BLOGOSFERA POLÍTICA GAÚCHA: O QUE FALTA PRA BOMBAR?

Agora há pouco, li a imperdível e obrigatória série de posts do Marco Weissheimer (editor-chefe da AGÊNCIA CARTA MAIOR) no RS URGENTE sobre o desmascaramento da hipótese falaciosa de que o PT havia mandado a Ford (por enquanto, parte Iparte IIparte III) embora do Bovinão. Pra quem não sabe, a hiperexposição midiática dessa grande mentira foi a grande orquestração articulada por empresários, pela mídia corporativa e pelos políticos vinculados ao conservadorismo e ao reacionarismo guasca, cujos reflexos a bovinidade sente fundo e geme abafado até hoje.

O Marco está contribuindo com jornalismo histórico e investigativo de primeira qualidade (coisa rara neste país): a partir de depoimentos e de notícias oriundas de pessoas e de instituições de viezes ideológicos e de práticas muitas vezes antagônicas disponíveis na web, chegou a hora não apenas do Brasil, mas de todo o mundo lusófono terem contato com essa realidade. Afinal de contas, renúncia e guerra fiscal são um círculo econômico vicioso: primeiro, porque leva à exponenciação da dívida pública; segundo, porque favorece amplamente a corrupção e, consequentemente, porque o Estado para de investir em saúde, educação, infraestrutura e em várias dezenas de setores da sociedade.

Elogios à parte, o que era para ser uma sugestão voltada a ele em um singelo comentário dentro de um dos posts dessa série, agora virou uma sugestão geral a todos os blogueiros gaúchos independentes que se envolvem com política. Sei que muitos estão com medo dos processos contra blogs amigos (o PONTO DE VISTA do professor Wladimir Ungaretti, o MILTON RIBEIRO e o NOVA CORJA (processos umdoistrês), só para ficarmos no RS). No entanto, mesmo com a famigerada LEI AZEREDO rondando a liberdade de expressão como um fantasma, ainda sinto-me confiante para afirmar que a internet é livre e que há muitos mecanismos para desviarmos dessas arbitraridades.

Imagino que as conclusões da minha dissertação de mestrado em março possam ter frustrado um pouco aqueles que a assistiram e também aos raros que tiveram tempo e interesse para baixá-la no meu SCRIBD (link DISSERTAÇÃO na barra à direita do conteúdo). Primeiro, porque talvez eu tenha sido muito superficial; segundo, porque talvez não tenha sido claro nem na apresentação do trabalho diante da banca e da audiência; terceiro, porque meu trabalho não podia, de forma alguma, trabalhar com análise de conteúdo (senão, não poderia ter feito pós em Ciências da Comunicação mas, sim, em Linguística Aplicada) nem com Sociologia ou Ciência Política (de competência das Ciências Sociais, dominadas pelo CRISTÓVÃO FEIL).

Já escrevi bastante sobre redes sociais aqui no blog. Porém, parece que o conceito não foi bem assimilado. Pra compensar a minha incompetência, deixo aqui uma dica valiosíssima: o blog da RAQUEL RECUERO (o TWITTER dela é @raquelrecuero ), uma pesquisadora bem mais experiente do que eu, está repleto de posts que explicam uma série de conceitos com bastante propriedade. Melhor: ela acaba de publicar uma versão atualizada de sua tese de doutorado em uma linguagem menos academicista de graça para download do livro em PDF aqui ou disponível para compra por R$30,00 no site da SULINA.

Voltando à vaca fria, não tenho a menor dúvida de que o blog independente de jornalismo político e opinião de maior credibilidade e de maior influência no RS é o RS URGENTE. Durante anos, o Marco trabalhou com o problemático e limitadíssimo domínio zip.net, que não oferecia widgets nem grandes possibilidades de interação. Depois, ele foi para o Blogspot, mais flexível e mais popularizado. Ainda com seu conteúdo hospedado no Blogspot mas já com domínio registrado, teve seu domínio inexplicavelmente perdido. Felizmente, o banco de dados de posts, comentários e blogroll não foram perdidos. Hoje, o RS URGENTE é um blog vinculado ao blogring O PENSADOR SELVAGEM (OPS), a convite do grande MILTON RIBEIRO.

