GRÊMIO LUTA SÓ PELA SUL-AMERICANA

O Grêmio está melhorando fora de casa e, com os jogadores disponíveis, não pode mais atuar no 3-5-2 nem que queira. No entanto, as deficiências no ataque, nas laterais e na meia-armação tornam-se mais explícitos do que nunca sempre que atuamos fora de casa.

Porém, em função do resultado negativo de hoje contra o São Paulo, salvo uma agradável e inesperada surpresa, o Grêmio tende a crescer muito pouco. Essa tênue possibilidade de melhora não conseguirá suprir suas graves carências técnicas – a não ser que haja uma surpreendente conjunção de oportunidade, competência e substancial entrada de dinheiro para acertar em contratações pontuais. Ou, então, que a gurizada do Sub-20 suba já com maturidade emocional e força física suficientes para segurar o rojão.

Não mudo a minha opinião: atualmente, Paulo Autuori é o melhor técnico que o dinheiro do Grêmio pode pagar. Se Celso Roth não servia (e o fraco Atlético-MG não deverá mais durar muito tempo no G4, mesmo que tenda a terminar pelo menos o 1º turno bem à frente do Tricolor dos Pampas), Marcelo Rospide também não: afinal de contas, postou a equipe, escalou e substituiu à imagem e semelhança do seu antecessor (e, por que não dizer também, seu mentor).

Considero a negociação de Ruy e as prováveis saídas também de Orteman e de Jadílson necessárias em função da economia e justas por causa da péssima relação custo/benefício desses jogadores. Todavia, não vejo mais como dispensar um monte de jogadores ruins nem como substituí-los à altura. Primeiro, porque o plantel ficaria numericamente carente – o que seria uma passagem de ida rumo ao rebaixamento. E segundo porque o cacife do Grêmio é muito baixo para bancar jogadores velozes E de ótimo aproveitamento nas conclusões.

Bruno Coelho do blog Grêmio 1983 defende Tcheco. Eu só defendo o Tcheco do Brasileirão 2006 e o da Libertadores 2007 até a semifinal. Fora isso, ele só atuou decentemente no último Grenal. Tcheco já possui idade avançada, preparo físico deficiente (sem arranque nem imposição física), dificilmente consegue cobrar bem uma falta ou escanteio, mais erra do que acerta na sua sensibilidade de acertar o momento de acelerar ou de segurar a bola e já declarou que as chances de encerrar a carreira ao final desta temporada são grandes. Contudo, o pior de tudo é a sua instabilidade emocional.

Jamais vaiei um jogador do meu time. Tampouco os xingo. Afinal de contas, quando os erros são frequentes, normalmente é porque ou o jogador está atuando em uma posição indequada dentro de campo, ou porque suas condições físicas e/ou técnicas são precárias.

Túlio, por sua vez, apesar de ter dado algum equilíbrio na marcação e de não levar cartões em todos os jogos, mesmo que tenha melhorado um pouco o passe e que sua solidez tenha ajudado a liberar o cada vez melhor Adílson para apoiar, nunca me agradou por ser desleal. Nunca esqueço aquele covarde chute na cara que ele deu no rosto de um jogador do São Paulo no Maracanã durante o Brasileirão de 2007, quando o Botafogo ainda era líder e, a partir dali, degringolou de vez. Hoje, contra o mesmo São Paulo e na marcação de um jogador que não era o mesmo daquela ocasião, bateu boca e quase agrediu o adversário em um momento e, na sequencia, sem bola, deu um leve porém sempre irritante tapa na cara. Por sorte, não foi flagrado pela arbitragem.

Se é pra sanar as dívidas e não enganar ninguém, mesmo que a classificação final do clube no certame fique muito aquém daquilo que a maior parte da torcida almejava, estou de acordo com a direção. Participei de uma conversa com o vice-presidente de finanças Irany Sant’Anna Jr., que é comprovadamente competente, honesto e transparente.

O que me importa é, primeiro, que o Grêmio não quebre. Depois, que possua um crescimento até uma estabilidade em alto nível de maneira gradual e sustentável, para que não tenha picos enganosos com plantéis que irão quebrar as finanças para, depois, a gestão seguinte juntar os cacos e ser taxada de incompetente ou de pé-fria.

