[UCL 08/09] SORTEIO E CURIOSIDADES

Direto do GRIMALDI FORUM em MONTE CARLO (MON), a festa de gala da UEFA: o grande sorteio do futebol mundial depois da COPA DO MUNDO FIFA – a definição da fase de grupos da UEFA CHAMPIONS LEAGUE 2008/2009 (ver regulamento aqui).

Organização do sorteio e das láureas:

1) Os 32 clubes foram divididos em 4 potes com 8 clubes cada: o pote 1 com os 8 primeiros do ranking da UEFA dos últimos 5 anos; o 2 com os ranqueados de 9 a 16, o 3 com os clubes colocados nas posições de 17 a 24 e, finalmente, o pode D com os clubes com menos participações e colocações mais baixas nos torneios da UEFA na última meia década;

2) Clubes do mesmo país não podem ficar no mesmo grupo;

3) Clubes rivais devem ficar em grupos que joguem em dias diferentes. Como usual, os jogos dos grupos de A a D serão disputados na terça-feira e os grupos de E a H na quarta, invertendo a ordem a cada duas semanas. Por exemplo: como o CHELSEA FC ficou no grupo A, o ARSENAL FC só poderia ficar no grupo E, F, G ou H (acabou ficando no G). O mesmo vale para BARCELONA x REAL MADRID, LIVERPOOL x MANCHESTER UNITED, JUVENTUS x INTERNAZIONALE, ROMA x FIORENTINA, BAYERN MÜNCHEN x WERDER BREMEN, OLYMPIQUE LIONNAIS x OLYMPIQUE DE MARSEILLE, STEAUA x CLUJ e DYNAMO KYIV x SHAKHTAR. O objetivo é facilitar a vida do comércio, da mobilidade urbana e da segurança em cada localidade, além de evitar dividir a atenção do país para dois clubes no mesmo dia, visando destacar a participação de cada um;

4) O embaixador da cidade-sede da decisão da CHAMPIONS na quarta-feira dia 27/05/2009 às 20:45h (15:45h do BRASIL) no STADIO OLIMPICO de ROMA (ITA), o ex-atacante tricampeão mundial FIFA em 1982 e vice-campeão da COPA DOS CAMPEÕES DA UEFA, BRUNO CONTI, fará o sorteio do pote de grupos aos quais todos os 32 clubes serão divididos (de A a H). O melhor goleiro da temporada sorteará os clubes do pote 1, o melhor zagueiro os do 2, o melhor meio-campista os do 3 e, finalmente, o melhor atacante sorteará os clubes do pote 4;

5) Cada craque da última CHAMPIONS receberá o troféu de um ex-campeão de sua respectiva posição. Os entregadores de prêmios não participarão do sorteio.
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MELHOR GOLEIRO UCL 2007/2008
PETER SCHMEICHEL (ex-MANCHESTER UNITED FC) -> PETR CECH (CHELSEA FC)

POTE 1:

A: CHELSEA FC (ENG)
B: INTERNAZIONALE (ITA)
F: OLYMPIQUE LIONNAIS (FRA)
G: ARSENAL FC (ENG)
H: REAL MADRID CF (ESP)
D: LIVERPOOL FC (ENG)
C: FC BARCELONA (ESP)
E: MANCHESTER UNITED FC (ENG)
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MELHOR ZAGUEIRO UCL 2007/2008
FRANCO BARESI (ex-AC MILAN) -> JOHN TERRY (CHELSEA FC)

POTE 2:

C: SPORTING CLUBE DE PORTUGAL (POR)
D: PSV EINDHOVEN (NED)
E: VILLAREAL CF (ESP)
H: JUVENTUS (ITA)
A: AS ROMA (ITA)
G: FC PORTO (POR)
F: FC BAYERN MÜNCHEN (GER)
B: WERDER BREMEN (GER)
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MELHOR MEIO-CAMPISTA UCL 2007/2008
SIR BOBBY CHARLTON – (ex-MANCHESTER UNITED FC)> FRANK LAMPARD (CHELSEA FC)

POTE 3:

A: FC GIRONDINS DE BORDEAUX (FRA)
G: FENERBAHÇE SK (TUR)
H: FC ZENIT ST. PETERSBURG (RUS)
C: FC BASEL (SUI)
B: PANATHINAIKOS (GRE)
E: CELTIC FC (SCO)
D: OLYMPIQUE DE MARSEILLE (FRA)
F: FC STEAUA BUCURESTI (ROU)
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MELHOR ATACANTE UCL 2007/2008
EUSÉBIO (ex-SL BENFICA) -> CRISTIANO RONALDO (MANCHESTER UNITED FC)

POTE 4:

E: AALBORG SK (DEN)
F: ACF FIORENTINA (ITA)
A: CFR 1907 CLUJ (ROU)
G: FC DYNAMO KYIV (UKR)
B: ANORTHOSIS FAMAGUSTA FC (CYP)
D: CLUB ATLETICO DE MADRID (ESP)
H: FC BATE BORISOV (BLR)
C: FC SHAKHTAR DONETSK (UKR)
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MELHOR JOGADOR DA TEMPORADA UCL 2007/2008
MICHEL PLATINI (presidente da UEFA) -> CRISTIANO RONALDO (MANCHESTER UNITED FC)
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GRUPO A:

CHELSEA FC (ENG)
AS ROMA (ITA)
FC GIRONDINS DE BORDEAUX (FRA)
CFR 1907 CLUJ (ROU)

GRUPO B:

FC INTERNAZIONALE MILANO (ITA)
WERDER BREMEN (GER)
PANATHINAIKOS (GRE)
ANORTHOSIS FAMAGUSTA FC (CYP)

GRUPO C:

FC BARCELONA (ESP)
SPORTING CLUBE DE PORTUGAL (POR)
FC BASEL (SUI)
FC SHAKHTAR DONETSK (UKR)

GRUPO D:

LIVERPOOL FC (ENG)
PSV EINDHOVEN (NED)
OLYMPIQUE DE MARSEILLE (FRA)
CLUB ATLETICO DE MADRID (ESP)

GRUPO E:

MANCHESTER UNITED FC (ENG)
VILLAREAL CF (ESP)
CELTIC FC (SCO)
AALBORG SK (DEN)

GRUPO F:

OLYMPIQUE LIONNAIS (FRA)
FC BAYERN MÜNCHEN (GER)
FC STEAUA BUCUREȘTI (ROU)
ACF FIORENTINA (ITA)

GRUPO G:

ARSENAL FC (ENG)
FC PORTO (POR)
FENERBAHÇE SK (TUR)
FC DYNAMO KYIV (UKR)

GRUPO H:

REAL MADRID CF (ESP)
JUVENTUS FC (ITA)
FC ZENIT ST. PETERSBURG (RUS)
FC BATE BORISOV (BLR)
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Países que colocaram pelo menos um representante nas últimas cinco edições como ÁUSTRIA, BÉLGICA, BULGÁRIA, CROÁCIA, REPÚBLICA TCHECA, ISRAEL, NORUEGA, POLÔNIA, SÉRVIA e ESLOVÁQUIA e países tradicionais na história do futebol europeu e mundial como HUNGRIA e SUÉCIA desta vez não contam com nenhum representante na competição.

Pela primeira vez na história, a ROMÊNIA compete com dois clubes na fase de grupos: o tradicional FC STEAUA BUCUREȘTI, campeão de 1985/1986 (que sucumbiu no grupo do BARCELONA na temporada 2007/2008 – desta vez, treinado pelo seu maior craque em todos os tempos, o ex-atacante MARIUS LĂCĂTUȘ) e o debutante CFR 1907 CLUJ. Aliás, o CLUJ não precisou sequer disputar as fases eliminatórias, pois a Romênia subiu no ranking de clubes da UEFA e obteve vaga direta para o seu campeão nacional.