As três maiores vantagens de se possuir um domínio próprio são as seguintes:

a) Sem restrição de acessoo em órgãos públicos cujos servidores web bloqueiem domínios zip.net, blog.uol.com.br, blogspot.com, blogger.com, blig.com.br, wordpress.com, blogdrive.com e qualquer subdiretório …/blog;

b) Facilitar a memorização do endereço ou URL por parte dos interagentes que visitem o blog ao evitar nomes compridos e ininteligíveis como http://www.jambolaopereira.org/work/blogdojuvenal.html;

c) Ser reconhecido a partir de um nome que signifique uma marca própria (um dos requisitos que facilitam a visibilidade do blog em campos de busca).

Além do domínio próprio, é essencial na busca por maior audiência seguir o ditado popular “a união faz a força”: como todos os blogs d’OPS são subdomínios desse criativo nome que virou marca, cada blog d’O PENSADOR SELVAGEM que for acessado acaba aumentando enormemente a possibilidade de que outros blogs que façam parte desse blogring ou condomínio de blogs também sejam visitados. Isso aumenta o ranking do blog nas páginas do Google, tornando-o mais acessível nas páginas de busca. Em virtude disso, tenho certeza de que, depois que o pessoal tiver se acostumado com o novo endereço do RS URGENTE n’OPS, a audiência do Marco irá aumentar um monte – isso se já não estiver maior do que nos tempos em que o blog estava desvinculado do blogring.

Finalmente, todo blogueiro deve ter um perfil no TWITTER. Um blog não é suficiente pra gerar tráfego pra si mesmo, assim como copiar e colar posts inteiros em listas de e-mail só funciona quando se joga pra torcida, isto é, sem atingir redes sociais de pensamento diferente porém não radicalmente oposto. Acima de qualquer outro, blogs como o RS URGENTE e o DIÁRIO GAUCHE estão perdendo uma oportunidade gigantesca de potencializarem as visitas ao twittar links para seus posts assim que eles saírem do forno, bem como se deve divulgar quase à exaustão links para notícias e artigos que os próprios blogueiros endossam como formadores de opinião.

Por que isso? As pesquisadoras Raquel Recuero da UCPel (provavelmente a maior sumidade em redes sociais da América do Sul) e GABRIELA ZAGO constataram em pesquisa recente sobre o uso do Twitter no Brasil que, entre mais de 1100 twitteiros (amostragem impressionantemente alta, o que dá grande credibilidade à interpretação desses dados), eles e seus seguidores costumam clicar em 94% (!) dos links recebidos.

JORNALISMO: SINDICATOS, FACULDADES, DIPLOMA

EM PLENA ERA DA MOBILIDADE E DA INTEGRAÇÃO ENTRE MÍDIAS SOCIAIS E MÍDIA DE MASSA, POR QUE DIABOS SEGUEM DEFENDENDO INSTITUIÇÕES CLIENTELISTAS, PATERNALISTAS E OPORTUNISTAS TANTO À ESQUERDA QUANTO À DIREITA?! POLÍTICA E ECONOMIA NA MÍDIA CORPORATIVA É VASSALAGEM. SINDICALISMO BASEADO NA DICOTOMIA BURGUESIA x PROLETARIADO É LENTO E IGNORANTE P/DAR CONTA DAS NECESSIDADES DA CLASSE AUTÔNOMA.

EM PLENA ERA DA MOBILIDADE E DA INTEGRAÇÃO ENTRE MÍDIAS SOCIAIS E MÍDIA DE MASSA, POR QUE DIABOS SEGUEM DEFENDENDO INSTITUIÇÕES CLIENTELISTAS, PATERNALISTAS E OPORTUNISTAS TANTO À ESQUERDA QUANTO À DIREITA?! POLÍTICA E ECONOMIA NA MÍDIA CORPORATIVA É VASSALAGEM. SINDICALISMO BASEADO NA DICOTOMIA BURGUESIA x PROLETARIADO É LENTO E IGNORANTE P/DAR CONTA DAS NECESSIDADES DA CLASSE AUTÔNOMA.

