GRÊMIO x CRUZEIRO: VIOLÊNCIA DA POLÍCIA NO OLÍMPICO (2)

quinta-feira, 2 de julho de 2009 23:00:44, upload feito originalmente por heliop@z®.

A desculpa, seja da Direção, seja da Brigada (acredito que seja dos dois, pois o que mais se viu no episódio foi um jogo de empurra, arrogância e falta de autoridade), foi a de que haviam quebrado “todo” o Quadro Social e “toda” a Gremiomania. MENTIRA: foram ALGUNS vidros e a atitude lamentável partiu de ALGUNS gremistas inconsequentes.

Sob hipótese alguma, o justo deve pagar pelo pecador. Nenhum tipo de incidente justifica a agressão de policiais despreparados técnica e psicologicamente. Homens medrosos sob uma farda e com as costas quentes por detrás de uma instituição sesquicentenária, se sofreram abuso ou carência na infância e se tudo o que veem lhes tira a sensibilidade não podem mais pertencer à corporação. Pra mim, são tão bandidos quanto os mortos de fome a quem costumam prender. Diria mais: uma polícia aloprada é muito mais perigosa para a sociedade do que delinquentes.

GRÊMIO x CRUZEIRO: VIOLÊNCIA DA POLÍCIA NO OLÍMPICO (1)

 

quinta-feira, 2 de julho de 2009 23:06:19, upload feito originalmente por heliop@z®.

A foto saiu fora de foco por dois motivos. Primeiro, o menos importante: a sensibilidade da câmera do celular Sony Ericsson W380 é muito fraca na captura de objetos no escuro e também em movimento.

O segundo motivo é o mais grave: minha Lu, que chegou atrasada a Grêmio 2×2 Cruzeiro na última quinta-feira no Estádio Olímpico Monumental em Porto Alegre em função da aula, quase não pode entrar para assistir ao 2º tempo.

Enquanto isso, assustada e tremendo, ela registrou algumas imagens bizarras.

Fui adolescente na década de 1980 e quase apanhei da FICO na saída do Grenal decisivo do Gauchão de 1988 na Av. Princesa Isabel pouco antes da esquina com a Rua Santana. No penúltimo Grenal do Gauchão de 1991, quase apanhei na saída do Beira-Rio. Ambas as vezes saindo em silêncio, apesar de duas vitórias tricolores, pois havia muitos colorados ao redor.

Foram momentos de horror: como frequentador assíduo do Estádio Olímpico Monumental desde 1979, ainda não havia visto tamanho descaso de uma diretoria do Grêmio contra o seu próprio associado ao aceitar passivamente (e, diga-se de passagem, com a sua própria conivência) a humilhação do maior patrimônio do clube (isto é, do seu próprio corpo associativo).

Digam o poder coercitivo da polícia e o poder econômico que sustenta a mídia corporativa o que disserem, apesar da banalização da violência e da intempestividade da juventude atual, quase sempre volto de ônibus do estádio e vou a todos os jogos. Briga e quebra-quebra, felizmente, são fatos isolados. Sou testemunha de que tanto os motoristas como os cobradores e fiscais da Carris sob um apoio RACIONAL da Brigada Militar tem apresentado um bom preparo: tanto é que as depredações e as batucadas nas portas dos veículos praticamente terminaram.

De cerca de seis anos atrás para trás, presenciei muitos Grenais nos quais colorados e gremistas se cruzavam dentro do pátio do Olímpico praticamente sem agressões. Quando ocorria algum incidente, seus protagonistas eram imobilizados e presos com rapidez e sem estardalhaço, preservando a sensação de segurança dos demais espectadores.

Isso posto, tanto a ordem quanto o método de repressão utilizados contra uma maioria de associados patrimoniais, proprietários e torcedores e de locatários de cadeiras em dia com o clube não se justificam sob hipótese alguma.

Seguirei o tema no próximo post.

GRÊMIO: APOIO INCONDICIONAL DEIXA O FUTEBOL ACOMODADO

O post de hoje é muito sério. Escrevo em um tom grave, porém, de maneira alguma, alarmista ou inquisidor. Acredito que chegou a hora de pensar um pouco na forma de torcer, de acompanhar e de se importar com o Grêmio. Acima de qualquer ideologia, religião, atração física ou desgosto profundo e inexorável em função de uma sucessão de ocorrências totalmente contrárias aos nossos valores, me parece que a instância mais incondicional de amor e de devoção ora corrente no Brasil seja o futebol.