Mais uma vez mostrando a sua força, a UCRÂNIA comparece com dois clubes – pra variar, o tradicional FC DYNAMO KYIV e o rico e simpático FC SHAKHTAR DONETSK. É bom lembrar que, de todos os países dos BÁLCÃS até as EX-REPÚBLICAS SOVIÉTICAS, desta vez, apenas os ucranianos conseguiram tal proeza. Contrariando as expectativas das últimas temporadas, GRÉCIA e RÚSSIA só puseram um clube cada. Porém, essa mesma região do Velho Mundo apresenta dois debutantes de países que jamais haviam chegado tão longe anteriormente: o ANORTHOSIS FAMAGUSTA FC de CHIPRE e o FC BATE BORISOV da BIELORRÚSSIA. A Europa saúda a volta do PANATHINAIKOS FC (GRE) e a estréia do atual campeão da UEFA CUP e base da seleção russa que encantou o mundo no último EURO 2008, o perigosíssimo FC ZENIT ST. PETERSBURG, do técnico holandês DICK ADVOCAAT.

Clubes tradicionais que não participam desta edição: AC MILAN (ITA), UDINESE (ITA), RANGERS FC (SCO), FC DYNAMO MOSKVA (RUS), FC SPARTAK MOSKVA (RUS), AEK (GRE), FC OLYMPIACOS PIRAEUS (GRE), ROSENBORG FC (NOR), FC BRONDBY (DEN), AS MONACO (FRA), SL BENFICA (POR), FC SCHALKE 04 (GER), FC BAYER LEVERKUSEN (GER), BV BORUSSIA DORTMUND (GER), HAMBURGER SV (GER), STÜRM GRAZ (AUT), AUSTRIA WIEN (AUT), GRASSHOPPERS (SUI), AFC AJAX (NED) e FEYENOORD (NED) – este último ficou de fora em plena temporada do seu centenário. Independe

ntemente de estarem passando por apuros técnicos e/ou financeiros, todos estes clubes possuem torcidas, títulos e histórias fascinantes e é uma pena que fiquem apenas assistindo à maior festa de clubes do planeta.

Títulos entre os 32 participantes da temporada 2008/2009:

9: REAL MADRID CF (ESP)
5: LIVERPOOL FC (ENG)
4: FC BAYERN MÜNCHEN (GER)
3: MANCHESTER UNITED FC (ENG)
2: FC BARCELONA (ESP)
2: FC PORTO (POR)
2: JUVENTUS FC (ITA)
2: FC INTERNAZIONALE MILANO (ITA)
1: OLYMPIQUE DE MARSEILLE (FRA)
1: PSV EINDHOVEN (NED)
1: FC STEAUA BUCUREȘTI (ROU)
1: FC CELTIC (SCO)

Campeões que ficaram de fora desta edição:

7: AC MILAN (ITA)
4: AFC AJAX (NED)
2: NOTTINGHAM FOREST FC (ENG)
2: SL BENFICA (POR)
1: BV BORUSSIA DORTMUND (GER)
1: FK CRVENA ZVEZDA (SRB)
1: HAMBURGER SV (GER)
1: ASTON VILLA FC (ENG)
1: FEYENOORD (NED)

Número de clubes campeões por país:

4: INGLATERRA
3: ITÁLIA
3: ALEMANHA
3: HOLANDA
2: ESPANHA
2: PORTUGAL
1: FRANÇA
1: ROMÊNIA
1: SÉRVIA
1: ESCÓCIA

Número de títulos por país:

11: INGLATERRA
11: ITÁLIA
11: ESPANHA
6: ALEMANHA
6: HOLANDA
4: PORTUGAL
1: FRANÇA
1: ROMÊNIA
1: SÉRVIA
1: ESCÓCIA

Vice-campeões presentes nesta edição:

5: JUVENTUS FC (ITA)
3: FC BAYERN MÜNCHEN (GER)
3: FC BARCELONA (ESP)
3: REAL MADRID CF (ESP)
2: LIVERPOOL FC (ENG)
2: FC INTERNAZIONALE MILANO (ITA)
1: CHELSEA FC (ENG)
1: ARSENAL FC (ENG)
1: OLYMPIQUE DE MARSEILLE (FRA)
1: FC STEAUA BUCUREȘTI (ROU)
1: AS ROMA (ITA)
1: CLUB ATLETICO DE MADRID (ESP)
1: PANATHINAIKOS FC (GRE)
1: CELTIC FC (SCO)
1: AC FIORENTINA (ITA)