Pessoalmente, creio que o papel dos sindicatos de quase qualquer classe profissional não consegue – e nem pode mais – cumprir o papel dicotômico, maniqueísta e preconceituoso que o contexto socioeconomico de antigamente assim dele exigia. A despeito da qualidade inegável de muitos profissionais cultuados através dos tempos, o mercado de trabalho na Comunicação, independentemente de haver maior ou menor número de profissionais com 3º grau, sempre foi repleto de despreparo e paternalismo. Forjado e semre mergulhando nessa mesma onda, a função sindical como um todo caducou no Brasil.
Com isso, não quero dizer que os sindicatos não sejam necessários nem que eles não possam modificar a si mesmos. No entanto, eles apenas repetem o modelo que os forjou há muitas décadas atrás sem a necessária adaptação à realidade contemporânea. E isso não se refere apenas à área da Comunicação: o desencaixe (v. Giddens) em função da incompreensão perante a política atual em função da dissociação entre o tempo e o espaço que determinam e são determinadas por novas relações de trabalho decorre do desinteresse das novas gerações pelo sindicalismo. Afinal de contas, não faz mais sentido desejar ou aceitar evangelizar e ser evangelizado por doutrinas que não conseguem mais dar conta de tantas modificações.
Ao contrário do atraso brasileiro nessa área, os EUA já estão reinventando o papel e a forma de atuar dos sindicatos de todas as categorias como reflexo da liderança de Obama, forjada a partir do voluntariado e do sindicalismo de Chicago, uma das cidades com maior população negra e pobre daquele país. O sindicalismo gringo reergue-se sob uma postura menos peleguista em relação ao patronato e passa a contemplar também os autônomos, os freelancers e as pequenas empresas. O discurso perante a postura da mídia corporativa não é mais o de vitimização do funcionário nem tampouco de vilanização pura e simples do empresário.
No nosso caso, o Brasil ainda é um país neoliberal e oligárquico – independentemente da parcela de ações positivas do Governo Lula no combate dessas mazelas. Aqui, o sindicalismo restringe-se tão-somente a considerar os funcionários como vítimas indefesas e os donos da mídia corporativa como o demônio sob a forma humana. Essa postura meramente confrontante e conflituosa de resultados geralmente inócuos decorre do purismo marxista e socialista, que também afasta o interesse de novas lideranças profissionais de atuarem sob o predomínio dessa linha de pensamento. O exemplo que vem do norte mostra que, com assertividade e com o uso da internet como veículo de armazenagem e de troca de informações, os pés de barro do gigante ficam mais expostos.
Informação e intercâmbio é o que não falta. Então, por que os sindicatos brasileiros de jornalistas não integram à sua agenda os diversos níveis econômicos de empresas de mídia?! Quando falo em empresas, falo em funcionários e patrões…
Embora não seja jornalista e não domine o conhecimento das ações da FENAJ, do Sindicato dos Jornalistas do RS e demais entidades do setor, os sindicalistas tradicionais sempre pareceram NÃO executar o que uma classe inteira deles possa esperar. Qual o papel educativo, administrativo, jurídico e representativo que os sindicatos realizam a não ser para o restrito grupo de funcionários da mídia corporativa? Se estiver errado, me perdoem. Todavia, se penso assim por ignorância, são eles que precisam vir à sociedade para não deixar com que alguém como eu tenha essa imagem acerca da instituição. Afinal de contas, mesmo alijados dos veículos de massa, os sindicalistas da Comunicação certamente possuem os meios necessários de divulgar dados suficientemente contundentes a fim de contestar a minha maneira de vê-los.
