POR QUE A ESQUERDA NÃO MUDA O MUNDO I

Este post é para todos. Mas, em especial, responde o excelente comentário que o VALDIR DALLA MARTA do blog TIMBLINDIM da belíssima CAMPO GRANDE (MS) fez há dois posts atrás.

Os leitores e os blogueiros que me dão o prazer, a amizade, o carinho e a honra de compartilhar comigo momentos de troca de informação, de inteligência e de solidariedade através de participações mútuas nos blogs de um e de outro e em alguns encontros presenciais (que, se dependessem de mim, seriam muito mais frequentes do que têm sido) estão cansados de saber que eu vivo insistindo na condição sine qua non de que a esquerda aprenda a trabalhar sem liderança centralizada e sem almejar tomar o poder político e coercitivo. O único poder possível de ser conquistado a partir das ferramentas que nos são disponibilizadas (mesmo assim, a duras penas) é o simbólico: no momento em que a sociedade amadurecer o suficiente a ponto de rever seus valores e seus conceitos para um mundo mais sustentável e mais tolerante, a tendência à alternância no poder político ora aumentar a miséria da esmagadora maioria e enriquecer estupidamente a raríssimos outros, ora inverter a hegemonia entre dois grupos de privilegiados semiantagônicos certamente diminuirá exponencialmente.

Sou um singelo iniciante na leitura e na interpretação (ainda um tanto pobre, admito) da obra de sociólogos e de filósofos clássicos cujas análises sociais, econômicas e políticas seguem valendo até hoje, dois ou três séculos depois daquilo que escreveram. Preciso aprofundar-me muito neles. Mas foi pra isso que serviu o mestrado: pra começar a ler e pra usar as teorias como muletas para justificar a ocorrência ou não de alguns insights que surgem a partir da observação de um determinado objeto empírico durante a pesquisa. Mais adiante, no doutorado, obviamente, meu discurso tornar-se-á muito mais sofisticado e eu deixarei de ser um mané, capacitando-me a inovar e a produzir conhecimento relevante para a sociedade.

Vou falar um pouco mais sobre uma maneira de resistir baseada na emergência e na articulação descentralizada e em rede que considero mais eficiente e adequada de ser posta em prática no atual contexto mundial.

Os livros IMPÉRIO e MULTIDÃO de ANTONIO NEGRI e MICHAEL HARDT obviamente são  passíveis de infinitas interpretações diferentes. Todos têm o direito de concordar e de discordar parcial ou integralmente com as idéias desses dois filósofos (o primeiro, italiano; o segundo, estadounidense). No caso, encontrei uma forma de discordar contraproducente, desinformada, desatualizada e limitada em relação à correlação de forças atual. E é sobre isso que eu quero falar.

Tais críticos defendem sempre a mesma maneira de resistir e de fazer o socialismo, além de crerem que as características daqueles que compõem tanto a classe privilegiada como a classe subordinada são quase imutáveis. Ora, se existe um pensamento em que a luta de classes ocorre sempre entre os mesmos entes de características sociais praticamente imutáveis, é sinal de que este pensamento não leva em conta o contexto sócio-econômico-político-cultural de cada período histórico como deveria. Estamos, pois, diante de uma significativa falta de capacidade de PROPOR algo DIFERENTE e TRANSFORMADOR a partir dessa crítica.

Pois bem: na crítica do link acima, entendo que a obra não foi devidamente interpretada como os autores esperavam que fosse. O pior dessa crítica é a sua ignorância em relação a uma série de ressalvas que NEGRI e HARDT fazem ao longo do livro: ao contrário do que diz o crítico em questão, Negri e Hardt NUNCA ignoraram ou minimizaram o papel das classes subalternas. Eles tão-somente constataram que a classe subjugada de hoje precisa utilizar novas formas de resistência compatíveis com as novas formas de dominação do império. Portanto, práticas antigas só oferecem capacidade de reação e de transformação quando confrontam práticas hegemônicas correspondentes em articulação financeira, social e tecnológica.