Vice-campeões ausentes nesta edição:

5: SL BENFICA (POR)
4: AC MILAN (ITA)
2: VALENCIA CF (ESP)
2: AFC AJAX (NED)
2: STADE RENNAIS (FRA)
1: AS MONACO (FRA)
1: BAYER 04 LEVERKUSEN (GER)
1: SAMPDORIA UC (ITA)
1: HAMBURGER SV (GER)
1: MALMÖ FF (SWE)
1: CLUB BRUGGE KV (BEL)
1: VfL BORUSSIA MÖNCHENGLADBACH (GER)
1: AS SAINT-ETIENNE (FRA)
1: LEEDS UNITED AFC (ENG)
1: FK PARTIZAN (SRB)
1: EINTRACHT FRANKFURT (GER)

Número de clubes vice-campeões por país:

6: ITÁLIA
5: ALEMANHA
4: INGLATERRA
4: FRANÇA
4: ESPANHA
1: HOLANDA
1: PORTUGAL
1: SÉRVIA
1: ROMÊNIA
1: SUÉCIA
1: GRÉCIA
1: BÉLGICA
1: ESCÓCIA

Número de vice-campeonatos por país:

14: ITÁLIA
9: ESPANHA
7: ALEMANHA
5: INGLATERRA
5: FRANÇA
5: PORTUGAL
2: HOLANDA
1: SÉRVIA
1: ROMÊNIA
1: SUÉCIA
1: GRÉCIA
1: BÉLGICA
1: ESCÓCIA

Clubes campeões e vices nesta edição:

12: REAL MADRID CF (ESP) [9-3]
7: LIVERPOOL FC (ENG) [5-2]
7: FC BAYERN MÜNCHEN (GER) [4-3]
7: JUVENTUS FC (ITA) [2-5]
5: FC BARCELONA (ESP) [2-3]
4: FC INTERNAZIONALE MILANO (ITA) [2-2]
2: OLYMPIQUE DE MARSEILLE (FRA) [1-1]
2: FC STEAUA BUCUREȘTI (ROU) [1-1]
2: FC CELTIC (SCO) [1-1]

Clubes campeões e vices ausentes nesta edição:

11: AC MILAN (ITA) [7-4]
7: SL BENFICA (POR) [0-5]
6: AFC AJAX (NED) [4-2]

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CAVALOPARAGUAICIDADE

CRISTIAN BONATTO, o criativo alentador do BLOG DO TORCEDOR do GRÊMIO no GLOBOESPORTE.COM não apenas foi excelente ao ter a brilhante idéia de abrir espaço aos correspondentes TRICOLORES espalhados do Oiapoque ao Chuí como também cunhou uma frase que entra para os anais da história do futebol brasileiro graças ao insólito neologismo criado:

“A ‘cavaloparaguaicidade’ de um time se mede pela capacidade de reação
imediata após um tropeço ou de uma supervalorização de uma vitória,
nestes aspectos o Grêmio já teve oportunidades neste campeonato, de
mostrar seu valor.”

Talento é algo inato. Mas um ótimo professor, ainda que militando na trincheira adversária como o GUSTAVO FISCHER, certamente ajudou o Cristian a potencializar essa sua qualidade.

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AS CONTRADIÇÕES ENTRE GRANDE MÍDIA x ESQUERDA

Embora a mídia corporativa defenda as bandeiras que defende através de uma forma, de um enunciado, de uma gramática audiovisual tecnicamente produzida para contar histórias que contem apenas a versão que interessa a seus patrocinadores, não dá para jogar todas as práticas e todos os profissionais em uma vala comum.

Exemplo 1: o GNT, emissora a cabo das Organizações Globo (OGs), transmitiu a maioria dos filmes do MICHAEL MOORE (Bowling for Columbine, Fahrenheit 9/11 e Sicko) e o do AL GORE (An Unconvenient Truth), assim como o excelente SUPERSIZE ME de Morgan Spurlock.