No Brasil, a meu ver, freelancers, autônomos e pequenas empresas de Comunicação Social (mais especificamente, neste caso, de Jornalismo) são vistos pelos sindicatos da área como uma subclasse ou como privilegiados que não necessitam de seus serviços como os funcionários dos grupos da mídia de massa precisam.
Eis aí a grande contradição do modelo, responsável pelo visível desinteresse de novas lideranças da área em relação a uma futura participação sindical: os sindicatos de jornalistas tem como origem o socialismo. O socialismo puro é uma ideologia de esquerda. Porém, tudo aquilo que a esquerda prega (solidariedade, pró-atividade, transparência, diversidade, igualdade, etc.) está sendo sumariamente ignorado pelos próprios sindicatos de jornalistas. Por que? Porque o mercado em constante expansão formado por freelancers, autônomos e pequenas empresas do setor não compõe mais um pequeno nicho. Esses profissionais não estão enquadrados na única divisão classista com a qual os sindicatos tradicionais sabem se relacionar (categoria que, para quem trabalha em nível superior, inexiste – o “proletariado”). Porém, quem trabalha por conta ou trabalha em empresas de pequeno porte não pode ser considerado privilegiado nem em termos políticos, nem em termos econômicos.
O modelo sindical praticamente exclui do debate um significativo grupo que, queiram ou não, pertence à mesmíssima categoria profissional. Dessa forma, verifica-se uma grave falta de acesso igualitário aos benefícios que um sindicalismo sério deveria oferecer. Portanto, estamos diante de uma segregação dentro da própria categoria. Sob o mesmo modus operandi, o pensamento de defesa dos interesses da classe não segue essa cartilha ortodoxa e parada no tempo. E a defesa intransigente dessa maneira caduca de fazer sindicalismo repete o mesmo peleguismo sempre tão condenável, só que do lado oposto da moeda. Sem perceber, os sindicalistas acabam endossando o lado dos donos da mídia corporativa e de seus mecenas. E isso não vem de hoje.
Outro grupo interessado na manutenção do diploma de jornalista é o grupo de quem leva a formação de novos profissionais e, acima de tudo, de cidadãos mais conscientes acerca do contexto sociocultural em que vivem: o medo de todo professor, de todo estudante e de todo reitor (sobretudo das universidades particulares que vivem do valor das mensalidades) é o de que, com a abolição da obrigatoriedade do diploma para jornalista, os cursos de Jornalismo percam a razão de existir. Contudo, ao contrário do que muitos pensam, não são nem a questão do diploma e tampouco a relativa juventude da existência da profissão e da sua consequente indústria os principais fatores de dificuldade da consolidação da Comunicação como um campo social no significado bourdieuano da palavra: por tratar-se de uma disciplina técnica e teórica enquadrada tanto científica como mercadologicamente sob uma faceta multidisciplinar, os ritos, a natureza vicária e a especialização supostamente inimitável por integrantes de outros campos sociais (p. ex.: jurídico, militar, religioso, médico, político, esportivo, financeiro, etc.) já é, na prática, descentralizada e pulverizada. Apesar desses problemas, felizmente, a procura pela aprendizagem e pelo domínio de uma técnica capaz de traduzir os discursos vicários de cada um dos demais campos sociais de uma maneira que toda a sociedade seja capaz de decodificar mensagens tão específicas tem sido cada vez maior ao longo do tempo. Afinal de contas, sem conhecimento e sem empenho, não existe competitividade nem autopreservação em um meio selvagem. No momento em que essa visão se tornou um lugar comum, os riscos de demolição das bases responsáveis pela credibilidade percebida dos mídias de qualquer porte não interessam aos empresários sérios, enquanto reforçam a autonomia de quem trabalha por conta própria.