Pra terminar, duas coisas:

1) Meus amigos Guga e Valentim do Alma da Geral que me perdoem, mas o ídolo-mor do Tricolor, Renato Portaluppi, não é técnico de futebol. Se ele quisesse MESMO ser técnico, jamais poderia dizer, como disse ao final da derrota de ontem para o Palmeiras, que “Jogamos bem, mas a bola não entrou. Quando a bola começar a entrar, vai ser outra história.”  Isso é papo de quem não entende nada de tática. Além disso, muito me incomoda quem diz “o MEU jogador”. Isso é autocrático e demonstra ou excesso de autosuficiência, ou de imaturidade, na tentativa de se impor perante o grupo. Não importa se ele se expressou mal ou se ninguém entendeu o que ele quis dizer na época da final da Libertadores de 2008 (“O Tricolor está a cinco metros da Libertadores do ano que vem“) – ele foi muito imprudente e municiou os equatorianos. No mais, por que ele não aceita treinar times de fora do RJ por menos de 250 ou 300 mil reais e aceita trabalhar nos clubes do Rio ou no Grêmio por 150 mil?! Por que ele rejeitou ofertas do Japão e do Oriente Médio?!

2) A verdade é muito dura…

AS GESTÕES RECENTES DO GRÊMIO

Não sou a favor de um clube-empresa com ações no mercado, mas sou a favor de um clube gerido como se fosse a casa, o apartamento, o sítio ou o escritório de cada um de seus integrantes e que houvesse responsbilidade jurídica e fiscal diretamente imputada à pessoa de cada um deles.

Pois é esse o ponto: de amigo em amigo e de parente em parente, um tira o do outro da reta. Imagina se vários ex-presidentes e se os conselheiros tivessem que arcar com o próprio bolso os erros da ISL e também de outros tempos passados…

Por falar nisso, uma coincidência: Odone, de 1987 a 1990, foi um presidente de excelentes resultados no futebol e usou o clube para entrar na política partidádia. Bandeira, seu sucessor, rebaixou o time, em um misto de incompetência e de início de escassez de dinheiro (bem menos severa do que a que segue). Guerreiro e Meira eram os dirigentes de futebol na Segundona 1992.

1999-2002: Guerreiro presidente e a farsa da ISL. Clube quebrado, assume Obino. Em um misto de incompetência aliada a uma enorme escassez de dinheiro, quase todos os próceres, na impossibilidade de obter qualquer resultado possível de ser utilizado em causa própria no estilo “EU sou o pai da criança”, empurraram o “bebê japonês” (será que é o mesmo da Yeda?!) ao presidente tido como eterno pé frio e eterno incompetente.

2005: O discurso forte, a presença constante na mídia e a lembrança de quatro Gauchões e de uma Copa do Brasil trouxeram um Odone, que estava totalmente queimado por causa da administração Britto e quase nem vereador conseguira se eleger, de volta à baila. Novamente, bom no futebol, mas escondeu os gastos em excesso.

Porto Alegre e o RS estão envoltos em escândalos e em sucessivas gestões incompetentes (não que as anteriores tenham sido boas, mas os erros agora surgem em proporção geométrica). Copa do Mundo, Detran, empreiteiras dominando o cenário para destruir o Plano Diretor (curiosamente, a maioria dos vereadores de Porto Alegre vota exatamente aquilo que os empresários querem), trânsito insuportável, violência crescente, educação e saúde em estado lastimável apesar do dinheiro estar aparecendo como nunca.

Como será o amanhã? Responda quem puder…

INCERTEZAS SOBRE A ARENA DO GRÊMIO

Tenho acompanhado atentamente a questão da Arena desde o meu post reproduzido pelo Hiltor Mombach no Correio do Povo, onde parte de seu conteúdo fora utilizada inclusive como pauta para um debate na Rádio Band AM às vésperas da eleição para o CD de 2006. Procuro participar tanto quanto minhas condições de não-conselheiro, de não-advogado, de não-economista possam permitir.

