TCHECO deve toda a sua carreira a uma torcida que lhe deu muito carinho
Dada a comoção e a polêmica gerada pela saída do jogador Tcheco do Grêmio em vários blogs, como Grêmio Sempre Imortal, Alma da Geral, Blog do Torcedor do Globoesporte.com, Grêmio Libertador e Grêmio 1983, resolvi deixar meus dois centavos de contribuição para esse debate.
Embora reconheça que Tcheco me deixou contente em diversas situações, a sua primeira passagem pelo Grêmio foi a única na qual poder-se-ia depositar confiança e esperança nele como o pivô das virtudes que nos faltam há tantos anos. Todavia, apesar das palavras duras que o Impedimento (v. 12º parágrafo) certa vez emitiu a seu respeito, infelizmente, a segunda passagem do jogador paranaense pelo clube apenas comprova que, com ou sem parceria de qualidade, trata-se de um coadjuvante que acabou ganhando o papel principal com a impossibilidade de formar novos valores ou de contratar alguém de peso em uma época de guaiaca furada.
Adianto que não seco o meu próprio time sob hipótese alguma e respeito muito o cidadão, o pai e o profissional. Certamente a sua passagem pelo nosso Tricolor dos Pampas não passará em branco. E todo este fuzuê na blogosfera servirá como ponto de partida para conversarmos sobre Tcheco com nossos filhos e netos.
Adianto que nunca o achei ruim, mas tampouco o considerei insubstituível, marcante ou histórico. Foi útil durante um bom tempo. Porém, quando o corpo cobra, não há perhaps. Logo, apóio integralmente a diretoria do clube, assim como apoiei quando da não-renovação com Sandro Goiano (outro falso ídolo, de muita vontade, muito carinho, porém – ao contrário de Tcheco – extremamente fraco tecnicamente, que jogava muito menos do que Dinho e Luiz Carlos Goiano, só para ficarmos na mesma posição).
Embora o atleta Anderson Simas Luciano tenha sido duas vezes campeão asiático, duas vezes campeão paranaense, duas vezes campeão gaúcho, vicecampeão brasileiro e vicecampeão da Libertadores, apesar da sua experiência e tempo de clube, independentemente das imponderáveis “sorte” e “azar” relacionado à dependência de se estar na hora certa, no lugar certo e cercado pelas pessoas certas, considero que sua personalidade e o seu currículo não o credenciaram para ter sido capitão do Grêmio durante tanto tempo. Isso demonstra HÁ QUANTOS ANOS O GRÊMIO ESTÁ CARENTE DE UMA LIDERANÇA VITORIOSA, EQUILIBRADA, OTIMISTA E VIBRANTE QUE SEJA CATALIZADORA DE VITÓRIAS E GERE UMA “CORRENTE DO BEM” CONTAGIANDO TODO O PLANTEL.
Tcheco ERA um jogador razoável que – no seu tempo – foi um dos melhores em função de o clube estar pobre. Como ainda estará no clube por mais dois jogos em 2009, ainda trata-se do ídolo pálido de uma geração que mal e porcamente havia visto o Grêmio de Felipão.
A carência de ídolos DE VERDADE faz com que, em momentos de penúria, se agarre no primeiro que é boa gente e diz que gosta do clube.
Considero esse fenômeno como uma tentativa de busca de uma identidade tricolor independente da forma com que as gerações anteriores de torcedores enxergam a sua experiência como adeptos do Grêmio. De maneira bem simplista, digo que, quando um atleta não-vitorioso nem aqui e nem na China (com todo o respeito aos chineses e desconsiderando a inutilidade dos campeonatos regionais), com idade avançada, lentidão física, demonstrações de que não consegue mais cobrar escanteios e faltas que o tornavam diferenciado na sua primeira passagem pelo clube é o ídolo-mor de uma espantosa geração de torcedores que vibram “como nunca antes na história deste clube®”, é sinal de que algo vai MUITO MAL.
Vou além de Tcheco nessa “eleição” de popularidade na busca de um espelho para a torcida dentro de campo: mesmo quando se conta com o melhor goleiro do mundo, um cara quase milagreiro e altamente discreto, se ele é o principal jogador do time, cqd, algo vai MUITO MAL.
Faço uma análise sem dar nem tirar o mérito de técnicos, dirigentes ou da qualidade (ou falta de) ao lado dele. Mesmo na atualidade, caso o Grêmio tivesse um pouco melhor financeiramente, Tcheco não teria passado de um mero coadjuvante.
Na última quarta no Olímpico Monumental contra o Palmeiras, provou-se que o Grêmio segue o seu caminho e tem um futuro mais promissor sem jogadores caros cuja principal virtude não passa de uma entrega que nem é total, mas, sim, seletiva, como Tcheco, Túlio, Souza e Herrera. Os meninos Maylson e Douglas Costa jogaram um bom futebol. Não exatamente encantador, não exatamente eficaz, mas comprovadamente melhor do que o do quarteto da “vontade” acima citado. cqd, A FILA ANDA.
ACRESCENTO: embora não haja muita lógica na comparação entre jogadores de épocas diferentes que tiveram o seu sucesso ou o seu fracasso determinado por condições completamente diferentes (parceria melhor ou pior dentro de campo; clube mais endinheirado; melhor planejamento da gestão do futebol; técnico de alta capacidade identificado com o clube, etc.), Tcheco NUNCA jogou (à exceção das eventuais partidas de exceção dele ou dos demais citados, refiro-me à MÉDIA de desempenho de suas atuações) o que jogavam dois jogadores que JAMAIS teriam lugar em quase nenhuma Seleção Brasileira, tais como Arílson e Carlos Miguel, por exemplo.
RECORDO que, quando Tcheco saiu do Grêmio para o mundo árabe, todos compreenderam e aceitaram numa boa. Caso ele não tivesse voltado ao clube novamente, teria sido um atleta pouquíssimo comentado. Seria mais ou menos como lembrarmos do Darci “Passarinho” do final da década de 1980 e comecinho dos anos 1990s, por exemplo.
Não nego o que ele fez de bom pelo clube e tampouco desdenho do seu gremismo. É um cara que eu adoraria ver como dirigente de algum projeto especial ou como um supervisor, caso tenha aptidão e interesse na função. Porém, como jogador, há pelo menos um ano e meio, já deu o que tinha que dar.
Seja como for, pelo menos para os jogos no Pacaembu, Mano Menezes terá um jogador que poderá ajudar MUITO a Ronaldo Fofômeno em LA10. O problema será fora de casa: será que os deuses dos estádios irão agraciar ou punir o alvinegro do Parque São Jorge no sorteio de grupos?
Independentemente da performance do Grêmio em 2010 e da comoção da volta de Tcheco ao Olímpico pelo próximo Brasileirão como adversário, mantenho a minha coerência.
Em termos de idolatria, ainda sou mais chegar no pátio do Olímpico e bater um papinho com o Tarciso ou com o João Antônio que, como coadjuvantes, foram anos-luz mais jogadores e são incomparavelmente mais identificados com o Grêmio do que Tcheco.

