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O EDUARDO GUIMARÃES diz uma coisa com a qual concordo. Se nosso país fosse como a Suécia, a Noruega, a Dinamarca ou a Finlândia, até poderíamos aceitar (e inclusive sermos) a direita numa boa. Afinal de contas, pelo menos no papel, lá não falta nada pra quase toda a população. Porém, em um país tão desigual quanto o nosso, por uma simples questão de humanismo, solidariedade, cooperação, respeito e compreensão, somente a má fé, a ignorância e o egoísmo justificam a preferência bovina do gaúcho pelo pior dos conservadorismos – o racista, sexista, preconceituoso, belicoso, reacionário e estúpido.
Agradeço ao meu amigo RODRIGO CARDIA por ter citado dois ou três posts meus no CÃO UIVADOR ao tratar do COMEÇO DO FIM DE PORTO ALEGRE. Foi ele quem inspirou este post.
Como TRAGÉDIA POUCA É BOBAGEM, ontem nossa cidade foi brindada pela omissão da maioria passiva. Apesar de eu trabalhar com isso e conhecer muito bem os seus efeitos, não se pode creditar à mídia corporativa toda e qualquer espécie de manipulação ou de persuasão das pessoas, que possuem seu livre arbítrio até mesmo quando não possuem cultura ou estabilidade emocional para lidar com essa mecânica.
A bem da verdade, como PORTO ALEGRE quase sempre teve uma classe média proporcionalmente maior do que a da maioria das outras capitais brasileiras, quem deixou de ser pobre e almeja ser rico torna-se naturalmente egoísta, oportunista e conservador. E o pessoal da mídia corporativa que trabalha com política e economia também é recrutado por ser conservador.
Um jornalista, mesmo bem intencionado, tende a pensar que possui uma capacidade de brincar de Deus com as palavras. É mais do que normal eles caírem na armadilha de superestimar a sua retórica e a sua discursividade e de subestimar a inteligência e a existência (eventualmente até predominante na sociedade, dependendo da agenda em discussão) da resposta dissonante de uma audiência multifacetada cujo perfil é, hoje em dia, impossível de ser determinado a partir de um certo padrão.
Acho que os grandes males da sociedade pós-moderna não são exatamente o consumismo, o egoísmo, a discussão mediada, as tentativas oligárquicas de se obter falsos consensos, as famílias desfeitas, nem tampouco o amadurecimento forçado e forjado de crianças e adolescentes: todos esses elementos (além de diversos outros que tomariam muito tempo pra citar) são meras consequências do estrago ESTRUTURAL iniciado durante a ditadura.
Pra quem insiste em DITABRANDA, além dos gravíssimos casos de perda das liberdades civis, de cerceamento da liberdade de expressão, do patrulhamento de pessoas que pensavam de maneira diferente, das mortes, prisões, torturas e exílio, as consequências culturais, sociais e materiais da ditadura nos devastam até hoje: a piora constante na qualidade do ensino; o sucateamento e o investimento inútil em obras faraônicas e a gênese do modus operandi da corrupção atual são as heranças para o presente.
Convivemos com uma maioria passiva, covarde, egoísta, sexista, dinheirista, pouco solidária, fria e indiferente. Em todas as classes sociais, em todas as profissões, honestos, desonestos, francos ou enroladores, não importa: o Brasil passa por uma crise de HUMANISMO, responsável pelo desconhecimento de que o desenvolvimento sustentável de um país depende do compartilhamento de experiências e da composição de uma nova realidade a partir das trocas multiculturais entre gêneros, raças, ideologias e religiões.
A sofisticação da corrupção civil, militar, econômica e moral hoje realizada pelos herdeiros dos primeiros ícones do colarinho branco incentivadores dos golpes contra Getúlio Vargas e Jango corrompe também o sentido de alteridade de um povo a partir do não-aproveitamento coletivo de muitos saberes seculares e regionalizados capazes de mudar o mundo paulatina e continuamente.
Portanto, a DITADURA não tem nada de branda, pois ela ainda define comportamentos e tendências sociais. Sua contribuição gerou um atraso mental, moral, legal, social e racional que precisará de décadas para ser parcialmente desfeito.
