Finalmente, desde o início da temporada 2006/2007 do futebol europeu, a pança e o desinteresse ficaram para trás: RONALDINHO voltou a exibir aquele futebol que fez dele o melhor jogador do mundo no cômputo geral da primeira década do século XXI.
Hoje, domingo, 17/01/2010 contra o modesto Siena pela Lega Calcio 2009/2010, o guri da Vila Nova voltou a repetir um nível de exuberância que estava incapaz de exibir há longos três anos e meio. As imagens acima não me deixam mentir: foi um show que o seu suposto rival pela posição na Seleção Brasileira e eterno bom-moço Kaká JAMAIS conseguiu dar.
Kaká joga muito, sim. Kaká sofre com uma série de lesões há um bom tempo, sim. Kaká inteiro é tão insubstituível quanto Ronaldinho, sim. Nem sei por que diabos estou comparando maçãs com bananas. Mas Ronaldinho é mais espetacular. Ronaldinho é mais contundente. Ronaldinho é mais desconcertante. Tendo os dois inteiros e sentindo que o time não produz bem com ambos na titularidade, se eu sou obrigado a escolher apenas um, fico com o gaúcho.
Falo isso sem gremismo e sem bairrismo algum: afinal de contas, jamais posso deixar ninguém esquecer de que não morro de amores pelo seu irmão mais velho, procurador e pais substituto. No entanto, é preciso fazer como um amigo recente a quem admiro muito, que sabe separar desentendimentos e descrenças em relação a determinadas pessoas: partindo do pressuposto de que Assis realmente influencia bastante as escolhas de clube do seu pupilo nove anos mais novo, é inegável que todas as escolhas clubísticas feitas para (e/ou por?!) Ronaldinho foram pontuais, precisas, bem-sucedidas e totalmente adequadas ao contexto em que o jogador se encontra(va).
Recapitulando: Ronaldinho deixou o Tricolor aos 20 anos, em meados do ano 2000. A despeito daquela presepada que o presidente da gestão ISL/Grêmio fez com aquela faixa ridícula (‘Não vendemos craques’ em inglês e português), tornou-se público o fato de que uma série de medalhões (inclusive os péssimos centroavante Amato, centromédio Astrada e zagueiro Nenê) ganhava mais do que um prata da casa com quase três anos de Seleção Brasileira profissional e mais uns dois na base, cobiçado por olheiros da nata dos clubes do Velho Mundo.
Hoje, analisando a questão friamente, percebo que Assis tinha razão, posto que a carreira de jogador pode ser abreviada por uma grave lesão antes mesmo de poder fazer o seu pé de meia. Imaginem se ele tivesse sido “quebrado” ainda vestindo a camiseta do Grêmio e se a sua cura se desse após a crise da ISL, após um ano sem jogar, precisando de pelo menos mais um ano pra voltar à forma física ideal. Ele teria ficado aqui até ser rebaixado em 2004 ou, então, teria sido negociado para um mercado ainda mais barato e menos expressivo do que o francês. Certamente, a tragédia teria sido bem maior para o Grêmio.
Caso o Grêmio não tivesse “chupado bala” e o tivesse valorizado devidamente, duvido que não tivesse renovado seu contrato por três anos. Ele teria saído do clube ovacionado pela torcida, idolatrado e reconhecido com o craque da Copa do Brasil de 2001. O teríamos negociado por muito mais do que o foram Kaká e Pato. Duvido que a Série B e o endividamento monstruoso pós-ISL tivessem batido à nossa porta com tamanha contundência. E Ronaldinho teria começado a sua jornada européia direto no Barcelona, ou no Real Madrid, ou no Manchester United, ou no Arsenal.
Assis jogou na França e na Suíça. Fala francês fluentemente e possui muitos contatos nesses países. O PSG é um clube de Paris, uma das metrópoles do mundo. Mesmo sendo um clube com poucas chances de dusputar grandes títulos, lá seria mais do que certo de que seu irmão se tornaria não uma estrela ainda menor dentro de uma constelação mas, sim, um deus. E, de fato, o foi.
