DESBOTAFOGUIZAÇÃO QUALIFICA GRÊMIO

Estava louco pra dar um título de curso da ADVB a um post sobre futebol. Ei-lo! :)

Num passado não muito distante, achei importante trazer um pouco da mistura de gestão com política a fim de incrementar a discussão sobre a cultura do Grêmio e sobre como essa cultura faz oscilarmos entre ciclos de competência e de incompetência administrativa.

Recentemente, considerei importante citar en passant as limitações inerentes ao Grêmio e fazer uma brevíssima comparação da gestão do futebol a partir dos técnicos – que são as figuras que mais aparecem na mídia durante esse processo. De qualquer forma, nunca invalidei o trabalho de Roth.

Depois, contextualizei nacionalmente as escolhas entre o que sobra da base e entre a reba repatriada – uma condição imposta pelo poder hegemônico relacionada às escolhas que os gestores devem fazer para remontar o plantel temporada após temporada.

Em outro post antigo, tratei da percepção inicial de uma política que considero exemplar: a de um projeto de clube que independa de ideologia e de partido. Analisei também a importância da insistência com Autuori antes mesmo dele chegar.

Nos momentos de desalento continuado em função do triste somatório de péssimos resultados do Grêmio como visitante, as falhas eram muito mais explícitas do que as virtudes – que, diga-se de passagem, ainda são tênues, porém notáveis. Sem preconceito nem simplismo, me apoiei em um argumento aparentemente superficial que, de certa forma, é sustentável pelo crescimento do time no Brasileirão à medida que  começamos a nos livrar do que chamo de “botafoguização“.

Quando o resultado de um trabalho não é percebido pelo consumidor como algo satisfatório, ninguém consegue ver outra saída que não a de criticar a cobertura e apenas supor acerca do recheio do bolo sem prová-lo. E – cá pra nós – por mais informações que repórteres e informantes internos tragam aos comentaristas, profissionais, estes não deixam de exercitar suas suposições. A única diferença entre como eles supõem e como um torcedor mais atento também faz as suas elocubrações acerca de um ambiente o qual não domina está nas referências de cada um.

O apanhado de links deste post não serve pra dizer que eu “estou acertando mais do que errando” nem que eu sou um poço de contradições. Porém, acho interessante retomar discussões de meses anteriores ainda dentro desta temporada porque eles funcionam como indícios. Um indício é uma pista: aonde precisamos chegar? Esse conjunto de fatores está nos levando a descartar tralhas e a acumular valores?

É uma pena que raros são os comentaristas profissionais preocupados em contextualizar tanto seus acertos como seus erros em uma linha de tempo na qual se possa notar os caminhos bem ou mal seguidos a partir das pistas que eles mesmos observaram.

No meu caso, como amador, acho excelente que Ruy Geodésico e Joílson tenham ido embora e que Túlio não seja mais titular do Grêmio. Além deles, incluo também nessa virtuosa lista de demissões o não-ex-botafoguense Jadílson.

No Período Entre-Técnicos e no início da Dinastia Autuori, a botafoguização foi a maior culpada pela fragilidade defensiva, pela baixa qualidade no passe, pelo baixo índice de desarmes e, consequentemente, pelo deslocamento voluntário de peças-chave da armação para virem tapar buracos atrás. Hoje em dia, a valorização das categorias de base do Grêmio garantem que, na pior das hipóteses, nossos PIORES jovens no mínimo deverão superar um pouco a baixa qualidade técnica dos ex-botafoguenses citados.

Imaginem então o imensurável ganho na relação custo/benefício quando os guris do sub-17 e do sub-20 forem acima da média…

NEGOCIAÇÃO E FORMAÇÃO DE JOGADORES NO BRASIL

No atual estágio financeiro do  futebol masculino profissional jogado pelos clubes brasileiros, é extremamente difícil manter a espinha dorsal titular durante mais de uma temporada. Caso um dos titulares seja oriundo das categorias de base e apresente um desempenho acima da média, este será o primeiro a ser negociado para o exterior.

A repatriação de atletas é cara e de resultado incerto. Os melhores só voltam  ao país sob três condições: 1) ou em idade avançada demais, já com uma sobrevida física muito reduzida; 2) ou após terem se comportado como primadonnas em uma cultura que procura abominar o paternalismo ainda custando uma fortuna aos nossos cofres ou, finalmente, 3) retornam “bichados”, sem nenhuma garantia de que seus joelhos, tornozelos, músculos e tendões que lhes proporcionaram cirurgias e muitos meses afastados dos gramados tornem a permitir que o seu rendimento seja no mínimo 80% parecido com aquele que os fez emigrar.

