Tenho acompanhado atentamente a questão da Arena desde o meu post reproduzido pelo Hiltor Mombach no Correio do Povo, onde parte de seu conteúdo fora utilizada inclusive como pauta para um debate na Rádio Band AM às vésperas da eleição para o CD de 2006. Procuro participar tanto quanto minhas condições de não-conselheiro, de não-advogado, de não-economista possam permitir.
No entanto, mesmo apesar das minhas limitações de tempo, espaço e também profissionais, arrisco dizer que ainda não fui convencido de que minha posição contrária ao modelo de negócio proposto deva ser revista.
Não tenho motivos nem provas pessoais nem morais conta nenhuma pessoa física em particular. Contudo, há relações fraternas, profissionais e político-partidárias entre ex-dirigentes tricolores com pessoas que lesaram o erário e fraudaram empresas cujas implicações foram devidamente comprovadas pelo Judiciário – vide Máfia do Detran. A revista Caros Amigos já publicou um dossiê bastante extenso e inquestionável a respeito das atividades ilícitas da empreiteira OAS, conhecida na Bahia por “Obrigado, Amigo Sogro!” Portanto, ainda creio fortemente no ditado “Dize-me com quem andas que te direi quem és”.
Leio o site do Movimento Grêmio Novo e mantenho boas relações com seus integrantes. Também leio o blog Grêmio Arena. Li a sabatina do Correio do Povo sobre o presidente da Grêmio Empreendimentos S.A. Adalberto Preis. Ouvi de conselheiros do Movimento Grêmio Acima de Tudo que, em reunião recente, Absolutamente ninguém conseguiu ainda me dar segurança acerca dos direitos e deveres do Grêmio FBPA, dos parceiros, da empreiteira, dos empreendedores e dos associados, que parecem ser a parte mais fraca.
Lembro que os países da Europa Oriental (em especial a Ucrânia) que estão construindo novos estádios suntuosos estão mergulhados em petróleo, assim como o Catar e os Emirados Árabes. A Coréia do Sul e o Japão possuem populações relativamente pequenas se comparadas ao Brasil com um índice educacional, alimentar e de infraestrutura absurdamente superiores aos nossos. Os Estados Unidos, a Alemanha e a Itália construíram poucos estádios e reformaram a grande maioria que acolheu as últimas edições da Copa do Mundo.
E – pasmem – as grandes Inglaterra e Espanha, donas dos maiores montantes em contratações de atletas, verbas de televisão e faturamento com merchandising em todo o planeta, não estão conseguindo captar recursos suficientes para construir novos estádios do zero. O Emirates, do Arsenal, já tem três anos e é a exceção, assim como Wembley, que é de 2007 e é um investimento que não precisou nascer do zero para uma Copa do Mundo nem para uma Olimpíada.
O São Paulo e o Internacional estão com imensas dificuldades para poderem bancar as reformas no Morumbi e no Beira-Rio, respectivamente.
Suponhamos que o Grêmio realmente precise de um estádio zerado. Suponhamos também que este não precisasse necessariamente ser construído no mesmo terreno do Olímpico Monumental. Suponhamos que, em função de a estrutura do Olímpico Monumental estar deteriorada em função da incompetência de TODAS as gestões do Patrimônio na sua manutenção; e que as reformas fundamentais ao aumento da segurança e do conforto do associado exigissem muito mais do que meras mudanças cosméticas:
- Por que as obras de infraestrutura defasadas há mais de duas décadas só seriam efetivamente realizadas em Porto Alegre caso a cidade fosse confirmada como uma das sedes da Copa do Mundo?
- Por que construir um estádio em uma região que, apesar de estar bem abastecida por estradas presentes e futuras e pelo metrô, encontra-se sobre uma área pantanosa às margens de um rio morto, sem oxigênio, sem peixes e sem fauna e flora preservadas?
- O custo para estabilizar uma construção desse porte com milhares de caminhões de areia e com a gigantesca fundação sobre um solo absolutamente instável não seria estupidamente mais alto do que construi a Arena em QUALQUER outra região da cidade onde predomina solo granítico?
- Será que a barateza desse terreno e as dificuldades dessa obra compensariam realmente algumas poucas desapropriações na mesma quadra onde hoje encontra-se o Olímpico?