Se não fosse pelo futebol, nenhum interagente interessado pelo tema que lê este blog saberia que eu existo. Tal constatação é o suficiente para que, concordando ou não com as minhas posições, tenhamos uma preferência em comum.

Muito me incomoda as tentativas ou ingênuas ou hipócritas de se buscar um consenso. Não existe nem uma maneira correta ou ideal de torcer, nem de jogar futebol ou de dirigir um clube. Porém, as pessoas são todas diferentes. Até mesmo nos pontos em que concordam, cada uma apresenta diversas contradições  referentes à forma com que irão agir.

Por isso, não é “feio” nem “errado” criticar. Não é incoerente nem contraditório expor os problemas daquilo em que se acredita ou as virtudes daquilo em que não se acredita. Fazendo bom uso do nosso privilegiadíssimo e ímpar cérebro, a crítica pode construir – e muito.  Ao contrário do que muitos pensam, a intriga, a inveja, a polêmica, a manobra diversionista buscando retomar o poder e a ignorância não fazem parte da contrariedade sadia e podem estar camufladas até mesmo na mais  cordial das “unanimidades”.

De maneira simplista, muitos dizem que é fácil falar de fora. Ou, de maneira arrogante e ignorante, outros, em um arroubo de autoafirmação, tentam destituir a crítica afirmando “quem és tu pra dizer isso se eu sou conselheiro há 40 anos e tu és um reles associado?”

Isso posto, cada um dos 50 e poucos mil associados e dos mais de seis milhões de gremistas podem E DEVEM discutir a sua relação com o clube. Afinal de contas, o amor é turbulento e dramático; é confiante e desconfiado; é fogoso e distante ao mesmo tempo. Porém, quando apenas um dos lados de qualquer uma dessas dicotomias prevalece sobre o outro, é sinal de que algo vai mal. Então, chegou a hora de eu por os meus pratos sobre a mesa. E seria extremamente salutar se todos os gremistas fizessem o mesmo.

O fato de eu racionalizar demais e de me intrometer em questões referentes ao clube as quais, na prática, não posso sequer ser chamado de coadjuvante não significa que eu pretenda esvaziar o tão necessário espírito de irmandade, de colaboração, de paixão e de sacrifício inerentes à qualidade de torcedores do Grêmio. Afinal de contas, o apoio, a crença, a tenacidade, a curiosidade e a esperança tornam as pessoas mais alegres e, consequentemente, mais produtivas e mais criativas em todos os aspectos de suas vidas. Se não fosse por isso, o Grêmio não passaria de um dentre tantos simpáticos grupos de amigos que jogam bola e fazem churrasco no areião do carismático Parque Ararigboia entre os bairros Petrópolis e Jardim Botânico em Porto Alegre.

Antigamente, muitos reclamavam do excesso de cornetagem e da falta de vibração da maioria dos poucos associados que contribuíam com o clube. Hoje, muitos desses pioneiros já morreram. No Grêmio do século 21, a torcida rejuveneceu. A atual geração, criada de uma maneira mais liberal e menos engajada, é mais lúdica, mais tribalista e menos ligada a dogmas. Por isso, agarra-se a algo que norteia as suas crenças. Em função de uma série de necessidades, desejos, carências e objetivos, determina um valor intangível a um elemento abstrato de coesão massiva. Porém, esse elemento abstrato precisa ter um escape palpável e visível para não poder ser confundido com uma religião qualquer, apesar de uma relação metafórica muito forte existente entre os atos de orar e torcer.

O conceito da “imortalidade” inexiste na natureza animal e vegetal e também na ciência tal qual a conhecemos. Ele é parte da necessidade que muitos (nem todos, que fique bem claro) tem de correr atrás de um argumento complexo que explique o inexplicável ou que justifique o injustificável. Ele está em nosso hino e é muito gostoso de se utilizar quando ocorre alguma conquista ou alguma reviravolta de proporções acima da média a nosso favor. É provocador, é irônico, é cômico e pode até intimidar.

A imortalidade faz parte da loucura da qual tantos geraldinos afirmam viver. Contudo, além dessa comovente e emocionante característica social comum a grande parte dos adolescentes e dos jovens adultos deste início de século 21, a crença na imortalidade tricolor também possui um lado sombrio, que mascara, que tergiversa, que funciona como uma manobra diversionista para desviar a atenção dos verdadeiros problemas enfrentados pelo clube.

