito bem escrito e bem fundamentado (como sempre) artigo “Maria do Rosário: a vitória do pragmatismo“. Vou comentar três parágrafos desse excelente texto:

Sendo assim, a casa caiu, em Porto Alegre. Caiu no deserto do real, e agora chafurda no pragmatismo mais utilitarista e despolitizador. Prevaleceu a unidimensionalidade da feira eleitoral e das quantificações de votos e de eleitores.

Será mesmo que caiu?! Será mesmo que textos curtos, links em profusão, discussão de questões urbanas, políticas e sociais predominantemente feitas sob a mediação dos meios tradicionais e o espaço público como um espaço de fluxo ao invés de um espaço de debate político representa MESMO um esvaziamento?! Será que o que apresenta-se como vazio não surge como ressignificado em uma outra esfera, em um outro espaço, em um outro ambiente?!

Como exemplo, cito as campanhas de BARACK OBAMA e de HILLARY CLINTON nas prévias “democratas” nos EUA. Recebi menos e-mails em alguns meses do que recebi de ROSSETTO e de ROSÁRIO. Contudo, foram e-mails mais interessantes de se ler, pois apresentavam design gráfico PROFISSIONAL. Ao contrário do que se pensa, a escolha correta do tamanho da fonte, do desenho da fonte, da prioridade de determinados assuntos na diagramação, o equilíbrio entre a opinião pessoal de cada candidato, da palavra pragmática de suas assessorias e, acima de tudo, das cores, das tabelas, dos gráficos, da edição das fotos e da incessante mobilização por contribuições financeiras e também atrás do convencimento de novos eleitores através da internet foram fatores pra lá de relevantes. Lá, o jovem foi em peso declarar seu apoio a OBAMA através da internet. Em princípio, não considero o seu discurso nada vazio, mesmo que jamais espere uma atitude decente dos EUA em relação ao resto do mundo independentemente de quem quer que seja o seu candidato.

“Aos vencidos, resta retirar os antolhos, e verificar que lutaram numa guerra para o qual não estavam preparados. Como ingênuos cavalheiros que lutam a romântica esgrima acabaram enfrentando um adversário que se preparou para uma guerra urbana pós-moderna.”

Análise sem nenhum reparo. Lembra muito os resultados e as conseqüências das perdas de POA, do RS e de LULA nas últimas eleições. Nesse ponto, recordo Manuel Castells em A SOCIEDADE EM REDE e Domenico De Masi em CRIATIVIDADE E GRUPOS CRIATIVOS: ambos afirmam – com diferentes palavras – que sociedades economicamente atrasadas podem, através das NTICs (Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação), queimar etapas.
A despolitização mais séria no RS decorre da classe média papagaia de todo telejornal, pois, apesar de as imagens valerem por mais de mil palavras e do rádio mexer com o imaginário, é a palavra escrita a que permanece por mais tempo na memória por ser mais facilmente recuperável quando a digitalização da informação não estiver disponível. No RS, a classe média tem dinheiro para assinar esses lixos de jornais que temos há décadas construindo subjetividades. Já a classe C2 e a classe D agora possuem acesso à porcaria do Diário Gaúcho, feito para desconstruir a imagem do PT na capital. Tanto bateram até que furaram a resistência mais importante da esquerda no país.

Apesar de fragmentado, é a descentralização, a criatividade, a CONVERSAÇÃO e o DEBATE com acesso direto (ou quase) às instâncias protagonistas de críticas, elogios ou reivindicações. As gerações mais antigas são autoritárias e conservadoras não necessariamente em sua visão política, mas na educação de seus filhos, na falta de criatividade, na falta de ousadia, na falta de irreverência que tornou o povo brasileiro um gado vacum.

Como cada geração apresenta uma competência inata para a utilização dos meios técnicos criados na época em que nasceram, há uma enorme dificuldade nas pessoas de mais idade em compreenderem as deixas simbólicas de cada meio de comunicação e de seus respectivos programas em função do tempo necessário de adaptação e aprendizagem às novas formas discursivas resultantes da apropriação desses meios.

Portanto, embora a Educação padeça desde o final da década de 1980 da alfabetização mal feita, da perda da historicidade e da redução das associações lógicas nas escolas públicas e particulares (que são apenas um pentelhímetro melhores do que as primeiras – o que não representa grande coisa), a internet e os links de hipertexto representam uma nova forma de realizar conexões entre fatos, estabelecer laços entre pessoas e de estreitar relações antes distantes e excessivamente burocratizadas entre candidatos, partidos, órgãos do governo, empresas, mídia e movimentos sociais.

