IMPÉRIO X RESISTÊNCIA: O ATRASO DO BRASIL

Este post versa sobre cinco pontos:

1) O debate político na ágora pública perdeu quase toda a sua força. Embora este seja um fenômeno global, cada local apresenta suas próprias particularidades, pois a globalização não homogeneiza sociedade alguma – isso é papo de neoliberal ignorante. A esmagadora maioria das pessoas desinteressou-se pelo envolvimento direto e não sabe o que é cidadania. O hedonismo, o individualismo, o excesso de trabalho e o consumismo são traços globais que justificam essa atitude. Porém, o Brasil apresenta, além da sua heterogeneidade étnica, cultural, geográfica, climática e das diferentes matrizes econômicas regionais de pouco intercâmbio entre si, o ranço da ditadura e o conservadorismo exacerbado (v. “Por que o gaúcho é assim” – excelente série de textos do DIÁRIO GAUCHE em setembro de 2007).

2) A discussão política passou a ser feita de maneira frívola e sem conteúdo transformador ou investigativo. As pessoas informam-se, recebem uma série de juízos de valor e retroalimentam a mídia corporativa com suas impressões pessoais em um ciclo onde de passivo e de alienado o receptor tem muito menos do que se imaginava. A ágora digital é a mídia (seja o PIG ou a alternativa): querendo ou não, a mídia aogra constitui o único campo social que traduz a linguagem dos outros campos de maneira tão superficial quanto inteligível, nivelando por baixo a compreensão da sociedade através da insistência no uso de dicotomias cujas nuances se perdem na opacidade do fazer, da natureza vicária, da ética, da economia, da cultura e dos ritos e códigos característicos de todos os demais campos sociais. Ao mesmo tempo, a própria mídia esconde, ignora ou exacerba determinados traços inerentes aos bastidores de sua própria produção através da gramática de seus enunciados.

Todavia, a mídia corporativa não é o “quarto poder” e ela não manda e não decide nada sozinha. Ao mesmo tempo, ela deixa uma quantidade absurda de rastros facilmente detectáveis por pessoas de inteligência e escolaridade mediana, desde que sejam suficientemente observadoras e interessadas em comparar o que, como e através de quem ela apresenta os fatos e suas opiniões do cotidiano: ela obedece aos interesses do império, do qual ela faz parte e é financeiramente alimentada.

O mundo é regido pelos interesses das corporações globais, não pelo Estado-nação. Logo, como as pessoas são heterogêneas, a mídia não pode simplesmente influenciar, manipular ou doutrinar. Ela tenta e, eventualmente, em situações bastante pontuais, até consegue uma adesão aos propósitos de seus patrocinadores e parceiros comerciais. Possui, sim, um certo poder. Todavia, só mesmo uma classe média extremamente atrasada como a gaúcha para submeter-se a uma influência que nem a Globo consegue exercer.

Porém, ignorar a sua importância e as suas práticas; reduzir os problemas do país meramente à sua discursividade e enxergar os comunicadores conservadores como se eles fossem sumidades ou, por outro lado, demônios em forma de gente, é de uma ingenuidade acachapante: a mídia corporativa é, a grosso modo, apenas o funcionário que lê o pergaminho com a palavra do imperador.

Portanto, o monitoramento do que o rádio e a TV dizem, para quem, por quem, como e com que objetivo é muito mais significativo do que o que sai nos jornais e revistas. Afinal de contas, rádio e televisão são concessões federais de uso do espectro de ondas eletromagnéticas que devem, sim, ser fiscalizados, prestar contas e devem, acima de tudo, manter um compromisso social. No entanto, jornais e revistas compra quem quer. Quem é conservador, procura a mídia corporativa e crê na mensagem de seus mantenedores imperiais porque deseja tão-somente ver seus próprios valores endossados por outras palavras.

3) Para Hardt e Negri (2001), o império não são mais os Estados-nação mas, sim, as megacorporações globais que, devido à sua rede social, fazem parte de um sistema auto-organizado top-down, altamente hierarquizado que se faz presente em todas as áreas do conhecimento. Mesmo que o Brasil não tenha guerras civis há muito tempo, não viva mais a ditadura formal e a “guerra” contra o crime organizado não passe de um discurso de prioridade e proporção hipervalorizados e espetacularizados, o império só se mantém proporcionando um estado de guerra global permanente.