No entanto, mesmo apesar das minhas limitações de tempo, espaço e também profissionais, arrisco dizer que ainda não fui convencido de que minha posição contrária ao modelo de negócio proposto deva ser revista.

Não tenho motivos nem provas pessoais nem morais conta nenhuma pessoa física em particular. Contudo, há relações fraternas, profissionais e político-partidárias entre ex-dirigentes tricolores com pessoas que lesaram o erário e fraudaram empresas cujas implicações foram devidamente comprovadas pelo Judiciário – vide Máfia do Detran. A revista Caros Amigos já publicou um dossiê bastante extenso e inquestionável a respeito das atividades ilícitas da empreiteira OAS, conhecida na Bahia por “Obrigado, Amigo Sogro!” Portanto, ainda creio fortemente no ditado “Dize-me com quem andas que te direi quem és”.

Leio o site do Movimento Grêmio Novo e mantenho boas relações com seus integrantes. Também leio o blog Grêmio Arena. Li a sabatina do Correio do Povo sobre o presidente da Grêmio Empreendimentos S.A. Adalberto Preis. Ouvi de conselheiros do Movimento Grêmio Acima de Tudo que, em reunião recente, Absolutamente ninguém conseguiu ainda me dar segurança acerca dos direitos e deveres do Grêmio FBPA, dos parceiros, da empreiteira, dos empreendedores e dos associados, que parecem ser a parte mais fraca.

Lembro que os países da Europa Oriental (em especial a Ucrânia) que estão construindo novos estádios suntuosos estão mergulhados em petróleo, assim como o Catar e os Emirados Árabes. A Coréia do Sul e o Japão possuem populações relativamente pequenas se comparadas ao Brasil com um índice educacional, alimentar e de infraestrutura absurdamente superiores aos nossos. Os Estados Unidos, a Alemanha e a Itália construíram poucos estádios e reformaram a grande maioria que acolheu as últimas edições da Copa do Mundo.

E – pasmem – as grandes Inglaterra e Espanha, donas dos maiores montantes em contratações de atletas, verbas de televisão e faturamento com merchandising em todo o planeta, não estão conseguindo captar recursos suficientes para construir novos estádios do zero. O Emirates, do Arsenal, já tem três anos e é a exceção, assim como Wembley, que é de 2007 e é um investimento que não precisou nascer do zero para uma Copa do Mundo nem para uma Olimpíada.

O São Paulo e o Internacional estão com imensas dificuldades para poderem bancar as reformas no Morumbi e no Beira-Rio, respectivamente.

Suponhamos que o Grêmio realmente precise de um estádio zerado. Suponhamos também que este não precisasse necessariamente ser construído no mesmo terreno do Olímpico Monumental. Suponhamos que, em função de a estrutura do Olímpico Monumental estar deteriorada em função da incompetência de TODAS as gestões do Patrimônio na sua manutenção; e que as reformas fundamentais ao aumento da segurança e do conforto do associado exigissem muito mais do que meras mudanças cosméticas:

- Por que as obras de infraestrutura defasadas há mais de duas décadas só seriam efetivamente realizadas em Porto Alegre caso a cidade fosse confirmada como uma das sedes da Copa do Mundo?

- Por que construir um estádio em uma região que, apesar de estar bem abastecida por estradas presentes e futuras e pelo metrô, encontra-se sobre uma área pantanosa às margens de um rio morto, sem oxigênio, sem peixes e sem fauna e flora preservadas?

- O custo para estabilizar uma construção desse porte com milhares de caminhões de areia e com a gigantesca fundação sobre um solo absolutamente instável não seria estupidamente mais alto do que construi a Arena em QUALQUER outra região da cidade onde predomina solo granítico?

- Será que a barateza desse terreno e as dificuldades dessa obra compensariam realmente algumas poucas desapropriações na mesma quadra onde hoje encontra-se o Olímpico?

- Será que o custo de alugar o Beira-Rio para alguns jogos maiores ou de fechar hermeticamente os módulos de arquibancada ainda em construção seriam tão altos assim?