Na falta de um ensino e de uma saúde pública que satisfaçam os anseios da população carente e proporcionem um aprendizado mais rápido e uma possibilidade mais clara de ascensão social e de consciência política, a internet no Brasil está, ainda lentamente, realizando um processo de politização impossível de se verificar através da mídia hegemônica em função da arbitrariedade e do gigantismo de sua superestrutura.

O PT/PoA diz melancolicamente adeus às armas, preparando-se para os desafios de pura tática, e nenhuma estratégia, e adentrando triunfalmente na galeria do mais novo partido tradicional de Porto Alegre.”

Será que não poderíamos enxergar essa nova realidade contemporânea sob uma perspectiva mais otimista?! Eu mesmo canso de apresentar um comportamento bipolar em relação à luta e ao futuro da esquerda e da sociedade. Todavia, o que me mantém confiante, atuante e militante é exatamente a hoje transponível e perceptível perda do espessamento das barreiras e também da opacidade da produção da mídia hegemônica.

É importante sabermos que não escrevemos para a maioria da população. Não que não queiramos ou que ela não tenha condições de nos entender: simplesmente porque nosso discurso é demasiado complexo para o senso comum. Portanto, o que nós consideramos como esvaziamento pode até não ser, sob uma outra maneira de produzir conhecimento e ativismo político.

Considero que a esquerda tradicional e a base teórica clássica quando não acompanham o comportamento social e midiático urbano das grandes metrópoles do mundo afirmam um doloroso DESENCAIXE, como diria Anthony Giddens.

O REENCAIXE no contexto exige um esforço extra de comparação entre o passado e o presente não anula teorias passadas: apenas as introduz em um novo contexto, onde o campo social da Comunicação possui livre trânsito e a natureza vicária para traduzir o discurso quase secreto dos outros campos sociais (médico, científico, militar, religioso, político, econômico, etc.) para a sociedade laica.

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AJUDA DOS SIVUQUEIROS GAÚCHOS

Alguns dos leitores e comentadores assíduos do PALANQUE DO BLACKÃO já sabem que sou publicitário e mestrando em Ciências da Comunicação. Recentemente, postei alguns detalhes sobre a área de concentração e sobre a linha de pesquisa a que pertenço.

De certa forma, muitos já sabem que eu precisaria da ajuda de vocês. É fundamental não para o meu ego nem tampouco para alguma ONG, partido político ou mídia corporativa mas, sim, para o crescimento da compreensão do fenômeno social e comunicacional emergente na sociedade contemporânea chamado BLOGOSFERA, do qual todos nós, sem exceção, fazemos parte como voluntários, como ativistas e como militantes.

A gama de objetos de pesquisa disponíveis na blogosfera permite tematizar e categorizar blogs de infinitas maneiras diferentes: por assunto (esportes, política, religião, entretenimento, etc.), por conjunto e subconjunto (futebol, basquete, vôlei; futebol internacional, brasileiro, gaúcho; jogadores, dirigentes, torcedores) e assim por diante. Dá para estabelecer relações entre o que cada um escreve e comenta (e também onde comenta) a partir do assunto predominante em seus posts, assim como na organização do seu blogroll (lista de links recomendados). E o alcance (audiência, relações sociais) de nossos blogs a partir das ferramentas que cada um utiliza para atingir a um número maior de leitores em conjunto com a divulgação que os leitores e blogueiros fazem é muito mais relevante do que analisar a subjetividade que cada um produz.

Por uma questão de maior concentração de elementos semelhantes em um espaço determinado, reconhecível e significativo, optei por todos os blogs de gaúchos que fazem parte do SIVUCA, do Luiz Carlos Azenha, pois percebi um fenômeno muito interessante: dos atuais 67 blogs que fazem parte desse blogring (em 16/03/2008), nada mais, nada menos do que 21 são gaúchos.

Essa representatividade hegemônica de 31,68% de gaúchos sobre o total de sivuqueiros significa alguma coisa. Dentre tantas coisas para investigar, esse é um ponto de partida muito interessante.

Só para vocês terem uma idéia, o peso dos gaúchos no SIVUCA é tão grande que supera de longe relações proporcionais tais como a densidade demográfica de RJ e SP; o peso da mídia corporativa de alcance nacional que emana dessas regiões; o fato de que o idealizador do SIVUCA, jornalista Luiz Carlos Azenha, é paulista e trabalhou, durante muitos anos, para as redes Manchete, SBT e Globo; a enorme diferença do número de internautas com banda larga na região Sudeste em relação ao Rio Grande do Sul; a maior aceitação e contestação do PIG acima do eixo Rio-São Paulo (e a conseqüente aceitação fácil de sua produção de subjetividades na região Sul e na megalópole que vai da capital paulista à capital fluminense).

