GRÊMIO: UM MODELO DE GESTÃO INSUFICIENTE

Depois que deixei de ser um piá fanático, passei a ver que, mesmo que os colorados já tenham dito “Ah! Eu sou macaco!” em alguns grenais onde nos venceram e que eles mesmos vistam máscara de macaco por pura irreverência…

…Trabalho com a dura hipótese de ter que admitir que a esmagadora maioria do pensamento da classe média urbana gaúcha construído culturalmente é racista até hoje. Nessa mesma linha, a origem de QUASE TODOS os clubes sociais de Porto Alegre fundados no máximo até meados do século XX é predominantemente racista por analogia. Infelizmente, ainda não posso pensar de forma contrária, pois não possuo subsídios suficientemente consistentes para poder celebrar a minha vontade.

O que ninguém diz é que, também por semelhança, o Inter obviamente também tem uma origem racista. No lado vermelho, não adianta ter 5% de conselheiros negros e mulatos nem ter um saci como mascote ou gastar todo o latim repetindo que foram os primeiros a admitir jogadores negros.

O Josias foi extremamente feliz ao recuperar o fato de que o Grêmio admitiu um atleta negro antes. Porém, o Inter escolheu alguns jogadores de cor melhores e em quantidade maior antes do Grêmio. Em termos sociais e para a imagem institucional, nenhum desses fatos significa grande coisa, pois o modelo de gestão e os principais frequentadores não apenas dos clubes de futebol mas do Leopoldina, da Sogipa, do União e de outros décadas atrás sempre foi aristocrático. Pra ser aristocrático, é necessário fazer algumas concessões. Porém, nenhuma dessas concessões chega a ser tão significtiva a ponto de alterar o status quo.

Vejamos: sendo as chapas do Conselho Deliberativo de qualquer clube (de botão, de chá, de empresários, de sindicalistas e até de futebol) listas fechadas e sendo o modelo participativo um arremedo de democracia representativa, estamos diante de uma institucionalidade incapaz de representar os interesses do associado. As recentes mudanças de estatuto (Conselho de Administração, redução na cláusula de barreira, etc.) e os mimos de marketing que fazem com que um punhadinho de associados participem de instâncias “ocultas” do clube sob uma ótica meramente consumista não dão conta nem de melhorar a imagem do clube de maneira exponencial perante a sociedade, nem de exponencializar o consumo e a participação.

Isso posto, não posso compactuar com a concessão do voto a jubilados nem que eles sejam as melhores pessoas do mundo. Afinal de contas, eles já possuem um capital social tão alto que circulam, fazem lobby e definem eleições e chapas como eminências pardas.

Eu estou pesquisando um modelo de democracia participativa via internet para associados com uma autenticação digital extremamente confiável. Porém, ainda não posso avançar nessa questão.