Arquivos Mensais:September 2009
GRÊMIO BOTAFOGUIZADO PERDE PARA GOIÁS
Não vi o jogo, pois recebemos visitas para almoçar e me neguei a pagar R$55,00 pra comprar o PPV. Embora o custo-benefício de pagar R$42,00/mês seja beeem menor do que o valor por jogo, mesmo assim, não estou podendo. Também acho que, para um casal, gastaríamos mais na rua pra assistirmos num bar.
Pelo que percebi, o Grêmio dominou o 1º tempo. Pelo pouco que ouvi, Tcheco, Jonas e Souza jogaram bem para uma partida fora de casa. Bem, mas nada de excepcional – apesar de eu ter assistido ao jogo no GloboEsporte.com e ter achado a jogada magnífica.
Com todo o respeito aos critérios (ou à falta de) dos dirigentes e do técnico Autuori e sobretudo ao profissional Túlio, sempre desaprovei a sua contratação. Infelizmente, trata-se de um atleta que, física e tecnicamente, acrescenta tanto quanto os já demitidos Ruy, Jadílson, Joílson e Makelele, ou seja, uma qualidade inferior à do pior dentre os guris dos juniores. Hoje, diria que, independentemente da necessidade do time, da estratégia do treinador e da sua atuação, considero-o como o pior jogador do plantel do Grêmio.
Prego que nenhum time vai pra frente com jogadores do Botafogo que assumiu quase que de maneira natural uma imagem de covarde, derrotado, mal treinado e sempre cheio de desculpas. Ruy, Joílson e Túlio formavam a espinha dorsal da zaga de um time do qual vingaram apenas três jogadores: o zagueiro André Dias, o meia Jorge Henrique e o atacante Wellington Paulista (mesmo assim, em relação aos dois últimos, tenho dúvida se estão dando certo apenas por terem chegado a times bem montados).
Não se contrata um centromédio de 34 anos lento e baixinho. Quando ouvi no rádio que Tcheco saiu para a entrada de Túlio, não vi apenas um erro de Autuori recuando o time a la Celso Roth mas, sim, a iminência da derrota pela simples entrada desse jogador em campo.
Pode parecer injusto crucificar e estigmatizar alguém. Mas Aquela agressão covarde de Túlio no Maracanã contra o São Paulo em 2007 quando chutou a cabeça de um adversário que estava deitado e fora de campo me trouxe uma péssima impressão acerca desse jogador.
Um Grêmio desbotafoguizado poderia indicar a nossa participação na Libertadores 2010. Já um Grêmio com resquícios do Botafogo coitadista quase determina o nosso adeus à nossa competição predileta no ano que vem.
O que confirma que essa minha hipótese não se trata de uma pegação de pé sobre o jogador? Simples: o fato de que a zaga do Grêmio quase sempre esteve mais vulnerável enquanto ele foi titular, além de, sempre que substituiu Tcheco no 2º tempo, o padrão de jogo do Grêmio sempre piorou. Embora ache que Adílson jogue melhor ao lado de Túlio do que de Rochemback, Rochemback contribui muito mais para o time do que Túlio em função de sua força física e de uma velocidade maior.
Hoje, mais uma vez, o Grêmio perdeu quando perdeu a ofensividade. E a substituição predominante que ocasionou resultados bastante passíveis de reversão nas últimas cinco rodadas fora de casa foi exatamente a de Tcheco por Túlio.
Finalmente, mesmo que as falhas individuais não tenham ocorrido por causa da presença de Túlio em campo, a sua entrada resultou na perda da posse de bola e na rarefação dos contra-ataques antes possíveis com dois homens e não apenas um na armação de jogadas.
A estratégia errada tem sido repetida. E isso nos custou, hoje, tanto o título como a vaga para a Libertadores. Não sou pessimista: apenas analiso a tabela e vejo que temos compromissos terríveis fora de casa.
TRÂNSITO EM PORTO ALEGRE = EUA ANOS 1950′s
A paródia de Walt Disney que transformou o Pateta em uma espécie de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde da modernidade taylorista-fordista infelizmente cabe cada vez mais no trânsito de Porto Alegre deste ano de 2009.
Aos 17 anos, me acidentei de carro como caroneiro e sobrevivi por sorte. Desde então, nunca me interessei pelo carro como um símbolo de independência ou de ascensão social. Como pedestre, sinto que a quantidade de vantagens é muito menor do que a quantidade de desvantagens que se pode ter na condição de motorista.
Essa construção antropológica me aproximou muito de dois grupos de pessoas que admiro bastante: a dos cicloativistas e a dos ativistas pela sustentabilidade do planeta.
Nesse sentido, o uso individual, individualista, consumista e pouco – ou nada – solidário de um meio de transporte motorizado inviabiliza até mesmo o seu uso racional e civilizado. A economia de escala tornou a montagem de um veículo a partir de materiais que destroem o meio ambiente e um modo de vida mais saudável e menos veloz muito barata.