Exemplo 2: repete-se também nos canais abertos, nas emissoras de rádio, nos
jornais e nas revistas (tanto de conteúdo segmentado por tema como nos
veículos generalistas) uma certa fração da programação total que
verdadeiramente trata de utilidade pública, conteúdo educativo sem um
viés de direita e uma leve pitada de jornalismo bem feito – a exemplo
do exemplo anterior sobre a GNT. De volta, quem trabalha nessas empresas não é
nem Hitler, nem Gandhi.

A primeira impressão seria considerar esse procedimento uma estratégia para enganar o público em geral e amansar a esquerda, levando-os a pensar que, quando as corporações de mídia veiculam esse tipo de programa mais crítico, seria um sinal de que elas seriam realmente “neutras” e, conseqüentemente, a audiência deveria crer na “neutralidade” da Grande Mídia. Assim, obteriam a defesa do público quando alguém questionasse se estão mentindo quando falam sobre política, economia, valores conservadores e criminalização dos movimentos sociais em seus telejornais.

A segunda impressão seria jogar numa vala comum os jornalistas dessas grandes empresas. Os assalariados subalternos são vistos de várias maneiras: “coitados”, “covardes”, “burros”, “chinelões ambiciosos”, “pelegos” ou, ainda, como técnicos competentes pagos para executar uma tarefa de maneira acrítica. Porém, eles são gente passível de todos os tipos de comportamento possíveis, assim como qualquer um de nós – apenas isso.

Outro ponto fundamental freqüentemente ignorado nas discussões sobre o papel do jornalista na Grande Mídia é o seguinte: os editores contratam, em sua maioria, repórteres, fotógrafos e articulistas que pensam como eles e como os donos dos veículos. Esses, em certos casos, podem até não receber os melhores salários, nem serem FDPs ou pelegos: eles simplesmente são conservadores e crêem que os valores nos quais acreditam são os valores ideais para se chegar a uma sociedade melhor. Pois a esmagadora maioria da sociedade, independentemente da região em que more, da cor da pele, de sua religião, faixa etária, escolaridade ou profissão tende a ser extremamente conservadora. Conseqüentemente, tanto os donos como os patrocinadores, os funcionários e os programas da Grande Mídia serão conservadores.

Também há uma visão extremamente equivocada de que a mídia corporativa manda no mundo ou de que ela possui o poder absoluto de decidir os rumos da política, da economia e dos valores morais de uma sociedade. Embora ela tenha um alcance gratuito e cubra quase 100% do território nacional, o receptor não é passivo e ele não precisa ter curso superior nem viver em um centro urbano para questionar, duvidar ou ignorar a mensagem transmitida pelos meios de comunicação. Claro que, quanto maior a ignorância, maior a possibilidade de acreditar sem questionar. E que, obviamente, o seu objetivo é satisfazer aos interesses de quem a banca.

Pois é quem a patrocina quem detém o verdadeiro poder simbólico, político, econômico e coercitivo. Ela é tão-somente um instrumento que é voltado para interesses puramente comerciais. A lei vigente e as práticas culturais relacionadas à percepção social média a respeito do conteúdo midiático permitem e estimulam a não-obrigação da Grande (e também da pequena mídia) de serem culturais, educativas, conscientizadoras, politizadoras, investigativas e o escambau.

Não, elas não são e nem precisam ser. Também não devem ser censuradas. E não dá pra forçar a barra restringindo o seu alcance e tentar investir uma fortuna em uma alternativa verdadeiramente educativa, conscientizadora, politizadora, investigativa, inteligente e assim por diante se não houver interesse do público no tipo de temática a ser abordada, nem tampouco se os produtores dessa mídia alternativa não souberem utilizar uma linguagem técnica recortada, fragmentada, de vocabulário simples, ritmo dinâmico e dotada de uma edição de som, de vinhetas e de legendas totalmente adaptadas à semiótica contemporânea.

