O POETA é, ainda, uma reserva técnica – ou, melhor, um é a reserva técnica do outro. Não vejo como a escolha principal dos NEOCONS BOVINÓIDES não ser por um dos dois. Os financiadores, patrocinadores e parceiros em geral da mídia corporativa (não é só a RBS; além disso, quem não quer, sequer a acompanha ou acredita nela, mesmo sendo de direita – cada vez mais as pessoas têm menos tempo pra ler jornal e assistir TV e preferem ouvir músicas do que notícias no rádio) decidirão qual dos dois será o seu homem a tempo.
Ontem, assisti à seção da CÂMARA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE relacionada à votação ou não do PROJETO PONTAL DO ESTALEIRO. Chego à conclusão de que, independentemente da persona com a qual simpatize ou confie e do partido ao qual pertença, tanto o eleitor quanto o parlamentar da nossa capital são politicamente AUTISTAS, segundo a péssima impressão deixada por A, B e, acima de tudo, por C e D.
Percebi que cada um deles, independentemente de trabalhar para interesses econômicos poderosos e excludentes ou pelo bem sincero de uma determinada comunidade, possui deficiências técnicas, intelectuais e, em vários casos, até mesmo déficit de raciocínio lógico e de sensibilidade.
A verba de gabinete mantida por nossos impostos DEVERIA ser utilizada por cada vereador, deputado estadual, federal ou senador de forma que cada um deles contasse com um especialista jurídico, contábil/tributário/econômico, psicológico, médico, urbanístico, ecológico, educacional, artístico e esportivo, de forma que toda e qualquer votação pudesse ser devidamente racionalizada para que seu resultado nos poupasse tempo, dinheiro e, sobretudo, resolvesse de maneira honesta, ética, transparente e com qualidade os problemas prioritários para aqueles que mais precisam de soluções imediatas e definitivas.
Partido nenhum e a persona de qualquer político resolvem quase nada na sociedade. Enquanto a esquerda não aceitar o fato de que é preciso mais do que ser companheiro (deve ser TECNICAMENTE QUALIFICADO) e que deve-se saber dialogar com as forças antagônicas sem vender-se, sem ser convencido mas tampouco repudiá-las, a política partidária perde todo o seu sentido.
A chamada classe operária que foi base do bom PT não é nada significativa na atual sociedade de fluxos, serviços e bens imateriais.
O PTB tomou o lugar do PT como partido comunitário em regiões da CAPITAL BOVINÓIDE e do BOVINÃO nas quais o PT deixou muitos furos quando administrou, depois de dois mandatos e meio de um bom trabalho.
O PT está-se pedetizando (bagaceirando-se e dinossaurando-se) agora para, mais adiante, peemedebecizar-se (virar um saco de gatos no qual todos querem parecer pardos). Isso certamente irá acontecer com o PSOL e com o PSTU, assim como o PC DO B e o PSB já haviam feito anteriormente.
Em função desse quadro estritamente porto-alegrense, não dá mesmo pra lutar diretamente por causas macro, nem tampouco confiar em coerência partidária nem tampouco na defesa incondicional de interesses comuns aos da maioria da população sendo esta multicultural, multifacetada e dotada de alguns interesses comuns, porém não necessariamente todos em relação a toda a cidade.
RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA = FORMA CONTEMPORÂNEA DE COMBATER O IMPÉRIO TRANSNACIONAL COM AS MESMAS ARMAS DAS QUAIS O OPONENTE DISPÕE.
Enquanto os militantes de esquerda mais racionais e mais conscientes não se derem conta de que é muito mais eficiente na atualidade reivindicar por demandas PONTUAIS, PEQUENAS, COMUNITÁRIAS com força e com conhecimento de causa; investigar a diferença entre o que cada um dos entes políticos, econômicos e sociais envolvidos em uma determinada causa dizem e fazem procurando por maiores informações sobre eles através de sites de redes sociais, comunidades virtuais, associações, sindicatos e entidades da sociedade civil organizada as quais pertencem e postarem tudo aquilo que for devidamente comprovado e que não atentar contra a honra de ninguém em blogs, a sociedade não irá caminhar rumo a um desenvolvimento sustentável e transparente.
Questões do macroambiente e intenções de obter o poder ao invés de fiscalizá-lo e de contestá-lo sempre que necessário devem ser substituídas pela necessidade premente de aproximar o espaço público que detém a hegemonia do debate político contemporâneo (os produtos midiáticos) daquele espaço público verdadeiramente comum e democraticamente reconhecido por lei e pouco praticado pela cidadania desvinculada de vícios partidários ou sindicais que é o da praça, da rua e do parlamento. O que funciona melhor é o conceito COMO PEQUENAS COISAS PODEM FAZER UMA GRANDE DIFERENÇA.
É preciso utilizar as armas que as TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) disponibilizam tanto para a direita quanto para a esquerda – ainda cética, despreparada e incompetente no BRASIL, pois permanece com um pensamento militante da década de 1960.