Esse império não é os EUA, o Reino Unido, a França, a Itália, a Alemanha, a Rússia e nem a China mas, sim, a articulação entre a cúpula política conservadora, os megaempresários, banqueiros, latifundiários, indústria química (medicamentos, agrotóxicos, sementes transgênicas, hormônios), e produção de bens imateriais (comunicação, informação, entretenimento) que é a maior interessada pelo estado de guerra permanente;

4) A única forma de resistir à dominação e à violência dos detentores do poder hegemônico é utilizar as mesmas armas que eles utilizam no mesmo contexto histórico de cada forma de dominação. Atualmente, como o Estado-nação e a representatividade política não são mais legitimados por coerência ideológica nem pela consciência do compromisso de representar a sociedade, este Estado-nação passa a atender pioritariamente a interesses comerciais.

Dessa forma, o voto e a atividade parlamentar valem, em termos cidadãos, quase nada, pois a política partidária, os Três Poderes e a forma de financiamento de campanhas só faziam sentido para a democracia quando o Estado-nação ainda conseguia, quase autonomamente, ser um welfare state, uma ditadura ou democracia teocrática, civil, militar ou monárquica.

Portanto, se vivemos um estado de guerra permanente; se o império são as corporações; se o Estado-nação representa um controle e uma identidade fragmentados; se o status quo é mantido através das redes de comunicação, transmissão, circulação e negociação de bens simbólicos…

…A forma de resistência contemporânea deve ser também em rede.  A resistência forjada na modernidade não obterá nenhum sucesso se desejar tomar o poder político, pois, além de não ter força física, coercitiva, simbólica ou financeira suficiente, acabará entrando nessa rede como mera capataz dos interesses do império para, em troca, distribuir apenas migalhas do que poderia ser feito para o país inteiro.

A resistência moderna nem tampouco obterá sucesso se tentar pegar em armas, pois possui apenas cascalho para atirar contra um everest de titânio com canhões que atiram bombas de 100 megatons de plutônio.

A resistência moderna não consegue mobilizar pessoas com competência e visibilidade capaz de atrair a atenção e a adesão da classe média nem de forçar uma inserção midiática positiva no Brasil porque a nossa direita é mais inteligente do que a de todo o resto da América do Sul e a nossa esquerda ainda adota métodos modernos, que são péssimos para compreender e usufruir da rede.

A resistência moderna brasileira está sempre 200 órbitas atrás do império, pois segue pensando em povo e em massas ao invés de pensar na multidão.

Finalmente, o Brasil é, financeira e tecnologicamente muito mais avançado do que seus vizinhos de fala castelhana. Nossas oligarquias simbólicas, financeiras e políticas já estabeleceram laços mais fortes com o império – o que justifica o misto de alta tecnologia (o brasileiro é quem fica mais horas/mês na internet no mundo inteiro) com a pior distribuição de renda do planeta (para economia externa, os oligarcas são pós-modernos; para economia interna, são pré-modernos).

Nossos co-irmãos Uruguai, Paraguai, Argentina, Equador, Bolívia, Chile e Venezuela falam a mesma língua, possuem maiorias subjugadas de mesma matriz étnica e cultural e, embora menos desenvolvidos do que o Brasil, há uma quase homogeneidade tanto das oligarquias como dos pobres em relação às práticas econômicas, políticas e de articulação do poder. Eles são, em extratos importantes da sociedade, menos feudais e menos pós-modernos do que o Brasil. E os lados antagônicos da América Hispânica se conhecem muito melhor do que os do Brasil, pois a esquerda está muito atrasada em relação à direita.

Conseqüentemente, o Brasil, mesmo tentando exercer um papel de liderança política na região, não o consegue. Só para ficar em poucos motivos bastante óbvios, a barreira cultural e idiomática é enorme: enquanto a situação de cada um de nossos vizinhos é bastante conhecida por todos os demais, eles conhecem o Brasil, mas o Brasil não os conhece: nossa oligarquia e seus laços globais utilizam a mídia corporativa como um megafone que se cala diante da realidade da América Latina e reverbera o estado de guerra permanente para além de suas fronteiras, enquanto os nossos vizinhos se preocupam em resolver problemas particulares e imediatos dentro de suas próprias trincheiras. Problemas comuns ao Brasil que, de sua parte, pouco tem conseguido solucionar para si mesmo e é pouco participativo na hora de cooperar com os outros.