A esquerda leva laço porque não procura obter a bomba atômica, enquanto acha essa arma desleal e segue tentando vencer usando arco e flecha. É essa a comparação grosseira possível de fazer para explicar em outras palavras. Só que, ao possuir a bomba, não pode nem detoná-la, nem permitir que o império a detone. O fato de possuir a mesma arma serve para TENSIONAR e PREOCUPAR o outro lado. Quem não possui um adversário competente, não fica tenso nem preocupado. Não passa trabalho pra se impor e ainda pode dar-se o luxo de errar feio mas seguir “nas cabeças”.

Outro detalhe importantíssimo desse trabalho dos filósofos italiano e estadounidense nos leva à constatação de que essa classe subalterna não é mais predominantemente composta por trabalhadores rurais e, menos ainda, por operários: ela vive nas grandes cidades, com média de cerca de 80% da população  URBANA em quase todos os países do mundo. Logo, os filhos de operários da primeira metade do século XX que foram estudantes de classe média na época da ditadura militar hoje possuem filhos e netos que vivem uma realidade totalmente alheia àquela, pois não enxergam nem naquilo em que acreditam e menos ainda naquilo em que não acreditam o mundo de seus pais, avós e bisavós.

Vamos ver se consigo me fazer entender: as dificuldades emocionais, financeiras, de se manter no emprego, de como aproveitar o tempo livre e de como adquirir conhecimento e melhorar de vida almejando um mundo mais justo e mais solidário da classe operária pouco tem a ver com essas mesmas questões levantadas por um jovem que só não usa a internet como banheiro, cama, amante, bola, motor e avião porque não pode. É preciso entender que ele não é ignorante, alienado ou desinteligente: ele quer fazer política, desde que essa forma de fazer política e de trabalhar por um mundo melhor apresente a linguagem, a estética e uma forma de mobilização que ELES SEJAM CAPAZES DE ENTENDER.

Além do lixo da LEI AZEREDO e do ridículo TSE, o fato de a esquerda partidarizada e operária predominar em uma sociedade totalmente diferente daquela que originou a sua formação política não é um atraso nem tampouco um choque de gerações, mas significa um HIATO que impediu que o latim de uns e o provençal de outros resultasse em um francês comum a todos.

É esse gap que precisa ser superado para voltarmos a ter um papel transformador.

POR QUE O RS NÃO ANDA

Comecei o novo layout deste blog fazendo uma brincadeira promovendo a candidatura do meu alterego BLACKÃO (apelido de adolescência), utilizando depoimentos fictícios e datas de eleições fictícias a fim de falar sobre o DESGOVERNO, que é uma alegoria ao que ocorre hoje em altíssimo grau no RS e em menor grau em PORTO ALEGRE.

A brincadeira começou alterando a logo da campanha do presidente dos EUA, BARACK HUSSEIN OBAMA, para as cores da bandeira do RIO GRANDE DO SUL, como uma alegoria à mudança.

Agora, troquei os depoimentos e a candidatura do BLACKÃO por reflexões através de frases prontas, de efeito, interligadas por semelhança de propósito. Meu objetivo é fazer com que todos os leitores deste blog reflitam sobre o seu papel social e também para que compreendam que não é, nunca foi e jamais será suficiente cada um fazer a sua parte como profissional, como membro de uma família, como funcionário ou chefe de uma instituição pública ou privada qualquer. Não é, nunca foi e jamais será suficiente ser o melhor aluno, o profissional mais premiado, o cara mais simpático, o mais honesto, o mais ético e o mais profundo conhecedor em uma determinada área do conhecimento.

Minha preocupação maior é em evitar fazer com que a RESISTÊNCIA (guardem esse termo e procurem diminuir a importância do peso de outros, tais como: luta, guerra, etc., que são demasiadamente pesados para se atrair novos adeptos) faça água antes mesmo de começar por falta de planejamento, de estratégia, de organização. Mas planejamento, estratégia, organização e administração são palavras pelas quais grande parte da esquerda partidarizada possui ojeriza, já que lembra a disputa entre burguesia x proletariado.