Por não termos uma esmagadora maioria da população composta por imigrantes e descendentes de imigrantes italianos, alemães e espanhóis como ocorre na Argentina, nossos jogadores chegam ao Velho Mundo sem o passaporte da União Européia. Portanto, sem esse diferencial competitivo, salvo raríssimas exceções, nossos clubes tem que vender barato.

Após décadas de planos econômicos fracassados, de um enorme paternalismo e de um clientelismo nojento entre o público e o privado, nossos grandes clubes, em sua maioria, estão à beira da falência. Isso força os jogadores de capacidade medíocre de mais de 25 anos a fazer fortuna no Catar, na Coréia do Sul, na China, no Japão, na Ucrânia, na Suíça, na Turquia e em clubes menores dos grandes centros (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e Portugal, com uma licença poética para França e Holanda).

Nossos jovens das seleções Sub-17 e Sub-20, cuja exposição midática global é garantida pela FIFA, também são bastante acompanhados por intermédio dos olheiros que os euros podem pagar. Além disso, o impedimento institucional (e, em alguns casos, até mesmo legal) de poder negociar diretamente de clube a clube sem o intermédio de um agente-atravessador poliglota e muito bem comissionado contribui vorazmente para a remontagem anual de nossos plantéis.

Até aqui, nenhuma novidade. Mas este post tem a função de servir como um link de contextualização entre o post anterior e o próximo – ambos diretamente relacionados ao trabalho que tem sido feito no Grêmio.

GRÊMIO: ONDE AUTUORI SUPERA ROTH?

Não sei se o título deste post é o mais adequado. De qualquer forma, independentemente da classificação do Grêmio ao final deste Brasileirão, creio que o nosso plantel, mesmo estando entre os cinco melhores do país, continua desequilibrado em algumas posições na titularidade e carente de peças de reposição não digo à altura dos titulares, mas sem que soframos quedas bruscas após as substituições em determinados setores. Então, com o que temos, acho que Autuori está conseguindo – aos poucos – superar as convicções de seu antecessor.

O grosso da torcida não vai abraçar essa ideia comigo. Mas, se não der pra vir o título ou a vaga à Libertadores do ano que vem, caso o ritmo deste início de 2º turno seja mantido (ou até mesmo superado), me sentirei conformado em função da excelente perspectiva de termos um 2010 bem mais consistente.

A forma de comparação que considero como a mais plausível no futebol contemporâneo decorre da relação entre o desempenho do mesmo profissional sobre a sua própria performance pregressa cujas estatísticas tenham sido  obtidas de preferência no mesmo clube e atuando junto a um contingente significativo de colegas que se repetem em pelo menos duas temporadas sucessivas.

Hoje em dia, apenas quem possui mais dinheiro pode se dar à necessidade de financiar a consistência que se adquire apenas com a continuidade. A repetição de padrões obtida após infindáveis tentativas e erros resultará em um processo no qual os acertos finalmente serão reconhecidos. Consequentemente, manter uma máquina funcionando é bem mais difícil do que fazer com que um equipamento desenvolvido para suportar uma determinada carga consiga se superar.

A defesa de Celso Roth que eu fazia anteriormente é também a defesa que preciso fazer de Autuori neste momento. Ambos são técnicos experientes. O currículo dos dois é bem diferente. Porém, não creio que as conquistas maiores de Autuori o tornem imune às críticas, nem que as conquistas menores de Roth impeçam que se reconheça eventuais avanços do time do Grêmio sob o seu trabalho.

Eu consigo perceber que, após a 25ª rodada do Brasileirão 2009, a perspectiva que se desenhou quando houve a decisão de renovar com Roth após o brilhante vicecampeonato em 2008 era bem menos esperançosa do que aquilo que se avizinha daqui a quatro meses.

Enfim… Caso o Grêmio não consiga acabar o campeonato no G4, apesar dos pesares, agora vejo um padrão definido bem desenhado. Percebo que os guris que sobem da base estão cada vez mais integrados à realidade profissional. Eles não são mais entregues aos tigres no Coliseu.

Essa sensibilidade faltava a Roth. Ele não é nem nunca foi um especialista em gurizada – apesar de ter tido o mérito de ter lançado Robinho nos profissionais do Santos.  Saimon foi lançado na fogueira, assim como Douglas Costa. E há ainda outros exemplos.