- Será que a futura permuta da valorizadíssima área da Azenha altamente cobiçada pela predatória indústria da construção civil e por um poder público de nádegas flácidas para a obediência do Plano Diretor não está relacionada às pesadas dívidas do clube em função da execução de credores do Grêmio na Justiça? Se for esse o caso, não seria muito mais honesto e transparente revelar aos associados a verdade? Trocando em miúdos: sair da Azenha e ir para o Humaitá por acaso não significaria algo como “ou sai, ou morre”?

Nesses termos, discordo de dois respeitáveis, e experientes conselheiros (Antônio Carlos Azambuja e Carlos Josias que, em uma série de questões, discordam bastante entre si), que manifestaram-se a favor do empreendimento assim como foi proposto em termos jurídicos como de realização “inexorável”: enquanto todas as dúvidas não forem devidamente esclarecidas e as vantagens oferecidas forem baseadas em um discurso meramente publicitário, milhares de associados seguirão temendo pelo pior.

Queremos muito que tudo dê certo. Serei um dos primeiros a suspirar de alívio e a apreciar a nova casa tricolor. No entanto, nenhuma movimentação política do Conselho foi feita. O dr. Hélio Dourado ficou quase sozinho dentre um grupo de mais de 300 homens e perdeu-se o conselheiro Marco Souza.

No mais, política não é consenso e, sim, dissenso:

- Se todos pensam igual, alguma coisa está muito errada;

- Se muitos se forçam a deixar de votar segundo suas próprias convicções só para não serem malquistos pela maioria de seus pares, alguma coisa está muito errada;

- Se ninguém concorda (ou se todos discordam), alguma coisa está muito errada.

Aonde quero chegar? Bem… Muitos integrantes do chamado G6 revelam, informalmente, que possuem convicções contrárias não à construção de um novo estádio, não a esse novo estádio ser localizado no bairro A ao invés do B, nem tampouco ao montante do investimento mas, sim, A ESTE MODELO DE NEGÓCIO EM ESPECIAL AO QUAL TAMBÉM ME OPONHO.

Todavia, muito provavelmente para não perderem o cliente da sua construtora, do seu escritório de advocacia ou o seu parceiro político-partidário, calaram-se, consentiram e não propuseram nenhuma alternativa melhor, formalizada de maneira técnica com esmero jurídico.

Tudo isso porque a falsa democracia representativa deste modelo eleitoral gremista perpetua o poder nas mãos dos mesmos de sempre.

GRÊMIO E POLÍCIA: AJUDEM A DIREÇÃO

BOA VONTADE DO COMANDO GERAL DA BM E DA DIREÇÃO TRICOLOR

BOA VONTADE DO COMANDO GERAL DA BM E DA DIREÇÃO TRICOLOR

Este blog apóia a gestão atual com as devidas críticas, assim como elogiou – e muito – os acertos da gestão anterior, cujas práticas políticas e financeiras dentro e fora do clube não iam de encontro à minha visão de mundo. Portanto, não sou nem cordeiro de uns, nem lobo de outros.

Por fonte segura do clube mas não da administração direta, soube que o comandante geral da BM gaúcha, cel. Trindade, é um profissional exemplar e, principalmente, um cidadão de alto nível, ao contrário do pitbull anterior. Portanto, minha hipótese de que a violência deu-se sob o comando exclusivo do responsável pelo jogo infelizmente confirmou-se.

Nada justifica a ação da BM que, à revelia, sem diálogo com a direção do Grêmio, saiu lacrando todos os portões. Isso é ilegal. Além disso, não se tem notícias de ingressos falsos e o número de não-pagantes foi baixo. A diretoria ficou ilhada nas cadeiras. E a BM não é treinada nem para tomar posse de patrimônio privado, nem para bater. Afinal de contas, uma instituição sesquicentenária está sendo manchada por atos isolados de boçais dentro da corporação. Corregedoria, sindicância e um comandante geral honesto existem para por ordem na casa e confio nisso.

É importante que todos saibam que a punição à Geral é coisa exclusiva da BM, é 100% ilegal e NUNCA contou com o aval da atual direção do Grêmio. Mesmo diante da falta de pulso e da incompetência demonstradas no futebol e no discurso de fala exageradamente mansa, a gestão Duda apóia muito a Geral. Ela só não compactua com líderes de torcida que fazem bolo, vendem produtos piratas e vendem ingressos gratuitos. Pra bom entendedor, meia palavra basta: apoio não significa bajulação nem doação em troca de apoio político-partidário.

