MEGANÃO CONTRA A LEI AZEREDO DIA 25 EM PORTO ALEGRE

O brilhante vídeo acima, descoberto entre meus amigos pelo Rodrigo Cardia (que montou o blog Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, o melhor exemplo de ciberativismo, emergência e multidão de Porto Alegre até o momento) do blog Cão Uivador, demonstra claramente a verdadeira intenção daqueles que defendem o vigilantismo constante e a ciberpatrulha: nossas frágeis democracias ocidentais estão-se tornando estados policiais a passos largos.

Não quero jamais dizer, como a Folha de S. Paulo, que o Brasil teve uma “ditabranda”. Afinal de contas, os prejuízos na economia, na saúde, na educação e na proteção de interesses oligárquicos financiados pelos “cordéis de fora” causaram um estrago que apenas hoje começa a ser lenta e gradualmente corrigido. Ao mesmo tempo, o trauma de presos, torturados, mutilados, agredidos, despedidos, expurgados, exilados, órfãos e viúvos não pode ser superado.

De qualquer forma, creio ser possível afirmar que o clima de insegurança crescente no hemisfério ocidental não se deve nem à crise econômica, nem à gripe “suína”, nem ao narcotráfico, nem ao fundamentalismo religioso, nem ao desemprego em massa, nem à fome, à miséria, à violência urbana, ao analfabetismo funcional ou à exclusão social: o verdadeiro drama que envolve a nossa vivência atual consiste no fato de vivermos dentro de jaulas invisíveis, porém muito mais fortes do que as daqueles tempos em que a violência física não podia ser reprimida pela vontade do indivíduo exercer a cidadania.

Jaulas essas que nós, cidadãos de classe média relapsos, egoístas, covardes e oportunistas fazemos questão de aceitar sermos colocados sem nenhuma resistência ou oposição pelo simples fato de que o medo não encoraja mas, sim, imobiliza.

Neste final da primeira década do século XXI, o xis da questão não se refere ao quão nociva é uma tecnologia. O problema mais grave não se refere ao desencaixe de gerações pré-internet quanto às novas estéticas e as novas linguagens que resultam da dissociação do tempo e do espaço: O mais grave é que uma Lei Azeredo é vendida e aceita como um bem ou, na pior das hipóteses, como um “mal necessário”.

Triste é sermos desinformados, enganados e desencorajados por uma intensa articulação de patrocinadores altamente interessados na aprovação desse projeto juntamente com a mídia corporativa – seu braço lobista e discursivo na sociedade.

MEXA-SE: informe-se melhor a partir dos twitteiros que trabalham diretamente na causa. São jornalistas, gerentes de TI, advogados e políticos. Leia blogs. Leia veículos de mídia que não estão atrelados a grandes grupos econômicos.

Nos próximos posts sobre este tema, indicarei várias referências. Por hora, escrevi demais! ;)