Quando chegou ao Barcelona, chegou no momento ideal para ele e para o clube: Ronaldinho chegava em um momento de reconstrução logo após a séria crise financeira que acometera os blaugrana e no ocaso da primeira geração de “galáticos” do arqui-rival merengue. Clube maior, responsabilidade maior, mas ainda em plena juventude junto a um plantel que estava crescendo junto com ele.
Ronaldinho conquistou tudo o que podia ainda jovem demais. O único título importante que ele não possui é o de Campeão Mundial de Clubes. No mais, ele tem faixas de Copa América, Copa das Confederações e Copa do Mundo com a Seleção Brasileira; Campeonato Espanhol, UEFA Champions League com o Barça. Convenhamos: aos 22 anos, ele foi pentacampeão mundial com o Brasil; aos 26, campeão europeu.
Se ele jogou mal contra o Tradicional Adversário e não foi capaz de impedir que eles fossem campeões do mundo, isso não tem nada a ver com gremismo ou falta de. A torcida do Grêmio não pode ter raiva dele por causa disso. Quis o destino pregar-lhe uma peça depois do chapéu em Dunga. Querendo ou não, normalmente, o feitiço se vira contra o feiticeiro. C’esl la vie…
Daí em diante, ele virou pai. Não casou, não é apaixonado pela mãe de seu filho. Assumiu o menino, sente falta dele e o vê muito pouco. Isso pesa um monte na vida de qualquer um. Imagina ainda quando se perdeu o pai ainda criança e com o risco de ver seu rebento ser criado por outro. Há homens que levam isso numa boa. Mas será que, naquele momento, ele tinha maturidade suficiente pra segurar esse rojão?
O resto já sabemos: muito dinheiro, família superprotetora e uma enorme vontade de chutar o pau da barraca. Se é pra fazer outra comparação esdrúxula, diria que ele só não deve ter tido a personalidade de Adriano para sentir-se livre pra voltar a jogar bola na Vila Nova em Porto Alegre.
Eis que surge o interesse do Milan. Um país diferente, uma língua igualmente fácil de aprender. Porém, um clima mais frio no inverno e um futebol de marcação muito mais forte do que a “faceirice” espanhola. O Milan é a grande mãe brasileira da Europa (no bom sentido, é claro): lá, dificilmente um jogador brasileiro, por mais marrento ou ignorante que seja, passa desapercebido. Seja na titularidade, seja no banco, nossos patrícios costumam passar anos em Milanello.
Kaká é um bom coração. Ronaldinho, um boa praça. Até acredito que eles não possam jogar juntos porque o time fica capenga. Todavia, nunca houve uma insatisfação ou uma rivalidade clara entre os dois. Mas o ex-são-paulino estava de saída, enquanto o projeto era Ronaldinho renascer das cinzas como uma fênix. Não foi nada planejado, mas a ida do ex-ídolo rossonero para o Real Madrid veio bem a calhar. O fato de o jovem e inexperiente técnico brasileiro e ex-craque Leonardo ter assumido o controle do plantel milanista foi decisivo para que, aos poucos, Ronaldinho retomasse o interesse pela bola e voltasse a ambicionar novas conquistas.
Me desculpem os puristas que acham que, pelo Grêmio, todos os fins justificam quaisquer meios. Contudo, por mais paradoxal que seja, eu não quero que ele encerre a carreira no Grêmio. Porque, se vier para cá, é sinal de que ele estará gordo, desinteressado e decadente. Na última comparação despropositada deste post, afirmo que, independentemente do marketing e do meu gremismo, sou pelo bom futebol e pela preservação do ídolo. Então, digo que Adriano campeão brasileiro e goleador pelo Flamengo e Ronaldo campeão paulista e da Copa do Brasil pelo Corinthians são muito menos Adriano e Ronaldo do que foram um dia.