A situação é extremamente complexa, dados os seguintes pontos:

1) O cumprimento de todos os requisitos para a primeira autorização e para as sucessivas renovações das concessões do espectro das ondas de rádio destinadas às emissoras de rádio e televisão deveria ser exemplarmente obedecido e punido quando necessário;

2) O ideal é absolutamente impossível de se obter em qualquer lugar do mundo. Não dá para impedir e nem tampouco fiscalizar o tempo inteiro políticos, funcionários públicos de qualquer instância e empresários que veicularam anúncios, releases ou comerciais nos últimos 10 anos; funcionários e associados que trabalham, trabalharam ou possuem negócios com esses mesmos patrocinadores, políticos e donos de veículos e até três gerações de suas respectivas famílias a obterem concessões. Nem todos esses caras são ricos, famosos, suficientemente poderosos ou conhecidos e fazem parte de uma rede social que envolve centenas de milhares de pessoas espalhadas pelos quatro cantos do país. Não dá para emparelhar a capacidade econômica de investimento entre o que seria uma mídia “de direita” e uma mídia “de esquerda” porque o grosso da sociedade é conservadora;

3) Uma TV pública não pode ser uma TV estatal. Do contrário, a Voz do Brasil e as TVEs (sejam bem ou mal administradas) são mais do que suficientes. Ela não pode ter nenhum cargo político mas, sim, cargos eminentemente técnicos. O mandato de sua diretoria não pode estar vinculado ao mandato do presidente da república, do governador, do prefeito, dos senadores ou dos deputados estaduais. Deve ser mais longo (sugiro 12 anos) e regido por uma eleição da qual toda a sociedade participe;

4) Nem a internet e nem a TV digital proporcionam ou proporcionarão ao mundo maior justiça, democracia, cultura e/ou inteligência: o grande equívoco dessa discussão é que ela é centralizada ou na tecnofilia de que tudo será melhor para a maioria, ou na tecnofobia de que as TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) são o grande mal, a grande fonte de alienação da sociedade.

Em primeiro lugar, novos grupos de comunicação municipais vinculados ou não à grande mídia regional ou nacional irão produzir localmente pautas voltadas às comunidades locais de forma que, com mais dinheiro, maior profissionalismo e com o apoio dos caciques da comunidade, não deixará de haver um agendamento conservador. Apesar da possibilidade de TVs e rádios “favela” poderem aparecer e contestar essa nova agenda hegemônica de abrangência local, a maioria das pessoas tenderá a assistir os programas técnica, enunciativa e esteticamente melhor produzidos.

Sim, diminuirá o conservadorismo e o nível de conscientização irá aumentar. Porém, não será tão significativo quanto se imagina ou se deseja.

Portanto, só vejo uma única possibilidade técnica, política e financeira para que haja uma distribuição massiva de conteúdo decente não apenas no Brasil como em qualquer país do mundo: seguir, com as devidas adaptações culturais de cada cultura, o modelo da BBC.

Falarei mais sobre esse modelo mais adiante, em outro post.

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MULTIDÃO, POVO, MASSAS E CLASSE OPERÁRIA

Mais um trecho da minha quali:

 

 

Negri e Hardt (2005 p. 12) diferenciam três conceitos para reuniões ou agrupamentos de uma grande quantidade de pessoas: a multidão, o povo e as massas:

 

- A multidão seria como uma rede aberta e em expansão, na qual todas as diferenças podem ser expressas livre e igualitariamente, proporcionando os meios de convergência para que possamos trabalhar e viver em comum, com a ressalva de que isso não quer dizer que todos se tornem iguais: essa segunda face da globalização, por sua vez, proporciona a possibilidade de descobrirmos os pontos comuns que permitam que nos comuniquemos uns com os outros a fim de agirmos conjuntamente;

 

- O povo é uma concepção unitária muito utilizada para reduzir as mais amplas diferenças que caracterizam a população numa identidade única;

 

- Diferentemente do povo e a exemplo da multidão, as massas também não podem ser reduzidas a uma unidade ou identidade, pois são compostas de todos os tipos e espécies. Contudo, não se pode apontar quais dentre os diferentes sujeitos sociais formam as massas, pois a essência das massas é a indiferença: “todas as diferenças são submersas e afogadas nas massas. Todas as cores da população reduzem-se ao cinza. Essas massas só são capazes de mover-se em uníssono porque constituem um conglomerado indistinto e uniforme” (op. cit. p. 13);

