A ECONOMIA POLÍTICA DO FUTEBOL BRASILEIRO I

A proposta de mudança do regulamento do Brasileirão – pelo menos da Série A – proposta pela Rede Globo soa como um escárnio. E, caso o Clube dos 13 a aprove, mostrará que é subserviente e que pouco se importa com a regularidade que um campeonato sério precisa ter a fim de afirmar a sua credibilidade.

O Juca Kfouri levantou a lebre (“Viva! Quem Diria?”, “Pontos Corridos x Mata-Mata: o que já saiu neste blog” e “Eis o monstro que a Globo quer criar”). Isso me lembra um post meu bem antigo (de 2007), que foi corroborado pelo Rodrigo Cardia do Cão Uivador a partir de argumentos históricos bem interessantes. O Bruno Coelho do Grêmio 1903 também apresentou mais um conjunto consistente de argumentos pró-pontos corridos.

Em um primeiro momento, o fato de o Brasil sediar a Copa 2014 e a Olimpíada 2016 fazem com que o país passe a ser extremamente visado, observado e fiscalizado por organismos internacionais como a FIFA e o COI. Na rebarba, virão FMI, Banco Mundial, ONU e UNESCO, Conferência para o Comércio e o Desenvolvimento, Fórum Social Mundial, etc. Tudo isso influi decisivamente na prospecção de novos investimentos eeconômicos em todas as áreas do conhecimento tanto no ambiente sociotécnico (“mercado de trabalho”) como no ambiente acadêmico (ensino, pesquisa e extensão do conhecimento junto à sociedade).

Não entro em nenhum mérito acerca da índole, da competência e do histórico por vezes suspeito de boa parte dos principais entes envolvidos no lobby que favorece o país na sua aceitação por parte da comunidade internacional. Excluo deste post o componente político-partidário, bem como a análise teórico-prática das ideologias. Independentemente desses fatores, o Brasil é – mais do que nunca – OBRIGADO a virar um país bem mais cooperativo e menos concentrador do que sempre foi em curto prazo. Ponto.

Em função dessa necessidade iminente de evolução da respeitabilidade do país no cenário mundial, o Clube dos 13 tem-se aproximado da ECA (União Européia de Clubes – o antigo G14), da UEFA, da FIFA e da própria ONU.

Isso posto, os grandes clubes brasileiros agora estão com a faca e o queijo na mão: primeiro, porque cresce seu poder coletivo de barganha junto às federações e à televisão em questões que tangem ao marketing e à comunicação. Segundo, porque  as políticas de relacionamento suprainstitucional aumentam a sua autonomia em relação à CBF e à CONMEBOL acerca do calendário e do  regulamento das principais competições. À medida que a rede de contatos lhes proporciona uma massa crítica mais recheada de informações consistentes, as desculpas a favor do formulismo vão diminuindo. Por que? Ora: por causa do dinheiro! Afinal de contas, os patrocinadores melhores e mais vultosos podem finalmente vir pra cá sem medo.

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