No caso das universidades e dos professores em particular, a defesa que a maioria faz do diploma refere-se à necessidade sempre presente e justa de haver uma representatividade que proteja os interesses da base da pirâmide que sustenta esse campo social. Além da técnica, os professores técnico-científicos preocupam-se com a ética e com a reflexão acerca dos fazeres em função do contexto sociocultural que os molda e é moldado por esses mesmos fazeres. Já os professores essencialmente técnicos preocupam-se tão-somente em preparar novos profissionais para alimentar a mesmíssima indústria hegemônica. Todo curso de qualidade apresenta essa saudável mistura e não apenas o prevalecimento de um tipo ou de outro.
Para as corporações midiáticas, para os estúdios cinematográficos, para as gravadoras, para as agências de publicidade, para as produtoras web e para as assessorias de imprensa, seria maravilhoso que houvesse apenas meros cursos técnicos profissionalizantes, a fim de que seus novos contratados não sejam nada além de âncoras, repórteres, cinegrafistas, iluminadores, editores, sonoplastas, figurinistas, maquiadores, motoristas, eletricistas, engenheiros, diretores, arte-finalistas, produtores e porta-vozes altamente especializados. Esse modelo é interessante para formar uma enorme reserva de mercado e para incentivar uma competição acirrada pelas vagas dentro dessas marcas que dominam a superestrutura, desunindo os profissionais que preferem viver 100% integrados a esse modelo de mercado.
Portanto, salvo raríssimas e honrosas exceções, os donos, os financiadores e os clientes da indústria midiática sempre preferiram e sempre irão preferir especialistas restritos ao papel de meras engrenagens de um sistema taylorista-fordista de linha de produção. Porém, a perda de credibilidade dos veículos das grandes corporações em função da desvalorização de profissionais experientes que são desprezados como lapidadores de jovens promessas tem resultado na perda de qualidade técnica e de talento no jornalismo. Trabalhar para paquidermes burocratizados repletos de eminências pardas diante da internet e da TV digital definitivamente não é uma boa alternativa.
Nesse aspecto, muitas faculdades de Jornalismo, muitos chefes antigos dentro das corporações e, acima de tudo, a decrepitude metodológica dos sindicatos estão deixando muito a desejar. Portanto, vejo universidades e sindicatos obrigados a aprender rapidamente e com a máxima competência a proporcionar a assistência, a assessoria, a consultoria gratuita ou muito barata, as palestras, os seminários, os congressos, os debates e as missões de visita a órgãos no Brasil e no exterior que sirvam como referência mundial dentro dessa roda viva: é para conhecer advogados de gabarito, para conhecer o SEBRAE, para contar com profissionais de economia e de marketing que deveriam servir as universidades e os sindicatos. Mais do que aenas ajudar os jornalistas a se defender, seu papel deve necessariamente ser o de possibilitar a seus alunos e filiados o conhecimento do empreendedorismo e da administração de um negócio.
Isso posto, jornalista responsável, minucioso, competente, criativo, tecnicamente correto, livre e inovador não precisa nem de uma lei especial para receber privilégios, nem de uma lei que o obrigue a responder por falhas ou por má fé relacionadas à má prática social e econômica de sua atividade. Isso é o mínimo que se espera de QUALQUER profissional. Para isso, com alguns ajustes, ao invés da Lei de Imprensa da década de 1960, basta dar uma garibada no Código Civil.
No mais, com ou sem a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista, tanto o público fará a sua seleção natural como o profissional precisará aprender a escolher a opção de vida e de trabalho que o fará sentir-se mais à vontade para preservar a sua autonomia e a sua independência. Se, por outro lado, ele preferir seguir o Lado Negro da Força, todo indivíduo, sem exceção, tem escolha. Afinal de contas, ninguém é obrigado a nada.

