ARBITRAGEM: POR QUE NÃO DISCUTO

O chororô e a descompostura do melhor presidente de clube do Brasil, Luiz Gonzaga Beluzzo do Palmeiras, me fizeram voltar a um assunto que acho desnecessário alimentar: se há ou não queridinhos e coitadinhos na relação entre clubes, arbitragem, CBF, CONMEBOL, FIFA, etc. Nessa, eu tô com o Marcão.

Na boa: todos os árbitros erram para os dois lados quase sempre. De maneira geral, a arbitragem é de menor qualidade do que desonesta. Gozado: quando eles ganharam do Cruzeiro com ajuda dos erros de arbitragem, ninguém chiou.

Se formos considerar ladroagens provadas e não-provadas e se resolvermos supor que existe arranjo em todo e qualquer jogo de futebol, é melhor se ater para o fato de que todo grande clube é favorecido e prejudicado em função dos interesses de mercado da televisão e de seus patrocinadores.

Não dá pra defender o Grêmio. Pensar que gaúcho é excluído e injustiçado é mito, pois o Grêmio foi ajudado a subir em 1992, pois não tinha time nem mesmo pra passar da 1ª fase da Segundona. Além disso, a CBF inventou o acesso de 12 clubes inchando um bom campeonato de 20 para 32 só para nos beneficiar. Portanto, não se pode dizer que o Grêmio é um coitado que não tem poder político.

Se for feita uma estatística séria, haveria uma proporcionalidade de erros em função do tamanho do mercado atingido por cada patrocinador em cada região do país?! Creio que não.

Digamos que eu acredite em teorias da conspiração: SP sozinho quase 20% da população. O RS possui 1/4 da população de SP. Logo, deveríamos ser “roubados” na proporção de 4:1. Não medi, mas duvido que chegue a esse índice. Deve ser bem menos do que isso.

Bem… Supondo que o mundo seja totalmente picareta e que nós sejamos os mais coitados dentre os coitados, se – e somente se – as arbitragens fossem “todas” “viciadas”, sempre que os patrocinadores da Rede Globo no Brasileirão 2009 (Casas Bahia, Brahma, Volkswagen, TAM e Itaú) estivessem com problemas de mercado aqui, dariam um jeito de a Globo intervir na CBF e na COBRAF para ou ajudarem, ou ao menos não prejudicarem Grêmio e T.A. para que o consumidor daqui corra atrás de seus produtos. Mas isso também não acontece.

Não creio em teorias da conspiração, mas, sim, em eventuais falhas grosseiras que realmente podem ter o dedo de alguém. Porém, a ruindade é tão grande que é quase impossível provar.

No caso do T.A. x Corinthians em 2005, houve o dedo da FIFA: se fossem seguir ao pé da letra, além de não poder realizar os 11 jogos apitados por Edilson Pereira de Carvalho novamente porque a lei do futebol diz que o resultado de campo não pode ser alterado mediante erros de fato, o Brasil teria que ficar fora da Copa de 2006. E Copa do Mundo sem o Brasil não existe.

Já no ano passado… Bem… O Grêmio fez milagre chegando aonde chegou, mas faltou um algo mais que Celso Roth não tem capacidade de dar. Além disso, o Grêmio foi beneficiado com alguns gols em impedimento (Perea contra o SPFC no Olímpico, por exemplo). Então, aquela história de trocar de árbitro por causa de ingressos p/show da Madonna… Convenhamos: não é estranho se vender por algo que o cara pode comprar com um pé nas costas?! Acho que ele só foi excluído pra não levantar suspeitas, mesmo.

Eu acho que não dá pra ver conspiração em tudo quanto é canto. Senão, a gente não vive: se deixa de fazer com paixão aquilo que se gosta e também não se curte nem os momentos de lazer.

Se formos pensar assim, não se trabalha, não se estuda, não se assiste futebol, não se vai ao cinema, não se lê um livro, pois há filhadaputismo em todas essas indústrias.