De antemão, adianto que não há como confirmar se o povo, se a classe média ou se a maioria da esquerda gaúcha são mais politizados, mais militantes, mais articulados ou mais transtornados com a situação de subserviência ao neoliberalismo que se observa aqui no sul. Este, portanto, NÃO É objetivo deste trabalho.

Há muitos outros blogs gaúchos linkados por mim e por outros blogueiros gaúchos que estão no SIVUCA. Muitos deles, aliás, melhores do que o meu ou do que os de outros. Porém, visando segmentar o universo observável, infelizmente, tive que deixá-los de fora.

É fundamental destacar para todos vocês que não irei fazer a análise do discurso, pois essa disciplina não faz parte da linha de pesquisa a que pertenço no PPGCC/UNISINOS. Em função dessas necessárias restrições, obviamente deixei de fora todo e qualquer confronto entre blogs de esquerda x blogs de direita, sejam nossos oponentes discursivos “inteligentes” ou “ignorantes”, “rasos” ou “profundos”, midiáticos ou independentes.

Por que a escolha por blogs de esquerda? Em primeiro lugar, por eu também ser um blogueiro militante e gaúcho. Em segundo lugar, porque não haveria a menor vontade em dispender dois anos de pesquisa com um objeto que me daria mais raiva do que prazer e que não me ofereceria absolutamente nada de significativo em termos teóricos ou práticos. Finalmente, porque grande parte dos blogs de direita (sobretudo os corporativos) apresentam, em seus comentários, muito mais adesismo e agressões sob a forma de ironias e sarcasmos do que propostas e informações como uma maneira de incentivar a ação e não apenas de se queixar ou de elogiar o estado das coisas.

Há muita coisa para ser vista. Garanto-lhes de antemão que NENHUM dos meus objetivos é secreto, proibido e nem tampouco ilegal ou ofensivo. Não há a menor hipótese de eu me intrometer ou de transformar a maneira de blogar de cada um. Do contrário, tornaria impossível a existência de uma provável regularidade nas formas de articulação entre posts, links, comentários e relações presenciais.

Tenho utilizado uma bibliografia que já citei em posts recentes sobre redes sociais, usos dos blogs, emergência e multidão como formas de resistência na pós-modernidade. Também já li uma série de artigos (e lerei muitos mais) com pesquisas mais ou menos parecidas com a minha realizadas tanto no Brasil como nos EUA e na Austrália desde 1999 para que eu determine uma metodologia precisa, profunda e, acima de tudo, honesta, a fim de elaborar questionários e formas de mensurar e concluir algo significativo a respeito dos dados obtidos com o objetivo de produzir ciência e contribuir com a academia brasileira.

CHEGOU O MOMENTO DE PEDIR AJUDA AOS SIVUQUEIROS GAÚCHOS. No mês de abril, irei elaborar um primeiro questionário. Gostaria de saber quem está disposto a colaborar. De tempos em tempos, enviarei alguns questionários por e-mail. Dependendo da receptividade e de dúvidas e afirmações subjetivas e individuais que espero aparecerem, também farei perguntas individuais.

O universo de blogs é muito pequeno. Contudo, como possui uma coesão muito acima da média em função de relações profissionais, classistas, militantes, ativistas e afetivas entre vários de nós, os resultados a que irei chegar apenas no final do ano podem servir como referência para o estudo de grupos de blogs temáticos com características semelhantes.

Realmente ficarei muito agradecido e todos, sem exceção, irão conhecer os resultados da minha pesquisa. Em relação ao RS, a Porto Alegre a eleições, partidos e às articulações individuais e coletivas em rede de cada um de nós, será possível apontar até formas de melhorar laços e articulações dentro desse objetivo comum que é o de resistência neoliberal.

Estou disponível para responder a quaisquer dúvidas de vocês através de comentários neste blog ou por e-mail.

OBRIGADO PELA FORÇA! ;)

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A REVOLUÇÃO DOS BLOGS


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A visão do que representa a blogosfera em relação aos meios de comunicação de massa e como ela transforma a maneira de escrever, ler e se relacionar entre as pessoas comuns e os produtos da mídia corporativa. O autor fala muito sobre como fazer um blog sobressair-se dentro de um universo infinito e imensurável, onde já há tanta gente falando sobre os mesmos assuntos que nós falamos.

Diferentemente das sugestões de leitura dos posts anteriores, este livro em particular possui um caráter diferenciado, pois não é uma mera venda de capacidades pessoais de um blogueiro bem-sucedido, nem tampouco uma obra puramente acadêmica.

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