GRÊMIO E TÉCNICOS GAÚCHOS RECENTES

Não consigo mais ser condescendente com certas coisas. Em relação ao que a mídia acha versus o que o torcedor gremista acha sobre Celso Roth, afirmo que sim, ele é medíocre. Mas só vejo um punhado de técnicos brasileiros melhores do que ele. Não necessariamente nessa ordem, cito: Felipão, Autuori, Luxa, Muricy, Tite, Mano Menezes, Dorival Jr. e, e…? Na minha opinião, acabou: mais ninguém. Bonamigo, Zetti, Hélio dos Anjos, Geninho, Nelsinho Batista, Cuca… Com todo o respeito: à exceção de Vagner Mancini, não daria meu time de botão a nenhum treinador desse segundo pelotão.

Também é preciso lembrar que, excluindo Tite, no momento em que todos os demais técnicos minimamente aceitáveis do futebol brasileiro contemporâneo estavam empregados e que os top da lista já haviam se tornado inviáveis financeiramente para o nosso clube, Roth foi a alternativa que sobrou no mercado.

A gestão de Paulo Pelaipe, um assessor de futebol pouco culto e despótico a quem foi concedido um excesso de liberdade para espraiar suas arbitrariedades, funcionou bem quando o clube estava juntando os seus cacos. Suas apostas não foram ruins. E, naquele contexto, um “incêndio” era necessário. Todavia, apesar da radical diferença de perfil de gestão e de postura pessoal da atual dupla de dirigentes do futebol formada por André Krieger e Luiz Onofre Meira, noto uma semelhança entre modelos tão distintos: em ambas as gestões, prevaleceu a falta de percepção dos dirigentes em relação ao fato de tanto Mano Menezes como Celso Roth serem técnicos bastante incompletos – daqueles com prazo de validade. A ambos falta aquele algo a mais – muito embora creia que Mano ainda tem muitas chances de obter um título de expressão e superar as falhas que ora aponto em seu método de trabalho.

A demissão intempestiva de Mancini, o preconceito e a ignorância que se espraiaram por todas as tendências políticas do Grêmio após o caso das “ovelhinhas” foram apenas a ponta do iceberg: particularmente, acho que Tite é muito mais técnico (mais ousado, melhor estrategista, mais bem assessorado por um auxiliar mais competente) do que Mano Menezes e Celso Roth – aqueles que só sabem montar times na base da confiança e do entrosamento adquiridos durante momentos de penúria.

Confesso que eu próprio andava desconfiado em relação a Tite por causa daquele triste episódio (a cereja radiativa no coquetel Molotov que culminou em nosso segundo rebaixamento). Porém, Adenor Bacchi hoje mostra no tradicional adversário a mesma perspicácia que apresentou no Grêmio de 2001 e no Corinthians proto-ISL.

Mano e Roth possuem três deficiências metodológicas em comum. A saber:

1) A preferência pelo infeliz esquema 3-5-2 não decorre tão-somente da limitação técnica, física e/ou psicológica encontrada em um determinado plantel. No caso de ambos, sempre que a necessidade transformou-se em rotina, seus times deixaram de produzir ofensivamente mais pelo excesso de zelo atrás do que pela falta de qualidade na frente;

2) A persistência nos erros de improvisação: ambos insistem na utilização de jogadores que deram péssima resposta em outras posições nas mesmas condições em que um determinado improviso mal-sucedido se deu e

3) O excesso de peso que dão à intuição em detrimento da ciência e da prática: normalmente, suas escolhas por “bruxos” medíocres como homens de confiança podem até identificar-se com o perfil da torcida tricolor (a mística da garra). Todavia, embora costumem carregar o piano com competência e transmitir motivação dentro de campo, na maioria das vezes jogam mal as decisões de campeonato.

Hoje, Mano é idolatrado no Corinthians. Lá, ele não tem nenhum LucasCarlos Eduardo ou Hugo, mas conta com uma série de Sandros Goianos piorados (sou voto vencido, mas sempre achei Sandro Goiano mais carismático do que bom, importante e útil ao Grêmio). O entrosamento e o embalo da Série B e do Paulistinha (permita-me apropriar-me da tua expressão, caríssimo @jucakfouri ) decorrem do fato de que a Série B possui um nível técnico ridículo; quanto ao Paulistinha, São Paulo (em decadência) e Palmeiras (ainda em fase de afirmação, porém com um perigoso potencial) eram – e ainda são – times repletos de reticências e questionamentos. Em princípio, creio que o Corinthians de Mano não passa pelo Internacional na Copa do Brasil. No Brasileirão, vai lamber os beiços com uma vaga na Sul-Americana.