PROBLEMAS DO JORNALISMO COMO REFERÊNCIA HISTÓRICA

A minha querida amiga Cláudia Cardoso postou no Dialógico (que ela divide com as incríveis charges do Eugênio Neves) um artigo interessantíssimo chamado “O Comprometimento da Mídia Guasca com Yeda Crusius“.

Nesse post, os comentadores* Miguel Grazziotin e Turquinho consideram a hipótese bastante plausível de que a blindagem da corrupção do atual desgovnerno bovino não se deva apenas à preservação pura e simples dos interesses econômicos e simbólicos dos patrocinadores da mídia corporativa do RS, mas também a uma espécie de contrato social de baixo nível entre corruptores e corruptos. Segundo essa premissa, não seria nada difícil supor que a RBS e todas as suas concorrentes tenham se envolvido no processo de articulação responsável pela maior dilapidação que este estado já viu.

Ora, se a blogosfera possui (ao contrário do que o prof. Celso Schröder me levou a crer em debate recente – mas isso fica para um post que estou devendo) apuração, reportagem, investigação, denúncia e opinião responsável e metodologia de documentação a partir de jornalistas, sociólogos, filósofos, geógrafos, historiadores e uma série de cidadãos críticos e responsáveis, não é impossível desconstruir essa blindagem. Se essa blindagem for rompida por um necessário aumento do espectro que essa desconstrução atualmente em curso possa vir a alcançar, logo, tornar-se-á impossível à mídia corporativa manter a sua credibilidade perante a maioria da população.

No final do post, a Cláudia escreveu algo que me levou a uma preocupação. Preocupação esta que levarei à minha cunhada Rosângela Oliveira, aos professores de cursinho da minha Lu (que vai prestar vestibular para História) e para o já quase historiador Rodrigo Cardia do Cão Uivador.

Disse a Cláudia:

“…Quem recorrer aos jornais impressos, daqui há alguns anos, não poderá avaliar a situação dramática do RS nesse período…”

Nós, leigos em História, em Biblioteconomia, em Museologia e em Arquivologia, estamos todos acostumados a reunir jornais e revistas como documentação factual devido à facilidade de acesso e à cronologia que esse suporte de informação cotidiano nos fornece há pelo menos um século e meio no Brasil.

No entanto – e aí preciso do socorro do pessoal da área de História – parece que muitos historiadores prudentemente apresentam muito cuidado para evitar tanto quanto possível a relação direta entre a confiabilidade do conteúdo jornalístico como fonte histórica e a devida transformação desse material bruto em História. consagrada. Pessoalmente, creio que isso se deva a uma série de fatores:

1) A informação mediada sempre serve aos patrocinadores da mídia corporativa – que, por sinal, são aqueles que detém o status quo. Logo, tudo o que não interessa ou é omitido, ou é manipulado, ou, ainda, não é analisado com a devida profundidade;

2) O procedimento cuidadoso leva os historiadores a terem a imprensa como uma referência menos importante – ou, então, apenas como mais uma referência dentre tantas outras amostras documentais e testemunhais. Dessa forma, me parece que, tanto quanto possível, o processo historiográfico deve buscar reunir, além das provas materiais e documentais mais corriqueiras, um conjunto de depoimentos de protagonistas, antagonistas e de herdeiros relacionadas a um determinado contexto;

3) Em um futuro não muito distante, os jornais e revistas cujo suporte material ora é o papel ou o plástico estarão em desuso por causa da dificuldade de conservação, desse material, do alto custo de armazenagem de material com volume e peso significativos e, obviamente, também em função da sustentabilidade por uma questão de sobrevivência.

Isso posto, toda a informação que circula e pode ser reproduzida digitalmente não depende mais de nenhum suporte material. Todavia, a existência e o consumo da informação digitalizada só são percebidos a partir do momento em que esse conteúdo é reproduzido em uma série de interfaces cujos suportes são todos necessariamente alimentados por uma série de formas de energia que se transformam em eletricidade. Sem energia, o que está armazenado não pode ser recuperado nem tampouco reproduzido. Em outras palavras, a informação “desenergizada” não é informação. Afinal de contas, sob essas condições, todo e qualquer conteúdo não passará de um amontoado de bits presos em suportes sintéticos impossíveis de ser recuperados.

Por exemplo: o que é um HD? O que é um pen drive? O que é um cartão de memória? O que é um DVD? A apropriação básica para a qual esses produtos foram criados perde totalmente o sentido quando o seu conteúdo não pode ser visualizado.