O condicionamento gerado por esse tipo de auto-regulamentação econômica dificulta enormemente qualquer tipo de campanha educativa que procure diminuir o peso do automóvel de uso individual no trânsito. Com isso, tudo o que não é veloz nem “bacana” como um carro é automaticamente excluído e intolerado pela classe média urbana.
Há uma série de vídeos e de blogs que tratam sobre o assunto. Mas eu deixo aqui apenas algumas referências: a dos blogs Pedalante e Apocalipse Motorizado.
DIGA NÃO À PALMADA
Volta e meia, algum tuiteiro me traz algum link muito valioso. Para quem crê nos blogs como ambientes de conversação e de relações transformadoras, um tuíte da minha querida, sensível e inteligente seguidora @jaquelinapacks que, por sua vez, o recebeu de @doni.
As tags deste justificam exatamente a abordagem e os tópicos relacionados ao post do blogueiro Marcos Donizetti sobre a minha concordância sobre a NÃO-validade do uso de palmadas nos filhos como método pedagógico.
Discutindo o assunto mais profundamente, considero que toda relação é – ao mesmo tempo – um jogo e uma negociação: o jogo é o recurso lúdico que procura substituir a necessidade de ter que utilizar argumentos demasiadamente complexos que tomariam muito tempo e demandariam uma bagagem cultural extensa demais para ser devidamente compreendidos.
Toda negociação busca satisfazer demandas manifestas ou implícitas. Quando se depende de terceiros para se chegar a um determinado objetivo, a conversação tende a iniciar-se por uma relação mais assertiva. Caso não haja concordância inicial de ambas as partes, o ambiente vai-se tornando tenso, pois os dois lados fazem força para puxar a corda – cada um para o seu respectivo lado.
Portanto, surge uma disputa: caso os dois lados percebam que cada um precisa ceder um pouco para ambos ganharem, é sinal de que sabe-se que não se pode ter tudo ao mesmo tempo. E que abrir mão de alguns pontos não significa uma derrota. A falta de paciência e de respeito faz com que se procure tentar afirmar posições extremadas por meio da agressão.
Se a agressão é aprendida, é sinal de que houve um exemplo – um mau exemplo, diria eu. Se não há uma reação calma e racional apaziguadora e reparadora, para mim parece claro que não está havendo nenhuma sinalização nem pedagógica, nem de arrependimento.
Logo, o entendimento está fora de questão para quem foi o vetor da agressão: desde que seu poder esteja sendo afirmado pela lamentável atitude que exerceu um sentimento negativo junto ao outro, aquilo que o outro sentiu quando sofreu a agressão torna-se irrelevante.
Se um agressor conseguir “ganhar” com frequência utilizando-se frequentemente desse método, a superioridade do seu poder tende a “naturalizar-se” tanto para ele como para os agredidos que não sentem-se emocionalmente preparados para deixarem de ser subjugados.
Porém, ou um dia os agredidos procuram virar a mesa extravasando uma forma de agressão exponencialmente mais violenta do que todo o somatório do seu sofrimento físico ou moral, ou, então, terceiros que apenas conhecem essa relação conturbada poderão reagir sem violência por não estarem nem na condição de opressores, nem na de oprimidos.
Enfim… A desconstrução simbólica da violência, embora lenta e altamente dependente da ação de indivíduos externos ao conflito sempre ocorre – mais cedo ou mais tarde.
BANANAS CARAMELADAS, RACISMO E SEXISMO
Meu querido amigo Paulo Pinheiro Gomes Jr., natural de Piratini, a primeira capital do RS e professor de Jornalismo da UNISC, tem um ditado fantástico:
GOSTO NÃO SE DISCUTE: APENAS LAMENTA-SE.
Sei que nos corredores de La Bananera, dirigentes e torcedores recitam um patético mantra sempre que desejam incluir o Grêmio no assunto: “clube pequeno”, “time segundino”, “bananas de pijama”, “Gaymio”, “Coligay“, etc. Pior: a prática sexista por parte da direção colorada é, sim, institucionalizada!
Meus conhecimentos de Psicologia e de Biologia podem não ser os mais profundos e nem os mais sofisticados. Os de Sociologia são um pouquinho melhores. Mesmo assim, acho que aprendi alguma coisa. Nunca o suficiente, mas, para efeito deste post, serve.
Quando o amigo recente Carlos Josias desvelou o conceito de “macaco” e de “macacada”, ficou claro que não há mais o predomínio do racismo nessa relação corneteira entre gremistas e fragários. Porém, há na mídia guasca algumas tentativas de criminalização gratuita e oportunista contra o Grêmio. Isso faz com que tenhamos de perder tempo tentando nos defender. No fundo, acho que é isso o que eles querem…
Sendo o apelido e a analogia frutos da ironia e da jocosidade típicas da irreverência, mesmo que eles tenham como intenção valorizar o seu clube do coração e desdenhar de nós, o Pan troglodytes é um antropóide que, além de ser física e emocionalmente muito parecido com o Homo sapiens, caracteriza-se pela imitação – não apenas dos humanos e não só por uma questão de instinto mas, sim, porque é assim que demonstra que aprende a partir da experimentação.