Quanto mais a direção do clube aposta na imortalidade, menos ela investe no futebol, que é o objetivo-fim do Grêmio. Quanto mais o clube e seus fornecedores faturam na venda de produtos licenciados, mais comercial e menos humana vai ficando essa relação. O torcedor, associado ou não, vai acumulando belíssimas histórias da sua relação com o clube. Eu, mesmo, poderia escrever uma enciclopédia de 10 volumes só com o que eu já vivenciei dentro e fora do Olímpico junto a amigos e parentes em função do nosso tricolor.

Porém, a cada dia que passa, até mesmo o próprio associado é encarado como apenas um consumidor. Quando o clube vira um produto, o seu cliente pode simplesmente deixar de considerar a sua compra algo corriqueiro como ir à padaria diariamente e passar a questionar, a exigir especificações, a desconfiar do vendedor, a denunciar a má qualidade do produto e a não recomendá-lo para mais ninguém.

Como já cansei de dizer, tenho 36 anos, meu avô nasceu em 1903, meu pai foi associado durante mais de 30 anos, tenho irmão e sobrinhos gremistas e convenci minha esposa, colorada de família, a amar e a sofrer com o Grêmio e comigo. Hoje, ela nem simpatiza mais com o tradicional adversário.

Por não crer em imortalidade e por ser um cientista social, embora tenha esperança em ser enganado pelo imponderável ocasionado pela impossibilidade de se prever fatos e reações totalmente subjetivas, ao contrário do chapabranquismo de vários blogs que pregavam o “alento”, a “loucura” ou uma virada “épica” tida como “certa”, prefiro ser realista e sincero desejoso da surpresa do que ser enganosamente otimista ou pessimista. Há uma semana atrás, eu disse que o mais provável seria nem Grêmio e nem Inter conseguirem os seus respectivos objetivos. Contudo, eu esperava que não perdessem e que não jogassem mal. Enfim: me sinto desconfortável se tiver que dizer que o gato morreu ou que ele saltou corajosamente para um galho a 4m de distância do telhado. Tem gente que prefere dizer que o gato está na relva e que aquilo que está no telhado é um ectoplasma, mas eu não sou assim.

Isso não é por água no chope de ninguém. E não pensem que eu não fiquei chateado. Ontem, cheguei ao Olímpico vacinado, o que é diferente. Eu apenas estava ciente das seriíssimas limitações do Grêmio. Isso não é motivo pra ninguém achar que eu sou mais ou menos gremista do que quem procurava se iludir.

Há muito o que reclamar no Grêmio. Muita coisa precisa melhorar. O “alento” em excesso torna os jogadores, a comissão técnica e a direção tranquilos, achando que seu trabalho é da maior importância e da melhor qualidade existentes no mercado. Enquanto isso, o torcedor menos crítico vai limpando as suas necessidades com folha de mamoneiro pagando o triplo do valor de um rolo de papel ultramacio, perfumado e picotado.

25% da gestão Duda Kroeff já se passou. O saldo dentro de campo é de uma incompetência que, na última década, só foi superada pelo último ano da gestão Guerreiro e pela gestão Obino. Enquanto isso, há outros mais modestos, de torcida menor, de tradição bem menos contundente e com cofres bem mais raspados do que os nossos fazendo mais com menos.

Cavalos paraguaios ou não, tanto o Atlético-MG de CELSO ROTH (um técnico usualmente defenestrado pela imprensa golpista e pela ala mais passional da torcida) e o Vitória de Paulo César Carpegiani (tido como ultrapassado) estão anos-luz à nossa frente.

GRÊMIO 2009: PERGUNTAS SOBRE CATEGORIAS DE BASE

Se política é a “arte” do possível, então não seria um bom político, pois penso diferente. Pra mim, a boa política consiste em ter como norte o clelebre ditado de Sir Bernard Shaw: “Você vê as coisas como elas são e pergunta “Por que?”, mas eu sonho com coisas que nunca foram e pergunto: POR QUE NÃO?”

Como associado e como alguém interessado na política do clube, mantenho relações cordiais com quem quer que seja, mas sem jamais fazer média. Por isso, além de não negar a opinião a nenhum integrante de qualquer movimento político de dentro do clube, obviamente posso tanto discordar redondamente daqueles a quem apoiei como também posso concordar com pessoas ligadas a próceres dos quais discordo frequentemente.