Então, mesmo que o problema não seja um colapso energético involuntário, podem haver cortes de energia arbitrários que funcionariam como a Inquisição da Idade Média – os apagões seriam o poder do clero e da nobreza “queimando” os “livros” da pós-modernidade.

Hoje, discute-se muito a abolição dos direitos autorais, que é uma agenda decisiva. Outra agenda diretamente relacionada a essa é a da democratização e da desconcentração da propriedade e da livre expressão dos mídias. Porém, o que eu trato neste post deverá necessariamente se tornar uma questão crucial para a permanência da memória e para o respeito a todo e qualquer tratado capaz de organizar a sociedade.

Já está mais do que na hora de discutirmos garantias legais que sustentem uma certa materialidade para a informação que – desde o começo deste século – está sendo quase totalmente digitalizada.

Portanto, a democratização da comunicação depende também da preservação do acesso tecnológico necessário aos suportes de todo o conhecimento da humanidade que não cabe mais em bibliotecas, nem nos museus e tampouco nos órgãos do Judiciário.

Com a palavra, os especialistas! ;)

EXPERIMENTAÇÃO, CONSTRUÇÃO E DEBATE ATRAVÉS DA MEDIAÇÃO

Detesto conversações estéreis. Mas o que EU considero uma conversação estéril?

Estéril não é igual a fútil. Afinal de contas, a futilidade é um conceito altamente subjetivo. E, quando refiro-me à esterilidade em meio aos assuntos, refiro-me a falsos consensos ou a crenças limitadas pela ausência de uma posição diferenciada.

Diga-se de passagem, uma posição diferenciada não necessariamente precisa ser de total discordância. Por outro lado, a total concordância me parece mais uma questão de deliberação pelo cansaço ou, então, uma solução imediatista viabilizada pelo oportunismo.

Com isso, considero que tudo precisa ser discutido – embora não necessariamente à exaustão. No entanto, o acordo firmado em função do contexto atual pode não servir em um contexto futuro. Dessa forma, creio que nenhum assunto se esgota.

Sem querer ser preconceituoso nem “do contra”, a crença na INcompletude e na eterna possibilidade de alteração das decisões formais costuma ser um verdadeiro pesadelo para quem pretende a calmaria do conservadorismo.

E por falar em conservadorismo: ser conservador não poderia jamais ser um sinônimo de atraso, de velhice, de autoritarismo ou de ignorância. O termo trata sobre a vontade de conservar o status quo como ele é por causa da incerteza da melhora.

A condição inversa (isto é, a que se julga avant garde ou progressista) também não necessariamente pressupõe que a superação de um modelo garanta ou afirme que as mudanças propostas irão proporcionar melhoras e ganhos significativos nem para a maioria, nem para determinados segmentos.

O dinamismo da dicotomia conservadorismo x progresso é forjado a partir de infinitas nuances relacionadas aos incontáveis ítens que devem ou não ser preservados ou transformados. Finalmente, é esse caldo de variáveis que irá definir se o perfil dos debatedores é comodista, medroso, sectarista, autoritário, progressista, classista ou plural. Enfim, ser conservador e ser essencialmente transformador não necessariamente garantem nem o atraso, nem o progresso.

Acredito que sem tensionamento, nenhuma força é exercida. Logo, se nenhuma força é exercida sobre corpo algum, pressuponho que há uma ausência de movimento. E ausência de movimento não garante em hipótese alguma que o que não está bom vai melhorar, nem que o que está bom vá piorar.

Ora, se sempre existem as satisfações incompletas e as insatisfações de toda ordem, tendo a crer que a falta de tensionamento e de debate representam um risco muito mais grave do que o de perder, que é o risco de evitar tentar conquistar algo.

Parto dessa lógica para explicar o que sempre norteou as minhas ações: defendo o movimento constante e a superação de modelos a partir de múltiplos saberes. E, para mim, o exercício pleno da cidadania está acima de tudo.