5) Queiramos ou não, nós mesmos somos alimentados pelos valores do império, pois não há como trabalhar, consumir, relaxar, socializar, sonhar e realizar colocando um escudo sobre aquilo em que não acreditamos. Mesmo em nossas críticas e constatações mais inteligentes e voltadas para um interesse puramente voltado para emparelhar a sociedade, nosso principal assunto, que é a mídia corporativa, a política, a economia e a sensibilidade, é debatido em função da ágora midiática.

Em suma: a resistência pós-moderna se estabelece em rede. Ou isso, ou bailamos na curva.

[B'08 22ª] NÁUTICO 1×1 GRÊMIO

                Náutico derrota o Grêmio nos Aflitos<br />

Sabe quando o jogo é tão ruim, mas tããão ruim que só mesmo corneteando a tudo e a todos com muita ironia e sarcasmo pra não sair do bar ou do estádio frustrado? Pior: o GRÊMIO jogou tão mal, mas tããão mal que, caso tivesse enfrentado um time um pouquinho melhor, provavelmente estaria aqui falando sobre uma sumanta de 4×0.

Foi um show de horror comparável a uma trupe de palhaços sem carisma num circo decadente. O gramado dos AFLITOS é um lixo: a bola não rola, sai pulando feito pipoca. No dia do encerramento da OLIMPÍADA, essa pseudo II BATALHA DOS AFLITOS parecia um jogo de BADMINGTON sem rede – era raquetada de um lado e do outro.

Os cruzamentos em profundidade do GRÊMIO foram uma calamidade: verdadeiros petardos que, quando encontravam a cabeça de algum atacante TRICOLOR no bico da grande área do TIMBU, viravam guampadas direto pela linha de fundo.

O gol dos pernamucanos foi tão ridículo que eu me nego a descrevê-lo. Porém, dada a ruindade do NÁUTICO aliada à dramaticidade do primeiro gol de REVER com a camisa do GRÊMIO (em um rebote do chute de PEREIRA em cima do assustado goleiro reserva que entrou no fim do 1º tempo) em um lance no qual até o goleiraço VICTOR tentou cabecear em uma cobrança de falta de TCHECO quase aos 49′do 2º tempo.

VICTOR redimiu-se lindamente da entregada a la peito de tábua contra o FLAMENGO realizando mais um milagre: desta vez, ele espalmou um chute à queima-roupa quase de dentro da pequena área caído, no contrapé, com o braço esquerdo.

TCHECO que, por sua vez, passou GRECIN no cabelo e deixou o seu futebol em PORTO ALEGRE.

Enfim… Na 23ª rodada, finalmente voltamos a ser mandantes contra o VASCO. Precisamos devolver a derrota em SÃO JANUÁRIO no 1º turno e reencontrar o bom futebol.

Pra não dizerem que eu não critico CELSO ROTH, ele errou a ordem das substituições, embora não houvesse mesmo muito o que fazer naquele jogo que lembrou futebol mas que parecia outra coisa e, no final, ainda deu certo.

Quando RAFAEL CARIOCA foi substituído, pensei que entraria MAKELELE em seu lugar. Porém, para buscar o resultado (no que não estava errado), ROTH aumentou o número de atacantes e colocou o risível, irritante e inócuo ANDRÉ LUIZ. SOUZA entrou no lugar de PEREA. Até aí, tudo bem. No entanto, o técnico demorou demais pra se tocar que o colombiano não jogou absolutamente nada. Finalmente, MAKELELE entrou só pra ganhar tempo.

Mesmo mais errando do que acertando, ROTH foi decisivo mais uma vez, para desespero total dos corneteiros: afinal de contas, a entrada tardia do esforçado volante foi providencial para retardar ainda mais o jogo, levando-o até os 49′ – o suficiente para a blitz final que resultou em um gol do meu bruxo, cujo nome lembra aquelas marcas de confecção de Blumenau.

Em tempo: joga no NÁUTICO o lendário lateral-direito RUY – aquele que, quando jogava no BOTAFOGO, tiveram que abrir a gola da camiseta porque sua cabeça não passava no buraco. O jogador também atuou no FIGUEIRENSE.

Pela segunda vez contra o GRÊMIO neste ano, o destaque absoluto do TIMBU foi o voluntarioso volante TICÃO. Em PORTO ALEGRE, ele anulou TCHECO. Em RECIFE, levou botinada atrás de botinada e, mesmo assim, resistiu bravamente por duas vezes. Na terceira, sua perna claudicante finalmente capitulou. Dado o comovente esforço desse jogador, me vejo a pensar se o nº 7 de apelido sugestivo não teria sido uma opção interessante para jogar ao lado de LUCAS na SELEÇÃO OLÍMPICA, já que o são-paulino HERNANES, fora o gol contra a BÉLGICA no 1º jogo, fez um torneio lamentável.