A verdade é que os antigos militantes pouco fazem para aprender com o contexto atual e eles não servem de referência para os novos militantes, a quem consideram frios e despolitizados porque não vão às ruas como se ia durante a ditadura militar. Eles precisam se reciclar e a forma de atrair jovens solidários não pode visar a tomada do poder, pois o “poder proletário” é tão repleto de mazelas corporativistas quanto o “poder neoliberal”.

Nos EUA, os blogs já derrubaram candidatos à SUPREMA CORTE (o STF deles) por causa de um trabalho de formiguinha de blogs de advogados de vários estados que postaram verdadeiros dossiês dos candidatos, entregando à população e à mídia que havia lobby para que os juízes ligados aos REPUBLICANOS fossem todos eleitos.

Por enquanto, infelizmente o RS ainda é a terra do retrocesso no BRASIL: a mente de quem tem dinheiro e cultura é uma mente agropastoril forjada sob as estratégias de defesa, guerra, ataque e contra-ataque patrimonialista de dois séculos atrás. A economia gaúcha cresceu sob uma forte dose de racismo e intolerância estimulada pelos conceitos do positivismo comteano, que apresenta uma semelhança bastante grande com a junção entre judeus sionistas e cristãos protestantes presbiterianos na antiga NOVA INGLATERRA, o berço dos EUA. No nosso caso, é a exacerbação da moral judaico-cristã em relação a trabalho, família, tempo livre e riqueza a responsável pela mente mesquinha, covarde, hipócrita e ignorante que norteia os valores da classe média para cima.

Esses componentes históricos de organização social, política e econômica baseada em uma certa corrente filosófica de origem extremamente conservadora é que são os maiores responsáveis pelo atraso do RS. Não importa o partido que governe, as empresas que sejam consideradas as maiores, o  tipo de produto que domine o comércio, a indústria e os serviços em cada microrregião do estado: enquanto a mentalidade for essa, não vai haver cooperação de espécie alguma nem pensamento social em rede.

Por acaso alguém pensa que MAHATMA GANDHI, JOHN FITZGERALD KENNEDY, MARTIN LUTHER KING JR., ANWAR EL-SADAT ou INDIRA GANDHI teriam tido vida mais longa caso tivessem sido governantes gaúchos?!

Sinceramente, creio que teriam sido assassinados desde que eram coroinhas ou líderes de turma na escola…

SOMOS RELES MACACOS

O GUGA TÜRCK do ALMA DA GERAL postou um vídeo bem antigo que eu já havia visto sobre o qual jamais havia falado antes.Ainda quero estudar mais FOUCAULT e KANT pra poder explicar essas relações sociais de poder de uma maneira bem mais sofisticada do que a que o meu atual estágio de conhecimento me permite explicar atualmente.De qualquer forma, ainda irei entrar mais fundo em um assunto que é ridiculamente visto como tabu por duas instâncias de controle, vigilância, poder e de organização social baseada na punição, no castigo, na humilhação, na estigmatização e na vergonha como forma de constranger e de inibir a alegria, a independência e o auto-empoderamento do indivíduo: a religião e a tradição.

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ANTES QUE A NATUREZA MORRA

Dica de mais um excelente blog ativista, devidamente adicionado ao meu blogroll na coluna à direita dos posts: ANTES QUE A NATUREZA MORRA.

Acho que já está mais do que na hora de aprendermos que a única maneira de desenvolvimento real para todos é a ecologicamente sustentável e que é preciso aprender e pôr em prática os exemplos vindos da Europa.

A dica é do JAMES PIZARRO, que está neste momento na praia de CANASVIEIRAS em FLORIANÓPOLIS, na bela ILHA DE SANTA CATARINA.