[CAN 2010 C 1ª] EGITO 3×1 NIGÉRIA

Quanto mais eu penso que o Egito está envelhecido (seleção que não consegue ir à Copa do Mundo; Al Ahly perdeu a hegemonia continental), mais ele me faz morder a língua: no melhor jogo da CAN 2010 até aqui, os Faraós saíram atrás contra as fortes e velozes Super Águias da Nigéria, mas reagiram com MUITA autoridade.

Em comparação com todas as demais escolas do continente, o Egito é, disparado, o melhor exemplo de profissionalismo e de MATURIDADE. Embora a Nigéria tenha tido atuações muito boas de jogadores conhecidos como o zagueiro Yobo do Everton (realmente impressionante: vigoroso, leal, alto, veloz, bem posicionado – anulou no 1º tempo a referência do ataque faraó, Mohamed Zidan, do Borussia Dortmund) e o lateral-esquerdo Taiwo (o iniciador das jogadas pelo lado canhoto do campo no Olympique de Marseille), o experiente goleiro Enyeama pôs o belo gol inicial do velocíssimo e preciso Chinedu Obasi (parceiro do querido Carlos Eduardo – ex-Grêmio – no Hoffenheim) a perder por uma saída precipitada do arco, mesmo com a cobertura atenta de Yobo, que chegaria no lance.

A Nigéria começou sendo atacada, mas reagiu. Logo após o gol de Obasi, começou a se impor e o Egito sentiu a pressão. Porém, como já havia me queixado no parágrafo acima, o empate egípcio veio no contra-ataque: um lançamento para Meteeb da direita para o meio pegou a defesa – em linha – adiantada. Yobo estava lá, mas Enyeama se jogou com tudo para fora da área. Bastou Meteeb tirar do goleiro e tocar a bola rasteiro de fora da área.

Esse é o tipo de gol que não se pode levar. Angola levou o empate de Mali por causa do goleiro; a Argélia levou uma sumanta do Maláui por causa do goleiro; e o Benin deixou de vencer Moçambique por causa do goleiro… Pior: até a precipitação de Enyeama (titular há muito tempo), eu dizia que esse era o jogo entre os dois times mais técnicos e um duelo entre os dois melhores goleiros da África.

O velho e bom El Hadary continua sendo o melhor goleiro da África. O cara é tranquilo e possui uma liderança positiva. Ms o seu maior diferencial é NÃO INVENTAR.

Poderia falar sobre as virtudes individuais da Nigéria que, apesar da derrota, jogou um bom futebol. Suas duas falhas graves foram a do goleiro no 1º gol e o mandrake geral no 2º gol egípcio, ainda nos primeiros minutos após a virada de campo. O atacante Ayegbeni Yakubu (companheiro de Yobo no Everton) estava jogando o fino, assim como Obasi e Yobo. Mesmo assim, Obafemi “Oba Oba” Martins ainda é um centroavante mais efetivo, daqueles que sabe prender a bola e, se não gira pro gol, sabe dar belas assistências. Não o considero um “bancário” dessa seleção.

Obi Mikel, sim, poderia ter jogado muito mais: o volante do Chelsea teve que fazer o mesmo que seus colegas de posição malineses tiveram que fazer por falta de alguém mais técnico um pouquinho mais à frente. Ao invés de proteger a zaga para depois sair jogando, adiantou-se para municiar os bons atacantes. Não entendi por que o veterano Kanu (ex-Arsenal, hoje no Portsmouth, mesmo time dos argelinos Yebda e Belhadj; do ganês Boateng; do seu conterrâneo Utaka, também de boa atuação; e do marfinense Dindane) entrou em seu lugar se é atacante – muito provavelmente pela falta de um reserva para a mesma posição. O problema é a falta de um herdeiro para a posição de Jay Jay Okocha, que foi selecionável entre 1993 e 2006.

De uma maneira geral, Costa do Marfim, Nigéria, Gana e Camarões (este um pouco abaixo – tomara que esteja enganado) possuem muita qualidade do meio para a frente. Porém, o Egito possui uma zaga taticamente mais obediente e um toque de bola maior ao invés de depender exclusivamente das individualidades ou da ligação direta.

Hassan Shehata é o cara: talvez seja um dos poucos técnicos africanos capaz de, mesmo na base do feijão com arroz, pensar fora da caixa. Por isso, está no cargo desde 2004.