O post de hoje é muito sério. Escrevo em um tom grave, porém, de maneira alguma, alarmista ou inquisidor. Acredito que chegou a hora de pensar um pouco na forma de torcer, de acompanhar e de se importar com o Grêmio. Acima de qualquer ideologia, religião, atração física ou desgosto profundo e inexorável em função de uma sucessão de ocorrências totalmente contrárias aos nossos valores, me parece que a instância mais incondicional de amor e de devoção ora corrente no Brasil seja o futebol.
Se não fosse pelo futebol, nenhum interagente interessado pelo tema que lê este blog saberia que eu existo. Tal constatação é o suficiente para que, concordando ou não com as minhas posições, tenhamos uma preferência em comum.
Muito me incomoda as tentativas ou ingênuas ou hipócritas de se buscar um consenso. Não existe nem uma maneira correta ou ideal de torcer, nem de jogar futebol ou de dirigir um clube. Porém, as pessoas são todas diferentes. Até mesmo nos pontos em que concordam, cada uma apresenta diversas contradições referentes à forma com que irão agir.
Por isso, não é “feio” nem “errado” criticar. Não é incoerente nem contraditório expor os problemas daquilo em que se acredita ou as virtudes daquilo em que não se acredita. Fazendo bom uso do nosso privilegiadíssimo e ímpar cérebro, a crítica pode construir – e muito. Ao contrário do que muitos pensam, a intriga, a inveja, a polêmica, a manobra diversionista buscando retomar o poder e a ignorância não fazem parte da contrariedade sadia e podem estar camufladas até mesmo na mais cordial das “unanimidades”.
De maneira simplista, muitos dizem que é fácil falar de fora. Ou, de maneira arrogante e ignorante, outros, em um arroubo de autoafirmação, tentam destituir a crítica afirmando “quem és tu pra dizer isso se eu sou conselheiro há 40 anos e tu és um reles associado?”
Isso posto, cada um dos 50 e poucos mil associados e dos mais de seis milhões de gremistas podem E DEVEM discutir a sua relação com o clube. Afinal de contas, o amor é turbulento e dramático; é confiante e desconfiado; é fogoso e distante ao mesmo tempo. Porém, quando apenas um dos lados de qualquer uma dessas dicotomias prevalece sobre o outro, é sinal de que algo vai mal. Então, chegou a hora de eu por os meus pratos sobre a mesa. E seria extremamente salutar se todos os gremistas fizessem o mesmo.
O fato de eu racionalizar demais e de me intrometer em questões referentes ao clube as quais, na prática, não posso sequer ser chamado de coadjuvante não significa que eu pretenda esvaziar o tão necessário espírito de irmandade, de colaboração, de paixão e de sacrifício inerentes à qualidade de torcedores do Grêmio. Afinal de contas, o apoio, a crença, a tenacidade, a curiosidade e a esperança tornam as pessoas mais alegres e, consequentemente, mais produtivas e mais criativas em todos os aspectos de suas vidas. Se não fosse por isso, o Grêmio não passaria de um dentre tantos simpáticos grupos de amigos que jogam bola e fazem churrasco no areião do carismático Parque Ararigboia entre os bairros Petrópolis e Jardim Botânico em Porto Alegre.
Antigamente, muitos reclamavam do excesso de cornetagem e da falta de vibração da maioria dos poucos associados que contribuíam com o clube. Hoje, muitos desses pioneiros já morreram. No Grêmio do século 21, a torcida rejuveneceu. A atual geração, criada de uma maneira mais liberal e menos engajada, é mais lúdica, mais tribalista e menos ligada a dogmas. Por isso, agarra-se a algo que norteia as suas crenças. Em função de uma série de necessidades, desejos, carências e objetivos, determina um valor intangível a um elemento abstrato de coesão massiva. Porém, esse elemento abstrato precisa ter um escape palpável e visível para não poder ser confundido com uma religião qualquer, apesar de uma relação metafórica muito forte existente entre os atos de orar e torcer.
O conceito da “imortalidade” inexiste na natureza animal e vegetal e também na ciência tal qual a conhecemos. Ele é parte da necessidade que muitos (nem todos, que fique bem claro) tem de correr atrás de um argumento complexo que explique o inexplicável ou que justifique o injustificável. Ele está em nosso hino e é muito gostoso de se utilizar quando ocorre alguma conquista ou alguma reviravolta de proporções acima da média a nosso favor. É provocador, é irônico, é cômico e pode até intimidar.