Enfim, a imagem da gestão Duda foi manchada por algo que fugiu à sua esfera. Nisso, infelizmente, quase ninguém acredita. Agradeçam à fábrica de crises da mídia corporativa (louca por uma polêmica e por um sensacionalismo que ficam acima da verdade factual apenas para vender mais) e ao fato do Inter possuir departamentos de marketing e de comunicação muito mais competentes do que os nossos…

Participem. Denunciem. Não tenham medo. Mas procurem se informar melhor. Como ficou demonstrado hoje, o diálogo entre Grêmio (o dono do Olímpico) e Brigada Militar (responsável pela segurança e proteção de todos) vai melhorar. Apesar da inesquecível, traumática e inaceitável agressão e humilhação física e emocional sofrida por alguns milhares de gremistas, o mea culpa foi feito por ambas as partes. O clube agora terá um interlocutor melhor habilitado para essa difícil relação entre poder e medo, que precisa ser transformada em cooperação e respeito. E a Brigada trabalhará da maneira que dela se espera.

Os blogs Sempre Imortal e Grêmio Copero (aqui e aqui também) se manifestaram com veemência a respeito da gravíssima e imperdoável questão pessimamente apurada pela imprensa e muito mal interpretada pela torcida. Vale a pena acompanhar as discussões desses espaços de interação tricolor tão importantes.

O GRÊMIO E A POLÍCIA

Meu nome é Hélio Sassen Paz. Tenho 36 anos. Minha esposa é Lúcia Isabel da Silva Schenini, 42 anos. Vamos juntos a 95% dos jogos do Grêmio no Olímpico todos os anos desde 1996. Tenho uma frequência no estádio superior a 90% desde 1981, exceto em 1979 e 1980 quando era muito pequeno 2000 e 2001 quando morei no Rio de Janeiro.

Sem rádio no estádio, li na manhã seguinte à partida contra o Cruzeiro (sexta-feira passada) no Correio do Povo que algumas centenas de gremistas com ingresso foram impossibilitadas de entrar na Geral antes do jogo começar – muitos deles sócios-torcedores. Mais tarde, no intervalo, a mesma atitude lamentável deu-se também na Social. O jornal disse que foi um jogo de empurra de um portão a outro: o Grêmio dizia que quem mandou fechar os portões foi a Brigada e a Brigada diz que quem emitiu a ordem foi o Grêmio.

Ingresso caro, jogo decisivo e cercado de expectativa, muitos matando aula e trabalho, outros com imensa dificuldade de chegar calmamente devido ao trânsito. Em qualquer aglomeração, sempre há idosos, mulheres, crianças e portadores de necessidades especiais.

Intervalo: nos portões 1 e 2, pouquíssimos sócios e locatários de cadeiras (a maioria deles com débito em conta ou cartão de crédito – portanto, de contribuição mensal sem atrasos) que normalmente podem acessar o estádio com atraso foram barrados por brigadianos truculentos. O jogo de empurra continuou. Minha esposa, que trabalha ou tem aula até tarde, eventualmente chega no intervalo dos jogos. Pois justamente nesta malfadada porém especialíssima semifinal contra o Cruzeiro foi a única vez em que foi barrada.

Se eu não tivesse encontrado o conselheiro Élvio, ou teria jogado meu copo de Coca-Cola no chão e levado umas cacetadas de algum brigadiano, ido para o HPS e maculado minha ficha limpa, ou teria quebrado a minha carteirinha. Neste último caso, até o devido esclarecimento das responsabilidades, teríamos sido pelo menos três sócios a menos – com profundo pesar e sob efeito do mais inconsolável dos lamentos. Afinal de contas, torcer e participar não pode nunca tornar-se um fardo ou uma obrigação.

Apesar da gentileza do cel. Élvio e apesar de ter tido várias decepções dentro e fora de campo que tiveram como pivôs uma série de atitudes advindas de sucessivas gestões, nunca havia percebido tamanho desrespeito, tamanha ignorância, tamanha incompetência e tamanha estupidez da Polícia. E isso acarreta também na incompetência e no despreparo da própria direção tricolor.