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[PRM 08/09 2ª] LIVERPOOL 2×1 MIDDLESBOROUGH

Jamie Carragher of Liverpool celebrates scoring

Em mais uma edição do secular clássico (a) do norte da Inglaterra entre LIVERPOOL x BORO (b), sofremos para derrotá-los no nosso ANFIELD.

Vocês vão querer me matar, mas eu não vi o jogo. Apenas li comentários no site oficial da PREMIER LEAGUE e no GLOBOESPORTE.COM. Além da feliz coincidência da analogia entre o “até a pé nós iremos” gremista e o “we’ll never walk alone: dos merseysiders de vermelho, o LIVERPOOL também é líder sem jogar bonito e penando para ganhar em casa.

De virada é muito mais gostoso, como já dizia a Maria que de noite era João: para sofrimento geral da nação, o controverso egípcio MIDO (c) veio do banco aos 70′ para abrir os trabalhos para os visitantes. Complicou-se aí uma partida que, no papel, deveria ter sido fácil. Depois, os REDS empataram em uma bomba da entrada da área do vice-capitão JAMIE C., que desviou no zagueiro e lateral-esquerdo austríaco EMANUEL POGATETZ (d).

Quem salvou a nossa pele – só pra variar – foi o capitão STEVE G., com uma bucha de fora da área nos acréscimos. Enfim: quem chama a responsabilidade para si deixa a torcida feliz. Jogo jogado, lambari pescado e metade dos pubs de Liverpool fumegando! ;)

Se o RAFA BENÍTEZ cheio do ouro também sofre, por que diabos a gente precisa detonar o CELSO ROTH e as últimas cinco gerações da família PICO por uma atuação pouco convincente aqui ou ali?!

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a) E qual(is) clássico(s) ou não-clássico(s) na Inglaterra é (são) disputado(s) entre clubes com menos de um século de vida? Resposta durante a semana, pois este post é curtíssimo: primeiro, porque ainda preciso finalizar um capítulo do meu texto de qualificação; segundo, porque vou ao MUSEU DO ESPORTE acompanhar mais uma BATALHA DOS AFLITOS, rumo à reabilitação;

b) O BORO é o clube no qual o brasileiro JUNINHO PAULISTA marcou época há cerca de uma década atrás;

c) MIDO é meio “pancada” tipo SERGINHO CHULAPA, mas estufa bastante as redes enquanto seu cérebro não der tilt. Normalmente, ou quando muda de clube (o que não é o caso), ou no início da temporada (CQD);

d) É muito engraçado repetir silabando 10x “PO-GA-TETZ!”. Fico chateado quando ele não pode jogar, pois esse nome é absolutamente inesquecível! :P

MARADONA REVERENCIA RONALDINHO

Agência/AP

O verdadeiro tamanho de um homem se mede através do seu desprendimento através de gestos de atenção, carinho, respeito, alegria e engajamento. DIEGO ARMANDO MARADONA foi um verdadeiro craque. Hoje, ele é embaixador informal do esporte argentino sem ganhar um centavo sequer para torcer, encorajar, divertir e emocionar a todos com a sua história pessoal de altos e baixos.


Agência / EFE

Apesar de possuir uma população equivalente a apenas 1/6 da população brasileira e de viver um momento econômico muito pior do que o nosso, ainda assim a educação pública e privada além da margem ocidental do PRATA na área delimitada pelos ANDES, pela PAMPA e pela PATAGÔNIA antigamente conhecida como TIERRA DE LA PLATA.

E é a essa multidão de fala castelhana e de reações altamente dramáticas que DOM DIEGO representa. Ele não apenas significa muito para toda uma nação como também essa nação é tudo para ele.

Um dos vários párias a quem a bola deu o privilégio de tornar-se cavaleiro.

REY, DIÓS… Ele merece cada um dos superlativos pelos quais é chamado. Poderia ter apenas acenado de longe para os brasileiros ou até mesmo os ignorado. Mas não: ele foi BEIJAR A MÃO DE RONALDINHO (foto acima). Ele não beijou a mão de RIQUELME, do seu amado BOCA, nem de MESSI, a bola da vez do futebol mundial (na minha opinião, mais jogador do que o português CRISTIANO RONALDO).

