ANÚNCIOS PAGOS NA MÍDIA CORPORATIVA

Há uma série de ações na internet cujo efeito é inócuo. Talvez a principal delas seja a petição. O problema das petições é que elas não possuem nenhum valor legal em função da facilidade de preencher um nome que não pode ser comprovado em outro país (p. ex. o CPF só funciona no Brasil e o security number só funciona nos EUA).

Além disso, qualquer um pode reunir milhões de endereços de e-mail. E nenhum endereço de e-mail funciona como identificação válida. Portanto, a esmagadora maioria de quem recebe uma petição por e-mail considera-o como spam. Portanto, é um mau produto para as esquerdas, já que está fora do fluxo natural de informação, de consumo e de sociabilidade da classe média urbana, que é a parte da sociedade que DEVERIA ser mais bem informada a respeito da cidadania global.

Descobri uma nova forma de investir em mensagens com amplo alcance nos meios de comunicação de massa. No entanto, os movimentos sociais precisam entrar na lógica do mercado e do consumo tal como ele se apresenta para o senso comum SEM PRECONCEITO.

Como exemplo disso, a IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS adquiriu um império através de uma mensagem que dizimou a base da IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA no BRASIL porque o discurso católico, além de ultra-conservador, é uma pregação da era do rádio ou, voltando mais ainda no tempo, da cultura oral. A partir do contestado PADRE MARCELO ROSSI é que os católicos passaram a investir em marketing para conhecer o seu MERCADO potencial, como atingi-lo e como GERAR CONSUMO. Apesar da ampla gama de padres serem velhos e da maioria dos crentes romanos também possuir idade avançada, mesmo que tenha perdido o bonde da história, já está obtendo resultados positivos.

No site da AVAAZ, paguei 5 dólares por uma fração do valor de um anúncio de página inteira para ser veiculado no principal jornal da África do Sul relativo à questão do ZIMBÁBUE. Não precisa juntar mais do que 130 ou 140 doadores de cinco “verdinhas” pra bancar o anúncio.

O PIG define suas pautas da seguinte forma: os assuntos são incluídas e excluídas da edição em função do comercial: novos anúncios = editor deleta, reduz ou amplia uma determinada matéria, de acordo com a necessidade. Se o anúncio e o fato não são mentirosos, como há um cliente e eles estão interessados no dinheiro, se a esquerda se mobilizar, pode mudar toda a face de um jornal impresso.

Caso um jornal negue um anúncio; caso uma rádio negue um spot ou um jingle; caso um site comercial negue-se a publicar um banner; e caso uma emissora de TV se negue a veicular um comercial, PROCON e CONAR neles.

O importante é o negociador gravar e salvar todos os contatos que tiver com o comercial dos veículos, publicar qualquer negativa em blogs e acionar o Ministério Público.

Se eu estiver errado, por favor, algum advogado me ajude!

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AVAAZ E GLOBAL VOICES: CIDADANIA GLOBAL

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A resistência pós-moderna é realizada por uma multidão descentralizada, cujo ponto em comum é a consciência de que eles pertencem ao mundo todo e não apenas a um continente, país, estado, cidade, partido, associação, sindicato ou movimento social. A pertença e a territorialidade perdem o sentido identitário e revelam uma nova faceta do indivíduo, que é a de defender seus princípios e ajudar àqueles que mais precisam independentemente de onde eles estejam geograficamente.

Ser um cidadão do mundo não é ser estudado, viajado, poliglota, rico ou famoso: é estar ligado nas demandas sociais mais remotas. E, estar ligado em uma dessas demandas é estar ligado em todas ao mesmo tempo. Afinal de contas, elas são GLOBAIS: se ajudarem a resolver um problema no Zimbábue, terão ajuda para resolver um problema semelhante em Porto Alegre e assim sucessivamente.

As ferramentas da disseminação de idéias e a linguagem utilizada são as mesmas que fazem o turbocapitalismo girar: internet, celular, vender idéias políticas sob a forma de bens de consumo midiáticos, a partir de discursos curtos, dinâmicos, cujo conteúdo não precisa repetir o que a mídia corporativa mostra, agindo apenas como uma quebra, como um choque na linearidade do pensamento dirigido.

Se eles querem guerra, NÃO terão guerra: a solução de demandas sociais não funciona de maneira rápida através de leis burguesas, nem da esperança por uma mudança na Lei de Imprensa ou na Lei Geral das Telecomunicações e tampouco pela simples espera pela oferta de novas tecnologias de informação baratas.