Na volta para casa, no táxi, na Rádio Gaúcha, o depoimento com a voz embargada de um locatário de cadeira maduro, vindo de Bagé, que pegou 5h de estrada e não conseguiu chegar a tempo para o apito inicial. Além de barrado, apanhou feio da Brigada.

A postura fidalga de Duda, Krieger e outros menos votados, em um curto prazo, com ou sem a herança maldita da ISL, enfraqueceu o futebol como um todo do profissional às categorias de base. Para que a responsabilidade não fique somente atrelada ao grupo político que detém o poder na atualidade, o político profissional Paulo Odone, por sua vez, é fiel depositário de um governo estadual corrupto e truculento – o desgoverno responsável pela polícia bandida que defende corruptos e não protege o cidadão nas ruas de uma capital cada vez mais desprotegida.

Aonde quero chegar com essa comparação aparentemente sem pé nem cabeça? Em primeiro lugar, a gestão Duda não possui imbricações diretas no centro de decisão política do Estado. Em termos, tal postura ameniza o peso da participação do clube no seio de interesses clientelistas, corporativistas, estamentais e excludentes vinculados à macroestrutura. No entanto, isso aponta para uma gravíssima constatação: será que, para evitar as constantes arbitrariedades da Brigada Militar sobre os frequentadores de QUALQUER evento público dentro de recinto privado, é necessário haver algum integrante ou ex-integrante do poder coercitivo como parte do corpo diretivo de um clube de futebol a um grupo de escoteiros?!

No caso de a Brigada Militar ter-se tornado uma instituição politicamente desvalorizada e socialmente desrespeitada, será que essa triste constatação não ocorre exatamente por causa da gestão de mentes doentias no Desgoverno do Estado?

Se a “Máfia do Detran” teve peças-chave dirigindo o Grêmio até o ano passado e se eles subscrevem os desmandos da trupe de Yeda, isso significa que, por acaso, a gestão Odone tinha mais condições de segurar o facho da Brigada por fazer parte do círculo do poder da macroestrutura guasca?

Mais uma vez, repito: a democracia representativa apodrece todas as instituições. Se é um regime menos pior do que qualquer ditadura, monarquia, feudalismo ou patriarcado tribal, por outro lado apresenta de maneira camuflada tudo o que de pior existe em todos esses outros sistemas políticos e seus benefícios tornam-se muito menos significativos do que poderiam ser.

Na 1ª edição do SportsCenter na ESPN Brasil (meio-dia da sexta dia 03/07), o repórter Vinícius Nicoletti estima entre 1500 e 2000 o número de associados tricolores barrados e covardemente agredidos pela polícia (ver as quatro matérias relacionadas aquiaqui, sem nos esquecermos dos verdadeiros excessos, que não foram coibidos pela BM aqui e aqui também).

Muito me admira a falta de coragem e de reconhecimento dos direitos de cidadão dos agredidos: munidos de câmeras digitais e com um monte de repórteres por perto, além da presença do juizado especial junto ao portão 6, era plenamente possível que muito mais fotos e vídeos tivessem inundado a internet. O registro do crachá de agentes públicos concursados e muito bem treinados para NÃO fazer o que fizeram e a busca do nome do responsável direto pela corporação que tratou da “proteção” ao torcedor há uma semana atrás poderiam ter resultado em algo muito mais significativo para a sociedade gaúcha do que o mero medo de apanhar de cassetetes, de levar um tiro ou de ser pego na rua à paisana.

Não tenho nada contra a Polícia. Muito pelo contrário. Porém, ela faz parte da sociedade e não está nem acima e tampouco abaixo da lei. Aos gremistas agredidos que guardaram os nomes de seus agressores, eis o contato da CORREGEDORIA para denúncias.

Pra terminar, os cidadãos precisam necessariamente conhecer, exigir, cobrar, sugerir e esclarecer todas as suas dúvidas relacionadas à proteção policial institucionalizada entrando em contato com o comand0 geral da Brigada Militar.

Outros blogs que discutem essa questão com seriedade são o Alma da Geral e o Grêmio Libertador.