O futebol escreve certo por linhas tortas. Nos gramados, o inesperado costuma acontecer mesmo quando o que os olhos dos outros veem, o pé que bate na bola não sente.
Como um atacante com uma média de apenas 0,2 gols/jogo nos clubes e 0,33 gols/partida na sua seleção nacional conseguiu ser eleito como o maior jogador ganês de todos os tempos? E como conseguiu ser escolhido como o melhor jogador africano em três temporadas consecutivas (1991, 1992 e 1993) sem ter disputado nenhuma Copa do Mundo e sem ter sido campeão nacional ou europeu por nenhum dos maiores centros europeus (Espanha, Itália, Inglaterra, Portugal ou Alemanha)?
Um pouco pela precocidade, um pouco pelos deuses dos estádios terem abençoado-o por estar na hora certa, no lugar certo e com a companhia certa, Abedi “Pelé” Ayew estreou nos Estrelas Negras aos 18 anos, em 1982. Vejam como o então menino era pé quente: em uma Trípoli abarrotada de fanáticos torcedores da Líbia, os donos da casa perderam para Gana nos pênaltis. Percebam o mérito dessa conquista ao ouvirem aquele caldeirão enorme borbulhando:
O Pelé ganês foi vicecampeão europeu em 1990/1991 contra o Estrela Vermelha da então Iugoslávia (hoje Sérvia), na derrota do Olympique de Marseille nos pênaltis por 4×5, após empate em 0×0. Porém, duas temporadas depois, mais precisamente no dia 26/05/1993, teve melhor sorte ao erguer o caneco contra o poderoso Milan ao vencer os italianos por 1×0.
Além do sucesso europeu, nessa mesma época, o Olympique sagrou-se tetracampeão francês, de 1989-1990 a 1992-1993. Vale ressaltar que a primeira temporada de Abedi Pelé no L’OM não foi nada boa: em 1987-1988, ele disputou apenas nove partidas sem estufar os cordéis das redes adversárias.
Nesse período de hegemonia francesa do L’OM, Abedi Pelé não fez parte do plantel que conquistou o primeiro título, pois passara duas temporadas no Lille. Lá ele parece ter amadurecido e ter tido maior liberdade para dar seus dribles curtos em velocidade – sua marca registrada desde sempre. Inclusive algumas de suas jogadas mais incríveis, daquelas dignas de abertura de programas esportivos, foram realizadas neste clube e não no grande L’OM. Aliás, uma de suas atuações mais sublimes foi exatamente contra o L’OM, em um clássico no qual desconcertou a marcação na entrada da área até a bola chegar livre para o avante. No 2º tempo, não sastisfeito, o craque meteu uma bucha de falta, a la Platini:
A segunda decisão de CAN com Abedi Pelé em campo foi a de 1992, na qual o já consagrado atleta foi não apenas o líder do seu time como também o goleador da competição. Infelizmente, ele havia sido suspenso e não pode participar da dramática decisão contra a Costa do Marfim, em uma extenuante decisão por pênaltis que terminou em 11×10 para os marfinenses. Ele fez falta, sem sombra de dúvida.
Pelé foi o jogador com o maior número de partidas (78) pelos Estrelas Negras e foi também seu máximo goleador em todos os tempos, com 33 gols. Vamos ver o que será que os agora maduros e consagrados remanescentes da Copa de 2006 reforçados por algumas das revelações do time campeão mundial Sub-20 contra o pentacampeão Brasil como seu filho Dedé Ayew (do mesmo L’OM que consagrou seu pai) irão aprontar em Angola daqui a nove dias…
Pelo visto, após o empréstimo para o pequeno Arles-Avignon da Ligue 2, o menino voltará para Marseille com tudo! ;)
Sem resta menor dúvidas,Abedi Pelé é indubitavelmente o melhor futebolista africano de todos os tempos,talentoso,criativo,craque ímpar,fazia coisasa incríveis no futebol,quer se queira,quer não se queira Abedi Pelé foi,é e será o melhor futebolista africano de todos os tempos.
Bacar Sanhá
[...] Abedi Pelé foi “O” cara na França, no mesmo período brilhou na Alemanha e na Inglaterra um [...]