Pois é exatamente em momentos de crise como o atual que mais se deve ouvir opiniões de fora do Conselho. A crise, todos sabem, não é apenas técnica nem de relacionamento. Não é da torcida e não tem como principais responsáveis o Duda, o Odone, os “velhos”, os “noviços”, a imprensa ou os paulistas: a crise é de todos – inclusive da falta de senso crítico resultante do alento pelo alento, da crença na imortalidade, do consumismo pelo consumismo e da acomodação da maior parte dos setores do clube em função desse apoio incondicional e acrítico.

Nós torcemos e nos preocupamos com a prosperidade de uma instituição tão apaixonante quanto complexa. Por isso, tudo o que vem do mundo para o Grêmio e sai do Grêmio para o mundo repercute em escala planetária. Sem meias palavras, a oscilante cultura administrativa feudal é a maior responsável pelas ISLs, pelos Obinos, pela transformação de Fábio Koff e de Cacalo em eminências pardas e pela cooptação informal de novos movimentos a partir de uma relação de suserania e vassalagem como se o surgimento de novos valores fosse uma mera concessão do senado romano.

Vendo de fora sem me deixar influenciar pelo interesse puramente comercial de jornalistas que pensam que nosso ouvido é penico e que o que escrevem serve para algo mais nobre do que embrulhar peixe no mercado, procuro participar de algumas incursões informais junto ao que se passa nos bastidores do clube. Não me interessa denunciar, concordar nem discordar de pessoas pura e simplesmente a partir de informações como, por exemplo, quem é dono do que, quem é filho de quem ou quem é vassalo e quem é suserano. Em termos de articulação política, de expectativa em relação à atuação de A ou B em determinado cargo e por mera curiosidade, isso é interessante. Porém, JAMAIS sairá deste blog algo que atente contra a honra de alguém. Não vejo valor nenhum em fazer fofoca nem em criar amizades ou inimizades com base em critérios estamentais.

Como diria o Arnaldo, a regra é clara: basta revelar seu nome verdadeiro, oferecer depoimentos não-fantasiosos e não-depreciativos que, ao entrar em contato comigo, terá sua opinião publicada neste blog. Nada me fará ignorar, desmerecer ou distorcer a opinião de quem quer que seja. Quem achar que a informação de alguma fonte deste blog estiver equivocada, por favor, que envie a sua versão dos fatos.

Desdta vez, o conselheiro Jeferson Thomas do Movimento Grêmio Novo comentou no post em que defendo a solvência financeira da gestão Duda mas critico a conduta do futebol o seguinte:

“Helio, me perdoa, mas teu texto parte de uma premissa equivocada: a da solvência financeira. Um dos requisitos básicos que a gestão Odone tinha estipulado era limites orçamentários para despesas com futebol (na questão, a folha de pagamento não podia ultrapassar a arrecadação da cota da TV).

Na atual gestão, esse valor foi desrespeitado desde janeiro. Atualmente, é desrespeitado em R$ 1,8 milhão. Não há como tornar um clube superavitário desrespeitando regras orçamentárias ou ignorando o controle do fluxo de caixa. O Irany – com sua visão de auditor do Banco Central – deve estar maluco com o descaso de pagar a todo custo.

Quanto a empresários na base, apenas mudaram os empresários. Temos conselheiros (?!) e filhos de próceres do clube empresários e/ou ligados a empresários FIFA atuando na base e com portas abertas no clube (é só pesquisar no site da FIFA sobre isso). Te digo, por ter visto muita coisa na gestão passada (que inequivocamente possuía graves vicissitudes, há que se reconhecer isso), que o quadro atual é muito pior. E isso não é apenas uma visão de oposicionista (que tu sabes que sou), mas sim de alguém preocupado com a continuidade do clube.

Grande abraço.”

Embora não goste do modelo de negócio da Arena e não tenha visto com bons olhos a participação na gestão Odone, não posso, de maneira alguma, negar o trabalho do MGN. O Quadro Social estava melhor na gestão Odone. O trabalho do Sérgio Bombassaro, do Ronei Krolow e do Jorginho foi excelente. E acho que essa foi uma contribuição coletiva bastante significativa naquele momento de penúria e de rejunte dos cacos.