- Será que o custo de alugar o Beira-Rio para alguns jogos maiores ou de fechar hermeticamente os módulos de arquibancada ainda em construção seriam tão altos assim?
- Será que a futura permuta da valorizadíssima área da Azenha altamente cobiçada pela predatória indústria da construção civil e por um poder público de nádegas flácidas para a obediência do Plano Diretor não está relacionada às pesadas dívidas do clube em função da execução de credores do Grêmio na Justiça? Se for esse o caso, não seria muito mais honesto e transparente revelar aos associados a verdade? Trocando em miúdos: sair da Azenha e ir para o Humaitá por acaso não significaria algo como “ou sai, ou morre”?
Nesses termos, discordo de dois respeitáveis, e experientes conselheiros (Antônio Carlos Azambuja e Carlos Josias que, em uma série de questões, discordam bastante entre si), que manifestaram-se a favor do empreendimento assim como foi proposto em termos jurídicos como de realização “inexorável”: enquanto todas as dúvidas não forem devidamente esclarecidas e as vantagens oferecidas forem baseadas em um discurso meramente publicitário, milhares de associados seguirão temendo pelo pior.
Queremos muito que tudo dê certo. Serei um dos primeiros a suspirar de alívio e a apreciar a nova casa tricolor. No entanto, nenhuma movimentação política do Conselho foi feita. O dr. Hélio Dourado ficou quase sozinho dentre um grupo de mais de 300 homens e perdeu-se o conselheiro Marco Souza.
No mais, política não é consenso e, sim, dissenso:
- Se todos pensam igual, alguma coisa está muito errada;
- Se muitos se forçam a deixar de votar segundo suas próprias convicções só para não serem malquistos pela maioria de seus pares, alguma coisa está muito errada;
- Se ninguém concorda (ou se todos discordam), alguma coisa está muito errada.
Aonde quero chegar? Bem… Muitos integrantes do chamado G6 revelam, informalmente, que possuem convicções contrárias não à construção de um novo estádio, não a esse novo estádio ser localizado no bairro A ao invés do B, nem tampouco ao montante do investimento mas, sim, A ESTE MODELO DE NEGÓCIO EM ESPECIAL AO QUAL TAMBÉM ME OPONHO.
Todavia, muito provavelmente para não perderem o cliente da sua construtora, do seu escritório de advocacia ou o seu parceiro político-partidário, calaram-se, consentiram e não propuseram nenhuma alternativa melhor, formalizada de maneira técnica com esmero jurídico.
Tudo isso porque a falsa democracia representativa deste modelo eleitoral gremista perpetua o poder nas mãos dos mesmos de sempre.
Un super blog….
No pensaba que se podia hacer algo asi con wordpress….
Roberto,
Concordo contigo. O problema é que tudo o que deveria ter sido assinado entre as partes sem possibilidade de reversão sem uma pesada multa já foi feito.
Inclusive postei várias vezes sobre uma série de fatos e escândalos envolvendo a OAS mundo afora há bastante tempo atrás. Como foi impossível fazer com que outro modelo de negócio e outro parceiro emplacassem o projeto em termos mais favoráveis ao clube, só nos resta fiscalizar, ajudar e torcer.
Se quiseres ler o que eu pesquisei sobre a OAS naquela ocasião, eis o link: http://heliopaz.com/2009/08/03/gremio-arena-oas-copa-porto-alegre-plano-diretor/
Muitos profissionais da área consideram impossível obter dinheiro, mão-de-obra, descontos, redução de impostos, empréstimos e lobby junto ao empresariado e às três esferas do poder Público se não tratar com empresas que já tenham cometido uma série de delitos anteriormente mas que possuam ampla experiência nesse tipo de articulação política e econômica. Outros acrescentam que não se pode ligar um processo ou um escândalo ou algum problema técnico por parte de alguém dessa mesma empresa em algum outro lugar do país ou do mundo porque seria misturar alhos com bugalhos ou, então, acusar sem provas.
O mundo vive da dívida. O mundo vive da falcatrua. Mesmo assim, ser honesto ainda compensa – pelo menos eu quero MUITO crer nisso.
[]‘s,
Hélio
acho um suicidio ao gremio se meter com a oas,sabida que é uma empresa fajuta e que quer explorar a boa fé dos gremistas.Contrato que as partes não são iguais (3 x 2) a parte menor sempre perderá.Entreg