DENÚNCIA, INTER: SÓCIO ANTIGO AGORA PAGA PARA FILHOS ASSISTIREM AOS JOGOS

Os colorados que me perdoem de me meter no clube deles – ainda mais porque os problemas do Grêmio não são poucos. Contudo, podemos traçar uma analogia e até mesmo nos unirmos: afinal de contas, as incertezas em relação aos direitos do associado patrimonial (oportunamente chamado de ‘proprietário’ a partir da Gestão Odone) na futura Arena são muito semelhantes ao que meu cunhado Eduardo da Silva Schenini, coloradaço, relata abaixo.

Assim como ele, MILHARES de colorados estão sendo lesado como associados titulares do Parque Gigante com direito ao uso do Beira-Rio para assistir aos jogos sem pagar ingresso como parte do pacote que costumava reger o contrato da respectiva categoria associativa.

Uma possível ASSOCIAÇÃO DOS ASSOCIADOS PATRIMONIAIS DA DUPLA GRENAL teria muito mais força para reivindicarmos nossos direitos do que se cada torcedor lesado tiver que procurar o PROCON (que, por experiência própria, favorece quase sempre à indústria ou ao mau fornecedor de produtos e serviços) individualmente.

Eis o relato do Eduardo. Inicialmente, foi endereçado ao colunista Paulo Sant’Ana, mas o apelo vale para todos os comunicadores com espaço privilegiado na mídia corporativa:

 

 

Agora chega!! Ou como transformar uma paixão em relação comercial!!??

Estou enviando esta correspondência por que já não sei mais a quem apelar – a não ser para a Justiça. Não gostaria de fazer isso com o meu clube do coração, mas não me deixam outra alternativa quando burlam os direitos de meus filhos colorados de paixão. Se você publicar esta carta com os acontecimentos que relato talvez ajude a parar com esses abusos contra os consumidores e torcedores do Internacional.

É um absurdo o que estão fazendo com milhares de torcedores do Internacional proprietários de títulos do Parque Gigante: quando o time não tinha nenhum título de vulto internacional, nem sequer uma Copa do Brasil, essas pessoas contribuíam para o clube pela paixão pelo seu Colorado.

Muitos, como é o meu caso, compraram o título do Parque Gigante ainda na planta (sem ter nada no terreno). Acreditavam no clube e na sua grandeza e queriam ajudar a construí-la. Afora isso, um dos argumentos dos vendedores dos títulos do Parque Gigante – na época – era de que tanto o sócio quanto os dependentes do Parque Gigante teriam direito a entrar nos jogos do Inter no Beira-Rio de graça. Quando comprei o título do Parque Gigante era setembro de 1981. Ainda tenho o carnê para comprovar.

No entanto, desde que o Inter ganhou o campeonato mundial, começaram a acontecer coisas estranhas com os sócios do Parque Gigante.

Primeiro houve um aumento da mensalidade em mais de 100%: de R$ 35,00 para R$ 53,00. Depois, naquele velho processo de que os bons pagam pelos ruins, obrigaram os dependentes do Parque Gigante e, por conseqüência, os sócios que iam ao jogo com seus dependentes a entrarem somente pelo portão 2, diferenciando-os dos demais sócios, como se fossem torcedores de uma outra classe. Alegaram na época que era para impedir fraudes. Quer dizer ao invés de colocar gente para conferir as carteiras, puniram todos os sócios do Parque Gigante, e, só os do parque, como se outros sócios não fizessem falcatrua com as carteiras. Então eu os meus filhos e minha esposa que nunca participamos deste tipo de fraude pagamos pela falta de ética dos outros e pela imcompetência da administração do inter, no controle de acesso do Beira-Rio com as carteiras!!

Continuando as coisas estranhas, os sócios do Parque Gigante por lógica e direito sempre colocaram os seus carros dentro do Parque Gigante. Então para ganhar mais uns trocados, o inter inventou que o sócio do parque gigante teria que pagar para estacionar o seu carro em dias de jogos, mas, como eles “são bonzinhos”, eles deixariam os sócios do clube pagarem um pouco menos que os demais torcedores.

Agora, por fim, veio esta de cobrar 50% de ingresso de todos os dependentes do Parque Gigante mesmo daqueles que compraram os títulos há mais de 20 anos atrás quando os vendedores vendiam o título do parque, informando que os sócios e dependentes não pagariam nada para ingressar nos jogos do Beira-Rio. Minha única alternativa é procurar o PROCON e recomendo que todos os demais sócios que se sentirem lesados façam o mesmo. Se não eles continuarão cada vez mais tirando nossos direitos, pois eles contam que somente alguns poucos entram na justiça. Esta é a lógica do “mercado” da atual direção colorada. Tanto é que a atendente e a gerente da Central de Atendimento ao Sócio que me atendeu disse que eu tinha que provar para ela que eu tinha um determinado título para que meu dependentes tivessem acesso. Não bastou eu apresentar o carnê de pagamento. Eles alegam que não possuem mais os títulos antigos arquivados e quem tem de provar é o sócio. Portanto, eles contam que os sócios não tenham guardado o título durante mais de 20 anos para impedir os dependentes de sócio do Parque Gigante de entrar no Beira-Rio sem pagar. O que a Diretoria atual, devido ao time estar em alta consideram um privilégio e que na época em que eu comprei o título era considerado direito, talvez por que eles precisassem que fossem mais pessoas no estádio. Agora esta diretoria está dizendo que não precisa mais destes torcedores, a não ser, é claro que eles paguem mais, além da mensalidade de sócio do Parque Gigante para entrar. Esta é a lógica desta diretoria, transforma a paixão colorada numa relação mercantilista transformando o clube do povo num clube elitista e excludente. Que pena… Dá-lhe Inter!!! Como diria Mário Quintana, ‘eles passarão eu passarinho!’”