 

- O conceito de classe operária, em sentido estrito, é utilizado: a) para distinguir os trabalhadores dos proprietários que não precisam trabalhar para se sustentar; b) para separar os operários dos demais trabalhadores, refere-se apenas aos trabalhadores industriais, distinguindo-os dos trabalhadores da agricultura, do setor de serviços e de outros setores. Em sentido amplo, a classe operária “refere-se a todos os trabalhadores assalariados, diferenciando-os dos pobres que prestam serviços domésticos sem remuneração e de todos os demais que não recebem salário” (op. cit. p. 13). 

 

Para salientar a multiplicidade da multidão em relação à unicidade do povo, Hardt e Negri afirmam que “a multidão é composta de inúmeras diferenças internas que nunca poderão ser reduzidas a uma unidade ou identidade única” (op. cit. p. 12).

A fim de esclarecer melhor a diferença entre a multiplicidade multitudinária em relação à indistinção uniforme das massas, os autores destacam que “na multidão, as diferenças sociais mantêm-se diferentes, a multidão é multicolorida” (op. cit. p. 13).

Por último, os autores explicam que diferentemente do reducionismo classificatório do conceito de classe operária, a multidão é um conceito aberto e abrangente que procura apreender a importância das recentes mudanças na economia global: hoje em dia, a classe operária industrial, ainda que se mantenha bastante numerosa no mundo inteiro, já não desempenha mais um papel hegemônico na economia global.

Ao mesmo tempo, quando dizem que a produção já não pode ser concebida apenas em termos econômicos, porque deve ser encarada na atualidade como produção social (op. cit. p. 13), Negri e Hardt (2005) iniciam uma discussão sobre o papel e as implicações da multidão que abrange todo o livro: em linhas gerais, além de funcionar como a forma contemporânea de resistência ao império, toda a construção colaborativa de conhecimento, cultura, ação política e geração de riqueza através da transação virtual tanto de bens imateriais como de bens materiais nas redes bottom-up resulta em novas formas de comunicação, relacionamento e formas de vida (op. cit. p. 13) emergentes a partir da multidão. Tal modelo ora dominante na sociedade contemporânea que envolve a produção econômica afetando e produzindo todas as facetas econômicas, culturais ou políticas da vida social é denominado pelos autores de produção biopolítica.

A produção biopolítica e o desejo de democracia como moeda comum a diversos movimentos e lutas de libertação através do mundo (Hardt e Negri, 2005 p. 15) atravessam e são atravessados pela rede distributiva a qual chamamos de internet que, por sua vez, constitui uma base ou modelo para a multidão (op. cit. p. 14). Logo, os coletivos de blogs sobre política e crítica da mídia também são um exemplo de produção biopolítica, cujo objetivo é estabelecer relações capazes de fazer emergir uma forma atual de democracia em rede suficientemente ampla e hábil para resistir ao império representado pelo comportamento top-down das corporações de mídia.

Finalmente, os autores afirmam que os vários pontos nodais se mantêm diferentes mas estão todos conectados na rede e as fronteiras externas da rede são de tal forma abertas que novos pontos nodais e novas relações podem estar sendo constantemente acrescentados (ibidem). Portanto, encontramos em Hardt e Negri (2005) uma série de semelhanças com o experimento do organismo unicelular conhecido como Dictyostelium discoideum utilizado por Johnson (op. cit. p. 9-18) como forma de facilitar a sua explanação sobre o comportamento bottom-up que desemboca na emergência e na teoria da complexidade, bem como referências às redes sociais, à cauda longa, aos grafos, aos laços fortes e laços fracos vistos em Barabási (2003).


Os grifos deste conceito destacam, nas palavras de Hardt e Negri, os principais pontos convergentes entre o pensamento desses autores já observados nas teorias de Barabási (2003) e Johnson (2001).

