FORTUNATTI: FUTURO PREFEITO DE POA E GOVERNADOR DO RS

…E governador por mais oito: porque seus laços supostamente fortes dentro do PT acabaram se rompendo e ele decidiu estabelecer laços com formadores de opinião que lhe proporcionassem chegar à sua aspiração pessoal de chegar a algum cargo majoritário no Executivo.

Entenda-se por formadores de opinião os caciques de partidos conservadores, os patrocinadores graúdos e os profissionais mais expostos da mídia corporativa. Assim, ele saiu de um gueto meramente portoalegrense para um universo mais ampl0o de contatos em todas as classes sociais e setores da economia.

Seu gueto anterior ainda é repleto de pessoas que, por mais bem-intencionadas que sejam, não têm por hábito ceder onde for inevitável nem se impor através da gentileza diante de seus antagonistas não por ignorância ou por excesso de radicalismo mas, sim, por preconceito em relação ao planejamento e às metas que suplantam as ideologias.

Questionável dos pontos de vista ético e afetivo, no que tange à um caminho essencialmente pessoal, a escolha de Fortunati hoje comprova que ele acertou, pois  detém um gigantesco capital social (seja legítimo em função da economia do mérito ou artificial por meio da mentira e/ou da coerção e da corrupção usualmente protagonizados pelos nós da rede que sustentam a sua permanência e o seu crescimento no poder).

A questão meramente partidária já foi suplantada por Fortunati. Para ele, assim como para a esmagadora maioria das pessoas, os fins justificam os meios. Com isso, não quero dizer que concordo ou que aceito suas escolhas. Todavia, seu capital social hoje é enorme. Tanto é que ele percebeu que, caso saísse do PT, teria acesso a mais dinheiro, a uma maior exposição midiática e a pessoas menos burocráticas e mais ágeis.

O desencaixe do qual tanto falo (Giddens), a midiatização da sociedade e a hoje estúpida obrigatoriedade do voto são muito mais responsáveis pelo voto na pessoa do que pelo voto em um projeto, em um plano e em um modelo de governo, de participação e de realização qualquer.

Hoje, Fortunati é aquilo que NINGUÉM na política gaúcha é capaz de ser: carismático, acessível, bem-articulado, inteligente, maduro, simpático, assertivo, sem nenhuma prova de corrupção financeira ou moral. Embora coligado com PMDB, PSDB, DEM, PTB e outros menos votados, ele escolheu o PDT porque o gaúcho é extremamente conservador e porque, no interior, o respeito aos idosos como formadores da opinião de uma família ainda é visto como um valor corrente. Como o PDT tem o rótulo do brizolismo e da Internacional Socialista, seja na prática, seja apenas na teoria, ninguém poderia afirmar que o ex-bancário teria mudado de time.

Pra terminar: oriundos do PT no RS, tão-somente José Fortunatti e Paulo Paim tem um potencial de crença e de adesão da classe média em geral, independentemente do partido ao qual estejam filiados.

Se Fortunatti pulou o muro da concentração e foi para a noite antes de um jogo decisivo, certamente que sua punição pessoal não poderia jamais servir como forma de punir a equipe. Caso o PT ainda tenha como deixar de ser um partido como um outro qualquer, vai pagar caro por décadas em função dessa decisão.

No RS, enquanto os atuais formadores de opinião mais carismáticos e mais poderosos não morrerem e forem substituídos por uma geração mais burra, o PT não governa mais.

Fortunatti é incomparavelmente superior a qualquer outro político gaúcho atual em termos de comunicação. Ele aprendeu a discursar. Ele é bem-articulado ao se expressar. Ele não possui rejeição significativa.

Certo ou errado, ele é a bola da vez. Certo ou errado, não duvido que seja possível diminuir o poder de seus assessores atuais e futuros ligados à pior das políticas partidárias existentes de maneira lenta e gradual. Afinal de contas, dourar a pílula é, ao contrário do que se pensa, fundamental. O PT gaúcho é a prova viva de que quem tenta uma ruptura tão brusca diante de adversários muito mais fortes do que se imaginava ter também é alijado do poder de maneira brusca.

Aliás, Lula ensinou o PT inteiro. No RS, ainda não se aprendeu a lição. E até Obama seguiu o exemplo de Lula. Hoje, Obama é o líder político mais poderoso do planeta e Lula é um dos mais carismáticos.

Do ponto de vista atual, quem é grosso, desajeitado e feio não vai longe. O marketing político e a comunicação vendem uma imagem ao invés de idéias porque as pessoas não entendem outra linguagem que não seja a linguagem do consumo. Dilma tinha mais é que fazer a plástica, mesmo.

Apesar dessa suposta superficialidade e ausência de fundamentação teórica, prática e programática, além da exposição midiática, das verbas de campanha e do tratamento do candidato como um bem de consumo, é preciso haver, SIM, conteúdo e clareza no discurso.

Afinal de contas, quem tem razão ou quem se acha mais honesto não pode falar difícil nem deixar de falar com certa parcela do eleitorado.