Quanto a Celso Roth no Atlético-MG, lá ele está em casa: para um time candidato ao rebaixamento no início do Brasileirão 2009, uma vaga na Sul-Americana 2010 está de excelente tamanho. Como um time como o Galo nada mais é do que um reles cavalo paraguaio, tanto a direção do clube como o próprio Roth tendem a trabalhar juntos em 2010 até a primeira goleada sofrida contra o Cruzeiro no próximo Mineirinho…

Tite, por sua vez, tende a conquistar bastante coisas com o tradicional adversário. A propósito: não compactuo com aqueles que consideram o time do Inter maravilhoso. O futebol rubro definitivamente não põe meia-piscina de vantagem em relação a outros bons times. Para o atual baixo nível técnico do nosso principal campeonato, eles estão entre os melhorezinhos.

Na ESPN BRASIL , o grande PVC informa que não é verdade que Roth trabalha ou trabalhou a maior parte de sua carreira no 3-5-2: o Inter de 1997, o Grêmio de 1998, o Palmeiras de 1999, o Goiás e o Atlético-MG de poucos anos atrás que ele montou com sucesso todos jogavam no 4-4-2. Porém, acho que faltou-lhe sensibilidade para definir seus critérios de confiança/desconfiança em relação ao potencial de seus jogadores na hora de insistir no 3-5-2.

Em defesa de Roth, ele foi melhor do que Mano com um time bem pior à sua disposição no Grêmio contemporâneo. Mérito maior pelo fato de ter tido coragem para fazer o Grêmio ganhar pontos fora de casa sem se acovardar. Voltando ao atual técnico colorado, no Grêmio de 2001, Tite, com um plantel parelho em relação ao disponibilizado a Mano (na verdade, melhor), fez muito mais do que ambos. Hoje, no lado vermelho, Tite possui um time caro e de qualidade semelhante à que recebeu na sua memorável segunda temporada no Tricolor

Posso errar? Posso. Mas não creio que o insucesso ou o sucesso que Autuori possa vir a conquistar (ou a deixar de conquistar) aqui no Olímpico venha a ser relacionado mais à sua própria responsabilidade do que à da direção do clube: afinal de contas, o plantel disponível hoje em dia só não é pior do que os do 2º semestre de 2003 até o final de 2005.

VOLUNTARIADO: AS REDES SOCIAIS DOS RICOS

Embora a atuação cidadã e politizada priorizando a base da pirâmide social MUITO PROVAVELMENTE represente a minoria no pensamento de grande parte dos ricos, aqueles que tem dinheiro o bastante e são voluntários comprovam algo em que creio. Adaptando as palavras ditas pelo magnata estoniano RAINER NOLVAK, mentor do TEEME ÄRA [v. próximo post, à minha maneira, afirmo o seguinte:

“Ser muito rico PODE proporcionar viver sob a égide do valor mais importante que um homem pode ter, que é a liberdade. Contudo, viver de renda apenas cultivando atitudes meramente hedonistas PODE transformar-se em um vício: normalmente, isso costuma destruir a saúde do indivíduo. A cura é o envolvimento enérgico com pelo menos uma causa capaz de mudar a sociedade. Mais do que nunca, ser voluntário é uma necessidade individual e coletiva.”

Sob essa ótica, qualquer movimento social e qualquer ONG deve valorizar – E MUITO – a altamente ramificada rede social de uma pessoa rica. Independentemente desse abonado ter ingressado no voluntariado há pouco tempo ou de ele não possuir nem a cultura da e tampouco intimidade ou afeto com a comunidade em questão a ser ajudada, deve-se, sim, nomeá-lo de cara para um cargo de grande responsabilidade dentro da organização. Contudo, o papel de destaque dado ao voluntário endinheirado não pode ser a liderança máxima: afinal de contas, é preciso valorizar ao máximo as lideranças locais e fundadoras. Assim, evita-se melindres e rachas ocasionados pelo não-reconhecimento do empenho até então empreendido e pelas constantes disputas de ego – males comuns a toda e qualquer organização social.

