
Por que linkar é muito melhor para a blogosfera do que copiar conteúdo alheio
O primeiro post oficial deste novo blog apresenta uma opinião estritamente pessoal bastante polêmica. Desde já, convoco tua participação nos comentários. ;)
Considero contraproducente postar o conteúdo original de um PDF, de um doc ou de um portal de notícias ipsis litteris por e-mail ou em um blog: afinal de contas, algumas citações capitais e o link para o original são mais do que suficientes.
Ora, se não existe nenhuma regra para blogar; se não existe uma abordagem ideal, nem um tema mais interessante e tampouco um manual de redação e estilo, como posso afirmar uma coisa dessas?!
Pra início de conversa, acredito que o “copiador maluco” e o plagiador desvalorizam a fonte e não informam. Parafraseando Deleuze, informação é o que produz diferença. Partindo desse pressuposto, copiar e colar conteúdo literalmente produzido por fonte externa é um procedimento que não costuma produzir diferença*.
Saliento, ainda, que produzir diferença não necessariamente implica em envolvimento partidário nem em evangelização ideológica. Implica, sim, em trazer à tona conhecimentos que possam ajudar a transformar a realidade de alguém ou de uma determinada comunidade. Fazer política e basear suas práticas a partir de uma crença ideológica é algo intrínseco à comunicabilidade do ser humano. As contradições são fundamentais para a construção de algo significativo e edificante tanto em nível pessoal como coletivo. Porém, de maneira consciente ou não, a partidarização consiste sempre na tentativa totalitária de afirmar uma verdade. Mais justo é ser consciente e honesto em relação ao fato de que tudo o que alguém escreve ou diz não passa de uma reles faceta da verdade.
Embora a inteligência coletiva (Lévy) seja um pressuposto da sociedade em rede (Castells), o plágio é condenável do ponto de vista ético e pode acarretar em problemas jurídico-legais.
Quanto à suposta solidariedade que alguns creem justificar o copiar-colar desenfreado de tudo o que acham importante divulgar para o cluster que os lê, ela pode até aumentar a audiência em determinados momentos. Todavia, em função da Cauda Longa (Anderson), o link original quase sempre tende a ser muito mais visitado e muito mais citado – sobretudo no caso dos portais de notícias da mídia corporativa.
Muitos blogueiros-copistas consideram-se conectores (ou hubs – v. Linked de Barabási) entre a informação por eles apreendida do mainstream para leitores que não acessam os mesmos links que o blogueiro acessa regularmente quando bastaria apenas fornecer o link para o site original da notícia ou do artigo.
A prática do webcopismo também decorre da negação da agenda conservadora da mídia corporativa. O índice de verdades veiculadas pela mainstream media (MSM) costuma ser menor do que o esperado segundo as crenças de muitos blogueiros. Dessa forma, eles sugerem ou que podem tirar audiência significativa caso apropriem-se de seu conteúdo sem fornecer o link nem os devidos créditos para a matéria original publicada pelos “grandões”, ou que estão prestando um serviço essencial
Todavia, há um atributo técnico muito relevante para o retorno e para o reconhecimento da existência de um blog independente desconhecido pela maioria das pessoas: o TRACKBACK.
Dependendo do código já incluído na plataforma de sistema de gestão de conteúdo desejada (CMS, Content Management System, como WordPress, Blogger, Movable Type, Drupal e outros) que permite essa funcionalidade, cada link que o blogueiro adicionar a seus posts faz um caminho de bate e volta junto ao blog referenciado: caso esse blog ofereça um espaço para comentários, o trackback deixará um comentário no respectivo post citado com um link de volta, disponível para ser clicado pelos comentadores e leitores de comentários desse blog referenciado.
Em outras palavras: quanto mais referenciarmos através de links, mais seremos referenciados. Dessa forma, o capital social (Putnam, 1993; Fukuyama, 1999) do blogueiro que cita bastante aumenta consideravelmente em relação ao blogueiro que evita por links em seus posts.
Afinal de contas, o modelo de economia contemporâneo depende cada vez mais de relações de confiança e de reciprocidade em redes sociais.
Por mais lento que seja esse caminho, o modelo puramente concorrencial, verticalizado e centralizador está perdendo terreno para o modelo colaborativo e horizontal da atualidade.
A exposição online de idéias, independentemente de ser remunerada ou não, depende fundamentalmente dessa troca para ser reconhecida.
Pra terminar: a visão do @caribe sobre por que compartilhar é sempre melhor:
Fobia Informacional from João Carlos Caribé on Vimeo.
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* Não ignoro que há muita gente que sequer se importe em produzir diferença ou não. Afinal de contas, como a maioria das pessoas ainda vive na modernidade, o trabalho, o estudo e o jogo ainda estão dissociados na maior parte dos discursos. A pós-modernidade (Lyotard), por sua vez, é o período contemporâneo no qual a dimensão histórica do jogo (Huizinga) está associado até mesmo às pautas mais graves. Isso implica no desencaixe (Giddens) sociocultural da geração forjada sob a ótica do moral judaico-cristão em relação ao ainda incompreendido e cada vez mais constante ócio criativo (De Masi) da sociedade urbana conectada atual.