Infelizmente, não podemos dizer o mesmo do supostamente melhor de todos os tempos: de sua dupla personalidade, parece que a do anjo PELÉ foi vencida pelas mazelas humanas que assolam o EDSON, que foi o que sobrou dele.

Uma pena.

A VERDADE SOBRE O ESPORTE BRASILEIRO

Copio na íntegra a crônica do prof. RONALDO PACHECO DE OLIVEIRA FILHO, da Secretaria de Edudação do Distrito Federal cedido à UnB e da Universidade Católica de Brasília, publicado originalmente no BLOG DO JUCA, um dos menos de 100 jornalistas com J maiúsculo que existem neste país:

Desculpas ao esporte e aos atletas brasileiros

Por RONALDO PACHECO DE OLIVEIRA FILHO*

Desculpem pela falta de espaços esportivos nas escolas;

Pela falta de professores de educação física nas séries iniciais;

Pelas escolinhas mercantilizadas que buscam quantidade de clientes e não qualidade de aprendizagem;

Desculpem pela falta de incentivo na base;

Desculpem pela falta de praças esportivas;

Desculpem pelo discurso de que “o esporte serve para tirar a criança da rua” (é muito pouco se for só isso!);

Desculpem
pela violência nas ruas que impede jovens de brincar livremente,
tirando deles a oportunidade de vivenciar experiências motoras;

Desculpem se muito cedo lhe tiraram o “esporte-brincadeira” e lhe impuseram o “esporte-profissão”;

Desculpem pelo investimento apenas na fase adulta quando já conseguiram provar que valia a pena;

Desculpem
pelas centenas de talentos desperdiçados por não terem condições
mínimas de pagar um transporte para ir ao treino, de se alimentar
adequadamente, ou de pagar um “exame de faixa”;

Desculpem por não permitirmos que estudem para poder se dedicar integralmente aos treinos.

Desculpem
pelo sacrifício imposto aos seus pais que dedicaram seus poucos
recursos para investir em algo que deveria ser oferecido gratuitamente;

Desculpem
levá-los a acreditar que o esporte é uma das poucas maneiras de
ascensão social para a classe menos favorecida no nosso país;

Desculpem pela incompetência dos nossos dirigentes esportivos;

Desculpem
pelos dirigentes que se eternizam no poder sem apresentar novas
propostas; Desculpem pelos dirigentes que desviam verbas em benefício
próprio;

Desculpem pela falta de uma política nacional voltada para o esporte;

Desculpem por só nos preocuparmos com leis voltadas para o futebol (Lei Zico, Lei Pelé, etc.);

Desculpem se a única lei que conhecem ligada ao esporte é a “Lei do Gérson” (coitado do Gérson);

Desculpem
pelos secretários de esporte de “ocasião”, cujas escolhas visam atender
apenas, promessas de ocupação de espaços político-partidários (e com
pouca verba no orçamento);

Desculpem pelos políticos que os
recebem antes ou após grandes feitos (apenas os vencedores) para
usá-los como instrumento de marketing político;

Desculpem por
pensar em organizar “Olimpíadas” se ainda não conseguimos organizar
nossos ministérios; nossas secretarias, nossas federações, nossa
legislação esportiva;

Desculpem por forçá-los, contra a vontade, a se “exilarem” no exterior caso pretendem se aprimorar no esporte;

Desculpem pela cobrança indevida de parte da imprensa que pouco conhece e opina pelo senso comum.

Desculpem o povo brasileiro carente de ídolos e líderes por depositar em vocês toda a sua esperança;

Desculpem pela nossa paixão pelo esporte, que como toda paixão, nem sempre é baseada na razão;

Desculpem por levá-los do céu ao inferno em cada competição, pela expectativa criada;

Desculpem pelo rápido esquecimento quando partimos em busca de novos ídolos;

Desculpem
pelas lágrimas na derrota, ou na vitória, pois é a forma que temos para
extravasar o inexplicável orgulho de ser brasileiro e de, apesar de
tudo, acreditar que um dia ainda estaremos entre os grandes.

*Ronaldo
Pacheco de Oliveira Filho é professor da Secretaria de Educação do DF
(cedido à UnB) e da Universidade Católica de Brasília.

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No próximo post, trechos da espetacular entrevista de JUCA KFOURI à REVISTA DO BRASIL.