Vocês não têm idéia da gigantesca capacidade de mobilização apolítica, impessoal e da diversidade de opiniões e de sugestões que brotam através de espaços ou ambientes de conversação e de debate proporcionados por comunidades no ORKUT; informações breves e urgentes + links no TWITTER; listas de discussão por E-MAIL; diálogos longos em mensageiros instantâneos como MICROSOFT MESSENGER (MSN), ef="http://www.skype.com/">SKYPE ou ICHAT; dialogos curtos em sites como o PLURK; e, finalmente, posts, comentários, intercâmbio de links através de COLETIVOS DE BLOGS.
Grandes exemplos de mídia alternativa global, descentralizada e barata como o THE REAL NEWS NETWORK e alternativas de empoderamento de pequenas comunidades com demandas pontuais espalhadas pelo mundo estão em GLOBAL VOICES ONLINE. São estas as referências que devemos seguir.
O movimento estudantil e os sindicatos fazem um uso ainda muito imaturo, sem estratégia nem articulação social e política suficientemente capazes de estabelecer uma rede de quantidade de participantes, volume e qualidade de informação suficientemente capilarizados a ponto de derrubar senadores e candidatos a ministros da SUPREMA CORTE, tal como ocorreu nos EUA em 2004 e foi relatado no livro BLOG, do jornalista e blogueiro estado-unidense HUGH HEWITT.
Enfim… Se há uma forma extremamente eficiente e atual de se discutir em ambientes mediados e de realizar atos públicos volumosos, esta depende muito da participação online e do uso freqüente e criativo das ferramentas que citei neste post.
A geração de pessoas que lutaram contra o regime é aquela do hiato entre meus pais (78/75 anos) e meus irmãos (de 47 a 51). Quem tem de 55 a 70 e não se aburguesou é o que temos de melhor como exemplos de cidadania em nossa sociedade.
Eu tenho 35. Fui a 3 ENECOMs, fui líder de turma em escola pública e meu pai foi presidente da Associação dos Ferroviários Aposentados do RS durante 16 anos, ajudando a melhorar os vencimentos de mais de 6000 aposentados e pensionistas da Viação Férrea e da RFFSA.
Como o Pai não era de esquerda mas conversava com todo mundo e o conservadorismo dele não era reacionário, hoje entendo bem como a maioria da bancada do PT tá em cima do muro na questão do Pontal e um Beto Moesch da vida está ao nosso lado: as causas são pontuais. Não se pode exigir coerência de uma mesma bancada nem exigirmos que militantes que estejam do nosso lado em 10 causas não estejam com a gente na 11ª.
É por isso que eu defendo que a esquerda não precisa estar instrumentalizada sob a ordem de um partido e nem tampouco pretenda tomar o poder: o lance é podermos nos misturar e vivermos fiscalizando, reivindicando, cobrando, investigando e denunciando.
Não dá mais pra fazer política como na década de 1960.
Aliás, muito me admira que não se apure falcatruas na UFRGS através do Sextante.
[]'s,
Hélio
Pois é: entrei no site da Câmara e achei as legendas das fotos lamentáveis.
Mas, enfim… A maioria dos jornalistas entre 20 e 50 anos de idade hoje em dia é conservadora, filha da classe média medrosa, omissa ou oportunista que não lutou na ditadura. Tendo ou não relações estreitas com a oligarquia guasca (traduzindo: os caras que financiam a mídia corporativa), eles só querem saber de tirar o deles da reta e de obterem credibilidade junto ao CONSUMIDOR e ao ANUNCIANTE que sustentam o seu emprego.
É por isso que sou contra o diploma de jornalista e contra os sindicatos de uma maneira geral, já que eles recebem uma nota em contribuições compulsórias descontadas em folha pra usar advogados apenas eventualmente e não investir em cursos de empreendedorismo p/ajudar os jornalistas a serem produtores independentes, bons negociantes e, acima de tudo, capazes de não deixar a peteca cair.
[]'s,
Hélio
Hélio,
Seria importante divulgar a posição de cada um dos vereadores, mesmo que sejam absurdas. Olhei as fotos que postastes e não pude deixar de perceber a "dissintonia" com as manchetes do dia, em relação ao epísódio, que falam como se uma horda de bárbaros tivesse invadido a Câmara. Não posso deixar de ser irônico, ao ver, nas fotos, "terríveis vovozinhas" dando mau exemplo aos seus netinhos, esculhambando na Câmara. Cadê o Mendes que não prende essas perigosas meliantes????
Helio,
Excelente post, retrata bem o que eu falei para os companheiros ontem em frente à câmara. Temos que nos articular via internet, pois trata-se de um poderoso intrumento de comunicação e informação de que dispomos.
Orkut, msn, blogs, comunidades de discussão: todas essas ferramentas são essenciais para a luta comunitária e popular nos dias de hoje.
abraço!