A imortalidade faz parte da loucura da qual tantos geraldinos afirmam viver. Contudo, além dessa comovente e emocionante característica social comum a grande parte dos adolescentes e dos jovens adultos deste início de século 21, a crença na imortalidade tricolor também possui um lado sombrio, que mascara, que tergiversa, que funciona como uma manobra diversionista para desviar a atenção dos verdadeiros problemas enfrentados pelo clube.
Quanto mais a direção do clube aposta na imortalidade, menos ela investe no futebol, que é o objetivo-fim do Grêmio. Quanto mais o clube e seus fornecedores faturam na venda de produtos licenciados, mais comercial e menos humana vai ficando essa relação. O torcedor, associado ou não, vai acumulando belíssimas histórias da sua relação com o clube. Eu, mesmo, poderia escrever uma enciclopédia de 10 volumes só com o que eu já vivenciei dentro e fora do Olímpico junto a amigos e parentes em função do nosso tricolor.
Porém, a cada dia que passa, até mesmo o próprio associado é encarado como apenas um consumidor. Quando o clube vira um produto, o seu cliente pode simplesmente deixar de considerar a sua compra algo corriqueiro como ir à padaria diariamente e passar a questionar, a exigir especificações, a desconfiar do vendedor, a denunciar a má qualidade do produto e a não recomendá-lo para mais ninguém.
Como já cansei de dizer, tenho 36 anos, meu avô nasceu em 1903, meu pai foi associado durante mais de 30 anos, tenho irmão e sobrinhos gremistas e convenci minha esposa, colorada de família, a amar e a sofrer com o Grêmio e comigo. Hoje, ela nem simpatiza mais com o tradicional adversário.
Por não crer em imortalidade e por ser um cientista social, embora tenha esperança em ser enganado pelo imponderável ocasionado pela impossibilidade de se prever fatos e reações totalmente subjetivas, ao contrário do chapabranquismo de vários blogs que pregavam o “alento”, a “loucura” ou uma virada “épica” tida como “certa”, prefiro ser realista e sincero desejoso da surpresa do que ser enganosamente otimista ou pessimista. Há uma semana atrás, eu disse que o mais provável seria nem Grêmio e nem Inter conseguirem os seus respectivos objetivos. Contudo, eu esperava que não perdessem e que não jogassem mal. Enfim: me sinto desconfortável se tiver que dizer que o gato morreu ou que ele saltou corajosamente para um galho a 4m de distância do telhado. Tem gente que prefere dizer que o gato está na relva e que aquilo que está no telhado é um ectoplasma, mas eu não sou assim.
Isso não é por água no chope de ninguém. E não pensem que eu não fiquei chateado. Ontem, cheguei ao Olímpico vacinado, o que é diferente. Eu apenas estava ciente das seriíssimas limitações do Grêmio. Isso não é motivo pra ninguém achar que eu sou mais ou menos gremista do que quem procurava se iludir.
Há muito o que reclamar no Grêmio. Muita coisa precisa melhorar. O “alento” em excesso torna os jogadores, a comissão técnica e a direção tranquilos, achando que seu trabalho é da maior importância e da melhor qualidade existentes no mercado. Enquanto isso, o torcedor menos crítico vai limpando as suas necessidades com folha de mamoneiro pagando o triplo do valor de um rolo de papel ultramacio, perfumado e picotado.
25% da gestão Duda Kroeff já se passou. O saldo dentro de campo é de uma incompetência que, na última década, só foi superada pelo último ano da gestão Guerreiro e pela gestão Obino. Enquanto isso, há outros mais modestos, de torcida menor, de tradição bem menos contundente e com cofres bem mais raspados do que os nossos fazendo mais com menos.
Cavalos paraguaios ou não, tanto o Atlético-MG de CELSO ROTH (um técnico usualmente defenestrado pela imprensa golpista e pela ala mais passional da torcida) e o Vitória de Paulo César Carpegiani (tido como ultrapassado) estão anos-luz à nossa frente.
Quanta bobagem, na cancha tem que apoiar incondicionalmente SIM!!!
A hora do protesto é depois!!! E tem que ter protesto SIM!!!
Só quero ver quantos vão apoiar o protesto da Geral agora, que foi completamente distorcido pela mídia dizendo que é por causa do dinheiro. Vai la no Bar Preliminar anes de um jogo e conversa com a galera da Geral e eles vão te falar porque o protesto. A única coisa que querem é acabar com a ditadura da BM que desde que trocou a direção anda proibindo o material da torcida sem motivo algum (só no Olímpico diga-se de passagem).
E ninguem fala mais do Projeto Arena?