Ao contrário do que muitos pensam, não existe alienação, ausência de sentido e nem tampouco esvaziamento da instância política: a esfera pública e o papel do estado agora estão nas mãos de certas instâncias da mídia corporativa e de seus patrocinadores. O estado é fraco e, portanto, é muito mais fácil combater diretamente os donos do mundo (empresas transnacionais de bens simbólicos) do que seguir acreditando que devemos ou alterar, ou defender o estado segundo o falho modelo democrático e legal que não consegue dar conta da sociedade em rede.

Hoje, o vencedor não surge através da tomada do poder político (nem das urnas, nem da força), nem do confronto de palavras em um ambiente totalmente controlado pelo oponente (mídia corporativa) e tampouco através de embates físicos (ocupação, barricada, invasão, destruição, pilhagem, etc.) contra os donos do poder econômico, coercitivo e simbólico: o vencedor é aquele que, pontualmente, consegue massa crítica suficiente para satisfazer demandas diferentes com um cunho semelhante espalhadas ao redor do planeta.

Enfim… Se eu não consigo massa crítica suficiente pra me ajudar aqui, então devo buscá-la no resto do mundo. Um blog não atinge milhões o tempo inteiro e pouca gente acessa internet. Mas a maioria da população mundial possui celular. Em breve, mais gente terá computador em casa do que televisores.

O foco – creio eu – é chegarmos antes no Primeiro Mundo, onde esse modus vivendi já está consolidado na esmagadora maioria da população urbana e, de lá para cá, através de outra forma de enxergar o nosso problema, acompanharmos a preocupação deles conosco e percebermos que empresas, governos, partidos, etc. daqui podem ter suas rédeas puxadas exatamente pela repercussão quase silenciosa que chega com força nos olhos e ouvidos do consumidor, que é quem pode fazê-los quebrar se não consumir seus produtos.

Não é uma simples questão de boicote: é a vergonha de ter seu discurso politicamente correto desmascarado como um reles embuste que, de responsabilidade social e de desenvolvimento sustentável não apresenta nada.

“Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.”

Não para fugir, nem para matá-los mas, sim, para cercá-los. Quem cerca, desarma. Quem desarma, mobiliza a si desmobilizando o outro.

Isso não significa que tal movimento seja simples nem que o sucesso seja garantido, assim como também não anula a importância nem a possibilidade de sucesso em focos nos quais ainda haja sociedades vivendo em mundos pré-históricos, medievais e modernos em plena pós-modernidade. Contudo, a resistência mais adequada a cada era é aquela que faz o melhor uso possível da tecnologia contemporânea. Usos equivocados de tecnologias inadequadas à época histórica daqueles que detêm a hegemonia só servirão para que sejamos esmagados por eles.

Milhões unem-se pela internet para forçar o G8 a obedecer o Protocolo de Kioto; para ajudar mais de um milhão de vítimas de um ciclone no Mianmar; para acabar com o clima de guerra civil e realizar novas eleições no Zimbábue; e, assim como nos mostrou o vídeo do começo deste post, também para impedir o choque de civilizações entre o islã e o cristianismo.

Dois dos caminhos possíveis são os propostos pela AVAAZ e também pelo GLOBAL VOICES ONLINE:

“O Global Voices agrega, organiza e amplifica a conversação global na rede – jogando luz nos lugares e pessoas que o resto da mídia geralmente ignora.”

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RETROSPECTIVA SOBRE RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA

Percebo na blogosfera dúvidas e discussões que não entram na prioridade comunicacional onde estou envolvido. Ofereço abaixo links para artigos pouco lidos e pouco comentados que escrevi nos últimos meses a fim de reativarmos a discussão. Ei-los:

http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/25/avaaz-exemplo-ativista-pos-moderno/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/25/comunicacao-comparada-e-desconstrucao/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/21/projeto-palanque-do-blackao-2009/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/19/a-comunicacao-resistente/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/16/os-ultimos-dias-de-yeda/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/13/a-resistencia-inteligente-sem-tecnologia/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/13/politica-de-demandas-sem-tomar-o-poder/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/29/a-noticia-como-mercadoria/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/26/a-volta-ao-espaco-publico-presencial-passa-pela-internet/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/14/bioinseguranca-e-subdesenvolvimento-insustentavel/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/10/porque-a-pedagogia-tradicional-nao-funciona-na-era-digital/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/06/visitem-o-generacion-y/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/25/o-que-fazemos-em-nossos-blogs/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/16/resistencia-pos-moderna/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/17/resistencia-pos-moderna-no-brasil/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/19/os-movimentos-sociais-e-a-blogosfera/

http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/15/jornalismo-politico-brasileiro/

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RS: REI DAS DOENÇAS DESNECESSÁRIAS NO BRASIL

Acompanho o primeiro post de hoje do CRISTÓVÃO FEIL no DIÁRIO GAUCHE:

Meu cunhado possui um boteco. Ele é caprichoso com a higiene, paga seus impostos, todos os funcionários têm carteira assinada, etc.