Apesar dessa ressalva, muitas vezes, quando se deseja MESMO realizar algo significativo de maneira rápida e metódica sem precisar discutir o sexo dos anjos nem passar trabalho desnecessário para angariar fundos, a democracia e a meritocracia tem, sim, que ser postos em segundo plano. Por exemplo: se a família Sirotsky por acaso oferecesse um jato para transportar mantimentos para a enchente no Nordeste ou se a família Setúbal (Banco Itaú-Unibanco) oferecesse um fundo de investimentos para recuperar as estruturas de gás e energia elétrica das cidades atingidas mais rapidamente e se a Odebrecht oferecesse mão-de-obra de graça, deveriam ser ignorados?! Independentemente de qualquer coisa, eles solucionariam o problema em seis meses ao invés de 10 anos.

Pesado esse ponto, volto a uma questão já discutida em um antigo post: independentemente da ONG PARCEIROS VOLUNTÁRIOS ser mal pensada de acordo com os padrões do Serviço Social, da Psicologia e da Educação, ela é extremamente bem pensada dos pontos-de-vista da Administração, da Economia e do Direito. O calcanhar de Aquiles dessas ONGs fundadas e mantidas por ricos (no caso, Gerdau) está justamente no fato de que seus principais atores vem de uma cultura baseada mais em estatísticas do que no subjetivo. Dessa forma, as disciplinas que melhor dominam são as que o mercado de trabalho melhor remunera, em detrimento das disciplinas que, normalmente, são especialidades dominadas por pessoas oriundas, no máximo, da classe média.

Enfim, como eminências pardas alçadas a postos como, por exemplo, de “embaixador” da causa, os ricos possuem zilhões de contatos igualmente graúdos. Normalmente, uma rede de confiança estabelece-se a partir de uma série de elementos sociais em comum que faz com que, por exemplo, eu confie muito mais na opinião e nas atitudes pró-ativas de A e não de B. Ora, se A e B tem um modus vivendi e um modus operandi extremamente parecidos, por melhor que trabalhe C (que não faz parte do grupo primevo do qual vieram A e B) e C esteja engajado há muito mais tempo nesta causa, é fundamental que C mantenha a sua posição com sabedoria suficiente para não ver-se diminuído nem para adotar uma postura arrogante como forma de autoproteção perante A e B. Da mesma forma, A e B não podem JAMAIS entrar de cabeça ditando regras nem tampouco pretendendo obter funções diretas na hierarquia e na burocracia reinantes. Eles deve, sim, funcionar como o grande diferencial que espalhe a importância da causa na mídia corporativa e entre seus pares, que também são formadores de opinião – inclusive agilizando infraestrutura do próprio bolso, mas sem nunca pretender exigir em troca algo maior do que a satisfação de fazer parte de uma CORRENTE DO BEM.

Isso só será melhor entendido quando eu falar mais profundamente em conceitos de redes sociais que justifiquem a necessidade de valorizar os estamentos mais abastados da população sem preconceito por parte do pensamento de esquerda despartidarizada e capitalista.

Aliás, já falei sobre isso comentando um post do DIÁRIO GAUCHE ou do RS URGENTE há poucas semanas atrás: não é nada incoerente e tampouco invencionice ser socialista e capitalista ao mesmo tempo. Afinal de contas, vivemos em um mundo no qual até mesmo a sustentabilidade e a economia popular solidária chegam a um ponto no qual torna-se imprescindível admitir a necessidade de trocar dinheiro e de recorrer aos bancos.

O que precisa haver é um regramento bem mais severo em relação às fusões, aos limites de lucratividade e à abolição total de taxas bancárias.