Blah,
É muito fácil falar que é bobagem ou que é lindo o que alguém fala se escondendo atrás de um apelido. Todos os assuntos nos quais acreditamos ou não precisam ser discutidos com respeito e deve-se ser responsável pelo que se diz.
Concordo contigo na questão mídia. Porém, não é por causa da direção atual que a Brigada impõe castigos à Geral. O verdadeiro motivo é outro e remonta à relação entre a gestão Odone ligada ao poder político (que, consequentemente, manda na Brigada), pois a gestão Duda não manda na Brigada.
As verdadeiras perguntas que deveriam ser feitas pelos conselheiros, associados, mídia honesta, Geral e poder público são as seguintes:
- Quais protagonistas da Geral recebiam ingressos, sala no estádio, ônibus p/viagens em troca de que e para quem?
- Qual o poder de uma maioria de torcedores pacífica e desvinculada de qualquer relação política com qualquer ala de dirigentes do Grêmio de denunciar esses fatos se, por serem integrantes da Geral, só eles podem tomar essa atitude?
Quem não é de dentro da direção nem da torcida não possui informações nem coragem suficientes porque o vespeiro é vitaminado. E quem o é, sente-se acuado.
O Grêmio é um clube muito pobre. De verdade. Levaremos décadas para nos reerguer. Mas as torcidas deveriam exigir "QUEREMOS TIME" de maneira pacífica porém firme no portão 3. Sem violência, sem agressividade, sem palavrões, sem hostilizar jogadores nem dirigentes.
[]'s,
Hélio
Hélio!
A hipótese do apoio incondicional como fator de acomodação da direção acho, modestamente, um tanto frágil. Como existem as eleições diretas, e os acordos no conselho serão difíceis daqui para frente, todas as direções serão julgadas. Conforme os pressupostos da Ciência Política americana o bom governo é reeleito e o mau governo é punido. O Obino, o Guerreiro, o Bandeira, o Cacalo, só para citar os piores governantes que o Imortal teve, jamais, afirmo com convicção, ganharão uma eleição no voto direto, pois foram maus gestores e seriam punidos.
A atual direção sabe disso e tremeu quando, após o Grenal do Beira-Rio, a torcida gritou o nome do deputado. É uma gestão ruim? Sim. Vai Piorar? Não sei, não sou vidente. É igual ao Obino? Não. Aquela naba estava sozinho, com um grupo de jogadores em debandada, salários atrasados, um caos financeiro, etc. etc. O Duda está ladeado por bom um conjunto de gremistas de qualidade, Mauro Kinijnik, Marcos Hermann, o Preis, entre outros. Foi em função deles que votei no Duda. Esses caras, eu imagino, vão sustentar a peteca, mas espero não estar errado.
O grande erro foi fazer uma aposta na Libertadores como na gestão do Odone. Como naquele e neste momento, era muito claro que não tínhamos bala na agulha para ganhar. Quem viveu as duas outras conquistas sabe o desnível de grupo entre aqueles e estes. Fui quinta com coração preparado, apenas para um vitória com honra, e corremos sério risco de sair humilhados.
O poder dado ao Krieger foi outro grande erro. Felizmente parece que foi embora, que Deus o tenho e ganhe muita grana em seus escritório de advogacia.
A grande aposta deve ser o nacional, como é na Europa, os clube de lá querem é ser campeões em seus Países. É isso que importa. Aqui temos uma inversão e fica uma maluquice, pois queremos ganhar uma coisa fundada numa ilusão. Então surge a terra arrasada como agora. Só vamos ganhar uma Libertadores se tivermos jogadores melhores, ou igual, do que foi De Leon, Renato, Tita, Arce, Goiano, Dinho, Jardel, só para citar alguns e haviam outros.
Não temos projeto de time. Não temos aquela proporção que foi um modelo: um terço de veteranos rodados, um terço de pratas da casa e um terço jovens promessas.
Vamos torcer para que a casa não caia.
Victorino,
Hoje, não deu. Mas na manhã de sábado, postarei sobre a violência da direção e da Brigada Militar durante o jogo.
[]'s,
Hélio
E X C E L E N T E, tudo que eu penso e não talento para por na tela
Na mosca, como sempre. O amadorismo é demais . Ontem tive de pular a catraca de acesso, no portão 2. Tenho cadeira faz mais de dez anos, e antes fui sócio patrimonial desde 80 e poucos, e nunca vi uma bagunça tão grande. Não contente, o Duda enfia goela abaixo o tal de Meira, que quase nos levou para a segunda divisão.