Pra voltar ao Brasil sem ser apenas para buscar uma recuperação física e/ou psicológica com o firme propósito de ficar por aqui em definitivo sem tratar o clube brasileiro como uma barriga de aluguel das mais ordinárias, um jogador dessa estirpe – podre de rico e multicampeão já em idade avançada – deveria aceitar jogar por não mais do que 200 mil. Talvez essa seja a única forma de evitar que se supervalorize um Maxi López da vida. Pois da forma como retornaram, apesar do marketing ter sido ousado, criativo e do retorno estar sendo muito acima do normal para o empobrecido futebol brasileiro, Adriano e Ronaldo estão agindo como quem rouba doce de uma criança ou a niqueleira de uma velhinha de bengala. É como aquele ditado: “em terra de cego, quem tem um olho é rei”.
Pois na Copa mais festeira de todos os tempos, aquele colorado grosso de Ijuí (que tem pesadelos com aquele chapéu da final do Gauchão de 1999 toda santa noite há mais de dez anos) vai ter que engolir o mais africano dos jogadores brasileiros.
E, ao final, os dois irão se abraçar longamente, com o técnico de cabelos espetados dando um beijo na testa daquele que está renascendo das cinzas.
Talvez ninguém ainda tenha percebido: mesmo que ele não tenha sido longevo, perene e nem tampouco incontestável dentro do Olímpico, Ronaldo de Assis Moreira é (e ainda o será durante décadas a vir) o maior orgulho desta cidade. É o conterrâneo portoalegrense e gaúcho mais famoso da história até aqui. Graças a ele, quando se diz o nome da nossa cidade, este pedaço de chão quase indo embora do Brasil é lembrado mundo afora.
Enfim… Estou tomado pela emoção: o novo Grêmio voltou a ter cara do meu, do teu, do nosso Grêmio. Minha seleção de Camarões voltou a jogar bem depois de muito tempo. São todos recomeços. O futuro é incerto, mas o momento é mais do que promissor: é repleto de confiança.
Com lágrimas de felicidade, me despeço por hoje pedindo para que entrem no site oficial de Ronaldinho, cliquem na bandeira do Brasil e acompanhem as imagens que se sucedem no lado esquerdo da página ao som da canção Nego Drama dos Racionais MC’s.
dunga voçe e o tecnico mais burro que eu ja vi na minha vida ,ronaldinho gaucho é o cara que ia trazer o titulo pra gente, so voçe nao enxerga isso ,viado!leva o ronaldinho e o adriano!
ass:jorginho
Milton,
Embora eu seja gremistão de quatro costados e goste de uma boa cornetagem, faço um esforço quase sobre-humano pra tentar ver tanto o lado bom como os podres que enxergo no Tricolor sem exagerar nem pra mais, nem pra menos. ;)
Nas poucas vezes em que gasto energia quase à toa pra falar do Tradicional Adversário (seja bem ou mal ou, pior, comparando um ao outro), só exagero quando encontro algum dos meis amigos que trabalham na assessoria de imprensa ou no marketing porque o discurso deles é muito “mala”. ;)
O Ronaldinho é um atleta especial. Especial porque é – talvez – o maior craque (tecnicamente falando) e – certamente – o jogador de maior exposição midiática em nível mundial já nascido nesta terra. Isso eu falo sem qualquer bairrismo ou gremismo. E acho que é essa constatação que faz com que tu também o admires! :)
Agora, estamos em meio a mais um Bovinão. Não digo “que vença o melhor” porque, mesmo sendo contra esse campeonato e mesmo que o Grêmio porventura venha a ser pior, melhor erguer essa taça pouco importante do que nada. Mas não vibro mais ensandecidamente como na minha adolescência, que viu um hexacampeonato.
[]‘s,
Hélio
Bem, sou um admirador de Ronaldinho. Gosto de futebol, carajo! E elogiar a Ronaldinho não é diminuir outrem, é apenas elogiar um raríssimo jogador que sabe unir desempenho e beleza.
Ronaldinho não tem nada a ver com Robinho. Mas nada mesmo. Perto de Ronaldinho, Robinho é circense. Ronaldinho faz circo com os outros.