Quanto aos saberes, vejo várias IMpossibilidades relacionadas a eles:

1) É impossível conhecer tudo;

2) Por mais que se domine um determinado nicho do saber, é impossível conhecer absolutamente tudo sobre ele;

3) Por mais visões que se conheça sobre um determinado saber e por mais que se procure adotar uma postura de magistrado acerca dele, é impossível não ter lado: sempre se ataca E sempre se defende uma série de argumentos que compõem a natureza e o universo desse saber;

4) Todo saber é mediado. Portanto, a mediação é inerente a todo e qualquer processo de comunicação. Não importa se ela é douta ou leiga; se é técnica ou teórica ou, ainda, se é meramente empírica sem nenhum domínio absoluto da técnica ou da teoria: se não houver mediação, ou todos entenderão tudo sobre tudo, ou não entenderão nada sobre nada. Então, NÃO EXISTE A NÃO-MEDIAÇÃO: todo ambiente, toda a troca simbólica é essencialmente mediada.

Vou além: se há escolha, há mediação. E, independentemente de qualquer pressão interna ou externa que ocasiona em pressões que podem ou não induzir alguém a eventualmente considerar que não possui escolha, o ato de ponderar acerca da existência ou não de escolha para os seus atos, na minha opinião, constitui, sim, uma mediação.

Quero deixar claro que a mediação não necessariamente ocorra em função do uso técnico e teórico dos conhecimentos do Jornalismo, da Publicidade, das Relações Públicas, do cinema, da televisão, do rádio, da fotografia, da revista, do jornal, da apropriação do uso de algum suporte ou, finalmente, das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) digitais: há um conhecimento acerca da recepção que leva um leigo a dominar as deixas simbólicas dos meios de comunicação que está habituado a consumir.

Digo isso porque todos tem o direito de opinar e porque todos possuem interesses e referenciais únicos. Até mesmo os valores de pessoas das mesmas famílias, da mesma vizinhança, da mesma profissão, do mesmo clube, do mesmo partido e com as mesmas virtudes e defeitos COLETIVOS  diferenciam-se a partir da mediação pessoal – portanto, única – de cada indivíduo. Logo, as variáveis são infinitas, pessoais e intransferíveis.

Portanto, considero absolutamente natural a superação do modelo do receptor. Quem recebe, possui valores que, por sua vez, farão com que, independentemente do fato de ser atingido por uma única fonte emissora, pondere e decida se acredita ou não em um determinado conjunto de informações. Ao discutir esses assuntos, estará exercendo a sua própria mediação. Esse procedimento, para mim, configura o papel de interagente.

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A partir das premissas acima, não considero complicado – e nem tampouco ilegítimo – opinar acerca de um tema que eu não domino. Prefiro emitir minhas considerações DE MOMENTO a partir das informações que possuo até agora e seguir descobrindo mesmo que, AGORA, eu erre feio.

Esse procedimento pode ser anticientífico? Depende do ponto de vista. No meu, não é. Afinal de contas, prefiro testar hipóteses e ir acumulando conhecimento ao longo do tempo. O meu parecer ora insuficiente mais adiante terá acumulado informações suficientemente consistentes a ponto de eu poder demonstrar a sua evolução.

Com isso, considero que não sou mais nem menos do que Bill Gates. Ao mesmo tempo, também não sou melhor nem pior do que o político mais corrupto ou o mendigo mais necessitado.

Um dos pensamentos de mais baixo nível, para mim, é o de considerar como demérito ser corrigido. Pior é possuir a vaidade e a falsa competitividade de querer ser o dono da razão. Muitos vestem a máscara de ministros da República das Letras porque creem que sua reputação crescerá escondendo as suas contradições.

Em função dos ritos que se estabelecem a partir dos interesses que atravessam e são atravessados pelas mediações, também considero extremamente chato seguir protocolos. A questão dos protocolos envolve um outro critério subjetivo – o “bom senso”. E o bom senso, por sua vez, é tão abstrato quanto a “opinião pública”.

Que a minha ignorância sobre sociólogos e filósofos clássicos me perdoe, mas, por enquanto, ainda creio que a “opinião pública jamais foi provada empírica ou cientificamente como um pensamento único – ou quase único – representado pela suposta “voz” de umaa maioria que (em tese ) não poderia ser desconstruída após a legitimação (institucionalizada ou não) desse pensamento hegemônico.

Por tudo isso, pretendo sempre lançar mão da perspectiva de onde e quando julgar que as minhas crenças possuem um viés diferente ou mais abrangente. Tem gente que tem medo ou vaidade e considera ganhar um debate o supra-sumo da prova da sua inteligência, mas eu não sou assim.

Conclusão: a melhor aprendizagem é o debate constante.

O próximo post será um exemplo prático sobre um debate que poderia ser mais amplo e mais vantajoso para a sociedade caso determinados representantes tivessem maior facilidade em ser curiosos e menos protecionistas.