Independentemente da juventude e do pouco tempo de conselho, afirmo que o Jeferson é um cara extremamente agradável de se tratar, assim como o Jorge Bastos. Sei também que ele é um profissional muito respeitado na sua área e que, independentemente das panelinhas de dentro do CD tricolor, ele tem uma participação interessante. Digo isso também do Carlos Josias e do Cacaio Azambuja, mesmo que discorde de algumas explosões do primeiro e do excesso de zelo pela proteção dos próceres do segundo.

Enfim… São três pessoas de atitudes e de correntes que pensam o Grêmio de maneiras diferentes, com as quais concordo em alguns pontos e discordo em outros. Da mesma forma, embora pequena demais para o meu gosto, foi legal a renovação de 2006 que trouxe novas cabeças (não necessariamente em idade e não necessariamente desconhecidas). Do contrário, entre odonistas e anti-odonistas, entre obinistas e anti-obinistas, a questão da Arena teria passado em branco.

Por tudo isso, como muito me interessa a questão das categorias de base por eu acreditar que, mais do que qualquer outra fonte de receita, é ela quem dará a partida em times vencedores e que sustentará o clube. Pelo menos enquanto não tivermos 100 mil sócios + pelo menos 20% do montante do que os principais clubes da Espanha, da Itália, da Inglaterra ou da Alemanha recebem pelos direitos de televisionamento.

Então, gostaria muito que alguém da atual gestão pudesse responder às seguintes perguntas:

1) Em que pontos o conselheiro Jeferson Thomas está correto ou não e por que?

2) Existe alguma avaliação da inevitável evasão nas categorias de base em função da livre cooptação de futuros valores por parte desses empresários?

3) Quais as vantagens e desvantagens PARA O CLUBE entre a atuação dos empresários que atuavam em parceria com a gestão Odone e entre os que atuam agora na gestão Duda?

4) Sabemos que o Grêmio não é juridicamente nem uma empresa de capital aberto, nem um órgão público e tampouco uma entidade filantrópica. Porém, em função do elevado número de associados e de consumidores que contribui mensalmente com milhões de reais na receita do clube, isso significa que há um gigantesco apelo midiático acerca dos fatos e da imagem do clube na sociedade. Isso posto, após seis meses de resultados vergonhosos nas categorias de base e da não-entrega de jovens de personalidade e força física suficientemente preparados para trabalhar na categoria profissional, o Departamento de Futebol não teria que tornar público o grande calcanhar de Aquiles desta gestão que é a atuação dos garimpeiros das escolinhas e da administração de Mauro Galvão no lugar de Rodrigo Caetano?

5) Certamente, o processo de intromissão dos agentes de futebol no clube deve ter iniciado bem antes disso, mas uma tentativa extremamente frustrada foi a do balaio de pernas-de-pau trazido pelo filho do então diretor remunerado de péssima lembrança e ex-jogador de agradabilíssimas recordações Mário Sérgio no início da gestão Odone. Sabe-se também que clubes como o Barueri e o Santo André são times de aluguel e que tanto o método de Paulo Pelaipe mostrou-se pouco cortês como o método de André Krieger mostrou-se extremamente ineficiente por este último conhecer muito pouco de futebol. Dados esses fatos e lembrando sempre que a dívida do Grêmio possui um montante assustador, o Grêmio está dando uma de índio fascinado com os espelhinhos e miçangas trazidos pelos portugueses porque desconhece outra solução ou o motivo dessa dependência não pode vir a público?

Minhas perguntas são pesadas. Mas eu não sou nenhum inquisidor e tampouco quero mal a essas pessoas. Me interessa tão-somente conhecer melhor o Grêmio e tentar colaborar. Perguntar não ofende. Porém, se não quiserem responder às questões de um associado, é sinal de que algo não muito bom pode estar acontecendo…

SOBRE ARBITRAGEM EM GERAL

Digam o que disserem, isto é, concordem ou discordem à vontade. Acho perda de tempo discutir arbitragem. Hoje, ela é, em média, bem mais incompetente do que na década de 1980. No Brasil, credito o fato à piora expressiva na escolaridade e à desagregação da família nuclear. De qualquer forma, a arbitragem atual é menos velhaca do que antigamente. Porém, quando suspeita-se de alguma artimanha, essa só permanece no campo da hipótese porque sua prática é muito sofisticada.