Eu detestaria se um um dia ele voltasse ao Grêmio e ergo as mãos para os céus pelo fato da maioria burra de gremistas ser hostil ao craque. Deixem ele lá fora mostrando seu jogo! A gente vê pela TV. É muito mais democrático, não?
Grande abraço, Hélio!
My recent post A origem da utilização da palavra “Veado” para designar homossexuais no Brasil (direto para a Wikipedia!)
Hola
El GRAN ARGENTINO MESSI ES LO MEJOR JUGADOR DEL PLANETA.
Usted brazucas tiene mucha envidia de nosotros porque Messe Es Lo mejor jugador del planeta.
LOS BRAZUCAS SON FRACAZADOS !!!
Para nosotros Dinho es un brasileño Débio en decadencia.
Robinho es un jugador fracazado que pedala, pedala mas no say de lugar .
La verdad los jugadores Brasileños son débios y fracazados.
Su Fútbol tiene una gran necessidad de nuestros jugadores para hacer su mediocre fútbol triunfar.
Acá nuestros equipos no tiene necesidad de los brazucas para hacer nuestro fútbol triunfar porque usted brazucas son débios y fraczados.
El Gran Argentino Messi es lo mejor jugador del Planeta.
Somos los mejores.
Un saludo
Carisimo Estéban,
Primero, muchisimos gracias por tu participación en este debate. Creo que la función de un blog es exactamente la de cambiar informaciones y hacer buenas discusiones que los perodistas no costumbran hacer.
Segundo, perdón por hablar en "portuñol", pero mi español no es lo más gramaticalmente correcto. ;)
Volviendo a tu comentario: si hubier interés tuyo, por favor, pido que escojas algun articulo antiguo que yo tenga escribido. No soy un brasileño patriota ni tampoco ufanista. Soy muy critico. También soy contra fomentar un nivel de rivalidad entre brasileños y argentinos que creo no trazer provecho ninguno ni en cuestiones sociales, ni en el ambito economico.
Gusto, opinión y razón cada cual con la suya. Puedo no subscribir tus ideas, pero es mi obligación respetarlas. Si todos piensasen de la misma manera, entonces el mundo no desarroyariase jamás. :)
Messi es, si, um grandisimo jugador. Es un crack. Me encanta muchisimo. Juga en el Barça que es mi club en España.
Ronaldinho fue un chico que todos acá en Porto Alegre vimos crescer. Fue para la Europa muy temprano y nos dejó mucha soledad. Pero se fué cuando Grêmio no ganaba en el año donde nuestras deudas pasaran a miltiplicarse terriblemente. Nos dejó sin ganar una copa importante mientras su hermano Assis, un antiguo jugador del club, es el hombre que hasta hoy distribuye las cartas de su carrera. Esto generó un descontentamiento muy grande de muchos hinchas de Grêmio con la persona de Ronaldinho.
Entonces, esto post tiene como objectivo defenderlo en un momento de recuperación y de reafirmación. Imagino que lo mismo tenga sido hecho con El 10 Maradona…
Las conquistas generales y continuadas al largo de lo tiempo de Messi pueden ser, pero hasta ahora no fueran tan grandes cuanto las de Ronaldinho. Ronaldinho no tiene un Mundial de Clubes FIFA, pero tiene una Copa del Mundo FIFA. Sinceramente, yo creo que toda la generación de Messi no tendrá calidad para alzar Argentina a su tan sueñado tri.
Probablemente, Messi tenga mas unas ocho o nueve posibilidades de ser el jugador del año FIFA e pueda ser el crack mundial de esta decada (o decenio). Ronaldinho lo fue de la decada que se acabó en el último dia de 2009 incontestablemente. Ronaldinho tiene en lo maximo tres o cuatro posibilidad para seguir encantando al mundo.
Sinceramente, no fue mi interés compararlos. Y no hará ningun mal si Messi superar Ronaldinho.
Saludos,
Hélio Sassen Paz
Maestro en Ciencias de la Comunicación
Porto Alegre, RS, Brasil
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