P. ex.: diferentes culturas, raças, etnias, gêneros e orientações sexuais; diferentes formas de trabalho; diferentes maneiras de viver; diferentes visões de mundo; e diferentes desejos. (op. cit. p. 12)

O IMPÉRIO NO SÉCULO XXI

Trecho do meu texto para apreciação da banca de qualificação nas próximas semanas:

 

 

A Constituição do Império no início do século XXI

 

Nosso ponto de partida era o reconhecimento de que a ordem global contemporânea já não pode ser entendida adequadamente em termos de imperialismo, tal como era praticado pelas potências modernas, com base essencialmente na soberania do Estado-nação ampliada para territórios estrangeiros.

 

Em vez disso, surge agora um “poder em rede”, uma nova forma de soberania, que tem como seus elementos fundamentais, ou pontos nodais, os Estados-nação dominantes, juntamente com as instituições supra-nacionais, as grandes corporações capitalistas e outros poderes.

 

Consideramos que este poder em rede é “imperial”, e não “imperialista”. (HARDT e NEGRI, 2005 p. 10)

 

 

Os autores sustentavam que a ordem global contemporânea não se caracteriza nem pode ser sustentada pela participação igualitária de todos, ou sequer pela elite dos Estados-nação, até concluírem em sua tese sobre o império[1] que “em vez disso, nossa atual ordem global é definida por rígidas divisões e hierarquias, em termos regionais, nacionais e locais” (op. cit. p. 11).

Tal enunciado entra em conflito com o discurso da luta entre classes como meio de transformação o status quo através da tomada do poder “de todos para todos[2]”, surgido em uma época na qual o poder do Estado-nação ainda era muito maior do que o das instituições supranacionais, das grandes corporações capitalistas e de outros poderes[3]. Dessa forma:

 

O Império domina uma ordem global que não só é internamente fraturada por divisões e hierarquias como se vê acossada por uma guerra perpétua. O estado de guerra é inevitável no Império, e a guerra funciona como instrumento de domínio. A paz imperial de nossos dias, a Pax Imperii, exatamente como a da época da Roma antiga, é um arremedo de paz que na realidade preside um estado de guerra permanente. (HARDT e NEGRI, 2005 p. 11-12)

 

 

Mais adiante, para fins didáticos, Hardt e Negri simplificam a globalização em duas faces: na primeira, o império dissemina em caráter global sua rede de hierarquias e divisões que mantém a ordem através de novos mecanismos de controle e permanente conflito. A seguir, apresentam uma forma de resistência ao estado de guerra permanente do império. Portanto, além da perspectiva apocalíptica imperial, a mesma globalização “também é a criação de novos circuitos de cooperação e colaboração que se alargam pelas nações e os continentes, facultando uma quantidade infinita de encontros[4].” (HARDT e NEGRI, 2005 p. 12)


[1] V. HARDT e NEGRI, 2001.

[2] Na prática, se há luta pelo poder, alguém deseja impor-se. Logo, a igualdade não passa de uma mera retórica.

[3] Embora não pretenda aprofundar essas questões, uma breve contextualização possível de ser melhor visitada em uma vasta literatura. Em poucas palavras, tais idéias surgiram no Iluminismo, período histórico que questionou o poder das monarquias absolutistas da Europa nos séculos XVII e XVIII. Originou o positivismo, que serviu como diretriz para a Revolução Francesa (1789) e para a Revolução Farroupilha (1825-1835). Outra variante iluminista também serviu de base para o marxismo, cuja análise econômica e social sobre o impacto da Revolução Industrial inspirou os regimes socialistas a partir da Revolução Russa (1917-1924). Fato comum a praticamente todas as guerras civis é que, independentemente do regime político (p. ex. ditadura ou democracia civil, militar, monárquica ou teocrática), das conquistas e das perdas sociais (melhoras ou pioras sensíveis em vários setores da economia e da sociedade) ou das classes que perdiam ou tomavam o poder num Estado-nação qualquer (clero, nobreza, burguesia, proletariado, etc.), com o tempo, a nova classe hegemônica tende a tornar-se totalitária a fim de permanecer no poder.

[4] Grifo meu.