De maneira geral, não existe complô ou antipatia permanente contra o Grêmio ou contra quem quer que seja. O que existe é uma profusão de narradores, repórteres, comentaristas e patrocinadores-torcedores do outro lado. Isso é compreensível em função da distribuição populacional, midiática e industrial do país, concentrada no Sudeste.

Posto o retrato acima, a ruindade da arbitragem, no varejo, define que TODOS os times tenham o direito de ser oportunistas tanto ao denunciar erros verdadeiramente cometidos contra si e ao omitirem os erros a seu favor na mesma medida. Isso é estatístico em qualquer liga do planeta.

O despreparo da arbitragem aliado à falta de personalidade de muitos desses amadores resulta ora no localismo, ora na compensação de erros para ambos os lados envolvidos no cotejo. Quando há suspeitas de favorecimento, normalmente elas ocorrem em partidas capitais, não durante o começo ou o rebolo dos torneios. Nesse caso, o procedimento sistematizado muito provavelmente em mandar um árbitro matar os ataques do time que alguém não quer que ganhe com faltas inexistentes e acelerar o jogo do time que pretende-se ser favorecido. Devido aos interesses comerciais multibilionários das confederações e das ligas de ponta (principalmente aos da parcela da mídia corporativa que procura monopolizar a compra dos direitos de transmissão e de seus patrocinadores nos mercados de maior audiência), a FIFA, as confederações nacionais e os próprios dirigentes de clubes acham que o erro de arbitragem faz parte do jogo. Não, não faz: o que faz parte do jogo são os erros técnicos e táticos pessoais e coletivos.

Analisando friamente, ão foi isso o que definiu nem o Brasileirão 2008, em fvor do São Paulo, nem a ida do Cruzeiro à final da Libertadores em 2010. Por outro lado, lembrando assim, por alto, creio que a arbitragem tenha definido, sim, as finais dos Brasileirões de 1982, 1995 e 2005; as semifinais de 1984, 1988 e 1990; a final da Copa do Brasil de 1992, o Brasileirão de 2005 e uma série de campeonatos estaduais ao longo do tempo. Em nível internacional, o Brasil foi favorecido contra a Espanha nas Copas de 1962 e 1986; a Coréia do Sul contra a Espanha em 2002 e a Itália contra a Austrália em 2006. Todavia, como comprovar intencionalidade pessoal e pecuniária do árbitro e como chegar até quem supostamente o mandou fazer o “trabalho sujo”?

A cultura popular brasileira recente tem por hábito imputar a culpa até prova em contrário. Isso explica as inócuas atitudes de raiva ou até mesmo de violência física e de vandalismo como forma de desabafar ou de tentar mudar o contexto.

De qualquer maneira, apesar do preconceito sobre a figura do trio de arbitragem no futebol masculino, os próprios árbitros não se ajudam ao dar papo para os jogadores; ao provocar ou ao intimidar os atletas e ao evitar deixar o jogo correr. No Brasil, eles possuem o respaldo paternalista, coorporativista e institucional tanto das federações quanto de suas respectivas comissões.

Por que tudo isso acontece? Porque é necessário mudar a política e o modelo econômico do futebol como um todo urgentemente. Só assim é que poderão ocorrer as necessárias alterações nas atribuições da arbitragem. Só assim haverá um padrão técnico de compra, distribuição e manutenção de câmeras e de miniestações digitais de edição por parte das ricas federações em TODOS OS ESTÁDIOS DO MUNDO.

De mais a mais, fico envergonhado de observar que, contra o Governo Yeda, contra o Governo Lula, contra o Judiciário brasileiro e contra o TSE, o contingente de cidadãos indignados, pró-ativos e envolvidos nessa discussão seja muito menor do que o de pessoas preocupadas com a arbitragem no futebol.

Assim como em relação às contradições da democracia representativa na sociedade, a arbitragem de futebol precisa de um novo modelo prático e ético na busca de mais justiça. Perde-se muito tempo reclamando do modelo que está posto quando todos sabem que ele não dá mais conta da dinâmica atual do esporte.

Por isso, salvo se houver algum evento ostensivo e sistemático nitidamente determinado por erros escabrosos de arbitragem, dificilmente irei compactuar com a opinião daqueles que acham que o Grêmio é sempre injustiçado e que o “mal” conspira a favor dos clubes paulistanos e portenhos.