Dado o extremo conservadorismo, a elitização e a origem basicamente teutônica do Grêmio, é possível, sim, admitir-se uma grande dose de racismo durante suas primeiras décadas. Acho que não se pode defender o indefensável e nem tampouco taparmos o sol com a peneira. Todavia, seja por necessidade, seja porque algumas almas progressistas começaram a atuar dentro do clube, esse sentimento foi dissipando-se paulatinamente.
Por outro lado, poder-se-ia dizer também que o fato de os coloridos (vide camiseta acima; colorado é vermelho e branco – se adicionar uma cor qualquer, fica colorido) proferirem cânticos sexistas em função do Grêmio ter tido a torcida Coligay nos últimos anos da década de 1970 e no início da década de 1980 representa o mesmo nível de intolerância, de desrespeito, de discriminação e de distinção baseados não em aquisições e em qualidades obtidas mas, sim, unicamente pela aparência física e pela escolha daquilo que cada um quer fazer consigo mesmo.
Nos meus tempos de adolescente, quando me encantava com as canções bagaceiras das torcidas organizadas de então, uma coisa me marcava nos clássicos. A torcida deles cantava em coro algo muito feio:
“GREMISTA NEGÃO SÓ PODE SER PUTÃO!”
Vejam bem: de maneira velada, o senso comum da maioria dos colorados procurava segregar e legitimar duas aberrações.
A primeira delas: a de que negro só pode ser colorado porque o Grêmio “é” racista.
A segunda: a de que homossexuais “só podem” ser gremistas porque as manifestações de gêneros não-hetero supostamente não ocorriam de maneira explícita.
Se partirmos para uma análise mais fria dessas premissas, em pleno final do século XX e início do século XXI, tais sentimentos hoje felizmente ilegais e socialmente condenáveis são praticados escancaradamente muito mais pelos colorados do que pelos gremistas.
Portanto, se alguém quiser criminalizar ou tão-somente categorizar a palavra “macacada” proferida por um gremista como racismo ou como tentativa de considerar os colorados como uma “espécie inferior”, creio que a maldade, a ignorância e a estupidez estão nos olhos e na voz de quem interpreta essa questão de maneira mesquinha e oportunista. Eu, particularmente, não vejo assim. Todavia, não se pode negar que, dependendo de QUEM e COMO se refira a essa questão, pode, sim, representar manifestações isoladas e sinceras de racismo por parte de alguns gremistas.
Da mesma forma, é impossível não haver nenhum LGBT em família alguma. Afinal de contas, estima-se em pelo menos 10% a quantidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no planeta. Quando se fala em “veadagem” nos lados do Beira-Rio, parece que a insistência nesse tópico diz respeito a uma projeção a partir da negação: “Aqui também tem, mas ninguém pode ficar sabendo. Então, vamos insistir em falar sobre os que tem no lado de lá. Assim, ninguém vai discutir os que temos no nosso lado.” Veja aqui como todos tem o telhado de vidro (rolem a página até “Não é só o Grêmio, o Colorado e outros times também têm suas torcidas-gay! Mas, e daí?”) – aliás, isso não é e nem deveria ser visto como um “problema”…
Em termos explícitos e práticos, a intolerância institucional por debaixo dos panos dentro do Grêmio encerrou-se há algo entre nove e seis décadas atrás. Já por parte dos colorados, houve uma lamentável compensação que ainda persiste e que iniciou-se justamente quando eles não precisavam de NENHUM subterfúgio de autoafirmação, isto é, a partir da década de 1970, quando eles tinham um estádio novo e grande e quando conquistaram três títulos nacionais de maneira acachapante.
Enquanto isso, vejo mais negros nas sociais do Olímpico do que meus amigos veem nas sociais do Beira-Rio. Enquanto isso, o Grêmio já pôs talvez a maior proporção de mulheres por homem dentro do seu estádio em um jogo oficial de futebol no último Dia das Mães. Meu amigo Guga Türck deve estar certo quando diz que isso deve ser inédito em nível MUNDIAL (fato esse que foi lamentavelmente ignorado pelo nosso marketing).
Enfim… Termino este post sinceramente triste pelo fato de que o outrora clube de “elite”, de “gente metida”, de “alemães racistas”, “que passa de pai para filho há 106 anos”, está hoje infelizmente empobrecido financeiramente em função de péssimas gestões recentes.
Termino este post francamente inconformado em função do senso comum adversário negar que também possui uma origem germânica e que tornou-se tão hipócrita e arrogante a ponto de não admitir suas próprias contradições. Afinal de contas, a formação sociocultural de AMBOS os clubes é extremamente parecida.