O nacionalismo, o investimento maciço nas universidades federais e na qualificação de muitos professores no exterior durante a década de 1970 e aquela sensação de segurança nas ruas, de respeito dos jovens perante os mais velhos e outros argumentos de sustentação insuficiente usados com insistência por muitas pessoas das classes A, B e C não compensa, não justifica, não inverte a equação que trouxe como principal resultado perdas incalculáveis para o país em praticamente todas as áreas do conhecimento.
Não quero com isso dizer que todo empresário é safado nem que todo militar é sanguinário. Porém, os bons empresários, os bons militares e as pessoas que sofreram durante a ditadura sabem muito bem separar o joio do trigo.
A tristeza maior está na incapacidade do eleitor, do consumidor e do cidadão médio não terem se ligado ainda que é preciso pensar em rede. Que tudo se mistura e que tudo vai e vem, se atravessa em um determinado ponto e depois muda de direção. Graças a esse comportamento covarde e omisso, todos pagam por isso.
Inclusive quem acha que o problema é dos outros e não deles…
http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html
http://samadeu.blogspot.com/2009/03/alerta-geral-senador-azeredo-aumenta.html
os links prometidos….
Então hélio; sobre a lei que tramita no senado, a fim de transformar usuários em criminosos – existe uma ferramenta cibernética social, que é a ptição on line…. estou difundindoeste link em meus blogs e no twitter também; mas sou recente no twitter, alcanço apenas 160 seguidores; por isso envio o link a você, para que divulgue esta ferramenta, e ajude a conquistar muitas assinaturas e participações.
você sabe, é urgente, a bola tá rolando….
Se tivéssemos 3 ou 4 jornais com pluralidade de opinião; quem tem rádio, não tem tv e vice-versa, como manda a Constiuição; como tb manda que, quem é concessionário, não pode ter outra mídia, como jornal; daí, eu assinaria embaixo a questão do livre arbítrio das pessoas.
Conseguimos sobreviver à mídia, mas somos poucos! Porque temos recursos egóicos que nos faz problematizar o poder midiático. Por alguma razão, provavelmente no nosso processo educativo, começamos a duvidar de que “as coisas são assim mesmo”. Tanto é assim, que somos de esquerda, ou socialista, ou progressista.
E, nesse caso, assino embaixo aos psicólogos, quando eles tratam da questão da manipulação midiática, ou seja, da formação da subjetividade que a mídia, por ser sustentada pelas grandes corporações, quando não ela mesma tenha se tornado outra grande corporação, impõe como a certa, como a única forma de pensar o mundo, através do viés do capital.
Quando temos uma mídia do pensamento único, só uns e outros dar-se-ão conta do que se passa com a notícia e o entretenimento. Essa passividade é promovida pela ação midiática, onde tudo que diz respeito à mobilização pelos direitos é tratado como um ato criminal. Afinal, “onde já se viu parar o trânsito para uma mobilização pelo emprego???”
Discordo veementemente dessa visão que não crê na formação da subjetividade pela mídia. Ela nega, inclusive, o poder da publicidade! Se não fosse assim, para que gastar fortunas com 10 seg na programação das 21h da TV brasileira, considerada horário nobre?
Abraço!
Para uma certa esquerda qualquer sinal de progresso social é tido como conservadorismo. É que existe um interesse particular de certa esquerda de manter o status quo da pobreza e da miséria. Assim, ela pode conseguir mais votos. Onde o PT consegue mais votos? Nos mesmos grotões do Brasil onde a antiga Arena bombava. Nos lugares mais pobres do país. Paradoxalmente, nos locais onde a classe média é dominante, o PT não consegue se eleger. E por isso fica culpando a classe média. Mas em qualquer país do mundo é assim que as coisas funcionam. A culta França votou em Sarkozy. A ilustrada Alemanha vota em Merkel. Na Itália do PC o Berlusconi está no poder.
Isso faz parte da dialética da vida. Os miseráveis viram pobres, os pobres viram remediados, os remediados viram classe média e conseguem ter acesso á diversidade do consumo, da opção pela cultura, pela boa educação e cidadania etc…. Talvez até as pessoas virem conservadoras. Talvez, mas isso não é regra geral. Nossa esquerda também é conservadora, sexista, racista etc…. Basta olhar os comentários que as pessoas fazem no Diário Gauche. E esse pessoal se diz de esquerda, mas são conservadores. Não querem mudanças e defendem o status quo. NO mundo da dialética e da física quântica tudo é relativo e nada é perfeito.
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