Porém, os alimentos que mais têm saída são empadão de queijo, croquete, kibe, cachorro quente e assemelhados.

Ele pertence a uma família de obesos: na família dele, quem tem dinheiro é movido a Coca-Cola e MacDonald’s. Quem não tem, a suco de saquinho e empada.

Uma sobrinha dele nem chega perto de frutas e verduras. E outro não toma água – só refrigerante.

A oferta de sucos naturais é pífia porque as pessoas não compram.

Outras guloseimas como tortas, doces e outros tipos de salgado, café preto, biscoitos e assemelhados também têm uma procura enorme.

A publicidade promove o produto de quem a paga. É a técnica de comunicação social que mais depende da economia de mercado. Há um código de ética entre agências, clientes e produtos concorrentes, mas não há uma Lei da Publicidade no país.

O máximo que existe é a regulamentação dos comerciais de bebida e álcool e a informação dos componentes dos alimentos.

Todavia, o RS é o estado que, na média, pior sabe se alimentar no Brasil. Devido ao chimarrão, ao café e ao tabagismo, o estado é um dos que possuem maior incidência de câncer de boca, faringe, esôfago e pulmão no país.

Como se come pouca salada, pouca fruta e se possui o péssimo hábito do lanche e do café da tarde, aqui também é o reino da obesidade, das doenças cardíacas e circulatórias.

Finalmente, como se tudo isso ainda fosse pouco, as famílias italianas e alemãs consideram gordo sinônimo de forte e magro sinônimo de fraco.

Infelizmente, sou pessimista quando a uma mudança de hábito para quem já é adolescente ou adulto. Meu melhor amigo é dono de uma academia de ginástica e, só de olhar para uma pessoa na rua, dependendo da circunferência e da dificuldade de se locomover, pode merecer ou não o triste rótulo de “bomba-relógio”.

Este é o oposto dos corpos dóceis de MICHEL FOUCAULT: são os CORPOS INDOLENTES.

Qualquer pessoa tem o direito de fazer com o seu próprio corpo o que bem entender. Ao mesmo tempo, há uma série de biotipos diferentes que não tendem a mudar por questões genéticas e devem ser aceitos e respeitados. Ninguém precisa ser um atleta de ponta, nem um glutão: é preciso ter consciência de que a saúde é o único bem indispensável para que possamos ter condições físicas, mentais e psíquicas de nos motivarmos para adquirirmos conhecimento, que é o único bem que ninguém pode nos tirar.

Um país melhor passa pela sapiência desses detalhes.

Este é mais um motivo pelo qual defendo intransigentemente a agricultura familiar, a pequena agricultura e a desconcentração populacional nas metrópoles e megalópoles.

E, sob esse ponto-de-vista, não é a publicidade ou a mídia mas, sim, todo o sistema industrial e comercial voltado para o consumismo aliado a péssimos hábitos individualistas que levam as pessoas a se alimentarem mal.

É uma questão de saúde pública das mais graves: onde a hipocrisia der lugar à consciência, constatar-se-á que a violência urbana e no trânsito representam quase um grão de areia em relação às mortes causadas pelas doenças acima.

No final das contas, os próprios mantenedores do atual status quo, tão preocupados com desempenho, produtividade, economia e lucro, agem totalmente às avessas ao torrarem fortunas em hospitais particulares e também perdem toda a sua razão ao reclamar dos impostos que pagam para o SUS tratar os pobres das mesmas doenças desnecessárias.

Então, é com profundo pesar que afirmo que, apesar de alguns avanços e de raros focos de massa crítica, o Brasil possui uma cultura alimentar predominantemente burra.

Mas a RBS e a GLOBO jamais irão fazer uma campanha maciça para comprar as hortaliças do tio Nestor em Coqueiros do Sul/RS (cuja economia é muito maior do que a dos municípios do sul do estado onde predominam as lavouras de eucalipto e as monoculturas extensivas de arroz, trigo e soja além da pecuária) em detrimento da Bunge, da Cargill, da Bayer Crop Science e por aí afora…

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[E'08 SF2] RÚSSIA 0×3 ESPANHA

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Mais uma vez, as seleções tidas como “namoradinhas” ou que “encantam” pela objetividade e ofensividade se deram muito mal. Desta vez, a namoradinha despachada foi a RÚSSIA.

Não preciso dizer mais nada: depois de 24 anos, a ESPANHA do torcedor-símbolo MANOLO chega à uma final de EURO contra a sempre favorita ALEMANHA.

Todos os quatro primeiros deram provas de que acreditam no resultado até o último apito. Melhor para quem possui mais tradição e experiência.

ESPANHA x ALEMANHA no domingo!

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